Sativa: Efeitos, Uso Medicinal e Diferenças em Relação à Indica

Veja como a Cannabis sativa pode ser utilizada para o tratamento de doenças e seus efeitos no corpo. Leia agora!
sativa

A Cannabis sativa é uma das espécies dessa planta de alto valor para a Medicina.

Embora também conhecida pelo uso recreativo, ela se destaca mais pelas propriedades terapêuticas das substâncias ativas que são extraídas dela.

Desde a descoberta do sistema endocanabinoide, na década de 1960, a Cannabis tem sido estudada e não param de surgir evidências da sua eficácia em diversos tratamentos.

Nesse sentido, a espécie sativa é uma das fontes do canabidiol, o composto usado como matéria-prima para fabricar os mais variados medicamentos, empregados na abordagem a uma extensa lista de doenças.

Avance na leitura e conheça essa planta rica em possibilidades de uso na área da saúde.

O que é sativa?

Cannabis sativa é a mais conhecida espécie da Cannabis, e é encontrada principalmente em lugares com clima quente e seco e longos dias de sol, como algumas regiões da África, da América Central e da Ásia Ocidental e Sudeste.

É uma planta alta e fina, que leva mais tempo para amadurecer.

Essa variedade geralmente apresenta doses mais baixas de CBD e mais altas de THC, o tetrahidrocanabinol.

As folhas dessa espécie têm um formato peculiar, recortadas em segmentos longilíneos e serrilhadas.

Já as flores têm um tipo de penugem e, nos espécimes femininos, segregam uma resina.

Mas não são apenas das folhas e flores que se extraem produtos e medicamentos.

O caule da Cannabis sativa também é aproveitado para a produção de fibras conhecidas como cânhamo, largamente utilizadas pela indústria.

Qual é a origem da sativa?

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As plantas do gênero Cannabis estão entre as culturas mais antigas já conhecidas.

Acredita-se que ela seja nativa da Ásia, em algum lugar entre as regiões em que ficam hoje a China, a Mongólia e o Sudeste da Sibéria.

Estima-se que seja utilizada para diversos fins há pelo menos 10 mil anos e cultivada há cerca de 6 mil anos.

Hoje, o cultivo da Cannabis se faz notar no mundo todo, embora uma parte dele seja orientado para o mercado ilegal de uso recreativo.

No entanto, na maior parte da sua história, a planta foi consumida com propósitos medicinais e também cosméticos.

Com a descoberta e o isolamento do canabidiol (CBD) em 1963 pelo químico Raphael Mechoulam, inaugurou-se uma nova era de estudos sobre a Cannabis medicinal, quando então a ciência descobriu o sistema endocanabinoide.

Hoje, o que não faltam são pesquisas que indicam os benefícios do canabidiol para a saúde humana.

Quais são os tipos de Sativa?

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A indústria da Cannabis utiliza as diferentes espécies da planta de variadas formas, afinal, cada uma apresenta concentrações distintas de canabinoides.

Por isso, vale prestar atenção às características não só da Cannabis sativa como das suas variedades.

Outro aspecto a ser destacado é que, no Brasil, têm sido concedidas liminares autorizando o cultivo da planta com fins medicinais.

Veja, por exemplo, o caso da família do “seu” Ivo Suzin.

Portador de Alzheimer, ele teve no CBD o remédio que veio a aliviar a agressividade causada pela doença.

Sativa

Na variedade sativa, a planta apresenta caules cultiváveis, usados na produção de sementes ou de fibras.

Estas, por sua vez, são geralmente longas, com sementes menores que as de outras espécies de Cannabis, podendo ser ramificadas ou não.

Nela, há também alguns exemplares monoicos (com órgãos reprodutores de ambos os gêneros).

Ela pode, ainda, ser chamada de cânhamo, cânhamo-europeu ou cânhamo-ordinário, dependendo da região em que é cultivada.

Trata-se da mais conhecida subespécie da Cannabis sativa, sendo encontrada principalmente em lugares com clima quente e seco e com longos dias de sol.

É o caso de algumas regiões da África, da América Central, do Sudeste Asiático e algumas partes da Ásia Ocidental.

