Canabidiol e Autismo: Como CBD Pode Ajudar no Tratamento?

Veja como o canabidiol pode ser utilizado para o tratamento do autismo e as pesquisas que demonstram a eficácia. Leia agora!
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Associar canabidiol e autismo é algo que parece ganhar cada vez mais força, afinal, o uso do CBD para aliviar os sintomas dessa condição vem se mostrando altamente eficaz.

Embora correntes entendam que o autismo não é uma doença em si, mas uma diferença social, há aspectos nele que precisam ser tratados.

Isso porque uma pessoa autista apresenta problemas de socialização que, na maioria dos casos, a impedem de se relacionar em casa, na escola e no trabalho, entre outras situações.

Em resposta a esse desafio, o CBD surge como uma alternativa no tratamento de certos padrões de comportamento associados à condição.

Assim, tanto o portador desse transtorno quanto os seus familiares ganham em qualidade de vida.

Continue lendo e entenda como o canabidiol pode ajudar pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) a viver melhor.

O que é canabidiol e para que serve?

Também conhecido pelo acrônimo CBD, o canabidiol é um dos mais de cem canabinoides que podem ser obtidos a partir das plantas do gênero Cannabis.

Os pontos que vêm tornando essa substância cada vez mais popular e alvo de estudos são as suas muitas propriedades terapêuticas.

Ao longo dos anos, o canabidiol vem sendo utilizado com sucesso no tratamento de um grande espectro de doenças.

Contudo, ainda são necessários mais estudos conclusivos a respeito da sua eficácia.

Por isso, a comunidade científica em todo o mundo está mobilizada no sentido de pesquisar e comprovar de maneira definitiva os benefícios do CBD como medicamento.

Qual é o efeito do canabidiol?

De qualquer modo, o canabidiol já tem uma ampla variedade de propriedades terapêuticas documentada.

Isso se deve à sua atuação em sinergia com o sistema endocanabinoide.

Descoberto somente na década de 1960 pelo pesquisador Raphael Mechoulam, ele age regulando as funções do corpo.

Por isso, sua função básica, entre muitas outras, é promover o bem-estar, equilibrando as reações do nosso organismo.

Por atuar no sistema endocanabinoide, o canabidiol facilita a realização das suas funções, já que reforça a atividade das substâncias que já produzimos de forma natural.

Cabe ressaltar que o CBD não exerce nenhum efeito psicoativo no cérebro, portanto, é seguro ministrar em tratamentos produtos feitos à base desse composto ativo.

Essa é uma das razões que o torna tão indicado quando os medicamentos tradicionais falham, já que o canabidiol, normalmente, não gera reações adversas – e quando elas existem, são bastante brandas.

Canabidiol para tratamento de transtorno do espectro autista: o que dizem as pesquisas?

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Uma das dificuldades em diagnosticar e tratar do transtorno do espectro autista é que nem todos os seus sintomas são característicos.

Ou seja, uma criança pode apresentar padrões de hábitos típicos do autismo sem sofrer dessa condição.

Em outras palavras: o autismo parece ter mais a ver com um distúrbio de comportamento do que uma disfunção neurológica, embora haja evidências de que os autistas têm alterações em seus DNAs.

É por isso que o tratamento com canabidiol vem sendo prescrito, já que essa substância apresenta propriedades que facilitam a integração do indivíduo ao seu meio social.

Essa é uma das conclusões do estudo Canabidiol como candidato sugerido para o tratamento do transtorno do espectro do autismo, publicado na revista Science Direct.

Além disso, o autismo também pode se apresentar como um sintoma em pessoas acometidas por epilepsia.

É o que sugere o estudo Traços autistas em modelos de epilepsia: por que, quando e como?, publicado na revista da National Center of Biotechnology Information (NCBI).

Nesse caso, o CBD pode apresentar dupla função, considerando que ele também é eficaz para evitar e controlar ataques epilépticos.

Como o CBD pode ajudar pacientes com autismo?

Um outro estudo que traz luz sobre o uso do CBD no tratamento do autismo é o Lower circulating endocannabinoid levels in children with autism spectrum disorder.

