Canabidiol para tratar autismo: Guia definitivo sobre o efeito CBD

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Aos 40 anos, Junior vivia em uma fase agressiva da vida. Não comia direito, mal dormia e gritava bastante. A mãe, Marina de Carvalho Rodrigues, se virava para dar conta das demandas do filho, diagnosticado com autismo severo.

Ele é um dos prováveis dois milhões de brasileiros diagnosticados com autismo. Não que o número seja oficial – é apenas uma estimativa. Não há dados oficiais.

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Nossa rede de médicos foi criada com o apoio de um conselho altamente qualificado para conectar você a profissionais sérios e habilitados para lidar com os mais diversos casos onde o tratamento com CBD é eficaz.

Segundo o CDC, órgão americano de saúde, em média, existe um autista para cada 110 pessoas. E daí, de acordo com a nossa população superior a 200 milhões de habitantes, é que vem a estimativa no Brasil.

Sabe-se que a doença dificulta a vida de familiares e pacientes. O diagnóstico precoce ajuda bastante, mas traz efeitos colaterais graves.

Justamente por isso, médicos têm buscado alternativas. E uma delas é o canabidiol (CBD), um dos componentes não psicoativos da Cannabis.

Junior, citado acima, passou a tomar CBD há poucos meses. Os resultados foram positivos. Ele voltou a comer bem – e retoma os passos para fazer isso sem a ajuda da mãe – e dorme a noite toda. A família ganhou qualidade de vida.

Leia abaixo sobre autismo e os benefícios do uso de Cannabis no tratamento.

O que é o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou Autismo?

Autismo é um transtorno do desenvolvimento, o que significa que os sintomas começam nos primeiros anos da infância, e vão mudando por toda a vida em passagens marcadas: na infância, adolescência, vida adulta. Caracteriza-se por dificuldades de comunicação e interação, por movimentos repetitivos e forma diferente de ver o mundo.

A severidade dos sintomas varia de pessoa para pessoa, sendo que alguns simplesmente não falam, enquanto outros falam normalmente, porém apresentam outros sintomas. Não há cura. Há também um movimento para que deixe de ser visto não como doença, mas sim, parte da personalidade do autista.

Transtorno do Espectro Autista (TEA)

São alguns transtornos do neurodesenvolvimento, que incluem o autismo clássico mencionado acima, Asperger e outros. Pacientes no espectro autista costumam ter dificuldades em várias áreas do desenvolvimento. O termo foi criado devido à enorme variação e graus dos sintomas do autismo.

Doença de Asperger

Dos mais conhecidos TEA, caracteriza-se por movimentos repetitivos e dificuldade de comunicação não verbal e interação social. Apesar disso, é a mais branda do espectro autista, e difere das demais por relativa normalidade na comunicação e intelecto. A partir de 2013, foi incluída como transtorno do espectro autista.

Síndrome de Angelman 

É uma doença genética neurológica. Os sintomas são deficiência intelectual, de desenvolvimento, dificuldade total ou parcial de verbalização, personalidade alegre e excitável, movimentos atípicos constantes e repetitivos e baixa capacidade de atenção. Sintomas muito comuns são convulsões e a circunferência craniana menor que a normal (microcefalia).

Na maior parte dos casos, deve-se à mutação ou falta do gene UBE3A. Em contrapartida, duplicações na região cromossômica, que inclui o gene UBE3A, são associadas ao autismo.

Síndrome de Dup15q

A duplicação cromossômica parcial do cromossomo 15, citada acima é a causa desta síndrome. Com ela, o risco é alto de o paciente ter TEA (transtorno do espectro autista), epilepsia, espasmos, deficiência intelectual entre outros sintomas, e é a causa genética mais comum para o autismo.

A síndrome é crônica, não tem cura, e seus sintomas exigem tratamentos com vários tipos de remédios neurológicos. 

Síndrome de Rett

É causada pela mutação do gene MECP2 e se caracteriza pela perda de habilidades a partir dos 6 meses até 18 meses: de mobilidade das mãos, verbalização, caminhar. Os pacientes sofrem de espasmos, convulsões, escoliose, problemas com sono, crescimento insuficiente na altura, cabeça, mãos e pés, surtos de riso ou gritos, menor resposta à dor. Geralmente ocorre em meninas, e a maioria dos meninos acometidos falece após nascimento.

