Cepa, strain ou estirpe de Cannabis: o que são, tipos e efeitos

Entenda o que é cepa, strain ou estirpe de Cannabis, quais são seus tipos, efeitos e benefícios nos tratamentos de doenças.
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A cepa de Cannabis, ou Cannabis strain, em inglês, é de certa forma uma “marca”.

Assim como existem carros do tipo conversível de diferentes potências, cores e com acessórios distintos, no universo da Cannabis, acontece algo parecido.

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Logo, não há uma planta igual à outra.

Ao contrário disso, mudas de uma mesma espécie podem ter diferenças bastante consideráveis entre si.

Isso porque desde tempos imemoriais o homem aprendeu que a maconha é bem mais do que uma planta para uso adulto.

Manipulada do jeito certo, ela pode servir a incontáveis propósitos, como medicinais e cosméticos.

Vamos entender como a planta tem ajudado no tratamento de uma série de doenças?

É só continuar a leitura.

Estirpe, strain e cepa de Cannabis: O que é?

Em botânica, o termo “cepa” é usado para designar plantas que pertencem a uma mesma espécie ou classificação.

No caso da maconha, o termo “Cannabis strain” tem um sentido ligeiramente distinto.

Quando nos referimos então a uma cepa de Cannabis, vamos além do que a taxonomia tradicional faz, que é classificar as plantas da família cannabaceae em subespécies.

A aplicação do termo, aqui, é mais para designar propriedades ainda mais específicas, como veremos no tópico a seguir.

De qualquer forma, o sentido literal da palavra “cepa” não se perde.

Ele só ganha um novo significado ao elencar as várias estirpes de Cannabis.

O que é strain, cepa ou estirpe de Cannabis?

Acredita-se que o homem cultiva a Cannabis há, pelo menos, 6 mil anos.

Durante todo esse tempo, agricultores de diversas regiões do mundo aprenderam que ela é uma planta versátil – não apenas por suas propriedades terapêuticas, mas por ser manejável a fim de atender a múltiplos propósitos.

Desde que as primeiras mudas saíram do subcontinente indiano, surgiram variações locais cultivadas com técnicas próprias.

Foi assim que se consolidou o conceito de cepa de Cannabis, que, como vimos, serve para classificar as plantas desse gênero conforme as suas propriedades e características.

Essa categorização pode, por exemplo, fazer referência às concentrações de THC, CBD, terpenos e flavonoides ou conforme a sua potência ou aroma.

Como funciona a genética da planta?

A genética humana se ocupa de entender como certos atributos físicos passam de uma geração para outra.

Com as plantas, o mesmo processo acontece.

Isso torna possível melhorar uma espécie por meio da manipulação dos seus alelos (formas de um gene).

Esse processo é feito com o objetivo de incrementar certas qualidades dos cultivares, tornando-os mais resistentes a doenças, para que cresçam mais ou que deem mais frutos.

Então, se uma subespécie de Cannabis apresentar baixa concentração de CBD, com a manipulação dos alelos correta, esse quadro pode ser revertido.

A genética tem como fundador o cientista Gregor Mendel, que, em 1856, registrou as suas experiências cruzando espécies de ervilhas.

A sua obra deu origem às Leis de Mendel, que regem a transmissão de genes e servem como referência acadêmica até os dias de hoje.

Strain e Cepa de Cannabis: Como a genética influencia no efeito?

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Quando se trata de Cannabis, os diferentes nomes das cepas servem para descrever a linhagem de uma subespécie, uma propriedade aromática ou um efeito.

Dessa forma, é comum que elas sejam constantemente vendidas tendo como referência as características especificadas por suas nomenclaturas.

Bons exemplos disso são as cepas Kush, que tem esse nome por causa do seu local de origem, a cordilheira Hindu Kush, e Afghani, cuja terra natal é o Afeganistão.

Já strains como Somango XL e Royal Highness se distinguem, respectivamente, por suas propriedades estimulantes de apetite e analgésicas.

Como vimos, o nome da cepa já explica, de certo modo, o efeito esperado e, sendo assim, também diz muito sobre a genética envolvida na formação da planta.

Paradigma taxonômico da Cannabis

As plantas do gênero Cannabis fazem parte do grupo de vegetais conhecido taxonomicamente por angiospermas.

