Pesquisa da UFSC mostra que THC reduz fadiga e dores da fibromialgia

Descoberta pode ser um alívio para cerca de 5 milhões de brasileiros que sofrem com a doença
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A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dores muscular generalizadas e crônicas, palpação da musculatura, alterações do sono, cansaço e problemas com o humor, concentração e memória.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a doença é bastante comum, atingindo 2,5% da população ” sem diferenças entre nacionalidades ou condições socioeconômicas”: isso dá mais de 5 milhões de brasileiros. Geralmente ela afeta mais as mulheres e aparece normalmente dos 30 aos 50 anos de idade.

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Pois a Cannabis medicinal – mais precisamente o THC – pode trazer qualidade de vida a estes pacientes, segundo uma nova pesquisa brasileira de 28 outubro de 2020.

Um estudo clínico realizada por médicos da Universidade Federal de Santa Catarina e publicado na Oxford Academic revelou que extratos de Cannabis contendo majoritariamente tetrahidrocanabinol reduzem a dor e a fadiga causadas pela doença, além de melhor significativamente a qualidade de vida de pacientes.

Os médicos Carolina Chaves Paulo Cesar Bittencourt, e Andreia Pelegrini realizaram um ensaio clínico duplo-cego, randomizado e controlado por placebo. Ele foi conduzido por oito semanas para determinar o benefício de um óleo de Cannabis rico em THC (24 mg/mL) e 0,5 mg/mL de CBD, sobre os sintomas e a qualidade de vida de 17 mulheres com fibromialgia.

Todas elas são residentes de um bairro periférico e “com alta incidência de violência” na cidade de Florianópolis (SC). A dose inicial foi de uma gota por dia com aumentos subsequentes de acordo com os sintomas.

O Fibromyalgia Impact Questionnaire (FIQ) foi aplicado nos momentos pré e pós-intervenção e em cinco atendimentos durante oito semanas.

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Resultados

Segundo o estudo, não houve diferenças significativas na pontuação do FIQ inicial entre os grupos. No entanto, após a intervenção, o grupo Cannabis apresentou uma diminuição significativa no escore FIQ em comparação com o grupo placebo.

Analisando itens isolados do FIQ, o grupo de Cannabis apresentou melhora significativa nos escores de “sentir-se bem”, “dor”, “trabalhar” e “fadiga”. Já o grupo placebo apresentou melhora significativa no escore de “depressão” após a intervenção. Não houve efeitos adversos intoleráveis.

“O estudo sobre fibromialgia vem quebrar vários paradigmas: o maior deles é confirmar, em solo brasileiro, que o THC é sim medicinal.

E, em apenas 8 semanas de tratamento, o grupo que usou o óleo de Cannabis teve a severidade da fibromialgia reduzida de 75 para 30 (em uma escala de 0 a 100 do score FIQ), comparado ao grupo placebo que reduziu de 70 para apenas 61.

É um efeito dramático e inquestionável dessa terapia”, destacou o neurocientista Fabrício Pamplona, em artigo publicado na Revista Trip. 

Conclusões

“Os fitocanabinóides podem ser uma terapia de baixo custo e bem tolerada para reduzir os sintomas e aumentar a qualidade de vida dos pacientes com fibromialgia.

Estudos futuros ainda são necessários para avaliar os benefícios a longo prazo, e estudos com diferentes variedades de canabinóides associados a um período de washout devem ser feitos para aumentar nosso conhecimento da ação da Cannabis nessa condição de saúde”.

Segundo Pamplona, esse não é foi o primeiro estudo a constatar o efeito terapêutico da Cannabis na fibromialgia, mas é possivelmente “o mais bem conduzido e que traz resultados mais contundentes e traduzíveis ao tratamento clínico”.

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