CBD e sistema imunológico: o uso da substância em doenças autoimunes

A relação entre o CBD e sistema imunológico é, de certa forma, bastante próxima. Saiba como funciona a ligação entre eles e sua importância!
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A relação entre o CBD e sistema imunológico é, de certa forma, bastante próxima – isso se considerarmos que ambos atuam em prol do bem-estar e do equilíbrio das funções corporais.

Embora sejam uma verdadeira “máquina de guerra”, as defesas do organismo também falham e, nessas horas, é preciso reforçá-las para suprir as suas eventuais deficiências.

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O canabidiol (CBD) entra justamente quando nossas “tropas” celulares não conseguem desempenhar o seu papel, seja falhando ao nos proteger de invasores, seja atacando o próprio corpo.

Um bom exemplo disso são as doenças autoimunes, nas quais o sistema imunológico falha em reconhecer quem é quem no “teatro de guerra” biológico.

Quando isso acontece, as nossas defesas, que deveriam nos proteger, passam a atacar os próprios tecidos, com graves consequências em curto e longo prazo.

Para a nossa sorte, substâncias como o canabidiol servem para compensar essa falha, além de promover outros inúmeros benefícios à saúde.

É disso que vamos falar neste conteúdo que você começa a ler agora.

Acompanhe até o fim e entenda como funciona o incrível sistema que blinda o nosso corpo de doenças.

CBD e o sistema imunológico: afinal o que é CBD?

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CBD é o acrônimo usado para se referir ao canabidiol, um dos canabinoides mais abundantes nas plantas do gênero Cannabis.

Não por acaso, há milhares de anos o homem utiliza os substratos da Cannabis para tratar de incontáveis enfermidades.

Infelizmente, desde o século passado formou-se uma concepção equivocada sobre a planta, que foi relegada a um status clandestino em virtude da criminalização do seu plantio.

No entanto, se cultivada com responsabilidade, ela pode fornecer insumos valiosíssimos para a indústria farmacêutica, com destaque para o CBD.

Esse é o canabinoide com mais propriedades terapêuticas entre os mais de 100 tipos já catalogados pela ciência.

Vale ressaltar que, diferentemente do tetrahidrocanabinol (THC), ele não exerce efeitos psicoativos, até mesmo quando consumido por via nasal com inaladores.

O sistema endocanabinoide

Ainda que as propriedades terapêuticas da Cannabis sejam conhecidas de longa data, a pesquisa científica voltada a mapeá-las é relativamente recente.

Isso porque estudos mais aprofundados só vieram a ser realizados a partir da década de 1960, quando o cientista Raphael Mechoulam descobriu e isolou o canabidiol e o THC. Duas décadas depois foi descoberto o sistema endocanabinoide.

A sua função é, de modo geral, restabelecer o equilíbrio do organismo e da nossa homeostase.

Acontece que, até a sua descoberta, pouco se sabia sobre os mecanismos que levam os canabinoides a promoverem benefícios à saúde.

Foi então que Mechoulam descobriu que todos nós somos equipados com um sistema capaz de absorver os compostos extraídos da Cannabis para realizar as suas funções.

Basicamente, os canabinoides “turbinam” os efeitos dos endocanabinoides, substâncias secretadas pelo sistema homônimo.

Eles fazem isso ao interagir com os receptores CB1 e CB2.

Os primeiros encontram-se principalmente no sistema nervoso e no cérebro, enquanto os demais se localizam no restante do organismo.

O que é o sistema imunológico?

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Não é por acaso que uma parcela dos livros didáticos e materiais sobre o assunto descrevem o sistema imunológico usando termos militares.

De fato, tudo nele remete às rotinas de um exército em guerra, inclusive na parte de treinamento.

É o que acontece, por exemplo, com as chamadas células T. 

Treinadas no órgão conhecido como timo, elas são responsáveis por identificar agentes invasores, ajudando a mobilizar as nossas defesas.

O que dizer então dos linfonodos que, tal como verdadeiras tropas de assalto, agrupam-se nas zonas de ramificação dos vasos linfáticos à espera do próximo ataque?

Outra similaridade com o contexto militar está na especialização.

Assim como há tropas de infantaria, artilharia e engenharia, no sistema imunológico, cada grupo de células de defesa tem funções bastante específicas.

