Doença de Crohn: Causas, Diagnóstico, Sintomas + Como Tratar

Entenda quais são as causas da doença de Crohn, os sintomas, como é feito o diagnostico e tratamentos alternativos.
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É possível que você já tenha ouvido falar da doença de Crohn, mas talvez não saiba muitos detalhes sobre ela.

O nome é um tanto exótico, por assim dizer, porque deriva do médico e pesquisador norte-americano Burrill Crohn.

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Junto a colegas, ele identificou diversos casos da enfermidade em 1932 – embora o escocês Kennedy Dalziel já tivesse publicado estudos a respeito quase 20 anos antes, em 1913.

A doença de Crohn é um problema inflamatório crônico que atinge o sistema digestivo, causando uma série de sintomas.

Portanto, além das formas de manifestação da condição, vamos detalhar o que de fato ela é, suas origens, complicações e riscos.

Além disso, você vai saber como é feito o diagnóstico e os possíveis tratamentos – entre eles, as alternativas por meio da Cannabis medicinal.

Então, siga a leitura para saber tudo a respeito da doença de Crohn.

Doença de Crohn: o que é?

A doença de Crohn é uma enfermidade inflamatória crônica que afeta o sistema digestivo.

Nesse caso, as infecções podem ocorrer em qualquer parte dele. Ou seja, desde a boca até o ânus.

Até hoje, não foi identificada a causa exata da doença de Crohn. Sabe-se apenas que medicamentos podem reduzir a inflamação e controlar os sintomas.

Como as origens são desconhecidas, os especialistas acreditam que um dos principais motivos dessa enfermidade está na desregulação do sistema imunológico, que é o responsável pela defesa do organismo.

Isto é, que ajuda o corpo a combater doenças e manter-se saudável.

Outras possibilidades para desenvolver a condição podem estar relacionadas a características genéticas e dietéticas, além de infecções e causas ambientais.

Duas partes do sistema digestivo são comumente atingidas pela doença de Crohn: o íleo terminal, localizado na parte inferior do intestino delgado e intestino grosso, e o cólon.

Por meio de um processo inflamatório bastante invasivo, ela pode trazer consequências a todas as camadas da parede intestinal, desde a mucosa e a submucosa até a parte muscular e serosa.

Complicações da doença de Crohn

Há uma série de complicações causadas pela doença de Crohn.

Sabe-se, por exemplo, que a incidência é semelhante em homens e mulheres, principalmente em quem tem entre 20 e 40 anos.

No entanto, nos fumantes, o risco é ainda maior. E o pior: essa enfermidade é um grande fator de risco para que o paciente desenvolva câncer de intestino.

Quando a doença de Crohn atinge o cólon, é chamada de colite de Crohn.

Há uma tendência de que essa enfermidade afete o intestino delgado de pelo menos 35% das pessoas acometidas pela condição.

Em torno de 20% dos pacientes desenvolvem problemas no intestino grosso, enquanto até 45% dos doentes sofrem consequências em ambos.

Algumas complicações podem envolver até mesmo o aparecimento de artrite, abscessos e fístulas, o que facilita o surgimento de infecções.

Obstruções intestinais, cálculos vesiculares e fissuras são outras características, assim como sangramento retal e perfuração intestinal, que também podem ocorrer.

Qual é a causa da doença de Crohn?

Como já vimos há pouco, a real causa da doença de Crohn ainda é desconhecida pela comunidade científica.

A probabilidade, no entanto, é de que ela decorra de um enfraquecimento, desregulação ou hiperatividade intestinal do sistema imunológico, o que diminui as defesas do organismo.

Também não se descarta a própria composição genética do indivíduo, além de vírus, bactérias, fatores ambientais ou dietéticos.

A seguir, detalhamos melhor cada um desses pontos.

Sistema imunológico

A principal suspeita em relação às causas que levam à doença de Crohn está ligada ao sistema imunológico.

Por meio de uma disfunção nesse sistema, que é fundamental para manter as defesas do organismo em dia e, assim, resguardar o corpo de possíveis infecções e enfermidades, o intestino pode reagir a aspectos alimentares, ambientais ou infecciosos.