Resumidamente, as plantas dessa denominação se reproduzem por meio de sementes protegidas por seus frutos.

No caso da Cannabis, o processo reprodutivo depende das flores, presentes em espécimes fêmeas (pistiladas) e machos (estaminadas).

A primeira classificação científica da planta foi registrada em 1753, pelo botânico Carolus Linnaeus, que descreveu a espécie Cannabis sativa L. – o “L.” é em sua homenagem.

Desde então, foram mapeadas outras subespécies, como Cannabis sativa spontanea, Cannabis sativa indica e Cannabis sativa kafiristanica.

Estabilidade genética da planta

Quando se busca o aprimoramento de uma cepa por meio da manipulação dos seus traços genéticos, o objetivo é sempre gerar fenótipos superiores.

Por exemplo: a partir de duas strains de Cannabis sativa, a meta é aumentar a concentração de CBD e de certos terpenos.

Nesse caso, quanto mais estáveis geneticamente forem as plantas que darão origem à nova cepa, mais facilmente se chegará à estirpe desejada.

No entanto, esse não é um processo simples, pois depende de diversos fatores, que vão além das características das plantas reprodutoras.

Estima-se que, em um lote de sementes que darão origem a uma nova cepa, em 25%, predominarão os atributos do espécime macho.

Outras 25% terão mais proximidade com a fêmea e 50% mesclarão traços de ambos.

Outras variedades e seus usos

Considerando a distribuição dos aspectos de plantas machos e fêmeas entre as sementes, será preciso observar a variedade dos cultivares usados nos cruzamentos.

Por isso, é consenso que, quanto mais estáveis forem as plantas que darão origem a novas cepas, mais previsíveis serão os resultados.

Do contrário, espécimes com muitas variações em seus ascendentes produzirão fenótipos mais heterogêneos, ou seja, não uniformes em suas características.

Por outro lado, é quase certo que, antes do cultivo, não haverá um mapa genético para orientar na hora de realizar os cruzamentos.

Portanto, a pessoa que pretende cultivar Cannabis para formação de novas cepas deve ter o olhar treinado para identificar atributos que possam passar às novas gerações.

Isso inclui seus padrões de crescimento, tamanho das folhas, cores, aromas, entre outras.

Como a cepa determina o sabor e a fragrância?

Cada cepa de Cannabis apresenta uma concentração própria dos chamados terpenos, as substâncias responsáveis por conferir cheiro e sabor às plantas, aos seus frutos e às suas flores.

No caso da Cannabis, o primeiro aspecto que serve para determinar a fragrância e o gosto é o padrão de crescimento da planta.

Sendo assim, espécimes que crescem mais rápido devem exalar aroma diferente daqueles que se desenvolvem em um ritmo mais lento.

Nas cannabaceae, um dos terpenos mais comumente encontrados é o mirceno, e as suas concentrações maiores ou menores determinarão fragrâncias e sabores distintos.

Normalmente, uma cepa de qualidade deve ter, pelo menos, 0,5% de mirceno em sua composição.

Como o crescimento da planta influencia nos terpenos?

A relação entre crescimento e potência dos canabinoides e perfil de terpenos é diretamente proporcional.

Sabendo disso, cultivadores mais experientes fazem uso de processos mecanizados e produtos químicos para induzir as suas mudas de Cannabis a crescerem mais rápido.

Se, por um lado, esse artifício ajuda a aumentar a quantidade produzida, por outro, ele pode empobrecer o perfil de canabinoides das plantas.

Por analogia, é algo que se verifica no cultivo de hortaliças em geral.

Quanto mais “orgânico”, ou seja, sem adição de agrotóxicos na produção, melhor a qualidade.

Como é definido o melhor tipo de strain para o respectivo uso medicinal?

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Quem pretende cultivar Cannabis com fins medicinais deve se certificar de que os strains selecionados terão as concentrações de CBD e THC adequadas.

Um aspecto muito importante a ser destacado é o espaço disponível para o cultivo.

Quem planta Cannabis indoor, nesse caso, pode ter dificuldades em cultivar cepas que crescem mais.

No entanto, quem tem à disposição uma área aberta, a preocupação recai mais sobre o clima e de que forma ele vai afetar o desenvolvimento da plantação.

Também é preciso ter atenção ao tempo de floração.

