Sistema endocanabinoide: o que é e como funciona

O sistema endocanabinoide também se encontra nas interseções de vários sistemas, permitindo a comunicação e coordenação entre as células. Quando os receptores canabinoides são estimulados, uma variedade de mecanismos fisiológicos ocorrem.

Raphael Mechoulam é um químico orgânico, de origem Búlgara, radicado em Israel, conhecido mundialmente pelo isolamento, definição estrutural e síntese do tetrahidrocanabinol (THC). Ele também é responsável pela identificação do sistema endocanabinoide.

O sistema é um conjunto de receptores e enzimas que trabalham como sinalizadores entre nossas células e os processos do corpo. Neste sistema, o óleo de CBD interage com o corpo humano. 

A descoberta data de 1964, quando o professor Raphael Mechoulam transportava num ônibus cinco quilos de haxixe libanês, apreendido pela polícia e disponibilizado para realização de pesquisas do Instituto Weitzmann, em Rehovot. Com o haxixe, ele descobriu o componente psicoativo da Cannabis: o tetrahidrocanabinol (THC), uma substância passada despercebida durante décadas.

Vinte anos depois, o cientista verificou que o THC interage com o maior sistema de receptores do corpo humano, o sistema endocanabinoide, mencionado acima. E descobriu também que o cérebro humano produz a sua própria Cannabis – uma substância química a que deram simbolicamente o nome de Anandamida, palavra derivada do sânscrito ‘Ananda’, que significa calma interior, portador de paz, felicidade interna.

Os endocanabinoides e seus receptores se encontram espalhados por todo o corpo, em membranas celulares do cérebro, órgãos, tecidos conjuntivos, glândulas e células do sistema imunológico. Em cada parte do organismo o sistema executa tarefas diferentes. No entanto, o propósito é sempre o mesmo: a estabilização do ambiente interno, independente das variações externas, ou seja, a homeostase.

O sistema endocanabinoide também se encontra nas interseções de vários sistemas, permitindo a comunicação e coordenação entre as células. Quando os receptores canabinoides são estimulados, uma variedade de mecanismos fisiológicos ocorrem.

O sistema é responsável por regular processos fisiológicos, como apetite, dor, inflamação, termorregulação, pressão intraocular, sensação, controle muscular, equilíbrio de energia, metabolismo, qualidade do sono, resposta a estresse, motivação/recompensa, humor e memória.

Até o momento, pesquisadores identificaram dois receptores canabinoides. O primeiro é CB1, que se encontra predominantemente no sistema nervoso, tecido conjuntivo, gônadas, glândulas e órgãos. Já os receptores CB2 são encontrados no sistema imunológico e suas estruturas. Algumas células contêm tanto receptores CB1 e CB2, cada um ligado a funções diferentes.

Embora nosso organismo seja capaz de fabricar seus próprios canabinoides, o sistema endocanabinoide pode ser suplementado por fitocanabinoides exógenos, encontrados em plantas como a Cannabis, equinácea e linhaça.

O canabidiol interage com o sistema endocanabinoide através do receptor CB2 oferecendo os efeitos benéficos desejados para condições como epilepsia, Parkinson, dores, câncer e esclerose múltipla.

Mechoulam redescobriu o uso histórico da substância para o tratamento de patologias convulsivas, da esquizofrenia, do estresse pós-traumático e ainda seu impacto em outras funções que gerem a saúde humana, como a rapidez na vinculação entre uma mãe e um bebê. Quem diria que uma viagem cinco quilos de haxixe renderia tanta contribuição para a ciência.

 

 

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