É uma planta alta e fina, que leva mais tempo para amadurecer e geralmente apresenta doses menores de CBD e maiores de THC.

Spontanea

Mais conhecida como Cannabis ruderalis, é a subespécie menos abundante entre todas do gênero.

Um dos seus traços característicos é não crescer muito, o que a torna a mais baixa entre todas as variedades de sativa.

Contudo, ela se adapta bem a regiões com climas mais rigorosos, sendo encontrada na Europa Oriental, no Himalaia e na Sibéria.

Tem um nível baixo de THC e maior de CBD.

Indica

Subespécie nativa da Ásia Central e do subcontinente indiano, tem como origem provável a região que cobre o Afeganistão, o Paquistão e a Índia. 

Sendo assim, se trata de uma variedade adaptada ao clima desses países, classificado como ventoso e tropical.

A Cannabis sativa indica é a subespécie mais larga e baixa, com crescimento mais rápido que a Cannabis sativa sativa, e níveis maiores de CBD e menores de THC.

Afegânica

A variedade afegânica é conhecida por apresentar grande parte das características desejáveis ao produtor de Cannabis para uso comercial.

São plantas baixas, com folhas verde-escuras e de amadurecimento precoce.

A variedade afegância também se caracteriza por produzir uma quantidade abundante de resina, além de gerar uma Cannabis com cheiro peculiar.

Qual é a diferença entre sativa, indica e híbrida?

A Cannabis sativa é apenas uma das plantas principais do gênero Cannabis e aquela com maior concentração de THC, a substância responsável por causar os efeitos psicoativos.

Embora seja bastante conhecida pelo uso recreativo, dela se extraem canabinoides com propriedades medicinais em larga escala.

Afinal, ela não tem somente THC.

Ele está presente em toda a planta, mas em concentração muito maior nas flores e na resina das fêmeas.

Outro nome popular associado à Cannabis é o “cânhamo”, que também advém desse gênero de planta, mas cultivado com finalidade distinta.

Na verdade, cânhamo é o nome atribuído às plantas de Cannabis com baixo teor de THC. 

Delas, se extrai um conteúdo fibroso presente no caule, utilizado principalmente na produção de tecidos e papel, mas também de resinas, biodiesel e outras matérias-primas.

Mais um aspecto a destacar é que há diferentes linhagens da planta, com variações na composição química e padrões de crescimento distintos.

A planta cultivada para o cânhamo, por exemplo, normalmente é mais alta e com um caule de maior espessura.

A concentração de THC é menor nessa variedade, pois é cultivada ao ar livre, com plantas machos e fêmeas lado a lado.

Já a subespécie Cannabis ruderalis, apesar de ter menos THC que a Cannabis sativa, não cresce muito e, portanto, não tem tanta utilidade na produção de cânhamo.

Por fim, há o cultivo de espécimes híbridos, nos quais se fazem cruzamentos entre subespécies, resultando em concentrações de THC ou CBD específicas.

Dessa forma, a principal diferença entre as espécies é a composição e o aspecto das suas folhas e flores, além, é claro, das concentrações de substâncias ativas de uso medicinal.

Quais são os efeitos da Cannabis sativa?

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A ciência já documentou vários dos efeitos medicinais dos canabinoides extraídos da Cannabis sativa.

Essas reações só são possíveis graças à interação dessas substâncias com o sistema endocanabinoide do corpo humano.

Portanto, é do “reforço” trazido pelo CBD e THC que se podem tirar os muitos benefícios terapêuticos, ao interagirem nesse sistema.

A gama de tratamentos em que a Cannabis tem sido empregada é bastante extensa, graças, especialmente, às suas propriedades medicinais e aos seus efeitos terapêuticos.

Veja, então, quais são os principais deles.

Analgésico

Muitos dos terpenos (substâncias responsáveis pelo cheiro) presentes na Cannabis sativa exercem ação analgésica no corpo humano.

Um deles é o óxido de cariofileno, um dos derivativos do beta-cariofileno (BCP).

Ele também é encontrado em produtos como canela, orégano, goiaba, eucalipto, cravo e erva-cidreira, sendo conhecido por suas propriedades anticancerígenas e analgésicas.

Além disso, ele ainda tem efeito antioxidante e bactericida.

