Como a Cannabis pode ajudar no tratamento de mulheres com endometriose?

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A doença atinge 10% das mulheres em idade reprodutiva. E pode causar cólicas intensas durante o período menstruais. CBD e THC podem reduzir o processo inflamatório e diminuir as dores

Todo mês, o útero constrói uma espécie de ninho, chamado de endométrio, à espera de um espermatozoide. Quando o ciclo acaba, e nada acontece, esse material todo se desmancha e sai pela menstruação. Em mulheres com endometriose, esse material pode tomar outros rumos. Em vez de descer, ele sobe. E pode se prender às paredes dos ovários, trompas de falópio – ou qualquer outro órgão, como bexiga ou intestino.

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Quando o período menstrual chega, essas células, alojadas onde não deveriam, se ativam. E isso dói. Muito. Mulheres com endometriose – que representam cerca de 10% daquelas em idade reprodutiva – podem ter cólicas intensas durante a menstruação. No útero ou em outras regiões. Se os nódulos chegarem à bexiga, urinar pode ser um sufoco, com dor semelhante a de infecções urinárias.

A terapia hormonal controla os sintomas em algumas mulheres, com o uso de anticoncepcionais. Casos mais graves podem exigir cirurgia.

E o que a Cannabis tem a ver com isso? Ela pode ser usada no tratamento da doença. Vamos explicar o que a ciência sabe.

Cannabis e saúde da mulher

Adriana Grosso, especialista em Pesquisa Clínica, acompanha o de perto toda a literatura científica sobre uma nova esperança para alívio da endometriose: os canabinoides. 

Estudos mostram que o sistema endocanabinoide, que atua fisiologicamente na regulação do nosso metabolismo, também está associado ao controle dos hormônios do ciclo menstrual. Ainda que não se saiba ao certo as causas da endometriose, esses pesquisadores suspeitam que pode haver uma falha em partes do sistema endocanabinoide dessas pacientes. E aí o corpo entra em desequilíbrio, num estado inflamatório, com dores constantes.

Segundo Grosso, é fácil entender por que a Cannabis pode ajudar: o CBD já mostrou ser um eficiente anti-inflamatório.

Mas há ainda outras descobertas recentes. Pesquisadores acreditam que os canabinoides podem bloquear a proliferação e migração celular. Ou seja, podem impedir que as células do endométrio se multipliquem desenfreadamente durante a menstruação e se prendam a outros órgãos. Eles também podem bloquear a síntese de substâncias pró-inflamatórias, modular a resposta imunológica e reduzir a dor.

“Existem médicos ginecologistas que já prescrevem CBD (com ou sem THC) para pacientes com endometriose. Esses médicos nos dão retorno e feedbacks de tratamentos (principalmente os que eu acompanho)”, explica Adriana Grosso. “Por isso, já existem evidências clínicas e práticas de que esse tratamento tem sido eficaz”, completa. 

O que mostram as pesquisas

Recentemente, também foi realizado um novo estudo para o tratamento da endometriose em camundongos. 

A equipe de pesquisa estudou camundongos com implantes endometriais na pelve para imitar a endometriose em humanos. Aqueles com os implantes eram mais sensíveis à dor na pelve, que também pode estar associada a alterações emocionais e cognitivas – semelhantes aos sintomas observados em algumas mulheres com endometriose.

Depois de tratar os camundongos com uma dose diária de 2 mg/kg de THC, por 28 dias, a sensibilidade à dor foi aliviada na pelve. No entanto, não teve efeito sobre a dor em outras áreas, mostrando que o tratamento era específico da dor causada pela endometriose.

“Como o THC para uso medicinal está disponível em alguns países, os resultados de nosso estudo podem ser de interesse para ginecologistas e especialistas em dor que gerenciam o tratamento de mulheres com dor endometrial”, diz o autor sênior Rafael Maldonado, professor da Universidade Pompeu Fabra de Barcelona, Espanha.

E mais…

Em uma pesquisa australiana realizada pelo médico Justin Sinclair, em 2017, foram analisadas 484 mulheres com endometriose diagnosticada cirurgicamente. 

Das entrevistadas, com idades entre 18 e 45 anos, 76% relataram usar técnicas de automedicação nos últimos seis meses. Isso incluiu o uso de compressas térmicas (70%), mudanças na dieta (44%), exercícios (42%), ioga ou pilates (35%), além de Cannabis (13%).

De todas as técnicas de autogerenciamento, a Cannabis se mostrou como a mais eficaz no controle da dor. Não à toa, os óleos e medicamentos à base da planta são indicados para outros tipos de dor crônica.

As entrevistados que usaram Cannabis também relataram melhorias em outros sintomas, incluindo problemas gastrointestinais, náusea, ansiedade, depressão e sono.

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