Endometriose: Tipos, Causas, Sintomas e Tratamentos [Guia]

Você sabia que a endometriose atinge mais de 6 milhões de mulheres no Brasil? Confira as opções de tratamentos convencionais e a alternativa da Cannabis. Aprenda mais!
endometriose

Doença que atinge mais de 6 milhões de mulheres no Brasil, a endometriose é uma das principais causas da infertilidade feminina.

No mundo todo, estima-se que mais de 175 milhões tenham desenvolvido essa condição.

Pelas suas características e pelo fato de ser incurável, a endometriose exige da paciente cuidados constantes, já que o risco de recorrência sempre existe.

É nesse contexto que a Cannabis medicinal aparece como uma aliada das mulheres que desejam ter filhos ou simplesmente querem se ver livres das dores e dos incômodos causados pela doença.

Avance na leitura e entenda como os canabinoides podem ajudar a melhorar a qualidade de vida das portadoras dessa condição e, por extensão, das suas famílias.

O que é a endometriose?

Endometriose é uma anormalidade do tecido conhecido como endométrio que, por causas desconhecidas, sai de dentro do útero, migrando para outras partes do sistema reprodutivo feminino e órgãos próximos.

Ela é identificada pelo CID 10 – N80 e seus sintomas principais são dores na menstruação, em relações sexuais e até infertilidade.

O que causa endometriose?

O endométrio é a mucosa que envolve o útero e, durante a gravidez, é nele que o bebê se desenvolve.

Por isso, a cada ciclo menstrual, ele se renova, sendo eliminado pela vagina.

As causas exatas da endometriose ainda não foram totalmente esclarecidas pela ciência, mas uma das possíveis explicações seria o refluxo do sangue menstrual, que levaria o tecido a se desenvolver nas trompas e em outras partes do ovário.

Essa é a explicação mais aceita desde 1921, quando o John A. Sampson, do Hospital John Hopkins, nos Estados Unidos, levou a público pela primeira vez essa possibilidade – passagem destacada no artigo John A. Sampson and the origins of Endometriosis.

sintomas de endometriose

O principal sinal da doença é a dor, manifestada na forma de cólicas fortes e que podem impedir a mulher de realizar atividades normais.

Além das dores, a endometriose também apresenta como sintomas:

  • Dor pré-menstrual, que pode ocorrer entre uma e duas semanas antes da menstruação
  • Cansaço e fadiga
  • Diarreia
  • Sangramento na menstruação irregular e intenso
  • Problemas para engravidar e, em último caso, infertilidade
  • Dores fortes em relações sexuais (dispareunia)
  • Sangramentos urinários e intestinais ao longo da menstruação.

Quais são os fatores de risco para a endometriose?

Embora não seja possível identificar as causas da endometriose, sabe-se que existem certos fatores de risco que aumentam as chances de desenvolvê-la.

O mais aceito por ginecologistas em geral é o histórico familiar da doença, especialmente se mães e irmãs já a tiveram.

Outro aspecto de risco é a frequência das menstruações, já que acredita-se que mulheres com ciclos mais curtos tendem a ter a enfermidade.

Por último, estão fatores exógenos, tais como tabagismo, sedentarismo e estresse, como possíveis gatilhos que levam ao desenvolvimento desse tipo de condição.

É possível prevenir a endometriose?

Não existem métodos preventivos contra a endometriose.

Como a doença tem na genética um fator de risco, a única solução é tratá-la tão logo seus sintomas sejam detectados.

No tratamento, em geral, são prescritos medicamentos à base de hormônios, anticoncepcionais orais, implantes subcutâneos ou DIU de progesterona.

No entanto, em casos mais graves ou nas formas agudas da doença, pode ser recomendada a intervenção cirúrgica pelo procedimento conhecido como laparoscopia.

E, em quadros ainda mais extremos, é possível que seja indicada a remoção do útero, embora isso não garanta cura definitiva.

Quais são as consequências da endometriose para o corpo feminino?

Cabe salientar que, em muitas situações, a endometriose é subestimada, sendo com frequência confundida com uma simples cólica menstrual.

Na verdade, embora possam ser recorrentes, cólicas não são normais, por isso, é fundamental que a mulher procure logo um médico caso venha a senti-las, estando na menstruação ou não.

Afinal, se não tratada, a endometriose leva a perdas consideráveis na qualidade de vida, podendo até incapacitar para o trabalho.