Em 2013, após a descoberta de sua causa genética, a Síndrome de Rett foi retirada do espectro autista pela Associação Americana de Psiquiatria (AAP). Apesar disso, o indivíduo com a síndrome ainda apresenta manifestações de comportamento autístico em alguns estágios da doença.

Principais Sintomas do Autismo

Crédito: freepik/studiogstock

Uma das características do autismo é que a intensidade de seus sintomas varia bastante. Os mais comuns incluem comportamentos repetitivos, interesses obsessivos e dificuldades, tanto na comunicação como na interação social de um modo geral. De forma mais específica, os sintomas costumam ser divididos em comportamental, cognitivo, de desenvolvimento, psicológico e de fala. 

No que se refere ao comportamento, o autista pode manifestar ser agressivo, chorar, aumentar o tom de voz e apresentar hiperatividade, irritabilidade, impulsividade e interação social inadequada. Pode também imitar involuntariamente os movimentos de alguém. Ainda nesse quesito, são comuns vários tipos de repetição descoordenada, tanto de palavras como de movimentos. É comum ter dificuldade de manter contato visual. 

No aspecto do desenvolvimento, há dificuldade geral no aprendizado, especialmente o atraso na fala nos primeiro anos de vida. Em sua dimensão cognitiva, o autista enfrenta dificuldade para manter o foco, além de ter interesse em um número reduzido de temas. Psicologicamente, demonstra não reconhecer emoções alheias e pode sofrer de depressão e ansiedade

Como o Autismo é diagnosticado?

O diagnóstico é clínico, usando-se de observação do comportamento do paciente e de uma entrevista com tutores. Normalmente o diagnóstico é feito antes dos 3 anos, e é possível a partir dos 18 meses.

Há dois critérios usados no Brasil. O CID-10 (elaborado pela Organização Mundial da Saúde) é adotado no SUS, e abrange todas as doenças, inclusive transtornos mentais. 

O DSM-5, elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria, abrange apenas transtornos mentais, mas é usado mais para pesquisas.

Causas do Autismo

Não se sabe ao certo as causas do TEA. Esse nome inclui um amplo grupo de perturbações neurológicas e comportamentais que não são, necessariamente, causadas pelos mesmos motivos. Esses podem ser desde origem genética e hereditária ou em consequência de fatores ambientais que impactam o feto, como infecções, complicações na gravidez, e até estresse.

Nos últimos anos, no entanto, cientistas estão descobrindo que autismo e epilepsia, ambas com diversas causas, têm muito em comum. A epilepsia se dá por um funcionamento anormal dos neurônios. Para funcionar bem, o cérebro conta com neurônios excitatórios e inibitórios. Na prática, um ativa e o outro acalma. Juntos eles equilibram, e fazem com que a informação flua pelo sistema nervoso.

Quando, por algum motivo, esse trabalho de auto-regulação se desfaz, os neurônios excitatórios se empolgam, gerando uma reação em cadeia que resulta em um fluxo caótico de atividade que pode se manifestar de diversas formas, como no movimento descontrolado dos músculos.

Cientistas agora acreditam que algo semelhante pode estar acontecendo na cabeça das pessoas com autismo. De acordo com a Teoria do Mundo Intenso, do pesquisador Henry Markram, o excesso de ativação neuronal na mente de autistas gera um ganho extremo de intensidade na percepção dos estímulos sensoriais.

Quais tratamentos existem para o Autismo?

O diagnóstico precoce é considerado extremamente benéfico para o autista. A seguir, terapias diversas contribuem para reduzir os sintomas, estimulando o desenvolvimento. Entre elas, o tratamento da raiva, o processamento sensorial, a terapia familiar, a comportamental e a assistida por animais. No caso de medicação, são utilizados os antipsicóticos. 

Eficácia dos tratamentos alternativos e tradicionais

Os medicamentos atuais, em especial os antipsicóticos, atacam somente sintomas específicos e são geralmente acompanhadas de efeitos colaterais graves. Nenhum, porém, melhora significativamente a falta de habilidades de interação e comunicação que caracterizam o TEA.

Estudo brasileiro mostra eficácia do canabidiol

Como descobrir se a Cannabis é realmente eficaz no tratamento dos transtornos do espectro autista (TEA)? Você trata um número de pacientes com o extrato da planta por um período e avalia os resultados. São os chamados testes clínicos, e foi justamente isso que fez um grupo de pesquisadores da Universidade de Brasília.

