Canabidiol Bula: O que é, Como Funciona e Usos Medicinais

Aprenda tudo sobre a bula do canabidiol, quais os remédios produzidos à base do composto, os efeitos no organismo e mais!
canabidiol bula

A bula do canabidiol é um guia pelo qual o paciente que utiliza medicamentos à base desse composto deve se orientar.

Afinal, todo remédio precisa dessa espécie de “manual de instruções” para ser usado corretamente.

No entanto, um ponto importante a ser destacado é que a bula, por si só, não dispensa a prescrição médica.

Ainda que fármacos produzidos com canabidiol não possam ser comprados sem documentos emitidos por um especialista, vale sempre o alerta: medicamentos ingeridos por conta própria podem até piorar o seu estado de saúde.

Infelizmente, esse hábito nocivo é notado em cerca de 77% da população brasileira, segundo uma pesquisa do Conselho Federal de Farmácia (CFF).

Neste texto, vamos conhecer o CBD, seus efeitos e detalhar quais informações você encontrará ao ler a sua bula.

Acompanhe!

O que é o Canabidiol?

O canabidiol (CBD) é um canabinoide, composto químico extraído de plantas do gênero Cannabis.

Pelas pesquisas atuais, mais de cem canabinoides já foram detectados e isolados, fora outros muitos compostos químicos característicos dessa espécie.

A principal característica do CDB é que ele age como ativador do sistema endocanabinoide, que só veio a ser descoberto na década de 1960.

A partir das reações com esse sistema, ele promove a regulação e o equilíbrio de uma série de processos fisiológicos do corpo humano, tais como apetite, sono e até o humor.

Por suas características e efeitos, pode ser empregado de forma medicinal no tratamento de doenças diversas, no formato de cápsulas, óleos, pomadas e outros.

Quais são os efeitos do canabidiol?

Além do canabidiol, nas espécies de Cannabis ainda se encontra o tetrahidrocanabinol, o THC.

Contudo, embora ele também tenha propriedades terapêuticas, não é tão utilizado quanto o CBD em tratamentos.

Outra diferença do canabidiol para o THC, é que o primeiro não tem impacto psicoativo. 

Por causa das suas propriedades terapêuticas e dos poucos efeitos adversos, o canabidiol tem sido amplamente empregado na área da saúde, especialmente a partir da última década.

São cada vez mais numerosos os ensaios clínicos que investigam as suas potencialidades medicinais, além de casos reais de pacientes que obtiveram cura ou alívio de sintomas de doenças graves ao usar fármacos à base de CBD.

Logo, os efeitos do canabidiol são exclusivamente terapêuticos, o que torna a sua utilização praticamente livre de riscos à saúde.

Isso, claro, desde que seja prescrito por um médico, que deve orientar o seu uso ao longo de todo o tratamento.

Canabidiol Bula: quais remédios são produzidos a partir desse composto?

A variedade de medicamentos produzidos com base no CBD é relativamente grande, embora sejam poucos aqueles já livremente comercializados em farmácias e drogarias no Brasil.

No entanto, se considerarmos os medicamentos importados, a lista de produtos se torna bastante extensa.

Alguns dos remédios e suplementos mais conhecidos feitos com canabidiol são:

  • Proteína de cânhamo
  • Óleo de cânhamo bioenriquecido
  • Canabidiol oral
  • Canabidiol fibromidol
  • Óleo de sementes de cânhamo.

Canabidiol Bula: principais informações

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Como referência da bula do canabidiol, destacamos as informações publicadas pela Anvisa sobre o Mevatyl, medicamento composto por Tetraidrocanabinol + Canabidiol, usado para tratar sintomas da esclerose múltipla.

Confira na sequência!

Posologia

Tetraidrocanabinol + canabidiol é somente para uso bucal. O medicamento é destinado ao uso em adição à medicação antiespástica atual do paciente.

Um frasco spray equipado com bomba dosadora libera 100 microlitros por pulverização. A apresentação de 10 ml possibilita a liberação de até 90 pulverizações de 100 µl.