Genética

As pesquisas sugerem que a composição genética de um indivíduo pode desencadear a doença de Crohn.

Em 2006, foi apresentado o estudo A Genome-Wide Association Study Identifies IL23R as an Inflammatory Bowel Disease Gene (Um estudo de associação em todo o genoma identifica IL23R como uma doença inflamatória intestinal).

Nele, cientistas canadenses e norte-americanos indicam mutações no gene IL23R, do cromossomo 1p31.

Essas mutações podem estar ligadas a questões que envolvem maiores ou menores riscos de uma pessoa desenvolver transtornos inflamatórios no intestino.

Dessa forma, os cientistas estudam uma maneira de evitar que a doença de Crohn prossiga como uma enfermidade crônica, ou seja, sem cura, apenas controlada por meio de medicamentos.

Vírus ou bactéria

Outra hipótese levantada por especialistas é a de que a doença de Crohn possa ser causada por infecções virais ou bacterianas.

Isso quer dizer que algum vírus ou bactéria pode gerar uma reação inflamatória que desencadeia a condição no organismo.

Esse problema tende a ocorrer principalmente nas paredes do intestino, levando a enfermidade a se tornar crônica.

Uma das hipóteses é a de que o agente propulsor seja o complexo Mycobacterium avium, que acarreta em doenças respiratórias e sistêmicas.

Esse agente pode ser encontrado na água, por exemplo, e, se inalado por pessoas imunodeficientes, leva ao desenvolvimento de tal condição.

Fatores ambientais

A questão relacionada aos aspectos ambientais para o surgimento de determinada enfermidade ocorre, basicamente, conforme o estilo de vida do indivíduo.

Ou seja, nos países ocidentais, muitas vezes em razão de um estilo de vida desregrado, associado à abundância no consumo de alimentos pesados e gordurosos, o índice de condições inflamatórias intestinais têm aumentado nos últimos anos.

Há, portanto, uma série de fatores ambientais que podem levar ao desenvolvimento da doença de Crohn.

Entre eles, a dieta alimentar (explicada a seguir), além do tabagismo e da exposição à poluição (especialmente em grandes cidades).

Dieta

O estudo Fatores ambientais associados ao desenvolvimento de Doença Inflamatória Intestinal indica que o consumo elevado de proteína animal tem sido associado cada vez mais à possibilidade de desenvolvimento de doenças inflamatórias intestinais.

O risco seria ainda maior devido à ingestão de carne vermelha em comparação à de carnes brancas e processadas, embora isso não esteja totalmente esclarecido.

As gorduras trans também podem influenciar no desenvolvimento de inflamações intestinais.

Esse tipo de gordura também é encontrado em produtos de origem animal, a exemplo do leite.

Por outro lado, a ingestão de fibras, vegetais e frutas têm propriedades anti-inflamatórias.

Ricos em antioxidantes, esses alimentos ajudam a prevenir uma possível inflamação do aparelho digestivo.

5 sintomas da doença de Crohn

O paciente portador da doença de Crohn costuma apresentar dores abdominais, cólicas intestinais e diarreia. As fezes também podem vir junto com sangramentos ou muco.

E tudo isso leva a uma série de consequências, como perda de peso, fraqueza (anemia), febre, vômito e náusea.

Por um lado, a forma mais leve da doença pode trazer dor e diarreia brandas, que quase nem são notadas.

Já os resultados de uma inflamação mais grave podem levar a abscessos ou até à obstrução e perfuração da região intestinal.

A seguir, confira os cinco sintomas mais comuns apresentados por quem tem a doença de Crohn.

1. Dor abdominal

Já que a inflamação ocorre no sistema digestivo, nada mais comum do que sentir dores abdominais ao desenvolver a doença de Crohn.

Então, tenha atenção aos sinais: a dor abdominal pode vir acompanhada de cólicas intestinais, que causam dores ainda mais fortes em determinadas regiões.

2. Diarreia

Esse é um problema que, tal qual a doença de Crohn, pode se transformar em algo crônico e vir acompanhada de sangue, a partir do momento em que o intestino grosso já esteja bastante afetado.

3. Perda de peso

Como consequência da dor abdominal e da diarreia, a dificuldade para comer e absorver vitaminas e nutrientes pode se tornar algo constante na vida de quem tem a doença de Crohn, levando à perda de peso e desnutrição.