Não menos importante, ela impede a mulher de ter uma vida sexual saudável e, como consequência mais grave, pode levá-la à infertilidade.

Endometriose e gravidez: é possível ter filhos?

Uma das maiores preocupações das pacientes acometidas pela endometriose é se poderão engravidar, mesmo com a doença.

Isso porque boa parte dos diagnósticos são feitos em mulheres na faixa etária próxima dos 30 anos, idade considerada fértil.

Nesse caso, a atenção recai sobre o quanto a doença possa ter evoluído, já que, em quadros mais avançados, o endométrio fecha a tuba uterina, impedindo a fecundação.

Com o tratamento, é possível reverter essa condição e devolver a fertilidade, no entanto, há ocorrências em que a mulher fica estéril de forma irreversível.

Quais são os tipos de endometriose?

Considerando os problemas sociais, os impactos nas relações sexuais, na qualidade de vida e na própria fertilidade, é fundamental identificar os tipos de endometriose conhecidos.

Veja quais são a seguir.

Superficial

A manifestação mais branda da endometriose é a superficial.

Nela, o endométrio anômalo se desenvolve principalmente no tecido que recobre internamente os órgãos da cavidade abdominal e pélvica, o peritônio.

Nesse tipo da doença, também podem ser atingidas a superfície dos ovários, da bexiga, das tubas, do útero, entre outros.

Geralmente, a endometriose em fase superficial penetra menos que 5mm nos tecidos atingidos, podendo ser removida com uma simples cauterização.

Ovariana

Em um segundo estágio, o ovariano, a endometriose se apresenta na forma de cistos e nódulos que entram mais profundamente nos tecidos externos ao útero.

Nele, já há certo risco de as funções reprodutivas serem comprometidas, sendo indicada a intervenção cirúrgica em alguns casos.

Também podem se desenvolver nessa fase os chamados tecidos cicatriciais, ou adesões, embora com menor gravidade do que no estágio mais agudo da doença.

Profunda

Cabe ressaltar que o endométrio que “vaza” do útero e se desenvolve fora dele pode vir a formar uma espécie de cola, unindo partes do órgão com outros..

Essa é uma das características da endometriose profunda ou infiltrativa, na qual os cistos penetram mais de 5mm no peritônio, alcançando até os intestinos.

Portanto, essa é a manifestação mais grave da doença, considerando que seus sintomas são mais persistentes e intensos.

Quando buscar ajuda médica para a endometriose?

Por ser uma condição que tende a se agravar com o tempo, a endometriose exige um diagnóstico precoce para que possa ser tratada e, assim, minimizar os danos gerados.

Desse modo, é recomendável que a mulher faça exames regularmente para detectar possíveis focos, até porque a doença nem sempre causa dores ou cólicas.

E se as cólicas menstruais passam a ser frequentes ou intensas a ponto de impedir a realização de atividades, não pense duas vezes: vá ao médico o quanto antes.

Qual médico procurar para suspeita de endometriose?

Sendo uma doença que atinge o sistema reprodutivo feminino e os órgãos adjacentes, em geral, o ginecologista é o médico indicado para tratar da endometriose.    

Contudo, dependendo do estágio em que ela se encontra, pode ser necessária a participação de outros especialistas, como proctologistas ou gastroenterologistas.

Seja como for, a especialidade número 1 para diagnosticar e tratar da doença sempre será a ginecologia.

Como funciona o diagnóstico da endometriose?

O desafio para se diagnosticar a endometriose é que seus sintomas são comuns a outras doenças que atingem a mulher.

Dessa forma, para que seja detectada, o ginecologista deverá proceder a uma investigação médica detalhada e a realização de exames de análise complementar.

Nos casos em que o diagnóstico for mais difícil, pode ser solicitada, ainda, a realização do procedimento conhecido como laparoscopia exploratória.

Também pode ser feita uma videolaparoscopia, em que é inserido um cateter equipado com câmera para visualização do útero por dentro.

Quais exames são realizados para identificar endometriose?

Na laparotomia exploratória, o exame consiste em manter a paciente em um centro cirúrgico sob anestesia geral por um período de até 4 horas.

Uma vez sedada, é feita uma incisão no abdômen, cujas dimensões vão variar conforme os objetivos do especialista – há casos, inclusive, em que o abdômen precisa ser aberto de ponta a ponta.

Feita a abertura, o médico avalia os órgãos expostos para confirmar ou não possíveis alterações, adesões ou a presença de cistos e nódulos.

