Cannabis & Saúde

Dia da Epilepsia: qual é a relevância de comemorar a data?

O Dia da Epilepsia é uma importante data mundial, em que as pessoas tem a oportunidade de refletir a respeito dos impactos dessa doença.
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O Dia da Epilepsia, celebrado em 26 de março, é uma importante data em que o mundo inteiro tem a oportunidade de refletir a respeito dos impactos dessa condição na vida de pacientes e pessoas próximas a eles.

Não é para menos: de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a epilepsia é a doença neurológica de maior prevalência no mundo.

A entidade estima que cerca de 50 milhões de pessoas sejam afetadas por esse distúrbio, que atinge crianças, adultos e idosos.

Então, justifica-se plenamente reservar um dia exclusivo para chamar a atenção de todos e convocar a sociedade para refletir.

Mas não é apenas a reflexão sobre a doença que vale ser feita. Há outra questão que merece tanto destaque quanto: o uso do canabidiol (CBD) no tratamento dessa enfermidade.

De certo modo, esse é um assunto ainda cercado de tabus e preconceito, tal como a própria epilepsia.

Felizmente, você está dando o exemplo, fazendo o que a maioria deveria fazer: buscar informação.

Continue lendo e saiba como funciona o tratamento das crises epilépticas com CBD e o significado da data em que lembramos das pessoas que sofrem com essa condição.

Dia da Epilepsia: o que é a epilepsia?

A epilepsia é uma doença que afeta o cérebro e o sistema nervoso, se caracterizando por lesões cerebrais cuja principal consequência é a incidência de crises que, em geral, provocam convulsões.

O cérebro de uma pessoa portadora dessa condição apresenta, de tempos em tempos, descargas elétricas irregulares que levam à perda de controle dos próprios movimentos.

Quando isso ocorre, surgem as crises epilépticas, que, em geral, manifestam-se na forma de tremores, espasmos musculares e perda de consciência.

Em muitos casos, depois de um acesso, a pessoa não se lembra do que acabou de acontecer.

É como se ela se “desligasse” por alguns instantes, perdendo o controle sobre as suas reações.

Dessa maneira, há pacientes que demandam cuidados especiais, em virtude das lesões que podem sofrer enquanto estão tendo uma crise convulsiva.

Para alguns, é necessário o uso de capacetes para impedir choques e ferimentos graves na cabeça, tamanha a violência dos ataques.

A epilepsia é uma doença única, porque ela tem um forte componente de imprevisibilidade – ninguém consegue determinar quando e como uma crise vai se manifestar.

Sendo assim, datas como o Dia da Epilepsia são importantes para jogar luz sobre os sintomas e outros aspectos dessa enfermidade.

Por que o dia 26 de março é dedicado à conscientização da epilepsia?

Também conhecido como Purple Day, ou Dia Roxo, o Dia da Epilepsia tem como objetivo estimular o debate e a troca de informações a respeito da doença.

A data foi criada em 2008 pela então pequena Cassidy Megan, que naquele ano tinha apenas nove anos.

Portadora de epilepsia, ela decidiu pelo roxo como cor oficial por simbolizar a lavanda, uma flor que também é associada à solidão, um sentimento comum entre os que sofrem do transtorno.

O objetivo da valente Cassidy era pôr fim aos mitos que cercam a doença e congregar pacientes, seus amigos e familiares para que não se sintam mais sozinhos.

Essa ainda é uma enfermidade estigmatizante, ou seja, quem sofre dela, pode se sentir incapaz de ter uma vida social normal e relacionamentos duradouros.

Mas, como toda crença infundada, as que rodeiam a epilepsia só podem ser desfeitas com informação.

É por isso que datas como o 26 de março são fundamentais, pois elas ajudam a chamar a atenção das pessoas para a doença e, a partir disso, para a importância de conhecer melhor seus sintomas e o que sofrem os pacientes portadores.

Qual é a relevância de comemorar o Dia da Epilepsia?

Nada pior para quem tem uma doença crônica do que a falta de informação.

Isso vale inclusive para médicos, afinal, como veremos mais à frente, alguns deles ainda se limitam aos tratamentos convencionais, mesmo com riscos e, por vezes, pouca eficácia.