Durante nove meses, eles acompanharam pacientes ligados à Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal (Ama+me), com idades entre 6 e 17 anos, em tratamento com um extrato com alta concentração de canabidiol, 75 vezes maior que a de THC. Dos 18 participantes, três sofriam com crises epilépticas. A pesquisa foi publicada na revista Frontiers in Neuroscience.

Quinze pacientes ligados à Ama+me, com autorização da Anvisa, fizeram o tratamento com o extrato de CBD por nove meses (exceto um, que parou no sexto mês). Seus pais, então, passaram a preencher mensalmente um formulário em que estimavam o quanto os filhos melhoraram em relação à oito sintomas característicos do autismo: hiperatividade e déficit de atenção, transtornos comportamentais, déficit motor, déficit de autonomia, déficit de comunicação e interação social, problemas cognitivos, distúrbio do sono e convulsões.

Catorze pacientes tiveram 30% de melhora em pelo menos um dos sintomas, sendo que sete deles apresentaram essa melhora em quatro ou mais dos sintomas analisados.

A principal melhora foi entre os pacientes com epilepsia, com redução nos episódios. Desordem de sono e crises de comportamento foram outros sintomas que tiveram considerável evolução positiva entre os pacientes.

Convulsões

Uma em cada quatro crianças diagnosticada dentro do espectro do autismo pode sofrer convulsões. Elas são causadas por uma atividade elétrica anormal no cérebro, em que os músculos do corpo se contraem e relaxam rápida e repetidamente, causando descontrole do corpo. 

Disfunções no Comportamento Social

Ansiedade

Enquanto o THC pode aumentar a ansiedade, o CBD atua na contramão, segundo pesquisa do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. E é justamente o comportamento ansioso que está por trás de alguns comportamentos comuns em pacientes com autismo, como o comportamento repetitivo.

O teste envolveu 24 pessoas com TAS, divididas em dois grupos, que deveriam um discurso para ser gravado em vídeo. Alguns tomaram CBD e a outra metade recebeu um comprimido placebo, sem qualquer efeito químico. E o segundo grupo, do placebo, apresentou um nível de ansiedade significativamente maior que o outro, com maior maior comprometimento cognitivo e desconforto, algo já esperado em pessoas com TAS.

“Esses resultados preliminares indicam que uma dose única de CBD pode reduzir o efeito de aumento da ansiedade provocado pelo teste de fala em público em pacientes com TAS, indicando que esse canabinoide inibe o medo de falar em público, um dos principais sintomas do distúrbio”, diz o estudo. Mas ressaltam que ainda é preciso realizar pesquisas mais amplas.

Comportamento Aditivo

O comportamento aditivo é aquele que se repete de maneira excessiva, por compulsão ou obsessão, se transformando no foco principal da vida do indivíduo. Ele prejudica o trabalho e a vida pessoal e pode ser ocasionado pelo consumo de drogas, incluindo tabaco e álcool, mas também por sexo, jogo, consumismo e até exercício físico.  

No caso do autismo, o comportamento aditivo é recorrente, principalmente a partir de estímulos da TV e jogos eletrônicos. Em tese, essas atividades podem desregular a produção de dopamina no corpo humano, com efeito direto no comportamento. Testes pré-clínicos já demonstraram que o CBD auxilia na regulação da produção da dopamina, o que acalmaria os pacientes.

Transtornos do Humor

Também conhecidos como transtornos afetivos, os transtornos de humor consistem em períodos prolongados de felicidade ou tristeza excessiva. São bastante comuns em casos de autismo e podem se manifestar como ansiedade, mania, psicose, depressão, entre outras formas. Nesse caso, a causa é a regulação inadequada da produção de serotonina no cérebro. 

Tradicionalmente, o tratamento para este tipo de disfunção inclui o uso de drogas estimulantes, como ritalina, modafinil ou adderall. Para evitar os efeitos colaterais negativos que essas substâncias ocasionam é que se buscam alternativas. Como o canabidiol, que consegue equilibrar os sistemas nervosos simpático e parassimpático, que tem funções respectivamente estimulante e relaxante.

O potencial dos canabinoides no tratamento do autismo

Além de indicar um possível tratamento para pessoas com TEA, os resultados com o CBD são animadores, pois não existe um remédio capaz de melhorar a qualidade de vida, habilidades sociais e desenvolvimento cognitivo dos pacientes autistas.

Como o CBD auxilia no Transtorno do Espectro Autista?

O Sistema Endocanabinoide e o Autismo

O sistema endocanabinoide trabalha justamente na regulação da atividade neuronal. Em pacientes com epilepsia, quando a atividade neuronal excessiva ocorre, endocanabinoides são produzidos em resposta, o que faz a atividade excessiva dos neurônios se tranquilizem, cessando o ataque.