Nele, o grupo de pesquisadores envolvidos comprova que, em crianças autistas, os níveis de endocanabinoides são menores do que nas consideradas “neurotípicas”.

Trata-se de uma importante contribuição, pois sugere que níveis baixos dessas substâncias endógenas têm relação direta com as alterações comportamentais causadas pelo TEA.

Junto às pesquisas, casos reais de sucesso em tratamentos estão sendo documentados, reforçando ainda mais a credibilidade do CBD.

Um deles, da paciente Valentina Palacios, é um relato impressionante e que comprova o poder do canabidiol.

Além do autismo, a pequena Valentina também é portadora de síndrome de Down, o que poderia complicar ainda mais seu tratamento.

Até conhecer o CBD, seus pais sofriam ao vê-la se automutilar, irritar-se com facilidade e ter sucessivas crises sensoriais.

Depois de seguir o procedimento de importação e tentar diversos óleos de CBD, eles encontraram o Reaja, um óleo full spectrum de alta concentração de canabidiol.

Veja o resultado neste artigo em que contamos essa emocionante história de superação.

Como o canabidiol age no cérebro?

A principal característica dos canabinoides é que eles ativam os receptores para substâncias desse tipo, que, por sua vez, permitem a interação delas com o metabolismo celular.

Essas reações acontecem graças ao sistema endocanabinoide, que atua na regulação e no equilíbrio de uma série de processos fisiológicos do nosso corpo.

Na realidade, hoje se sabe que sua ação é mais complexa que isso.

Veja o que escreveram os pesquisadores Paula Morales, Dow P. Hurst e Patricia H. Reggio no artigo Molecular Targets of the Phytocannabinoids-A Complex Picture.

“Por muitos anos, presumia-se que os efeitos benéficos dos canabinoides eram mediados pelos receptores canabinoides CB1 e CB2. No entanto, hoje, nós sabemos que o quadro é muito mais complexo, com o mesmo fitocanabinoide atuando em vários alvos”

O uso do CBD como medicamento pode “dar barato”?

O uso do canabidiol, no Brasil, ainda enfrenta resistência por parte da comunidade médica e pela pouca informação sobre o assunto.

Nesse contexto, é preciso quebrar alguns mitos que cercam os medicamentos à base de CBD e dos compostos ativos obtidos da Cannabis.

Um deles é o de que esses fármacos poderiam causar os efeitos psicoativos associados ao seu uso recreativo.

Nada mais inverídico, já que essas reações não são provocadas pelo CBD, mas pelo THC, o tetrahidrocanabinol, também encontrado nas plantas da espécie Cannabis.

Portanto, em medicamentos com canabidiol, o risco de um possível impacto adverso como a psicoatividade é totalmente descartado.

Muito pelo contrário, uma das suas vantagens é exatamente não apresentar efeitos colaterais ou toxicidade ao organismo.

Sendo assim, não há nenhuma possibilidade de um remédio produzido com canabidiol resultar nas reações provocadas pelo consumo recreativo de Cannabis.

Ou seja, não “dá barato”.

O canabidiol pode causar dependência nos pacientes?

Uma das vantagens do tratamento com canabidiol na comparação com outros fármacos é justamente o fato de não causar dependência nos pacientes.

Mas é importante entender todas as possíveis reações no consumo de fármacos à base desse composto.

Nesse sentido, vale atentar para o uso do CBD isolado, o tipo de óleo com a maior concentração de canabidiol.

Nele, encontra-se não o extrato da planta, mas o CBD em estado puro, de modo que o produto não contenha THC ou qualquer outro tipo de canabinoide.

Além disso, terpenos, flavonoides, gorduras, vitaminas e minerais naturalmente presentes na planta também ficam de fora.

Ele traz todos os benefícios do CBD sem os prejuízos do THC, sendo indicado até para atletas submetidos a exames antidoping, por exemplo.

No entanto, ele apresenta uma desvantagem, que é a perda do efeito entourage, que consiste na potencialização dos benefícios graças à atuação em sinergia de diversos canabinoides.