Cada pulverização de 100 µl são liberados 2,7 mg de tetraidrocanabinol (THC) e 2,5 mg de canabidiol (CBD).

O tratamento deve ser iniciado e supervisionado por um médico especialista com experiência no tratamento dessa população de pacientes.

O medicamento é de uso exclusivamente oral, não devendo ser inalado.

Período de ajuste da dose

A dose deve ser ajustada para cada paciente. Portanto, o número e o horário das pulverizações podem variar.

O número de pulverizações deve ser aumentado a cada dia de acordo com o padrão informado na tabela abaixo. 

A dose vespertina/noturna deve ser administrada entre 16h e a hora de se deitar. Na introdução da dose matutina, ela deve ser administrada entre o despertar e o meio-dia. 

O paciente pode continuar a aumentar gradualmente a dose em uma pulverização por dia, até o máximo de 12 pulverizações por dia, até atingir o alívio ideal do sintoma. 

É necessário um intervalo de pelo menos 15 minutos entre as pulverizações.

DiaPulverizações pela manhãPulverizações pela tardePulverizações por dia
1011
2011
3022
4022
5123
6134
7145
8246
9257
10358
11369
124610
134711
145712

Como atua no organismo?

Como parte do sistema endocanabinoide humano, receptores canabinoides CB1 e CB2 se encontram predominantemente nos terminais nervosos, onde desempenham um papel na regulação retrógrada da função sináptica. 

O THC atua como agonista parcial nos receptores CB1 e CB2, simulando os efeitos dos endocanabinoides, que podem modular os efeitos dos neurotransmissores (por exemplo, diminuir os efeitos dos neurotransmissores excitatórios, como o glutamato).

Em modelos animais de EM e de espasticidade, os agonistas dos receptores CB demonstraram restabelecer a rigidez dos membros e melhorar a função motora. 

Esses efeitos são prevenidos pelos antagonistas dos receptores CB, e camundongos knockout de CB1 apresentam uma espasticidade mais grave. 

No modelo de camundongos com CREAE (encefalomielite autoimune experimental recorrente crônica), tetraidrocanabinol + canabidiol produziu uma redução relacionada à dose na rigidez dos membros posteriores.

Contraindicações

O tetraidrocanabinol + canabidiol é contraindicado para pacientes:

  • Com hipersensibilidade a canabinoides ou a qualquer um dos excipientes da formulação do medicamento
  • Com qualquer histórico suspeito ou conhecido ou histórico familiar de esquizofrenia ou de outra doença psicótica; histórico de transtorno de personalidade grave ou outros transtornos psiquiátricos significativos, exceto depressão associada com sua condição subjacente
  • Lactantes
  • Menores de 18 anos
  • Idosos (devido ao risco de quedas)
  • Não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista
  • Usuários regulares de cigarro de Cannabis sativa ou com histórico de dependência.

Efeitos Colaterais

As reações adversas mais comumente relatadas nas primeiras quatro semanas de exposição foram tonturas, que ocorrem principalmente durante o período de ajuste de dose inicial, e fadiga.

Essas reações são geralmente leves a moderadas e são resolvidas em poucos dias, mesmo com a continuação do tratamento.

Quando o cronograma de ajuste de dose recomendado foi utilizado, a incidência de tonturas e fadiga nas primeiras quatro semanas foi muito reduzida.

Precauções antes de usar

Algumas das diversas precauções que constam na bula (para conhecer todas, leia a versão completa), são:

  • Não é recomendado para uso em crianças ou adolescentes com menos de 18 anos de idade devido à ausência de dados de segurança e eficácia
  • Alterações na pulsação e na pressão arterial foram observadas após a introdução da dose inicial, portanto, é essencial ter cautela durante o ajuste da dose inicial
  • Sintomas psiquiátricos como ansiedade, delírios, alterações de humor e ideias paranoides foram relatados durante o tratamento com tetraidrocanabinol + canabidiol
  • Pacientes com histórico de abuso de substâncias podem ser mais propensos também ao abuso de tetraidrocanabinol + canabidiol
  • Não deve ser usado durante a gravidez, a menos que riscos potenciais ao feto e/ou ao embrião sejam considerados como compensados pelo benefício do tratamento
  • Pode produzir efeitos indesejáveis, como tonturas e sonolência, que podem comprometer a capacidade de decisão e o desempenho de tarefas específicas.

