Cannabis & Saúde

CBGA: pesquisa aponta a “mãe de todos os canabinoides”

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Molécula precursora da criação do THC e CBD, o ácido canabigerólico demonstrou grande eficiência no controle de convulsões em modelos animais

Ao observar a transformação que a Cannabis trouxe para a pequena Katelyn e toda a família Lambert, seus avós, o casal australiano Barry e Joy ficaram encantados. A jovem, diagnosticada com síndrome de Dravet, era acometida por convulsões muito frequentes, o que causava um sério atraso em seu desenvolvimento cognitivo.

Após diversos tratamentos sem qualquer benefício, os canabinoides lhe devolveram a vida.  “Depois de usar óleo de cânhamo para o tratamento, trouxemos nossa filha de volta. Em vez de temer ataques constantes, tínhamos esperança de que nossa filha pudesse ter uma vida que valesse a pena”, disse Michael Lambert, pai de Katelyn. “Foi como se o barulho tivesse sumido de sua mente e ela fosse capaz de acordar. Hoje, Katelyn realmente gosta de sua vida.”

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Ativistas de Cannabis

Após o caso, enquanto Michael se tornou um ativista defensor da legalização da Cannabis, os avós, Barry e Joy, foram além. Foram responsáveis pela maior doação da história da Universidade de Sydney, com uma quantia equivalente a 33,7 milhões de dólares americanos voltados especificamente para o estudo e pesquisa da Cannabis medicinal.

“Desde o início do século XIX, extratos de Cannabis eram usados na medicina ocidental para tratar convulsões, mas a proibição da Cannabis atrapalhou o avanço da ciência”, disse o professor associado Jonathon Arnold, encarregado do Iniciativa Lambert para Terapia Canabinoide. “Agora podemos explorar como os compostos desta planta podem ser adaptados para tratamentos terapêuticos modernos.”

Cannabis e epilepsia

Em 2015, a Iniciativa Lambert estabeleceu um programa de pesquisa pré-clínica de epilepsia para ajudar a entender como os extratos de Cannabis, uma mistura de centenas de moléculas bioativas, têm efeitos anticonvulsivantes.

“Nosso programa de pesquisa está testando sistematicamente se os vários constituintes da Cannabis reduzem as convulsões em um modelo de camundongo da síndrome de Dravet. Começamos testando os compostos individualmente e encontramos vários constituintes da Cannabis com efeitos anticonvulsivantes”, afirmou Lambert.

“Neste último artigo, descrevemos os efeitos anticonvulsivantes de três canabinoides mais raros, todos eles ácidos canabinoides.”

Canabinoides ácidos são os canabinoides biossintetizados na planta e encontrados em extratos artesanais de Cannabis usados para tratar crianças com epilepsia. Um desses canabinoides, o ácido canabigerólico (CBGA), é a “mãe de todos os canabinoides”, disse o professor associado Arnold, pois é a molécula precursora para a criação de canabinoides mais conhecidos, como o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC) .

“Os ácidos canabinoides são abundantes na Cannabis, mas têm recebido muito menos atenção científica. Estamos apenas começando a entender seu potencial terapêutico ”, disse o professor associado Arnold.

O poder do CBGA

De acordo com a pesquisadora Lyndsey Anderson, o CBGA foi mais potente do que o CBD na redução das convulsões desencadeadas por um evento febril em um modelo de camundongo da síndrome de Dravet.

“Embora doses mais altas de CBGA também tenham efeitos pró-convulsivos em outros tipos de convulsão, destacando uma limitação desse constituinte da Cannabis. Também descobrimos que o CBGA afeta muitos alvos de drogas relevantes para a epilepsia.”

O estudo, publicado no British Journal of Pharmacology, envolveu pesquisadores da University of Sydney na School of Psychology e da Sydney Pharmacy School, em colaboração com o laboratório da Dra. Jennifer Kearney na Northwestern University (EUA). A Dra. Kearney desenvolveu o modelo genético de camundongo usado no estudo e orientou Anderson antes de ela se mudar para a Austrália.

A equipe continua sua pesquisa na esperança de desenvolver um tratamento melhor à base de Cannabis para a síndrome de Dravet. Muitos na comunidade acreditam fortemente que há algo exclusivamente terapêutico em todo o espectro de componentes da Cannabis trabalhando juntos.

“Avaliamos os canabinoides um por um e agora estamos explorando o que acontece quando você os coloca todos juntos novamente. Resta uma possibilidade real de que todos esses canabinoides anticonvulsivantes individuais funcionem melhor quando combinados ”, disse Anderson.

No entanto, os resultados atuais, já são bem animadores. “Estamos muito orgulhosos do trabalho realizado por muitos pesquisadores na Iniciativa Lambert, que é líder mundial na pesquisa de canabinoides”, afirmou o professor Arnold. “Saudamos em particular estes resultados recentes sobre ‘a mãe de todos os canabinoides’.”

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