Algumas cepas de sativa, por crescerem mais e demorarem mais tempo para gerar flores, podem não ser uma boa alternativa para o cultivo indoor.

Como escolher uma cepa de Cannabis de acordo com o seu benefício?

Uma opção para quem não tem tanta experiência com o cultivo de Cannabis é recorrer aos bancos de sementes, ou seeds banks, como são mais conhecidos.

Neles, é possível selecionar cepas sob medida, por meio da compra de sementes com estirpe mapeada por breeders (geneticistas) profissionais.

Assim, poderá escolher com muito mais rapidez e comodidade a strain mais adequada conforme os benefícios esperados.

Lembre-se de que, para fins medicinais, normalmente se buscam cepas com concentrações mais altas de CBD e menores de THC.

Outro fator a ser avaliado, como vimos no tópico anterior, é o espaço disponível para cultivo, a expectativa de crescimento da planta e o seu tempo de floração.

Strain Cepa de Cannabis: Quais são os principais tipos?

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Um detalhe importante sobre as cepas de Cannabis é que elas são sempre subespécies híbridas.

Embora em algumas situações cada uma tenha características que as aproximam mais de uma sativa ou indica, na prática elas são espécimes totalmente novos.

Outro ponto a salientar é que, em certos casos, as cepas são procuradas para serem utilizadas como cigarro, o que é ilegal no Brasil.

Ainda que essa forma de uso seja indicada em algumas terapias, no Brasil vale o que diz a Lei Nº 11.343/06, segundo a qual o consumo de estupefacientes é passível de pena.

Isso pode mudar se for aprovado o projeto de lei PL 399/15, que tramita na Câmara dos Deputados.

O texto estabelece que empresas farmacêuticas e de pesquisa possam realizar o plantio nos casos em que é comprovada a eficácia terapêutica de seu uso.

Feito o alerta, veja a seguir quais são as strains mais famosas do mercado e os efeitos que elas produzem.

Acapulco Gold

Muito popular durante o movimento da contracultura dos anos 1960 por sua potência, a Acapulco Gold é uma strain que faz sucesso até hoje.

Ela tem esse nome por ser cultivada em Acapulco, o célebre balneário mexicano que é um dos principais destinos turísticos do país.

Em termos medicinais, essa cepa de Cannabis pode ser bastante eficiente como analgésico ou para reduzir náuseas e vômitos.

Quem optar por essa strain deve verificar criteriosamente se ela, de fato, foi cultivada em Acapulco, já que somente os cultivares desse lugar apresentam a potência esperada.

Teia de Charlotte

Cultivar de cânhamo criada pelos irmãos Stanley, do Colorado, a Teia de Charlotte é conhecida por seu alto conteúdo de CBD e baixo perfil de THC.

Ela é produzida pela empresa que leva o mesmo nome e que, ao longo dos anos, especializou-se em produtos de saúde e bem-estar à base de Cannabis.

Trata-se de uma cepa derivada do cânhamo considerada de baixíssima toxicidade. 

A Teia de Charlotte ganhou popularidade depois que veio a público o sucesso no tratamento em Charlotte Figi, uma jovem com um raro distúrbio convulsivo.

Sonho Azul ou Blue Dream

Já a Blue Dream é um híbrido de sativa originário da Califórnia, sendo uma das mais conhecidas cepas cultivadas na Costa Oeste dos Estados Unidos.

Ela nasce do cruzamento da Blueberry com a Haze e é indicada como relaxante e estimulante cerebral.

A Blue Dream é utilizada também para alívio de dor, depressão, náuseas e outras doenças que requerem uma dose mais elevada de THC.

Sua concentração de tetrahidrocanabinol é estimada entre 17% e 25%, com altas quantidades dos terpenos pineno, mirceno e cariofileno.

Bedrocan

Lançada em 2003 pela empresa homônima, a Bedrocan pertence ao cultivar Cannabis sativa conhecida como “L. ‘Afina’”.

Ela é a primeira da sua cepa e apresenta 22% de THC, com um nível de CBD abaixo de 1%.

É o produto de Cannabis medicinal top de linha da Bedrocan, amplamente usado em pesquisas.

Trata-se de uma cepa exclusiva, desenvolvida desde 1995 junto a outros quatro tipos de sementes.