4. Dificuldades para absorver nutrientes

Como vimos, as dores, a diarreia e a febre podem levar à fraqueza (anemia) e consequente perda de peso.

E um dos motivos para tudo isso é a dificuldade que o organismo encontra em absorver vitaminas e nutrientes dos alimentos.

Com o sistema digestivo inflamado, a distribuição do que foi ingerido não é feita corretamente, o que acarreta em problemas em outras partes do corpo, como infecções no trato urinário e cálculos renais.

5. Outros sintomas

Como é considerada uma condição crônica, mas também sistêmica, isto é, que atinge outras partes do corpo, é preciso ter atenção aos sinais caso você descubra que é portador da doença de Crohn.

Uma das consequências dessa enfermidade é um possível inchaço – assim como dores – nas articulações, o que pode levar à artrite, além de crises de afta, erupções cutâneas (problemas sérios na pele) e inflamações oculares.

Todos esses sintomas evoluem conforme a gravidade do quadro da doença.

Como resultado dessa condição crônica, outros males que também podem acometer os pacientes são as pedras nos rins e na vesícula.

Quais são os riscos da doença de Crohn?

De acordo com o que já vimos, vale a pena reforçar: os riscos da doença de Crohn são muitos, principalmente por se tratar de uma enfermidade crônica, que não tem cura e nem diagnóstico certeiro da sua origem.

As dores abdominais, a diarreia e a febre, que aparecem no início, podem desencadear uma série de consequências capazes de se tornar problemas ainda mais graves.

Cálculos renais, anemia, pedras nos rins e na vesícula são algumas das complicações que o paciente pode ter.

Em casos mais graves, a doença de Crohn pode ser uma porta de entrada para o câncer em algum órgão do sistema digestivo.

Como funciona o diagnóstico da doença de Crohn?

Há pelo menos quatro tipos de exames que o paciente pode fazer para descobrir se tem a doença de Crohn: sangue, fezes, diagnóstico por imagem e colonoscopia.

No entanto, em primeiro lugar, é preciso ressaltar que não há testes laboratoriais específicos que determinem se uma pessoa tem ou não a enfermidade.

O exame de sangue, porém, pode identificar uma série de fatores capazes de levar ao diagnóstico da condição, a exemplo da anemia (baixa quantidade de ferro no sangue), do alto número de leucócitos (o que indica inflamação) ou do nível de proteína.

Dessa forma, o médico vai identificar se o paciente está absorvendo nutrientes e vitaminas de maneira adequada.

Já o exame de fezes pode ser solicitado caso o indivíduo apresente diarreia. Assim, é possível averiguar e, ao mesmo tempo, descartar infecções.

Por sua vez, os de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, podem exibir ou indicar prováveis origens da inflamação e, consequentemente, das dores.

Nos resultados, podem aparecer bloqueios, fístulas ou abscessos que causam a dor no indivíduo que tem doença de Crohn.

Por fim, a colonoscopia é utilizada mais comumente em pacientes com diarreia, mas sem tanta dor abdominal.

O exame é feito por meio de um tubo com visualização do intestino grosso e biópsia para posterior análise microscópica.

Como saber se tenho a doença de Crohn?

Alguns dos primeiros sintomas da doença de Crohn podem demorar meses ou até anos para se manifestar.

Tudo depende, portanto, da gravidade da inflamação e como ela se desenvolve com o tempo.

Mais uma vez, é fundamental ter atenção aos sinais.

Caso você tenha necessidade urgente para defecar e apresente diarreia com muco e sangue, às vezes acompanhada de febre baixa (até 38 graus) e dor de cabeça, há possibilidade de ser doença de Crohn.

A recomendação, então, é procurar um médico.

Qual exame de sangue detecta a doença de Crohn?

Os exames de sangue não são os únicos que podem ajudar a detectar a doença de Crohn, mas são essenciais para identificar a enfermidade logo no começo.

Algumas características que podem ajudar no diagnóstico da condição são: 

  • Hemograma
  • Dosagem de ferro e vitamina B12
  • Albumina
  • Leucócitos 
  • Provas inflamatórias.

