Acne, psoríase e dermatite: doenças de pele podem ser tratadas com Cannabis?

Presente na literatura médica desde o Século XIX, estudos indicam potencial de pomadas à base de CBD para aliviar patologias dermatológicas; comunidade científica, no entanto, ainda é cautelosa sobre as doenças de pele.

O primeiro livro a descrever terapias dermatológicas, “Um tratado sobre a matéria médica e terapêutica da pele”, publicado em 1881, já trazia indicação sobre os efeitos da Cannabis em doenças de pele: “uma pílula de Cannabis indica na hora de dormir proporcionava às vezes às minhas mãos alívio para a coceira intolerável do eczema”, comentou o Dr. Henry Granger Piffard, um dos fundadores da dermatologia americana.

É surpreendente, assim, que quase 150 anos depois e após estudos publicados sobre os benefícios dos canabinoides, inclusive para a pele, a prescrição seja praticamente inexistente em consultórios do Brasil.

“Se comparado às terapias das áreas de neurologia e psiquiatria, a questão da Cannabis para os problemas da pele ainda é incipiente. Não temos clareza, não há comprovação clínica de resposta, e os profissionais têm pouca experiência no assunto”, avalia Breno Marzola, dermatologista especializado em imunodermatologia, que trabalha no Centro de Pesquisa de Bento Gonçalves (RS) e na Braimuno de Itajaí (SC).

Ao fazer pós-doutorado na Dinamarca e conhecer de perto a vida dos usuários de maconha e haxixe em Christiania, comunidade independente e autogestionada na Copenhague, o médico começou a estudar sobre as aplicações da Cannabis na pele.

“Me interessam muito os efeitos antagônicos dos principais princípios ativos, o THC e o CBD. Sabemos que o THC presente na maconha fumada pode acarretar em pioras do quadro acneico e de hidradenite supurativa (doença crônica inflamatória, presente em áreas como axilas, virilha e glúteos). Por outro lado, há indicações que o CDB tenha efeito nos sistemas imunológicos e assim poderia controlar o processo inflamatório comum a várias doenças de pele, como psoríase e acne”, acrescenta ele, citando os conhecidos efeitos reguladores do sistema endocanabinoide sobre o estresse, inflamações e funcionamento do sistema imunológico.

A descriminalização e a legalização de produtos dermatológicos à base de Cannabis em mercados como Estados Unidos e Europa têm promovido um aumento na oferta de cremes, pomadas e bálsamos com a promessa de curar ou aliviar os sintomas de doenças como dermatite (ou eczema) de contato, ressecamento da pele, acne, psoríase, esclerose sistêmica cutânea e até mesmo câncer de pele.

Estudo mostra eficácia de CBD

Um estudo de 2019 investigou o efeito terapêutico da pomada de CBD administrada em doenças crônicas graves da pele e suas cicatrizes. Vinte pacientes com psoríase (5), dermatite atópica (5) e cicatrizes resultantes (10) administraram a pomada nas áreas lesionadas da pele duas vezes ao dia durante três meses.

Os resultados mostraram que o tratamento melhorou significativamente os parâmetros da pele, os sintomas e também a pontuação do índice PASI (que mede a gravidade da psoríase). Nenhuma reação irritante ou alérgica foi documentada durante o período de tratamento.

Conclusão: a administração tópica de pomada de CBD – sem THC – é uma alternativa não-invasiva segura e eficaz para melhorar a qualidade de vida em pacientes com alguns distúrbios da pele, especialmente no fundo inflamatório.

Entretanto, a comunidade científica é mais cautelosa do que os produtores e consumidores: apesar de atestarem o potencial dos produtos em tratar uma variedade de doenças da pele, os pesquisadores destacam a falta de ensaios clínicos randomizados e em larga escala, de alta qualidade, que avaliem os efeitos dos tratamentos. Somente após investigações adicionais eles poderiam ser considerados seguros e eficazes para essas condições.

“Realmente precisamos de mais pesquisas, discussões científicas e tempo de avaliação clínica. Com tão pouca prescrição aqui no Brasil, ainda é cedo para medir os resultados, mas tenho conversado com colegas no Uruguai e eles estão prescrevendo para psoríase, por exemplo”, finaliza Marzola.

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