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Estudo indica Cannabis como primeira opção no tratamento de dor crônica

A dor é um mecanismo fundamental para o funcionamento do organismo. Uma dor aguda, com duração passageira, chega para nos avisar que há algo nos ferindo e assim possamos nos proteger. Quando encostamos no fogo, sentimos uma dor que nos faz afastar da fonte de calor, e nos protege. 

No entanto, em algumas pessoas, o mecanismo da dor para de cumprir essa função. Mesmo sem qualquer estímulo, a dor permanece lá por longos períodos. Seja um pequeno e incômodo desconforto, uma sensação ruim, ou dores intensas. Em um caso ou no outro, acaba prejudicando a vida do paciente.

Causas da dor

A fonte dessa dor pode ser alguma resposta inflamatória descontrolada, como em casos de artrite reumatoide, ou até psicogênica. Quando a dor é originada por uma lesão ou hipersensibilidade no sistema somático, composto pelos neurônios que percebem mudanças em nosso organismo.  

A dor neuropática se inicia com alterações após uma lesão nervosa, provocando mudanças na transmissão e leitura do estímulo doloroso na medula espinhal e no sistema nervoso central. O dano faz com que o corpo tente compensar possíveis prejuízo sensorial, o que acaba desencadeando hipersensibilidade à dor.

Tratamento para dor crônica

Não há cura para dor crônica neuropática. Os tratamentos convencionais alopáticos tratam de reduzir os sintomas. Medicamentos anticonvulsivos, que reduzem a atividade elétrica do sistema nervoso; analgésicos opioides, como morfina e fentanil; antidepressivos e anti-inflamatórios.

Porém, esses medicamentos não são todos os pacientes que conseguem encontrar alívio dos sintomas com algumas dessas medicações, além de terem que lidar com a soma de efeitos colaterais provocados por esses medicamentos. Muitas vezes só fazem dopar o paciente, no caso dos anticonvulsivantes. Ou levam ao vício, como é o caso dos opioides, ou, em casos extremos, à overdose.

Tratamento de dor crônica com Cannabis

Só quando nenhum medicamento funciona, e o paciente já não encontra mais alternativas, a Cannabis costuma entrar em jogo. Apesar de ainda serem escassos os estudos clínicos em comparação às outras substâncias, diversos médicos já prescrevem medicamentos canabinoides no tratamento de dor crônica neuropática, com ótimos resultados.

Eles atuam diretamente sobre o sistema endocanabinoide, que é responsável pela comunicação entre os diversos sistemas do corpo, regulando seu funcionamento.

No caso do funcionamento desregulado do organismo, como a hipersensibilidade da dor crônica neuropática, a administração de fitocanabinoides tem potencial de controlar o funcionamento do organismo. Assim, atuam diretamente sobre a causa da dor, não somente no combate aos sintomas.

Cannabis como primeira opção no tratamento de dor crônica

As evidências científicas da atuação farmacológica dos componentes da Cannabis, e o sucesso clínico com pacientes em todo mundo, inclusive no Brasil, levou o professor emérito e diretor do Grupo de Capacidade de Decisão da Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres, no Reino Unido, a se perguntar sobre o uso da Cannabis medicinal como primeira opção de tratamento em pacientes com dor crônica neuropática.

Especialista em ajudar tomadores de decisão a analisar questões complexas envolvendo incerteza, risco e objetivos múltiplos e conflitantes, o pesquisador organizou um grupo com médicos especialistas em dor, psiquiatras, cientistas e representantes de pacientes para discutir as melhores opções de tratamento.

Como funcionou o estudo

Por meio de uma metodologia chamada modelo de análise de decisão multicritério, avaliaram 12 tratamentos farmacológicos e pontuaram coletivamente 17 critérios de efeito relevantes benefícios e segurança dos medicamentos e, em seguida, ponderou os critérios de sua relevância clínica. Por fim, pontuaram cada medicamento em uma escala de 0 a cem de acordo com sua indicação de uso clínico.

Resultados

A Cannabis medicinal se saiu muito bem. O medicamento com igual proporção de THC e CBD foram os mais bem sucedidos, com 79 pontos. Em  segundo aparece o medicamento de Cannabis full spectrum com CBD dominante (75 pontos), seguido pela Cannabis medicinal com THC predominante (72 pontos).

Entre os medicamentos alopáticos, a duolexitina (antidepressivo) e os gabapentinoides (anticonvulsivos) foram os mais eficazes, ficando na casa dos 60 pontos. Amitriptilina (antidepressivo), tramadol (opioide) e ibuprofeno (anti-inflamatório) na casa dos 50 pontos. Os opióides metadona e oxicodona, com 40 pontos, e morfina e fentanil, com 30, completam a lista.

“As análises de sensibilidade mostraram que, mesmo que os escores de redução da dor e qualidade de vida para THC / CBD e THC sejam reduzidos pela metade, seus equilíbrios de benefício/segurança permanecem melhores do que os das drogas não-canabinoides”, escreveram os pesquisadores. 

Os perfis de benefício/segurança para os canabinóides foram mais elevados do que para outros medicamentos comumente usados para o dor crônica neuropática. “Em grande parte porque eles contribuem mais para a qualidade de vida e têm um perfil de efeitos colaterais mais favoráveis”, concluíram.

“Os resultados também refletem as deficiências dos tratamentos farmacológicos alternativos no que diz respeito à segurança e mitigação dos sintomas de dor neuropática”

Redação Cannabis & Saúde

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