Cannabis e prevenção à Covid: é muito cedo para comemorar

Cannabis Covid

Por Dra Maria Teresa Jacob, colunista do Portal Cannabis & Saúde.

Recentemente, em  janeiro de 2022, o “Journal of Natural Products” publicou o estudo realizado na Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, sobre uma possível prevenção da contaminação pelas variantes alpha e beta da Covid-19.

Segundo esta pesquisa, dois canabinoides, substâncias ativas presentes na planta da Cannabis e que interagem com nosso sistema endocanabinoide podem se ligar à proteína spike do vírus, impedindo assim sua entrada na célula humana. Esses canabinoides não são os famosos CBD e THC, mas o ácido canabigerólico (CBGA) e o ácido canabidiólico (CBDA)

Sem dúvida, trata-se de mais um estudo que nos dá esperança de conter esse pesadelo que assola nossos dias. Diversos jornais, portais, rádio e canais de TV divulgaram este estudo ao redor do mundo como uma medida assertiva para a prevenção ao coronavírus.

Porém, temos que ser cautelosos sobre tudo que diz respeito a esta doença.

A Covid-19 é uma patologia extremamente recente e sobre a qual muito pouco já se conhece, apesar de já estarmos bem avançados, se comparado ao final de 2019.

Assim como muitos estudos que estão sendo realizados sobre prevenção e tratamento da doença, não podemos afirmar com 100% de certeza que a utilização destes compostos evitará ou tratará a doença.

A afirmação sobre este fato pode estimular a população ao uso indevido da Cannabis, tanto a maconha de uso recreativo como óleos artesanais, como uma falsa medida para não contrair a doença.

O primeiro ponto a ser considerado é que estes estudos foram feitos in vitro. Ou seja, não existem ainda informações em seres vivos, nem mesmo em animais.

Outro dado importante é que estas duas substâncias, o CBGA e o CBDA são produtos extremamente instáveis. Quer dizer, eles têm uma durabilidade muito curta.

Após a comprovação de que estes canabinóides realmente previnem a contaminação por COVID-19, através da pesquisa em animais e depois em humanos, será necessário o desenvolvimento de técnicas que aumentem a estabilidade e consequentemente o tempo de duração destes compostos

Portanto, temos mais uma possível arma contra a contaminação por COVID-19 mas temos que aguardar maiores indícios de que realmente os achados desta pesquisa se confirmarão em um futuro que, esperamos, seja breve.

*Dra Maria Teresa Jacob é pós-graduada em endocanabinologia, Cannabis e cannabinoides pela Universidade de Rosário, Argentina. É membro da Society of Cannabis Clinicians (SCC) e da International Association for Canabinoid Medicines (IACM), com especialização em cannabis medicinal e saúde na Universidade do Colorado e cannabis medicinal no Uruguai.

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