Por isso, o paciente que consome o óleo com CBD isolado fica mais sujeito a reações adversas e dependência.

Isso acontece por conta da alta concentração do composto sem o equilíbrio fornecido pela sinergia com os demais fitoquímicos.

Quais são os riscos e efeitos colaterais do canabidiol?

Como você acaba de ver, as reações colaterais do canabidiol estão diretamente ligadas ao seu uso isolado.

Sobre isso, cabe esmiuçar o chamado efeito entourage.

Esse é o nome usado para descrever a teoria segundo a qual os compostos da Cannabis produzem mais benefícios quando atuam de maneira conjunta.

Ou seja, a complexa interação dele com os demais que estão presentes na planta traz resultados melhores do que quando é administrado um canabinoide isolado.

No caso da Cannabis, em 1998, os professores Raphael Mechoulam (o mesmo que isolou o canabidiol pela primeira vez) e Shimon Ben-Shabat observaram esse efeito no sistema endocanabinoide: metabólitos inativos e moléculas estreitamente relacionadas aumentaram significativamente a atividade dos endocanabinoides.

Isso quer dizer que, ainda que outros compostos não atuem ativamente para produzir determinado impacto causado pelo CBD, por exemplo, de alguma maneira, eles ajudam a potencializar os resultados.

Além disso, já foi demonstrado que, no uso medicinal do canabidiol, as reações adversas são maiores quando ele é administrado na forma purificada.

Na opinião de pesquisadores, a sinergia entre os compostos é um dos fatores que explicam a redução nos efeitos colaterais.

Há alguma contraindicação para o uso do canabidiol?

O canabidiol apresenta baixíssimo risco de efeitos adversos quando administrado junto a outros canabinoides.

No entanto, como toda medicação, ele não pode ser indicado livremente para pacientes gestantes ou lactantes, a não ser que o médico entenda ser indispensável.

Além disso, pessoas que tenham demonstrado sensibilidade ao CBD também podem não estar aptas a serem medicadas com essa substância.

De todo modo, cada caso é um caso e somente um médico é capaz de apontar se um fármaco à base de CBD é ou não contraindicado.

Quais são as formas de tratamento com CBD?

Os itens terapêuticos produzidos à base de componentes da Cannabis estão disponíveis em formatos variados.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permite apenas a comercialização dos produtos utilizados por via oral e nasal.

É o que diz a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) Nº 327/2019:

É possível que, no futuro, as alternativas sejam maiores para os pacientes brasileiros. Por enquanto, outros formatos de CDB podem apenas ser importados.

Abaixo, conheça na sequência as demais formas de uso da Cannabis medicinal.

Vale frisar que, em nenhuma delas, a dose de canabidiol para autismo é informada – nesse caso, é indispensável consultar o médico para saber a dosagem.

Óleo

Nesse formato, a administração oral e sublingual do canabidiol é mais indicada.

O óleo de CBD geralmente é comercializado em um pequeno frasco com dosador ou conta-gotas, para que o produto seja aplicado embaixo da língua. 

Assim como nas cápsulas, a concentração de canabidiol e demais componentes pode variar.

O que muda é que o paciente deve controlar a dosagem pelo número de gotas.

Cápsula

Em formato de cápsulas, o canabidiol é ingerido como pílulas, tal como a maioria dos fármacos convencionais.

Cada cápsula tem uma dosagem predeterminada de CBD e é possível produzi-las com o extrato, com o componente isolado ou com outras substâncias que não estão presentes na Cannabis e são adicionadas sinteticamente.

Produtos de uso tópico

Embora não seja indicado para portadores de TEA, vale conhecer os produtos de uso tópico, isto é, pomadas, cremes, óleos de massagem e adesivos transdérmicos.

No caso, eles são administrados diretamente sobre o local afetado: a pele.

Cada um funciona de maneira diferente, pois são indicados para tratar condições leves, como desconfortos musculares e irritações cutâneas.

Esse modo de utilização, por sua vez, baseia-se no fato de que há receptores endocanabinoides cutâneos.

Vaporizadores

Os métodos de consumo de CBD via vaporização são os que proporcionam o efeito mais rápido, por envolver uma alta biodisponibilidade ao inalar a substância.