CBD é o caminho lógico

Diante disso, e do sucesso do uso de CBD no tratamento de pessoas com epilepsia, testar em crianças autistas é o caminho lógico. Alterações na expressão de receptores canabinoides periféricos foram verificados em pacientes autistas, sugerindo possíveis deficiências na produção e regulação de canabinoides produzidos pelo corpo. Esta hipótese foi confirmada recentemente para a anandamida, um importante endocanabinoide, que é reduzido em pacientes com TEA.

Além de indicar um possível tratamento para pessoas com TEA – são necessários mais e maiores estudos clínicos para comprovar a eficácia -, o estudo brasileiro realizado em Brasília, mostra resultados animadores. E são importantes pois não existe um remédio capaz melhorar a qualidade de vida, habilidades sociais e desenvolvimento cognitivo dos pacientes autistas.

Como usar o CBD para o Autismo?

As formas mais comuns de consumir o CBD são a ingestão, a inalação e a administração sublingual. Ingerir é o método preferido para quem tem acesso à comestíveis, mas tem a desvantagem de passar antes pelo sistema digestivo, o que aumenta o tempo de absorção e desperdiça parte do composto. Em contraste, a inalação é mais rápida, com efeitos quase instantâneos. O método mais comum é por meio da utilização de um vaporizador. A desvantagem aqui é a dificuldade de encontrar a dosagem correta. 

Por tudo isso, muitos médicos preferem orientar a administração sublingual do óleo CBD, na qual o paciente coloca algumas gotas embaixo da língua e espera que ele seja absorvido pelas mucosa oral e das bochechas, por onde chega rapidamente na corrente sanguínea. O efeito costuma levar entre 10 e 15 minutos. 

Qual óleo de CBD usar para tratar o Autismo?

Nesse caso, há duas possibilidades: usar um isolado de CBD ou o extrato de espectro completo, que inclui todos os outros canabinóides e terpenos presentes na cannabis. O extrato pode conter ainda compostos que melhoram a absorção do CBD. Entretanto, o mais comum é utilizar o isolado, que traz doses maiores de CBD. 

Qual o preço do canabidiol para tratar o Autismo?

Os preços variam bastante, principalmente de acordo com o tipo, que pode ser espectro completo, potência alta ou aquele que traz a melhor relação custo-benefício para o paciente. Além de, claro, a qualidade do óleo. Pela falta de regulamentação, há uma grande quantidade de produtos de má qualidade vendidos no mercado. 

O primeiro medicamento a chegar nas farmácias brasileiras foi o Mevatyl, com preço médio de R$ 2500. Entretanto, é comum pacientes e médicos manipularem óleos e conseguirem efeito semelhante a preço bem menor.

Há também associações de pacientes, como a Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace), que vende o produto a partir de R$ 150. Entretanto, um levantamento deste ano da revista Veja fez uma comparação do custo-benefício considerando a concentração de canabinoides em suas fórmulas e apontou que os preços não diferem muito dos produtos importados para os nacionais. Por isso, é muito importante que o consumidor avalie bem a esses detalhes antes de comprar. 

Qual dosagem para tratar sintomas do Autismo?

Não há uma dose específica que possa ser utilizada por todos os pacientes. Por isso, o indicado é iniciar com uma dose baixa. Por exemplo, 1mg de CBD a cada 4,5 kg de peso do paciente. Essa medida leva em consideração o CBD puro, portanto será preciso verificar a potência do CBD listada no produto escolhido. 

Aos poucos, o médico pode orientar o aumento da dose, até que os resultados positivos apareçam. Esse método é indicado porque o sistema endocanabinoide funciona de forma diferente de um indivíduo para o outro. 

Segurança do uso da Cannabis medicinal

Os extratos de Cannabis provocam somente efeitos colaterais leves e passageiros. No estudo, três apresentaram sonolência e irritabilidade moderada. Houve um caso de diarreia, um de aumento de apetite, um de vermelhidão nos olhos e outro de aumento de temperatura corporal.

Isso indica que apostar no tratamento com extrato de Cannabis é a opção de tratamento mais segura.

Conclusão

Neste conteúdo, apresentamos uma abordagem completa sobre o autismo e os benefícios do uso de Cannabis no tratamento: desde os primeiros sintomas, tratamentos convencionais e resultados positivos do CBD.

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