Cannabis no Tratamento de Síndrome de Asperger

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Saiba como a Cannabis medicinal pode ajudar no tratamento de pessoas diagnosticadas com a Síndrome de Asperger

No dia 18 de fevereiro é realizado o Dia Internacional da Síndrome de Asperger. Uma data importante para dar visibilidade a esse quadro, que compõe, atualmente, o Transtorno do Espectro Autista. É muito importante falarmos sobre o tema, principalmente, porque trata-se do espectro em que há uma maior adaptação funcional, de forma que as necessidades especiais da pessoa que possui o quadro podem ficar de lado.

Por isso, para falarmos sobre este dia tão importante, preparamos um material bem completo sobre o Asperger e, também, apontando como a Cannabis Medicinal tem apresentado nas pesquisas recentes evidências robustas de que pode colaborar

Se você quer saber mais sobre o tema, principalmente, caso tenha o diagnóstico ou tem familiares que se enquadram no Asperger, continue lendo e tire suas dúvidas.

O que é Asperger

A Síndrome de Asperger faz parte do que é considerado o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e trata-se de um quadro neurobiológico que muda a forma como a pessoa que o possui percebe o mundo e, também, em suas interações sociais. Assim, é um quadro permanente e, portanto, não possui “cura”.

O Asperger entrou na comunidade médica por meio da tese do alemão Hans Asperger, feita em 1944. Contudo, ela só chega com mais força na comunidade a partir de 1981, quando a psiquiatra Lorna Wing. Após essa popularização trazida por Wing, a Síndrome de Asperger passa a fazer parte do CID e do DSM-4 em 1992 e 1994, respectivamente.

É importante trazermos, também, a contextualização de uma questão: a comunidade autista tem lutado para evitar usar o termo para pessoas que se enquadram neste espectro. A discussão ocorre, justamente, porque o médico que descobriu o quatro auxiliou no regime nazista (como já foi publicado na revista científica Molecular Autism) e, portanto, a comunidade luta para rever o nome.

Inclusive já tivemos essa mudança, justamente, no DSM-5, em sua versão mais recente. Ainda que isso tenha ocorrido por outras razões, tal como falaremos mais a seguir, mas já é um grande avanço.

O Asperger é mais comum do que muitas pessoas acreditam: segundo o jornal El País, em todo o mundo, pelo menos 1% da população mundial tem algum quadro característico de Transtorno do Espectro Autista. Já no Brasil a estimativa é que tenhamos aproximadamente 2 milhões de autistas.

Contudo, no Asperger, temos uma subnotificação. Afinal, como são pessoas com boa funcionalidade cognitiva e social (ainda que tenham alguns problemas no aspecto de socialização, como veremos ainda neste artigo), muitos pais não buscam o diagnóstico e, ao chegar a vida adulta, a pessoa com Asperger tende a achar que não há nenhum tipo de alteração.

Além disso, por ser um quadro que varia muito de pessoa para pessoa diagnosticada, uma criança que não apresente todos os sintomas clássicos pode não ter a atenção de profissionais da educação, saúde e dos pais sobre a questão. Por isso, é muito comum, realmente, que o diagnóstico seja feito apenas na vida adulta, com a percepção de eventuais dificuldades que a pessoa tenha.

O diagnóstico pode ser importante, justamente, para autocompreensão e, também, para que eventuais sintomas que levam a comprometimento e perda da qualidade de vida e saúde da pessoa possam ser resolvidos e, assim, permitir que a pessoa possa viver com Asperger sem maiores problemas de funcionalidade.

Sintomas e sinais de Asperger

Você suspeita que algum familiar seu possa ter Asperger? Para ajudá-lo, vamos trazer alguns dos principais sintomas que o quadro apresenta:

  • ansiedade social;

  • são pessoas muito inteligentes;

  • muitas delas são autodidatas;

  • costumam ter interesses específicos e tendem a desenvolver hiperfoco em relação a esse assunto;

  • dificuldades de se relacionarem com outras pessoas;

  • dificuldades de comunicação;

  • não entende regras ou aceitar questões de senso comum;

  • precisam ter rotinas fixas e criam rituais para o seu dia a dia (por exemplo, ter uma sequência de fatos ;

  • possuem dificuldades de relacionar expressões faciais a sentimentos;

  • tendem a ser mais impacientes;

  • costumam ter mais dificuldades de coordenação motora;

  • podem ter uma maior dificuldade de controle emocional;

  • tendem a ter uma intensificação dos sentidos e, portanto, se incomodam com estímulos extremos;

  • possuem dificuldades em entender que sua fala causou algum tipo de desconforto;

  • por isso, são pessoas que tendem a ter uma maior dificuldade de se colocarem no lugar do outro (mas não significa que não possam ter empatia, ok?).