Felizmente, o panorama tem mudado para melhor, em parte por causa de movimentos como o Purple Day.

No entanto, há ainda um longo caminho a percorrer até que a sociedade como um todo esteja plenamente consciente do que é a epilepsia.

O dia 26 de março também é fundamental para os familiares de pacientes que sofrem da doença, porque é uma data em que eles podem ter mais contato com outros enfermos e seus entes mais próximos.

Como vimos, o objetivo da criadora do Dia da Epilepsia também era unir as pessoas que são mais diretamente afetadas pela enfermidade, deixando claro que elas têm com quem contar.

O que causa a epilepsia?

Um dos principais desafios que médicos e pacientes enfrentam no tratamento da epilepsia é identificar suas causas.

Afinal, trata-se de um distúrbio cerebral que pode ser motivado por múltiplos fatores, inclusive desconhecidos.

No entanto, a ciência já sabe que a epilepsia pode ser desencadeada por aspectos genéticos.

Pessoas que têm mutações no gene SCN1A, por exemplo, têm mais chances de desenvolvê-la.

Outra possível causa para a doença são alterações metabólicas ou estruturais que, como consequência, levam o indivíduo a apresentar crises epilépticas.

Nesse caso, a origem do problema pode estar em infecções, traumas, acidente vascular cerebral (AVC) e enfermidades infectocontagiosas, como meningite ou neurocisticercose.

Há situações, ainda, nas quais os fatores de risco e prováveis causas se misturam.

Ou seja, é possível que uma pessoa desenvolva epilepsia em função da genética e, simultaneamente, tenha um componente desconhecido por trás da doença.

Por essa razão, em alguns casos, os tratamentos convencionais não surtem efeito ou, com o tempo, se tornam menos eficazes.

Qual é a diferença entre epilepsia e convulsão?

Como vimos, o Dia da Epilepsia tem como meta disseminar informação a respeito da doença para, assim, eliminar os mitos que a cercam.

Um deles é a confusão entre as crises epilépticas (convulsões) com a própria epilepsia.

Pode parecer a mesma coisa, mas há diferenças a serem consideradas em cada uma delas.

No caso das convulsões, elas se distinguem por um episódio de atividade elétrica anormal no cérebro, cuja duração pode ser de poucos segundos a alguns minutos.

Já a epilepsia se caracteriza pela recorrência de crises, sendo suficiente para determinar a condição intervalos de 24 horas ou mais entre uma e outra.

Portanto, se uma pessoa tem crises epilépticas com alguma regularidade, ela pode ser diagnosticada com a doença.

Quais são os sintomas da epilepsia?

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A epilepsia é uma enfermidade que se manifesta de várias maneiras.

Uma pessoa portadora de epilepsia generalizada, por exemplo, apresentará sintomas distintos das que têm a versão benigna.

No entanto, normalmente, as crises decorrentes da doença se manifestam com os seguintes sintomas:

  • Quedas e tombos
  • Descontrole e movimentos musculares involuntários
  • Rigidez muscular geral
  • Salivação excessiva e baba
  • Ranger de dentes e morder a língua
  • Dificuldade em respirar
  • Vermelhidão na pele
  • Incontinência urinária
  • Alterações na percepção dos cheiros
  • Agressividade e resistência à ajuda
  • Alterações na fala, que pode se tornar imperceptível
  • Confusão
  • Sonolência
  • Falta de atenção.

Há também as chamadas crises de ausência, cujos sintomas são:

  • Olhar vazio e fixo
  • Movimentos mecânicos de mastigação (mesmo sem nada na boca)
  • Movimentos ligeiros e constantes de pernas e braços
  • Rigidez muscular leve
  • Formigamento nas pernas e braços
  • Ficar parado e quieto
  • Movimentos descontrolados dos músculos faciais.

Como a epilepsia é diagnosticada pelos médicos?

Embora sejam prescritos exames como o eletroencefalograma para o diagnóstico, a epilepsia pode ser identificada por simples anamnese (entrevista).