Canabidiol e sua bula: a importância do acompanhamento médico

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Como destacamos logo no início deste conteúdo, a leitura da bula não exime o paciente da responsabilidade de consultar um médico.

A automedicação pode trazer sérios riscos à saúde.

A pesquisa do CFF, citada no começo do artigo, além do alto percentual de brasileiros que se automedicam, chama a atenção para os que não seguem a posologia prescrita.

São pessoas que arriscam a sua saúde alterando por conta própria a dosagem ou os horários de ingestão do medicamento.

Outro problema detectado foi que 22% dos entrevistados na pesquisa disseram ter dúvidas sobre a medicação e, mesmo assim, não procuraram o especialista para tirá-las.

O resultado disso é que a maioria desses indivíduos deixou de usar o medicamento, o que também é um risco à saúde.

Então, a lição que esse estudo deixa é de que o médico é o seu principal aliado, seja ao prescrever, seja ao acompanhar o tratamento com fármacos à base de CBD.

Caso enfrente resistência por parte do especialista que lhe atende,  nesta página, você preenche um cadastro e pode agendar uma consulta com um médico prescritor de Cannabis da especialidade desejada.

O canabidiol interage com outros medicamentos?

Sim, o canabidiol interage com outros medicamentos, o que exige cuidados ao utilizar fármacos de forma concomitante ao composto.

O principal motivo é que ele pode inibir ou ativar a capacidade de absorção de remédios administrados oralmente.

Isso acontece por causa da interação do canabidiol com o Cytochrome P450 CYP, uma classe de enzimas responsáveis ​​pelo metabolismo de medicamentos.

Assim, a interação do CBD com outros remédios pode ocorrer das seguintes maneiras:

  • Inibição competitiva: situação em que o canabidiol limita a absorção de outros fármacos que dependem do CYP para serem ativados
  • Desintegração enzimática: nesse caso, o CBD pode degradar certas enzimas, neutralizando um medicamento
  • Modulação alostérica: fenômeno no qual o canabidiol modifica a estrutura do local ativo na enzima CYP, incapacitando-a para receber um segundo fármaco
  • Heteroativação: quando o CBD leva a enzima CYP a metabolizar remédios com os quais normalmente não reagiria
  • Expressão genética alterada: caso mais agudo de interação medicamentosa, na qual o canabidiol muda o código genético da enzima CYP, reduzindo a sua capacidade metabólica.

O efeito entourage

Efeito entourage é o termo usado para designar a teoria segundo a qual os compostos da Cannabis produzem mais benefícios em situações em que atuam de maneira conjunta.

Ou seja, a complexa interação daquele composto com os demais que estão presentes na planta traz resultados melhores do que quando é administrado um canabinoide isolado.

Em 1998, os professores Raphael Mechoulam (o mesmo que isolou o canabidiol pela primeira vez) e Shimon Ben-Shabat observaram esse efeito no sistema endocanabinoide.

Isso significa que, ainda que outros compostos não atuem ativamente para produzir determinado impacto causado pelo CBD, de algum modo, eles ajudam a potencializar os resultados.

Esse é o efeito entourage, que ajuda a entender por que drogas botânicas são, em alguns casos, mais eficazes que os seus compostos isolados.

Quais doenças podem ser tratadas com o canabidiol?

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Já é bastante longa a lista de doenças, condições, síndromes e transtornos que podem ser tratados com canabidiol. 

Confira a relação e clique nos links para conhecer casos reais e estudos clínicos que atestam a eficácia do CBD:

Como usar o canabidiol: tratamento medicinal

Os produtos terapêuticos produzidos à base de componentes da Cannabis estão disponíveis em vários formatos.