É importante compreender que a intensidade dos sintomas podem variar muito entre as pessoas que tem Asperger. Ou seja, duas pessoas com esse diagnóstico podem ter comportamentos completamente diferentes.

Diferentemente de outros quadros do espectro autista, as crianças com Asperger tendem a não ter problemas de desenvolvimento intelectual. Muitas vezes, até mesmo, podem ter um alto desenvolvimento intelectual, ainda que, em alguns casos, o modelo tradicional de ensino não desperte tanto interesse.

O diagnóstico de Asperger deve ser feito com uma equipe multidisciplinar que envolve diversos profissionais, entre eles psiquiatras, psicólogos, neurologistas e especialistas em neurodesenvolvimento.

Nova Classificação CID para TEA

Temos mudanças recentes importantes para a comunidade médica e demais áreas de saúde e é importante que você também saiba disso, caso tenha familiares próximos com Asperger. Temos a adição do quadro no CID-11.

O CID é a Classificação Internacional de Doenças e é um manual importante utilizado pelos profissionais de saúde para diagnóstico e tratamento de patologias, síndromes e outros quadros que estão alinhados com essa área.

O CID-11 foi publicado em junho de 2020 e é padronizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ele segue, neste caso, uma alteração semelhante, que já tinha acontecido no DSM-5 (a quinta versão do Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais).

Ambos, portanto, unificam os diversos quadros de autismo em um só diagnóstico: Transtorno do Espectro Autista (TEA), sob o código F84. A partir dele, temos outras variações, dentre delas, a Síndrome de Asperger (classificação F84.5).

Assim, as subdivisões estão mais relacionadas com alterações que possam estar relacionadas com prejuízos em linguagem funcional ou deficiência intelectual. Ao reunir todos os quadros de autismo sob uma mesma classificação, a ideia é facilitar o diagnóstico e facilitar a codificação, o que permite maior facilidade no acesso a serviços de saúde.

Tratamento para Síndrome de Asperger

É importante lembrarmos, mais uma vez, que a Síndrome de Asperger não tem cura. Portanto, quem tem o quadro não fará tratamentos para “resolver” a situação, mas para amenizar eventuais sinais e sintomas que possam comprometer sua funcionalidade e qualidade de vida.

Entre eles estão:

  • acompanhamento com psicoterapeuta para auxiliar no desenvolvimento da criança e auxiliar na compreensão de algumas regras sociais por meio da terapia;

  • fonoaudiólogos para estimular fala e construção de frases;

  • acompanhamento com psicopedagogos para acompanhar o desenvolvimento intelectual da criança.

Além disso, temos também o uso de algumas medicações para amenizar sintomas de quadros derivados do Asperger. São eles:

  • ansiedade;

  • depressão;

  • hiperatividade;

  • deficit de atenção.

Nesse caso, algumas medicações alopáticas que podem ser utilizadas são:

  • ansiolíticos;

  • antidepressivos;

  • estimulantes;

  • estabilizadores de humor, entre outros.

O uso de canabinoides no tratamento de Asperger

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Dentre as possibilidades de tratamento de Asperger, podemos encontrar benefícios com o uso de Canabinoides. Pesquisas científicas têm apontado os benefícios deles para amenizar os sintomas que listamos anteriormente. Vamos trazer as principais contribuições e publicações a seguir.

As evidências apontam melhoras para sintomas tais como:

  • estresse;

  • ansiedade;

  • depressão;

  • insônia;

  • questões de comunicação;

  • redução de comportamentos repetitivos.

Isso acontece, principalmente, por reequilibrar o sistema endonocanabinoide. Mas como acontece na prática? Para isso, precisamos analisar como os canabinoides atuam no nosso organismo e de que forma atuam sobre os sintomas que o Asperger pode trazer.

Em outros artigos que listamos aqui, falamos sobre como a Cannabis Medicinal contribui para alívios de alguns dos sintomas que são comorbidades com Asperger. Assim, vamos relembrar algumas das principais delas:

  • ansiedade: o CBD e outros canabinoides possuem ação ansiolítica e conseguem amenizar a incidência de crises de ansiedade, bem como auxiliam a evitar o comprometimento cognitivo que as crises provocam;

  • depressão: segundo estudo publicado na Frontiers in Psychiatry e que comentamos no artigo, o uso de CBD de forma dominante apresenta melhora para os quadros de depressão;

  • insônia: a combinação de tratamentos com THC, CBD e CBN, segundo estudos que apontamos no artigo, permitem o tratamento eficaz de sintomas de insônia em pacientes com insônia crônica;

  • deficit de atenção: ainda não temos evidências com pesquisas maiores, mas há relatos anedóticos importantes de como o tratamento com CBD combinado com THC pode colaboar para casos de deficit de atenção.