São produzidos na forma de óleo – que deve ser aquecido para virar vapor e, então, ser inalado – e de canetas vaporizadoras.

Qual é a dosagem recomendada?

Por ser um transtorno que se manifesta de incontáveis maneiras, o autismo exige tratamentos individualizados.

Isso significa que não há uma dosagem padrão a apontar com segurança para pacientes com essa condição.

Veja o caso já destacado da jovem Valentina.

Inicialmente, a dosagem se mostrou eficaz para controlar seus distúrbios de humor e melhorar seu comportamento.

No entanto, com o tempo, os pais tiveram que aumentar gradativamente a dose, tendo em vista a perda progressiva de eficácia.

Dessa forma, caberá exclusivamente ao médico indicar a dose e a frequência do uso do canabidiol para o autismo.

Regulamentação do CBD no Brasil

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A primeira manifestação oficial a respeito do uso medicinal do CBD, no Brasil, data de 2015.

Foi nesse ano que a Anvisa publicou a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) Nº 17/2015, na qual disciplina a importação de medicamentos à base de canabidiol.

De acordo com essa norma, os produtos poderiam ser importados mediante prescrição médica, atendendo a determinados critérios e cabendo à Anvisa a verificação e permissão.

Somente quatro anos depois, em 2019, uma nova resolução da Anvisa trouxe um avanço importante nas possibilidades de usar a Cannabis medicinal no Brasil.

Trata-se da RDC Nº 327/2019, que, entre outras providências, estabeleceu requisitos para a comercialização de produtos de Cannabis para fins medicinais no país.

Mais recentemente, o órgão de vigilância sanitária determinou os procedimentos que devem ser seguidos por pacientes que querem comprar do exterior produtos à base de canabidiol por meio da RDC Nº 335/2020.

Como conseguir canabidiol no Brasil?

Se você tem a prescrição médica e o produto receitado está à venda nas farmácias brasileiras, basta ir até o estabelecimento com a receita em mãos e comprá-lo normalmente.

Nesse caso, a farmácia vai reter uma via do documento.

No entanto, considerando as restrições do cultivo de Cannabis e da comercialização de medicamentos à base de CBD no Brasil, é na importação que estão as melhores chances.

Sendo assim, veja abaixo o fluxo a ser seguido.

Consulta médica

A pessoa discute o tratamento com seu médico, que prescreve o produto à base de Cannabis medicinal.

Solicitação à Anvisa

O paciente preenche o formulário, com a receita, cópia da identidade e comprovante de residência, e aguarda a análise.

Autorização da Anvisa

Caso aprove o pedido, a agência emite a autorização para importação.

Compra e entrega

De posse da autorização, o paciente compra o produto do exterior, de acordo com os critérios estabelecidos pela Anvisa.

Canabidiol para o tratamento de autismo: qual é o preço?

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O grande desafio para tratar do autismo com medicamentos à base de CBD é o acesso aos produtos, que podem não surtir os efeitos esperados inicialmente.

Mais uma vez, vale citar o caso da Valentina.

No começo, a família gastou cerca de R$ 4 mil com a importação de um fármaco que, com o tempo, exigia doses mais altas.

Ao buscar uma nova medicação, seus pais foram apresentados ao Reaja CBD que, em alguns sites, pode ser encontrado a preços muito mais em conta.

Vale destacar que os preços informados e a procedência do produto são de responsabilidade do site que o anuncia, valendo sempre fazer uma ampla pesquisa antes de realizar a compra.

Conclusão

Ainda há um caminho relativamente longo a percorrer até que o canabidiol seja efetivamente incorporado à indústria farmacêutica.

Por isso, é fundamental disseminar a informação, a fim de que mais médicos passem a prescrever remédios à base de CBD e, assim, aumente a relevância do assunto junto aos órgãos de controle.

Com mais regulamentação, os pacientes ganham, inclusive aqueles que estão em busca de tratamentos com canabidiol para o autismo.

Fique sempre bem informado acessando os conteúdos publicados aqui, no portal Cannabis & Saúde.

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