Nesse caso, o médico pode concluir que a pessoa é portadora da doença apenas conhecendo a frequência das crises, os sintomas relatados e outras informações.

Como a epilepsia afeta a qualidade de vida das pessoas?

A imprevisibilidade das crises convulsivas é um problema sério, porque pode impedir as pessoas que apresentam esse sintoma de levar uma vida normal.

Afinal, como saber quando será o próximo ataque?

Por isso, é fundamental que amigos, familiares, colegas de trabalho e de escola saibam o que fazer quando convivem com portadores de epilepsia.

Dia da Epilepsia: uso de canabidiol para tratamento da doença

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Para dificultar, a epilepsia nem sempre é tratável com os remédios convencionais, já que ela pode ser causada por fatores desconhecidos.

Assim, caracteriza-se a epilepsia refratária, ou seja, aquela que resiste à medicação e às medidas de controle estipuladas pelo médico.

Quando os métodos tradicionais falham, os pacientes que sofrem da condição podem ter como último recurso uma substância tão cercada de mitos quanto a doença: o canabidiol.

O que é canabidiol?

Como vimos, a epilepsia refratária se caracteriza pela falta de respostas aos tratamentos convencionais.

Nesse caso, o paciente se vê obrigado a recorrer a medicamentos e rotinas alternativas, uma vez que as opções tradicionais falharam.

É onde o canabidiol surge como a substância que pode fazer a diferença, como vêm comprovando os portadores de epilepsia que tiveram sucesso ao administrá-lo.

O CBD é um entre os mais de 100 canabinoides que podem ser extraídos das plantas pertencentes ao gênero Cannabis.

Sua eficácia pode ser explicada graças à sua interação com os receptores CB1 e CB2 que, por sua vez, compõem o sistema endocanabinoide.

Foi a partir da sua descoberta pelo químico Raphael Mechoulam que a Cannabis passou a ser mais estudada.

Desde então, a ciência e a medicina vieram a descobrir algumas das suas incríveis propriedades.

Quais são as propriedades terapêuticas do canabidiol?

Não é exagero algum dizer que o CBD é uma substância versátil.

Afinal, raros são os compostos com tantas propriedades medicinais, inclusive os próprios fitocanabinoides.Em doenças do trato digestivo, por exemplo, ele pode ajudar facilitando a absorção de anandamida, um dos endocanabinoides mais presentes no corpo, ao lado do 2-AG.

No caso do tratamento da epilepsia, ele se destaca por suas propriedades neuroprotetoras.

Ao interagir com os receptores CB1 e CB2, o canabidiol atua como um modulador de certas funções neurológicas.

Dessa forma, ele reduz a atividade descontrolada no cérebro que leva às crises epilépticas.

Não é por acaso que ele vem sendo tão largamente prescrito, principalmente para os casos de pacientes que não respondem aos tratamentos comuns.

Mais um fato positivo a respeito do CBD é que, além de diminuir os ataques de epilepsia, ele também traz outros benefícios à saúde.

Melhora na qualidade do sono, mais disposição e equilíbrio emocional são alguns dos efeitos positivos percebidos pelos que o utilizam.

Como o canabidiol pode ser consumido no tratamento de epilepsia?

O CBD era, até 2015, um composto proibido no Brasil.

Naquele ano, a Anvisa, em uma ação histórica, decidiu incluí-lo na lista de substâncias controladas pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) Nº 17.

Desde então, a agência de vigilância sanitária vem disciplinando os processos de fabricação, distribuição, importação e consumo do canabidiol.

Sobre esse último ponto, é preciso considerar que a retirada do CBD da lista de substâncias proibidas não liberou o uso recreativo da maconha.

Logo, continua a ser crime passível de detenção o porte e, principalmente, a venda da Cannabis com essa finalidade.

Assim sendo, enquanto regula o mercado de Cannabis medicinal, a Anvisa deve considerar as restrições em vigor.

Essa é a razão para que o uso de medicamentos à base de CBD seja permitido apenas por via oral e nasal, conforme o Artigo 10º da RDC Nº 327/2019.