Não bastassem as propriedades analgésicas, há evidências de que ele ajuda a controlar o diabetes tipo 1 e 2, doenças cardiovasculares e renais, hipertensão, Parkinson e Alzheimer.

Relaxante muscular

A eficácia do CBD extraído da sativa já é bem conhecida no tratamento de doenças que afetam o sistema musculoesquelético, como a fibromialgia e a esclerose múltipla.

Para esses casos, o canabidiol vem sendo indicado para aliviar a rigidez muscular associada a essas doenças, com resultados amplamente positivos.

Sobre isso, vale citar um estudo feito no Reino Unido, em que se compararam os resultados de tratamento com extrato de Cannabis oral e placebo.

A taxa de alívio na rigidez muscular depois de 12 semanas foi quase duas vezes maior com o extrato de Cannabis do que com o placebo (29,4% vs 15,7%)“, concluíram os pesquisadores no artigo Multiple Sclerosis and Extract of Cannabis: results of the MUSEC trial, publicado no Journal of Neurology, Neurosurgery, and Psychiatry.

Antiemético

Pacientes com câncer submetidos à quimioterapia são, via de regra, obrigados a lidar com efeitos colaterais como vômitos e náuseas.

Para eliminá-los, o CBD também é indicado, já que atua como antiemético, aliviando o grande desconforto causado pelo tratamento contra o câncer.

Anticonvulsivo

Em pessoas acometidas com epilepsia, os compostos da Cannabis sativa são eficazes para evitar e controlar convulsões – e provas não faltam para atestar esse efeito.

Uma delas é o estudo Effect of Cannabidiol on Drop Seizures in the Lennox-Gastaut Syndrome.

Publicado no The New England Journal of Medicine, envolveu 226 pacientes com a Síndrome de Lennox-Gastaut (SLG), uma condição epiléptica pediátrica grave. 

No caso, os pesquisadores observaram que a adição de canabidiol ao tratamento farmacológico antiepiléptico convencional reduziu bastante a frequência das convulsões.

Ansiolítico

No artigo Canabidiol, um componente da Cannabis sativa, como um ansiolítico, publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria, pesquisadores revisaram a literatura sobre o assunto e concluíram o potencial do CBD para ansiedade.

Confira um trecho do estudo:

Os resultados de estudos em animais de laboratório, voluntários saudáveis e pacientes com transtornos de ansiedade sustentam a proposta do CBD como uma nova droga com propriedades ansiolíticas(…)“.

Anti-inflamatório

Nem só de THC e CBD vive a medicina à base de Cannabis.

Uma das suas muitas substâncias, o canabicromeno (CBC) destaca-se por ser amplamente estudado. 

Isso porque ele apresenta um potencial terapêutico que nenhum dos outros compostos têm, como propriedades fungicidas e bactericidas.

Além disso, apresenta efeito sedativo, hipotensor e é um potente anti-inflamatório.

Efeito entourage

Efeito entourage é o nome usado para descrever a teoria segundo a qual os compostos da Cannabis produzem mais benefícios quando atuam de maneira conjunta.

Isto é, as reações terapêuticas são potencializadas quando um composto ativo interage com outras substâncias presentes na Cannabis sativa.

É por isso que o uso de canabinoides isolados não é tão recomendado quanto o do extrato de canabidiol.

Isso resulta do conceito de sinergia botânica, segundo o qual compostos ativos têm sua ação otimizada quando interagem com outros da mesma categoria.

No caso da Cannabis, em 1998, os professores Raphael Mechoulam, o mesmo que isolou o canabidiol pela primeira vez, e Shimon Ben-Shabat, observaram esse efeito no sistema endocanabinoide.

Eles encontraram metabólitos inativos e moléculas estreitamente relacionadas que aumentaram significativamente a atividade dos endocanabinoides.

Ou seja, ainda que outros compostos não atuem ativamente para produzir determinada reação causada pelo CBD, de alguma maneira, eles ajudam a potencializar os resultados.

Esse é o efeito entourage, que ajuda a entender por que drogas botânicas são, em alguns casos, mais eficazes que os seus compostos isolados.