No entanto, conforme a Autorização Sanitária de Produtos de Cannabis da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio do artigo 10 da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) Nº 327/2019, é permitida apenas a comercialização dos produtos utilizados por via oral e nasal.

De qualquer modo, vale a pena conhecer as outras formas de uso da Cannabis medicinal e as suas muitas finalidades:

  • Óleos e tinturas de CBD
  • Cápsulas de canabidiol
  • Produtos de uso tópico
  • Supositórios
  • Vaporizadores.

Canabidiol Bula: quais medicamentos são permitidos no Brasil?

Em farmácias e drogarias, só é autorizada a compra dos medicamentos com comercialização permitida no Brasil. 

Por isso, é necessário recorrer à importação na grande maioria dos casos.

No entanto, dependendo do estado em que o paciente vive, pode haver outras possibilidades.

No Rio de Janeiro, por exemplo, foi aprovada em 2020 a Lei Estadual n.º 8.872, que prevê a realização de pesquisas e cultivo científico da Cannabis por associações de pacientes.

Já no Distrito Federal, foi aprovada a Lei nº 5.625/2016, que inclui o canabidiol na lista de remédios a serem fornecidos pela rede pública para pacientes com epilepsia. 

A propósito, esse projeto é o primeiro do tipo a ser aprovado no Brasil.

Nas casas legislativas de Goiás e São Paulo, tramitam propostas com o objetivo de garantir distribuição gratuita de produtos de Cannabis com fins terapêuticos no Sistema Único de Saúde (SUS).

Casos de uso do CBD que pararam na justiça

Por sua vez, no caso de clientes de planos de saúde, o fornecimento de produtos com canabidiol já foi motivo de embates jurídicos, com diferentes interpretações entre magistrados.

No dia 8 de maio, a 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná acatou um recurso da Unimed, que se recusava a arcar com a importação de dois frascos por mês do medicamento Purodiol (200 mg/ml).

Situação oposta aconteceu apenas dez dias depois, por uma tutela antecipada proferida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro no dia 18 de maio.

A cineasta Rita Carvana, mãe de um paciente com epilepsia, obteve vitória parcial para que o plano de saúde fornecesse dois frascos de canabidiol, a cada dois meses, sob o custo de R$2.100,00 por mês.

Em entrevista ao portal Cannabis & Saúde, o advogado Diogo Pontes Maciel orienta que, se no contrato com a operadora constar a cobertura de determinada doença, o plano também deve cobrir os tratamentos prescritos pela equipe médica.

Outra forma de aquisição possível seria o cultivo da planta para a produção própria dos extratos, mas o assunto ainda precisa ser mais bem regulamentado no país. 

Mesmo empresas farmacêuticas nacionais devem importar a matéria-prima, sendo vedado o seu cultivo em solo nacional, conforme a RDC Nº 327/2019 da Anvisa.

Como faço para comprar o canabidiol?

O primeiro passo para obter um medicamento à base de CBD é ter a prescrição médica assinada pelo especialista.

O passo seguinte é entrar no site da Anvisa e fazer o cadastro no portal do Governo Federal para encaminhamento da documentação a ser analisada.

Se autorizada a compra, finalmente o paciente faz o pedido do medicamento, que deve ser importado de acordo com os critérios estabelecidos pela Anvisa.

Como tudo começa pela prescrição, é fundamental ter uma conversa honesta com seu médico e utilizar estudos clínicos como argumentos para obter a receita.

Conclusão

As aplicações terapêuticas e medicinais do canabidiol são realmente muito variadas.

Embora ainda sejam necessários mais estudos conclusivos, a ciência já sabe o bastante para que o CBD seja prescrito até no tratamento de enfermidades graves.

Então, se você tem alguma condição de saúde ou um familiar que pode se beneficiar do uso de fármacos à base de canabidiol, fale com seu médico.

Não deixe também de se informar, acessando regularmente o portal Cannabis & Saúde para saber dos avanços da ciência e do mercado em torno do CBD.

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