Cannabis tem bom resultado em tratamento de estresse pós-traumático

Leafly

Conheça o caso do paciente americano que tratou com cannabis os sintomas decorrentes de uma lesão cerebral do estresse pós-traumático.

Acidentes com lesões cerebrais, como quedas drásticas ou batidas de carro, quando não levam a estados graves de saúde, podem desencadear outros problemas físicos, cognitivos ou neuropsiquiátricos. Pacientes podem desenvolver dores crônicas. Ou cair em uma irritação constante ou depressão. É o chamado estresse pós-traumático.

No Novo México, sudoeste dos Estados Unidos, um caso como esses chegou a equipe de um centro de saúde. Os medicamentos tradicionais não funcionavam para melhorar as condições do paciente. Ele mesmo, então, pediu para testar a Cannabis medicinal.

O relato do caso foi publicado pelo Psychosomatic Journal, e aponta que há um novo e promissor caminho para esses tratamentos.

Relato de caso

Augustín tinha apenas 35 anos quando foi atingido na cabeça, durante o trabalho, por uma retroescavadeira. Ele sofreu um leve traumatismo craniano após pancada. Ficou inconsciente por quase um minuto. De início, ficou bem. Não apresentou amnésia pós-traumática, desorientação ou crises convulsivas, comuns nesses casos.

Duas semanas após o acidente, Augustín teve um derrame arterial na parte direita do cérebro. Os médicos concluíram que ele havia desenvolvido transtornos em decorrência do estresse pós-traumático. E apresentava sinais de depressão.

Ficava agitado, batia na cabeça e contra o próprio corpo. Era a agitação e ansiedade reativas a condições neurológicas novas em função da lesão no cérebro, muitas delas incapacitantes. Sentia muitas dores e seu rendimento cognitivo tinha sido claramente afetado.

Mas mesmo antes de ser atingindo pela retroescavadeira, a saúde já não andava muito boa. Fazia uso regular de estimulantes, álcool e opioides. Quando começou a tratar a lesão, ainda consumia álcool e fumava meio maço de cigarro por dia.

Uma avaliação mais detalhada indicou que a lesão rendeu a ele tonturas e dores de cabeça. Também não conseguia se concentrar e tinha lapsos de memória. Desenvolveu ainda quadros de depressão e ansiedade.

A equipe, então, iniciou vários ensaios de tratamento para ajudar atenuar os sintomas. Começaram com um antidepressivo, um potenciador cognitivo e um neuroléptico. Nenhum deles deu resultado.

Por conta própria, Augustín cortou alguns remédios. Ficou apenas com o antidepressivo, eficiente em ajudá-lo a dormir. Seguia agitado, ansioso, irritado e deprimido. Ele, então, decidiu inalar maconha para sentir os efeitos. E contou aos médicos que se sentia melhor.

Os exames não apontaram efeitos negativos da inalação. Ao contrário, a agitação havia diminuído. Com isso, Augustín passou a usar cannabis até cinco vezes ao dia – dependendo do grau de ansiedade no momento.

A Cannabis usada era da cepa Purple Kush, Indica Dominante, 2 gramas com teor de THC 16,87% e teor de CBD 0,08%.

Após um ano, os sinais de depressão, agitação, agressão e ansiedade caíram. O convívio e interação com a família e amigos melhoraram. Não houve nenhum relato de efeito adverso, tão comuns em medicamentos tradicionais.

Augustín cortou os outros remédios, por recomendações médicas. E abandonou a bebida e os opiáceos.

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Análise

O caso de Augustín fez a equipe médica enxergar o potencial da Cannabis neste tipo de tratamento. Segundo eles, a Cannabis reduziu a produção de um neurotransmissor excitatório – o glutamato -, liberado em situações de estresse.

E atuou em outras áreas para a redução da dor (a ciência já comprou a eficácia da Cannabis em casos de dor crônica, como a fibromialgia). O CBD, ainda que em menor concentração, provavelmente reduziu os sintomas de ansiedade.

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