Além disso, já foi demonstrado que, no uso medicinal do canabidiol, as reações adversas são maiores quando o composto é administrado na forma purificada.

Na comparação com o extrato com alta concentração de CBD, que preserva os demais fitoquímicos, os resultados obtidos em tratamentos são, em geral, superiores.

Ademais, no caso de medicamentos com THC, a presença do canabidiol e outros fitoquímicos pode tornar a droga terapêutica, eliminando a sua psicoatividade.

Efeitos adversos

Há poucos dados sobre reações adversas causadas pelos produtos terapêuticos feitos à base de Cannabis.

Inclusive, a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) já declarou que o canabidiol é seguro, conforme relatado no Critical Review Report em 2018:

CBD é geralmente bem tolerado e tem um bom perfil de segurança. Os efeitos adversos relatados podem ser o resultado de interações entre o CBD e os medicamentos que os pacientes estão tomando.”

O risco é ainda menor com o uso de extratos de CBD que contêm outros canabinoides e fitoquímicos, graças ao efeito entourage, como agora você já sabe.

Em óleos de espectro completo, o THC presente pode causar reações adversas leves, como alergias – que são normais na relação com qualquer planta.

No entanto, ele costuma se fazer presente em pequenas concentrações e, portanto, apresenta baixo risco de gerar efeitos psicoativos e colaterais.

Qual é o uso medicinal da Sativa?

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A lista de doenças que podem ser tratadas com os extratos obtidos da Cannabis sativa é bastante extensa.

Ainda que a medicina precise avançar nas pesquisas, já existe muito material em que se chegam a conclusões incontestáveis sobre os efeitos positivos do CBD em tratamentos.

Conheça algumas das várias enfermidades e condições que podem ser tratadas com os canabinoides extraídos dessa planta.

Autismo

Casos de sucesso não faltam para ilustrar a eficácia do CBD no tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Sobre essa doença, também existem diversos estudos conclusivos, como o Current state of evidence of cannabis utilization for treatment of autism spectrum disorders, publicado no jornal de Psiquiatria da Springer Nature.

Alzheimer

Igualmente documentado é o uso bem-sucedido de CBD em pacientes com Alzheimer.

Um deles, o do seu Ivo Suzin, você já viu há alguns tópicos atrás.

Todo esse sucesso também vem sendo confirmado em estudos e pesquisas como A Review on Studies of Marijuana for Alzheimer’s Disease – Focusing on CBD, THC, publicado na revista da NCBI.

Parkinson

Outra doença cujo avanço pode ser contido com tratamento à base de canabidiol é a de Parkinson.

Que o diga o advogado Evaldo Lopes Jr. que teve problemas com a medicação convencional.

Na revista da NCBI e em outros periódicos científicos, há pesquisas, como Cannabidiol in Parkinson’s disease, que confirmam o poder dessa substância no tratamento da doença.

Para conferir outras doenças que se beneficiam da Cannabis medicinal, clique nos links abaixo:

Qual é a melhor: sativa ou indica?

Antes de recorrer ao canabidiol, vale atentar para as diferenças entre as subespécies sativa e indica, as mais utilizadas na produção de extratos terapêuticos.

Os da subespécie indica normalmente são mais recomendados por apresentar propriedades relaxantes.

Por isso, ajudam a aliviar dores corporais, distúrbios do sono e ansiedade.

Por sua vez, a Cannabis sativa se destaca por suas propriedades anti-depressivas e por ter um efeito mais revigorante, em geral.

Conclusão

O CBD é a grande “estrela” em tratamentos à base de canabinoides.

No entanto, essa não é a única substância com propriedades medicinais extraídas da Cannabis sativa.

Na verdade, existem mais de cem compostos desse tipo que podem ser obtidos a partir da planta.

Por isso, é justo dizer que as possibilidades de tratamento são ainda maiores do que as que já se conhecem e as que foram citadas aqui.

Seja como for, tratamentos com fármacos produzidos com CBD, no Brasil, ainda são prescritos por uma parcela limitada de médicos.

Além disso, grande parte dos medicamentos precisa ser importado, conforme as orientações da Anvisa.

Para saber mais do universo dos remédios fabricados com canabidiol, continue sempre ligado no portal Cannabis & Saúde.

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