Contudo, apesar dos benefícios apontados, é preciso sempre considerar o uso em pessoas neurodivergentes, que podem apresentar diferentes resultados em comparação com neurotípicos. Por isso, vamos trazer a seguir as principais evidências científicas de estudos realizados com pessoas que tem autismo.

 

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Evidências clínicas sobre o uso de Cannabis para autismo

Temos um estudo publicado na revista Neurology, de 2018, no qual encontramos relatos anedóticos de uso de Canabidiol, de forma medicinal, em crianças com autismo, atuando como um tratamento adjuvante (ou seja, de forma complementar aos tratamentos tradicionais) para questões de comportamento com crianças com autismo.

60 crianças foram tratadas com CBD e THC e foram analisadas questões como tolerância e eficácia, atentos para eventuais efeitos colaterais. Com isso, os resultados foram uma melhoria dos sintomas de crises de Asperger em 61% dos pacientes.

Questões de ansiedade e comunicação tiveram uma melhora em 39% e 47% dos casos, respectivamente. Os comportamentos considerados socialmente disruptivos tiveram benefícios em 29% dos casos. Além disso, o estresse nas crianças teve uma redução em 33% dos casos.

Outros estudos publicados a partir de 2019, ainda que em uma escala pequena, mostraram resultados promissores para todos os domínios em que o quadro altera a percepção de mundo e relações sociais da pessoa com Asperger, principalmente no campo dos “comportamentos desafiadores”.

Temos, ainda, o relato de uma pesquisa realizada no Brasil sobre os efeitos do CBD enriquecido sobre os sintomas de desordem do espectro autista, publicado na revista Frontiers in Neurology. Feito com 18 pacientes, ela apontou os seguintes resultados:

  • maioria apresentou resultados positivos, principalmente, no que diz respeito aos distúrbios de sono;

  • melhora do desenvolvimento motor, comunicação e interação social e desempenho cognitivo;

  • em 93% dos participantes que seguiram até o final dos estudos, tiveram melhoras igual ou superior a 30% em, pelo menos, mais de uma categoria de sintomas.

E se quer acompanhar mais casos anedóticos, conheça o caso de Daniel, filho de Mariluce de Oliveira, que nos contou a história da família com o tratamento com óleo de CBD para os sintomas de autismo.

Como iniciar um tratamento com Cannabis

Autismo Adulto há eficacia comprovada do uso do canabidiol no tratamento em adultos

Uma dúvida que ainda é muito comum para as pessoas é saber como iniciar um tratamento com Cannabis. Hoje, com a regularização da Anvisa, torna-se muito mais fácil obter a medicação para tratamento dos sintomas do Asperger e eventuais comorbidades.

Para isso, você deve encontrar um médico prescritor de Cannabis Medicinal. Ao agendar a avaliação, ele analisará o quadro da pessoa com Asperger, verificando quais são os sintomas presentes e quais canabinoides podem atuar da melhor forma, seja isoladamente ou em conjunto e, assim, prescrever o tratamento mais indicado caso a caso.

Essa é uma etapa importante, principalmente, porque como falamos em outro momento, diversos pacientes no espectro autista poderão ter sintomas diferentes e intensidades muito diferenciadas entre eles. Por isso, é fundamental analisar o contexto individual, eventuais comorbidades e encontrar a combinação de canabinoides que terá maiores chances de bons resultados, caso a caso.

Também busca-se analisar de que forma o tratamento com Cannabis pode interagir, também, com as medicações tradicionais. Afinal, o objetivo é auxiliar e potencializar bons resultados e, portanto, isso também é levado em consideração.

A partir disso, o próprio profissional consegue auxiliá-lo nos trâmites necessários junto à Anvisa para liberação da medicação e importação (quando for o caso). Caso você tenha qualquer tipo de dúvida, também poderá resolvê-las com o profissional.

Mas afinal, como é possível encontrar um médico prescritor de Cannabis Medicinal? Aqui no nosso portal temos um espaço para encontrar um profissional de confiança e começar o seu tratamento.

Agende sua avaliação e conheça como a Cannabis Medicinal pode ser uma aliada importante para seus tratamentos.

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