Uma vez que o procedimento seja concluído, a paciente deverá permanecer internada por alguns dias para acompanhamento e eventuais intervenções que se façam necessárias.

Quando a endometriose é considerada grave?

A forma mais grave de endometriose, como você viu, é a profunda ou infiltrativa.

Isso porque, nela, a mucosa endometrial já se espalhou para diversas outras partes do útero.

Ovários, intestinos, bexiga e trompas de Falópio são alguns órgãos atingidos quando a doença chega nesse estágio.

Nele, as dores são ainda mais intensas e os ciclos menstruais são mais curtos, ou seja, a mulher passa a menstruar com uma frequência maior.

Ela vem acompanhada também de dor nas costas, dificuldade ao urinar e até sangramento anal durante o período menstrual.

Tratamentos para endometriose: cirurgia, medicamentos e mais

tratamentos para endometriose

Se, por um lado, a medicina ainda não sabe de forma precisa as causas da endometriose, por outro, ela já disponibiliza diversos tratamentos para a doença.

Nesse aspecto, o tipo de recurso terapêutico indicado vai depender do estágio em que a condição se encontra e do perfil da paciente.

Saiba quais são as opções para tratar da endometriose a seguir.

Medicação

A primeira alternativa para tratar da endometriose são os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), usados para controle da dor.

Também podem ser prescritos fármacos para inibir a atividade do ovário e, desse modo, impedir o crescimento do tecido endometrial.

Além disso, o ginecologista pode receitar contraceptivos orais, tendo em vista que a endometriose tem relação direta com a menstruação. 

Em outras abordagens, podem ser prescritas progestinas, como a noretindrona, que tem efeito contraceptivo, ou fármacos com a função de agonistas do hormônio liberador de gonadotrofinas.

Cirurgia

Como você viu, a intervenção cirúrgica é uma opção não só para diagnóstico, mas para o próprio tratamento da endometriose.

Por outro lado, a cirurgia para a doença envolve um certo grau de complexidade, sendo indicada, em geral, como último recurso.

Na sua avaliação, é considerado, inclusive, o próprio desejo da paciente em engravidar ou não.

Ou seja, deve-se analisar o custo-benefício em se submeter a uma cirurgia invasiva e que não garante cura definitiva.

Terapia hormonal

Uma terceira opção é a terapia hormonal, que serve ao mesmo tempo para controlar a natalidade e o possível avanço da endometriose.

Sendo um método contraceptivo, ele só é indicado para mulheres que não pretendam engravidar.

Esse tipo de tratamento, por sua vez, pode apresentar certos efeitos adversos, como ganho de peso, sangramento vaginal ou depressão.

Alternativa: tratamento para endometriose com Cannabis

Tendo em vista os potenciais efeitos adversos e o risco da infertilidade nos recursos terapêuticos convencionais, o tratamento com canabinoides surge como uma alternativa para mulheres com endometriose.

Isso porque eles podem atuar diretamente no sistema reprodutivo feminino por meio do sistema endocanabinoide, exercendo função protetiva e analgésica.

Não menos importante, os compostos extraídos da Cannabis têm ainda a propriedade de impedir a propagação do tecido endometrial anômalo.

Estudos científicos sobre o tratamento da endometriose com Cannabis

endomentriose estudos cientificos

Ainda que sejam necessários mais estudos conclusivos, a ciência já tem material suficiente para, pelo menos, sugerir o uso de canabinoides no tratamento da endometriose.

Em Endocannabinoid involvement in endometriosis, um grupo de pesquisadores da Universidade da Flórida realizou testes em ratos e chegou a resultados bastante promissores.

Eles concluíram que:

“Estudos em um tipo de endometriose em ratos dão evidências de que os endocanabinoides podem regular a inervação e o crescimento da doença e que os agentes canabinoides exógenos podem ser eficazes na redução dos sintomas da endometriose.”

Já em The Clinical Significance of Endocannabinoids in Endometriosis Pain Management, pesquisadores de um hospital israelense sugerem propriedades analgésicas do CBD no tratamento da endometriose.

Eles chegaram à seguinte conclusão:

“Os resultados em relação à dispareunia e à vida sexual são animadores. Os estudos que analisaram ‘vida sexual da mulher’ ou ‘dispareunia’ mostraram melhora significativa(…).”

Endometriose: 3 benefícios do tratamento com Cannabis

Os estudos evidenciam os benefícios do tratamento da endometriose com canabinoides.