Não seria possível detalhar aqui todas elas, já que as proteções do organismo atuam por complexos esquemas bioquímicos.

De qualquer modo, podemos descrever, em linhas gerais, qual é a sua função e de que forma elas ajudam a nos proteger de vírus e outros “inimigos”.

Para que serve o sistema imunológico?

A principal função do sistema imunológico é rechaçar eventuais vírus, bactérias, células cancerígenas e outros agentes patológicos.

Ele faz isso por meio de uma sequência muito bem coordenada de atividades no nível celular, que podem ser divididas em quatro etapas:

  • Identificação de um antígeno invasor potencialmente maligno
  • Mobilização das forças de defesa para afastá-lo ou destruí-lo
  • Ataque ao antígeno invasor
  • Estabelecimento do controle e encerramento do ataque.

Tal como nas melhores tropas militares, o sistema imunológico também precisa de constante treinamento e aperfeiçoamento.

Afinal, há tantas formas de ser atacado que não sobreviveríamos sem defesas capazes de aprender novas táticas e estratégias.

Por isso, todos temos a chamada imunidade inata, que independe de contato com antígenos para realizar a sua função.

O outro tipo de imunidade é a adquirida, que se desenvolve quando nossas defesas aprendem a identificar um antígeno até então desconhecido, melhorando a sua capacidade de resposta em novas invasões.

CBD e sistema imunológico: como eles se relacionam?

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Como destacado logo no início, o sistema imunológico está sujeito a falhas.

Elas começam quando o processo de identificação do inimigo não acontece da maneira como deveria.

Resumidamente, todo tecido vivo tem uma espécie de “impressão digital” que serve para identificá-lo, os chamados antígenos.

Nossos próprios tecidos também têm os seus, os chamados antígenos de leucócitos humanos (HLA).

Quando as defesas deixam de reconhecer os HLA, passam a atacá-los como se fossem vírus ou bactérias invasoras.

O que fazer, então, quando o sistema que deveria nos proteger nos ataca?

Em resposta, a medicina e a indústria farmacêutica desenvolveram os medicamentos imunossupressores que, como tais, são indicados quando se deseja inibir a reação imunológica.

Pois o CBD, como sugerem diversas pesquisas científicas, pode auxiliar quando é preciso conter o sistema imunológico de alguma forma.

Afinal, ele atua como um regulador das funções corporais, inclusive a que é desempenhada pelas células responsáveis pelas nossas defesas.

Quais são os efeitos do CBD no sistema imunológico?

A partir da interação do canabidiol com o sistema imunológico, ele pode enfim promover os benefícios à saúde esperados.

Não basta somente impedir que os linfócitos nos ataquem: é necessário também cortar o mal pela raiz.

Cabe destacar que, além de imunossupressor, o CBD ainda é um potente anti-inflamatório.

Aliás, a inflamação é um sinal de que as nossas defesas estão atuando.

Ela consiste em uma resposta imunológica, na qual o organismo envia mais sangue e células de defesa para a área “sob ataque”.

É por isso que as regiões inflamadas ficam vermelhas e mais quentes, pois o fluxo sanguíneo é maior nelas.

No entanto, processos inflamatórios não devem se prolongar por muito tempo.

Nesse caso, o CBD ajuda a regulá-los para que não venham a causar mais problemas.

Uma vez que a resposta imunológica esteja sob controle, aí sim, o canabidiol entra em cena para desempenhar outros papéis.

Ele pode ser tanto um ansiolítico quanto um poderoso neuroprotetor ou, se necessário, um regulador do apetite.

Esses são alguns dos efeitos do canabidiol, conforme sugerem as mais recentes pesquisas, algumas das quais destacamos a seguir.

Estudos científicos que comprovam a ação do CBD no sistema imunológico

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A ciência caminha a passos largos para comprovar definitivamente as propriedades terapêuticas dos canabinoides, com ênfase no CBD.

Nesse aspecto, os estudos que ligam o canabidiol às respostas imunológicas estão consideravelmente avançados.

Um deles, intitulado Immune Responses Regulated by Cannabidiol (Respostas imunológicas reguladas por canabidiol), traz revelações importantes.

