Cannabis devolve sono para paciente com síndrome das pernas inquietas

Começou em 2012 com uma sensação estranha nas pernas. Após um dia de trabalho como encarregado administrativo, já em casa, pronto para o descanso, quando tudo aconteceu. Queimação, pontadas e muita dor nas duas pernas. No início era suportável, uma só vez por semana. Logo se tornaram mais frequentes, todas as noites, roubando qualquer possibilidade de paz. Desde então, a vida de Welington Belluco, 42 anos, nunca mais foi a mesma.

”Quando procurei atendimento médico, já estava tendo sintomas todos os dias”, lembra. “A dor era insuportável. Para a dor melhorar, precisava mexer as pernas, balançar, andar, me movimentar de qualquer maneira. Com isso, a dor amenizava, mas não passava, e me impedia de dormir.”

Em busca do diagnóstico

Iniciou, então, uma peregrinação por consultórios médicos. O clínico geral indicou a realização de exames vasculares. Tudo normal. Foi encaminhado para a ortopedia. Tudo normal, mais uma vez. Partiu para um reumatologista e, após várias consultas e exames, tudo normal.

Cerca de dois anos após o início dos sintomas, Welington foi, enfim, encaminhado para um neurologista e, assim, conheceu o dr. Ibsen Damiani e seu diagnóstico: Síndrome das Pernas Inquietas.

Também chamada de síndrome de Ekbom,é uma condição que se caracteriza por alterações da sensibilidade e agitação motora involuntária dos membros inferiores, mas que pode se estender aos braços em casos mais graves. Embora seja relativamente comum, com 150 mil casos diagnosticados anualmente no Brasil, não se sabe bem o que origina a condição. Uma predisposição genética, deficiência de dopamina e ferro em áreas motoras do cérebro podem estar relacionadas.

Tratamento

Junto com o diagnóstico, veio o tratamento. Tomou anticonvulsivo, antidepressivo, um remédio usado para tratar a doença de Parkinson, e nada de melhorar. Com clonazepam, que inibe as funções do sistema nervoso, conseguiu, pelo menos, dormir um pouco. “Esta medicação não melhorava em nada os sintomas de dores e pressão, mas ajudava a melhorar a qualidade do sono. Durante anos foi a minha única opção.”

Nada que chegasse a melhorar sua qualidade de vida. “Tomava o remédio, mas só conseguia dormir lá pelas 5 da manhã. Para acordar às 7 e pouco, então acabava atrapalhando demais o dia a dia no trabalho”, conta Belluco. “Sobrecarrega o corpo e a mente. Não consegue ter um sono reparador. Já acorda cansado, com dificuldade de concentração. Fora o pensamento constante de que tudo vai se repetir. Que de noite eu não vou conseguir dormir.”

A chegada da Cannabis

Sua situação só começou a melhorar em abril de 2020, quando o dr. Ibsen contou sobre a melhora significativa que alguns de seus pacientes estavam apresentando após iniciarem o tratamento com canabidiol. Pediu a autorização na Anvisa, e após receber a medicação importada, começou a tomar Cannabis.

“No segundo dia utilizando o Canabidiol já senti melhora nos sintomas. A melhora na qualidade do sono foi inquestionável. Passei três semanas sem sintomas de dores, e o sono estava completamente regulado”, lembra Welington. “Após um mês, os sintomas foram voltando, mas diminuíram novamente em frequência e intensidade após o dr. Ibsen regular a dose.”

Apesar de não ter perdido totalmente os sintomas, hoje consegue dormir e, o mais importante, descansar durante a noite. Espera que, em breve, possa melhorar mais, já que está em processo para mudar a formulação do óleo de Cannabis que usa, com maior concentração de canabidiol. Já abandonou todos os demais medicamentos, enquanto experimenta o início de uma nova vida.  

“Creio que o canabidiol possa não eliminar  em 100% os sintomas da doença, mas, com certeza, ameniza e melhora demais a qualidade de vida. Hoje posso dormir bem  e ter um dia produtivo, coisa que os medicamentos convencionais não conseguiram em quase nove anos de tratamentos”, afirma Welington, que recomenda:

“Muitas pessoas ainda podem ter receio e desconfiança em utilizar o Canabidiol. Por experiência própria, em desespero por encontrar alguma melhora, aceitei de imediato iniciar o tratamento e creio que ele me ajudou muito. Gostaria que outras pessoas também pudessem tentar esta opção.” 

Felipe Floresti

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