Skunk

Considerada a strain número 1 de todos os tempos, dando origem a diversas outras variedades, a Skunk é chamada por muitos de “pedra angular” das cepas de Cannabis.

Ela deu início a cepas famosas como Colombian Gold, Afghani e a própria Acapulco Gold.

Recebe esse nome por causa da sua mistura de terpenos que lhe confere aroma bastante forte e concentração de THC em 17%.

Por conta disso, é uma cepa indicada por seus efeitos energizantes e no combate ao estresse e à falta de apetite.

Sour Diesel

Há quem acredite que a verdadeira Sour Diesel é derivada de um fenótipo distinto de uma cepa original chamada Diesel.

Outros preferem crer que trata-se de um fenótipo de Chemdawg com concentrações mais altas de sativa do que de indica.

Independentemente da sua origem, o fato é que a Sour Diesel se destaca por seu forte aroma, parecido com o do combustível que lhe empresta o nome.

Por ser uma cepa mais forte que a média, o seu uso medicinal é mais indicado para pessoas que sofrem de distúrbios mentais, dores crônicas ou fadiga intensa.

Tom Cruise Roxo

Muito popular na Califórnia, onde é vendida legalmente, a Tom Cruise Roxo tem esse nome por causa da imagem do famoso ator na sua embalagem.

Uma curiosidade a seu respeito é que o próprio Tom Cruise não endossa o uso de seu nome para batizar a strain.

Cogitou-se por algum tempo, inclusive, que o astro teria ingressado na justiça para retirar o seu nome do produto.

Variedades autoflorescentes

Uma característica das sementes de Cannabis autoflorescentes é produzir espécies que florescem rapidamente, por volta de duas a quatro semanas após o cultivo. 

Essa é uma vantagem para quem pretende plantar indoor, já que plantas dessa cepa podem ser cultivadas como Cannabis fotoperiódica feminizada.

Elas dispensam a troca de horários para iluminação e a sua floração é automática.

Além disso, plantas dessa strain crescem muito mais rápido, estando aptas para a colheita dentro de apenas oito semanas. 

Mais um ponto que as torna ideais para cultivo indoor é o seu tamanho.

Entre as cepas mais conhecidas de variedades autoflorescentes, estão:

  • Kush
  • Haze
  • Afghan
  • Cookies
  • Blueberry
  • Purple.

Como os cientistas estão modificando a cepa da maconha para curar células cancerígenas?

Felizmente, a ciência avança a passos largos para comprovar definitivamente a eficácia da Cannabis medicinal.

Em relação às cepas, uma pesquisa recente, encampada pela Universidade de Newcastle, Austrália, sugere a eficácia de uma nova strain no combate ao câncer.

Batizada de “Eve”, ela foi geneticamente modificada para ter elevadas concentrações de CBD, com menos de 1% de THC em sua composição.

O pesquisador Matthew Dunn, que liderou o estudo, declarou que:

“(…) testamos células de leucemia e ficamos surpresos com a sensibilidade delas. (…) a Cannabis não matou células normais da medula óssea, nem neutrófilos saudáveis normais”.

Como funcionam os testes de DNA que mapeiam o sistema endocanabinoide?

Um dos desafios que médicos e pacientes enfrentam na hora de determinar tratamentos é encontrar o perfil ideal de canabinoides para cada caso.

Nesse aspecto, a medicina genética tem mostrado avanços em pesquisas para mapear o sistema endocanabinoide de maneira a identificar rapidamente a dosagem e as concentrações certas de canabinoides.

MyCannabis Code é um teste genético que permite personalizar a Cannabis para cada paciente, e foi desenvolvido pelo renomado cientista e farmacologista Fabrício Pamplona.

Conclusão

Cada cepa de Cannabis é recomendada para finalidades específicas, em virtude das diferentes concentrações de canabinoides e terpenos que cada uma contém.

No Brasil, onde o cultivo só é permitido pela via judicial, a obtenção da strain desejada vai depender também da finalidade em questão.

Se for para uso pessoal, o mais indicado é optar por cepas autoflorescentes, já que crescem menos e independem da entrada de luz para chegar ao período de floração.

Mantenha-se informado sobre tudo o que cerca o universo da Cannabis medicinal lendo os conteúdos publicados aqui, no portal Cannabis & Saúde.

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