Tratamentos para doença de Crohn

Como ainda não existe uma cura para a doença de Crohn, a intervenção costuma ser especificada conforme a fase e a evolução da enfermidade no corpo do paciente.

A condição pode ser considerada leve, moderada ou grave, e o tratamento é focado em controlar o processo inflamatório.

Dessa forma, o principal objetivo dos recursos terapêuticos tradicionais é tentar aliviar os sintomas de dor e desconforto sentidos pelo paciente.

Além disso, a correção das deficiências nutricionais é outro passo importante para que o enfermo volte a se sentir melhor.

Doença de Crohn pode ser tratada com Cannabis?

Como sabemos, as plantas do gênero Cannabis e os produtos derivados delas têm sido cada vez mais usados no tratamento de diversas enfermidades.

Sendo assim, não é diferente com a doença de Crohn.

De acordo com o estudo Cannabis finds its way into treatment of Crohn’s disease (Cannabis encontra seu caminho para o tratamento da doença de Crohn), publicado em 2014, experimentos concluíram que:

“(…) canabinoides podem fornecer efeitos anti-inflamatórios e benefícios sintomáticos em pacientes com doença inflamatória intestinal”.

Outra pesquisa, intitulada Cannabis Induces a Clinical Response in Patients With Crohn’s Disease: A Prospective Placebo-Controlled Study (Cannabis induz a uma resposta clínica em pacientes com a doença de Crohn: Um estudo prospectivo controlado por placebo), publicada em 2013, aponta que o uso de produtos à base de Cannabis produziu reações positivas em 10 entre 11 pacientes, sem efeitos colaterais.

Um terceiro estudo, ainda mais recente foi publicado em 2017: Low-Dose Cannabidiol Is Safe but Not Effective in the Treatment for Crohn’s Disease, a Randomized Controlled Trial (Cannabidiol de baixa dose é seguro, mas não eficaz no tratamento da doença de Crohn, um ensaio aleatório controlado).

Ele indica que baixas doses de canabidiol podem não ser suficientes para combater a doença de Crohn, mas doses mais concentradas talvez sejam eficientes em um hipotético tratamento.

Como funciona a dieta na doença de Crohn?

Como o intestino ou alguma parte do sistema digestivo está inflamada, todo cuidado é pouco com o que se ingere em termos de alimentos, sejam sólidos, sejam líquidos.

Desse modo, fica claro que o maior objetivo da alimentação no processo de melhora em relação à doença de Crohn é manter distância da desnutrição e evitar a qualquer custo a irritação intestinal.

Alguns dos alimentos que podem ser consumidos são:

  • Peixe (atum, sardinha ou salmão)
  • Carboidratos, como arroz, batata e massas
  • Carnes magras (frango)
  • Legumes cozidos
  • Frutas sem casca e cozidas (maçã e banana, além de abacate)
  • Produtos lácteos (caso o paciente não seja intolerante à lactose)
  • Azeite de oliva.

O que deve ser evitado inclui:

  • Carne de porco e outras carnes pesadas e gordurosas
  • Doces, como chocolate e biscoitos de massa folhada
  • Frituras
  • Gorduras
  • Bebidas alcoólicas
  • Café
  • Refrigerante
  • Aveia
  • Mel
  • Açúcar
  • Mamão
  • Verduras cruas
  • Frutas com casca.

Conclusão

Como vimos, a doença de Crohn pode trazer uma série de complicações ao sistema digestivo.

Dores e incômodos intermitentes, febre, diarreia e, por consequência, outras enfermidades, são apenas alguns dos problemas.

Portanto, alimentar-se adequadamente e manter uma rotina disciplinada de exames médicos são atitudes que ajudam a evitar o diagnóstico de doença de Crohn.

Além disso, procurar um especialista previne que você desenvolva condições futuras ainda mais graves, como pedra nos rins, na vesícula e até mesmo câncer, devido ao comprometimento da parede intestinal.

Cuide-se. Procure um médico. Informe-se e leia sobre novos estudos divulgados em relação à doença de Crohn e ao tratamento com Cannabis medicinal.

Então, siga acompanhando o portal Cannabis & Saúde e fique sempre por dentro das novidades!

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