Além disso, é preciso considerar também que, de acordo com a Anvisa, a concentração de tetrahidrocanabinol (THC) em fármacos à base de canabinoides deve ser de, no máximo, 0,2mg, como consta no artigo 4º:

“Parágrafo único. Os produtos de Cannabis poderão conter teor de THC acima de 0,2%, desde que sejam destinados a cuidados paliativos exclusivamente para pacientes sem outras alternativas terapêuticas e em situações clínicas irreversíveis ou terminais.”

Quais são as diferenças entre o tratamento tradicional e com canabidiol?

Há ótimos motivos para que o CBD seja cada vez mais prescrito como recurso alternativo.

Um deles é a ineficácia de alguns fármacos convencionais que não surtem efeito ou deixam de funcionar depois de um tempo no tratamento da epilepsia.

Além de mais eficaz, o canabidiol ainda tem uma outra diferença bastante significativa: suas raras reações adversas.

Os anticonvulsivantes, por exemplo, por mais eficientes que sejam, sempre apresentam algum tipo de dano colateral, como acontece com os barbitúricos.

A maior eficácia e o menor risco do CBD se explicam em parte pela sua interação com os já destacados receptores CB1 e CB2.

Aliás, todo fitocanabinoide é, em geral, mais seguro por esse mesmo motivo.

Como eles modulam as funções dos endocanabinoides, são normalmente bem tolerados e menos tóxicos.

As vantagens são tantas que poderíamos até nos questionar sobre por que o CBD ainda é prescrito como tratamento alternativo.

A resposta a essa pergunta está na lei, como diz o artigo 48º da já citada RDC Nº 327/2019:

Os produtos de Cannabis podem ser prescritos em condições clínicas de ausência de alternativas terapêuticas, em conformidade com os princípios da ética médica.”

Dia da Epilepsia: como conseguir prescrição médica para medicamentos à base de canabidiol?

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Embora a legislação tenha evoluído bastante nos últimos anos, ainda estamos longe de uma situação de ampla oferta de medicamentos à base de CBD no Brasil.

Parte desse problema se deve à proibição do cultivo da Cannabis em nosso país, mesmo que para uso medicinal controlado.

Dessa forma, os laboratórios farmacêuticos que fabricam remédios contendo canabidiol se veem obrigados a importar matéria-prima, o que encarece o custo de produção.

Isso gera uma outra consequência negativa: os preços elevados dos fármacos nacionais e a pouca variedade de opções.

Em uma conjuntura pouco favorável ao uso do CBD como medicamento, é natural que parte da classe médica ainda resista a prescrevê-lo.

É por essa razão que uma parcela dos pacientes que necessitam do canabidiol têm dificuldades em encontrar um profissional habituado a trabalhar com essa substância.

Diante desse impasse, as pessoas acabam perdendo um tempo precioso – na maioria dos casos, o CBD é a última esperança de uma cura ou alívio.

O portal Cannabis & Saúde é sensível a todos que buscam no canabidiol as respostas que não obtiveram dos fármacos convencionais.

Por isso, disponibilizamos uma lista de médicos prescritores de CBD em nosso site.

Acesse pelo link acima, selecione o especialista mais perto da sua casa ou, caso prefira, marque sua consulta a distância com toda a praticidade e rapidez.

Conclusão

A epilepsia ainda é uma doença com índices de prevalência relativamente altos em todo o mundo.

Em certos casos, o tratamento se torna mais difícil pela resistência que alguns pacientes desenvolvem aos medicamentos comuns.

Somado a isso, há também todo um estigma associado às pessoas epilépticas que, como tal, nasce do preconceito e desconhecimento sobre as causas da doença.

É para superar esse tipo de rejeição infundada que existem datas como o Dia da Epilepsia.

Afinal, intolerância e falta de conhecimento só são superadas com informação.

Pessoas portadoras de epilepsia demandam cuidados especiais, por isso, merecem da sociedade nada menos que atenção e respeito.

O portal Cannabis & Saúde é solidário não só a esses indivíduos como aos familiares e amigos que convivem diariamente com a doença.

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Dessa forma, você ajuda a quem mais precisa e a construir uma sociedade mais justa e humanizada.

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