De acordo com os pesquisadores James M. Nichols e Barbara L.F. Kaplan:

“Considerando todos os estudos realizados sobre as respostas imunológicas e inflamação, os dados demonstram de forma esmagadora que o CBD é imunossupressor e anti-inflamatório. Os alvos críticos de supressão incluem citocinas, como TNF-α, IFN-γ, IL-6, IL-1β, IL-2, IL-17A e quimiocinas, como CCL-2. O mecanismo geral do CBD envolve a supressão direta de células-alvo, como células T efetoras e células microgliais, por meio da supressão de cascatas de quinase e vários fatores de transcrição.”

Outro estudo que merece destaque, publicado também na revista Biochemical Pharmacology, traz revelações ainda mais animadoras.

Segundo os seus autores:

“O CBD suprimiu vários endpoints imunológicos, com um perfil de atividade semelhante a outros canabinoides derivados de plantas, sintéticos e endógenos. Especificamente, o CBD suprimiu a produção de citocinas a partir de esplenócitos primários de camundongos ativados(…). Digna de nota foi a observação de que esta supressão de citocinas ocorreu independentemente de CB1 ou CB2, conforme demonstrado em esplenócitos derivados de camundongos.”

CBD e sistema imunológico: o canabidiol pode ser usado no tratamento de quais doenças autoimunes?

Doenças autoimunes podem ser bastante difíceis de tratar, porque, com a imunossupressão, o organismo fica exposto a outras enfermidades.

Fármacos convencionais devem ser prescritos levando em conta esse e outros fatores para que não venham a causar ainda mais problemas de saúde.

Em alguns casos, a relação custo-benefício é demasiadamente ruim para o paciente, inviabilizando o tratamento.

Por isso, o CBD pode ser a melhor alternativa, considerando a sua capacidade de imunossupressão e anti-inflamatória.

Já contamos aqui no portal relatos reais de pessoas que sofriam de graves doenças autoimunes e que, com a ajuda do canabidiol, conseguiram controlá-las.

Conheça, nos próximos tópicos, uma dessas histórias e de que forma o CBD ajuda a reverter quadros complicados em algumas doenças autoimunes.

Artrite reumatoide

Doença mais prevalente em mulheres a partir dos 30 anos, a artrite reumatoide afeta as articulações, causando dores e inflamação.

Se não for contido, o processo inflamatório pode levar à destruição completa das articulações e das periarticulações.

Trata-se de uma doença autoimune de causas desconhecidas, que começa com uma desregulação do sistema imunológico.

Pessoas que sofrem de AR apresentam articulações inchadas, quentes e doloridas.

Também vem acompanhada de rigidez, mais acentuada pela manhã ou depois de períodos de inatividade.

Como se vê, é uma doença bastante grave, ainda mais se considerarmos que nem sempre os tratamentos conservadores surtem efeito.

Para uma boa parte das pessoas que sofrem de artrite reumatoide, o CBD é a chance de recuperar a mobilidade e de se livrar das dores.

Embora a ciência ainda não tenha avançado tanto no sentido de comprovar a sua eficácia no tratamento dessa condição, com o que se sabe, já é possível indicá-lo com alguma segurança.

Afinal, sendo uma doença inflamatória e autoimune, a artrite reumatoide pode ser controlada a partir de medicamentos que contenham canabidiol.

Doença de Crohn

Já a doença de Crohn se caracteriza por atingir não as articulações, mas o trato gastrointestinal.

Ela se manifesta geralmente no intestino grosso, também chamado de cólon, e na seção inferior do intestino delgado, conhecida como íleo.

No entanto, pode aparecer também na boca e até no ânus.

Essa é uma doença cujo diagnóstico ainda intriga os médicos, já que seus sintomas jamais se apresentam da mesma forma de uma pessoa para outra.

Os mais recorrentes são diarreia, perda de peso, cólica abdominal, febre e hemorroidas.

No seu tratamento, o CBD é eficaz, porque, assim como a artrite, a doença de Crohn também gera um processo inflamatório, que é contido pelo canabidiol.

Esclerose múltipla

Por sua vez, a esclerose múltipla consiste em uma doença autoimune que leva à degeneração de parte do sistema nervoso.