Mas, por outro lado, essas substâncias já têm uma série de propriedades terapêuticas e curativas já conhecidas.

Espera-se que, com mais pesquisas, a medicina possa enfim abraçar a Cannabis como uma aliada indispensável para tratar dessa condição.

Conheça, então, três dos potenciais benefícios percebidos por mulheres que utilizam o canabidiol (CBD) e outros canabinoides para reduzir a dor ou controlar a proliferação do tecido endometrial.

1. Tratamento natural

O estudo feito por pesquisadores de Israel mostra a relação do sistema endocanabinoide com a saúde do sistema reprodutivo feminino.

Dessa forma, pode-se dizer que o tratamento com canabinoides vem a ser uma alternativa natural, dispensando fármacos com efeitos adversos e até a intervenção cirúrgica.

Outra vantagem é que, por ser natural, ele ainda pode dispensar recursos terapêuticos que induzam à infertilidade, preservando as funções reprodutivas da mulher.

Por isso, para as pacientes que planejam ter filhos, a Cannabis pode ser a melhor opção.

2. Ação analgésica

Embora a medicina indique os AINEs no combate à dor causada pela endometriose, é preciso sempre considerar que esses medicamentos podem apresentar reações adversas.

Assim sendo, os compostos da Cannabis, mais uma vez, despontam como uma opção segura, já que têm propriedades analgésicas com efeitos colaterais mínimos.

A propósito, o que a literatura e as pesquisas sugerem é que essas reações, em geral, estão condicionadas ao uso de fármacos à base de canabinoides com remédios comuns.

Isso nos leva a concluir que, além de eficaz para reduzir as dores causadas pelas cólicas, os medicamentos produzidos a partir da planta Cannabis são menos agressivos.

3. Bloqueia a migração de células

Talvez a função mais bem-vinda dos canabinoides no tratamento da endometriose seja a de impedir que o tecido endometrial se prolifere em áreas externas ao útero.

Isso tudo aliado ao bloqueio da síntese de substâncias inflamatórias e à modulação da resposta imunológica enquanto reduz a dor.

Como conseguir tratamento de endometriose com Cannabis?

Apesar de estar em franca expansão, o mercado de medicamentos à base de canabinoides, no Brasil, ainda é bastante restrito.

Em função disso, mulheres portadoras de endometriose cujos médicos prescrevam Cannabis medicinal têm opções limitadas para conseguir os remédios.

Considerando que hoje há apenas dois fármacos com venda autorizada para tratar epilepsia refratária em crianças e adolescentes e esclerose múltipla, resta a compra por importação ou, dependendo do caso, da produção caseira do extrato.

Se essa for a alternativa, antes será necessário recorrer à justiça para obter autorização para o plantio de Cannabis com fins medicinais.

Por isso, voltamos à importação como a alternativa mais rápida e segura, embora o cultivo de Cannabis para produção independente também deva ser considerado.

Para comprar fora do Brasil, será preciso obter a receita médica e, com ela, solicitar a aquisição junto à Anvisa.

Resumidamente, o processo é este:

  1. Consulta médica: paciente ou familiar conversa com o médico, que faz a prescrição do produto à base de Cannabis em determinado formato e dosagem
  2. Solicitação à Anvisa: basta preencher o formulário e apresentar com a receita médica, cópia da identidade e um comprovante de residência
  3. Autorização da Anvisa: em torno de 10 dias, o órgão envia a resposta. Com o pedido aprovado, a Anvisa emite a autorização para importação
  4. Compra e entrega: a autorização serve para comprar o produto em loja no exterior, mais uma vez seguindo os critérios da Anvisa.

Para a sua maior comodidade, utilize o serviço de concierge da CanTeraMed, que realiza todo esse trabalho para o paciente.

Clique e veja como importar produtos à base de Cannabis medicinal no Brasil.

Conclusão

A endometriose não deve ser subestimada, já que, como vimos, pode causar a infertilidade de forma irreversível.

Por isso, além de levar a sério o tratamento e o diagnóstico, vale colocar a Cannabis medicinal como uma opção segura para controle da dor e cuidado do sistema reprodutivo.

Se está em busca de um médico prescritor de CBD para endometriose, acesse esta página e marque uma consulta.

E para saber dos últimos avanços nos tratamentos para essa e outras doenças, não deixe de ler os conteúdos do Portal Cannabis & Saúde.

Compartilhe!
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on whatsapp
Share on email