Nela, as terminações nervosas perdem a proteção da bainha de mielina em virtude de uma disfunção no sistema imunológico, que o leva a destruí-la.

É uma condição grave e de tratamento difícil, já que nem sempre o organismo responde bem aos medicamentos convencionais.

Uma história de sucesso com o CBD ao tratar da EM é do designer Gilberto Castro – antes desenganado pelos médicos, passou a ter uma vida muito próxima da normalidade ao se tratar com canabidiol e até deixou a cadeira de rodas!

Diabetes

Outra doença cujo tratamento pode ser difícil é a diabetes.

Nela, as células beta-pancreáticas são destruídas pelas defesas do corpo, levando a problemas de concentração de açúcar no sangue.

Na maioria dos casos, o tratamento é à base de reposição de insulina, o hormônio responsável pelo controle das taxas glicêmicas, cuja produção diminui ou se encerra com a doença.

O CBD pode ser eficaz, ajudando pessoas diabéticas não só a controlar os níveis de açúcar, como impedindo-as de se tornarem obesas, como aponta este estudo.

Doenças autoimunes: tratamentos convencionais x tratamento com CBD

Por tudo que vimos até aqui, fica difícil discordar que o canabidiol é uma das melhores alternativas no tratamento de doenças autoimunes.

Isso porque ele é eficaz não apenas como imunossupressor e anti-inflamatório, mas também ajuda a combater outros tipos de deficiência.

Veja, por exemplo, os benefícios que ele traz para quem sofre de diabetes.

No tratamento dessa enfermidade, o CBD não só contribui para regular a glicemia como impede a pessoa de ganhar gordura.

No entanto, as vantagens não param por aí, como veremos na sequência.

Quais são os efeitos colaterais do uso do CBD ao tratar de doenças autoimunes?

O CBD poderia ser mais um medicamento como tantos outros imunossupressores com as suas reações adversas.

Além de eficaz nesse quesito, ele também vem se mostrando seguro, já que provoca raros efeitos colaterais.

Entre os poucos casos relatados, destacam-se dores de cabeça, tonturas e alterações de apetite.

Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que os efeitos adversos do CBD podem ser resultado de interações com outros medicamentos que o paciente esteja tomando.

A conclusão está em seu relatório Critical Review Report, publicado em 2018.

Seja como for, normalmente, esses efeitos são bastante leves e podem ser facilmente controlados com orientação médica.

Assim sendo, vale a pena recorrer ao CBD no tratamento de doenças do sistema imunológico. 

Mas, para isso, você precisará antes encontrar um especialista que conheça a substância e que possa prescrevê-la e acompanhar o seu progresso.

Veja a seguir como fazer.

CBD e sistema imunológico: onde encontrar médicos prescritores no Brasil?

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A ciência já tem pistas bem concretas e que, se não confirmam, sugerem a segurança e a eficácia do CBD em diversos tratamentos.

No entanto, em países como o Brasil, em que a Cannabis ainda é um assunto rodeado de tabus, é comum que a sociedade e a comunidade médica sejam reticentes quanto ao seu uso medicinal.

Isso faz com que uma parte expressiva dos profissionais de saúde siga resistindo à ideia de prescrever canabinoides.

Infelizmente, essa resistência faz com que pessoas que precisam de tratamento urgente percam um tempo precioso em busca de médicos prescritores quando a Cannabis é o último recurso.

A equipe do portal Cannabis & Saúde conhece bem o drama que algumas famílias enfrentam quando necessitam de acesso aos medicamentos à base de Cannabis.

Por essa razão, além de publicar regularmente conteúdos relevantes para o público interessado na Cannabis medicinal, disponibilizamos uma plataforma atualizada de conexão entre pacientes e médicos prescritores de CBD.

Acesse o link, escolha o profissional mais perto de você ou, se preferir, opte pela consulta a distância.

Conclusão

O CBD age no sistema imunológico como um poderoso modulador por meio da imunossupressão.

Ainda que sejam necessárias mais pesquisas conclusivas, há fortes evidências que apontam para sua eficácia.

Para continuar por dentro dos avanços da ciência nessa área, fica desde já a dica: leia regularmente os conteúdos publicados no portal Cannabis & Saúde, a sua fonte confiável de informação sobre Cannabis medicinal.

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