Os melhores momentos do Medical Cannabis Summit, por Marcelo Galvão

CEO da OnixCann | Cantera destaca os principais assuntos abordados nos cinco dias de evento que debateu a Cannabis medicinal no Brasil

Primeiro quero agradecer a você e a cada uma das 22 mil pessoas que participaram do Medical Cannabis Summit.

Foi graças a vocês que pudemos abrir um debate enriquecedor em torno da Cannabis para fins medicinais para toda a sociedade, no qual prevaleceu a pluralidade de pensamentos e ideias.

Segundo, quero compartilhar com vocês alguns highlights que preparei junto com o nosso time da OnixCann, que entendemos terem sido momentos ímpares deste evento. 

Vamos começar pela abertura com a esclarecedora palestra do Dr. Raphael Mechoulam.

Dr. Mechoulam colocou em xeque alguns conceitos por muito tempo defendidos aqui no Brasil. Será que ele está certo ou errado? Como em quase tudo na vida, o certo e o errado dependem do ponto de vista do observador, não é?

Dr. Mechoulam usou o conceito de efeito Entourage? Sim. Mas em que contexto? Com relação ao THC apenas e não em relação ao CBD. Seu ponto de vista é que o THC isolado versus o THC como parte de um extrato apresenta efeitos muito diversos. O THC funciona muito melhor como parte de um extrato.

Quanto ao CBD, Dr. Mechoulam afirmou que, enquanto químico, para ele o efeito Entourage ainda tem que ser provado em testes clínicos modernos. Afirmou também que o CBD isolado e o CBD sintético devem ter exatamente o mesmo efeito, desde que sejam exatamente iguais.

Foi interessante observar que o cientista tomou o cuidado de justificar seu ponto de vista, indicando que tinha esse entendimento como um químico. Aqui estamos diante da questão do ponto de vista: na ciência da química moderna ele não poderia dizer outra coisa, pois para esta área da ciência moderna só interessa a composição química de uma substância para explicar o seu efeito. Vamos elaborar um ponto de vista alternativo mais adiante. 

Mechoulam tem uma vida dedicada ao estudo da Cannabis como químico e falou com propriedade e ponderação. Assim, ele mesmo fez o contraponto de que os seus colegas médicos afirmam que o CBD usado como parte de um composto do extrato da planta com todas as substâncias que a compõe funciona melhor. Ele não nega isso, mas indica, sob o ponto de vista de um cientista moderno, que a comprovação disto deve ocorrer por meio de estudos clínicos modernos que, segundo ele, ainda não foram feitos. Também faremos um contraponto a isso mais adiante.

Mechoulam frisou ainda que o efeito psicoativo do THC deve ser sempre evitado no uso medicinal e ponderou que não estava falando do uso para fins “recreativos”, onde o efeito psicoativo é o efeito almejado.

Para o uso medicinal, o professor recomendou começar com doses baixas de THC, 5mg a 6mg dia, mesmo que essa dose não proporcione nenhum efeito terapêutico ao paciente.

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Para ele o mais importante é evitar o efeito psicoativo do THC, respeitando as fisiologias de diferentes pacientes que respondem de forma diferente às doses de THC. Só após adaptação inicial se deve aumentar a dose para 10mg, 15mg ou 20mg, até se encontrar a dose ideal para cada paciente. Aqui ele aplica o princípio basilar da profissão médica que é “não fazer mal ao paciente”, considerando que o efeito psicoativo do THC não é desejável para fins medicinais.

  1. Mechoulam apontou também para a solução desse paradoxo do uso de THC: como chegar ao efeito terapêutico desejado sem que haja o efeito psicoativo. Ele indicou que a planta Cannabis não produz as moléculas de CBD e THC, mas sim produz o CBD-A e o THC-A que são compostos na sua forma ácida. Esses compostos, no entanto, não são estáveis e se degradam em THC e CBD. Ele indica que em conjunto com pesquisadores do Canadá, Reino Unido, Itália e Estados Unidos, encontrou uma forma de estabilizar essas substâncias e que elas têm importantes efeitos terapêuticos a serem melhor estudados na forma de estudos clínicos modernos. 
  2. Com relação ao uso do CBD, recomendou uma dose diária inicial de 200 mg e disse que há estudos com mais de 1000 mg sem nenhum risco ou efeito psicoativo para o paciente. Ele frisou que devido ao fato de não terem sido registrados efeitos colaterais, o CBD e outros canabinóides como CBG e CBC devem se tornar medicamentos de primeira grandeza enquanto que do THC não se espera a mesma coisa. 
  3. Foi gratificante ouvir Dr. Mechoulam reiteradamente frisar que seus colegas no Brasil, Dr. Elisaldo Carlini e equipe, foram os pioneiros responsáveis pelos estudos clínicos sobre o uso da Cannabis para epilepsia, já em 1964. Ele frisou que a liberdade do pesquisador em decidir sobre o que pesquisar, mesmo que seja o responsável por levantar verbas para isso, é o motor propulsor de uma ciência moderna que traz resultados. 
  4. A relação de amizade e reconhecimento pelo trabalho do Dr. Carlini foi algo que tocou a todos nós. Ouvimos parte importante da história da Cannabis medicinal por quem a viveu. Isso foi ímpar. Outro momento que nos tocou muito foi quando ele disse que, mesmo com esses estudos clínicos bem elaborados, ninguém se interessou por seus resultados até 2010, quando pais americanos observaram o efeito em seus filhos com epilepsia e passaram a utilizar a Cannabis de forma medicinal.
  5. “Isso não precisava ter sido assim. Milhares de crianças poderiam ter sido salvas com Cannabis nesses anos todos”, afirmou Dr. Mechoulam. Por fim, vale ressaltar que um importante pano de fundo de sua fala sobre a necessidade de estudos clínicos é que a ciência da medicina moderna é desenvolvida com base em bem desenhados estudos clínicos modernos e que, para haver uma validação para os médicos modernos sobre o uso medicinal da Cannabis, é preciso que esses estudos sejam feitos. 

Ele enfatiza que os médicos modernos têm dificuldade no uso da Cannabis medicinal exatamente por não haver estudos clínicos que norteiem esse uso por parte dos médicos modernos.  A solução para ele são mais estudos clínicos indicando que cabe às empresas farmacêuticas realizarem tais estudos e que não entende por que ainda não foram feitos. Também voltaremos a esses itens mais adiante. Pelo momento, vamos citar como contraponto os argumentos utilizados por outros palestrantes em nosso evento. Antes disso, gostaríamos de agradecer as perguntas dos participantes do evento que engrandeceram muito a palestra do professor Mechoulam, e ao nosso querido repórter Marcus Bruno, que fez a cobertura dessas perguntas no portal Cannabis & Saúde.

Outra palestra incrível teve participação de Marcelo Geraldi, CEO do Laboratório Farmacêutico Herbarium e Jackeline Barbosa, CMO do Herbarium

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No segundo painel de quarta-feira, o Medical Cannabis Summit recebeu a neurologista Jackeline Barbosa, CMO da Herbarium, Marcelo Geraldi, CEO Herbarium e Jaime Ozi, sócio e VP da OnixCann

Ambos fazem colocações sob a perspectiva científica quanto ao uso de fitoterápicos como forma mais eficaz de se obter o efeito terapêutico desejado. Para eles, os extratos que preservam o fitocomplexo são melhores do que as substâncias isoladas.

Por que é assim? Por que há divergência com o ponto de vista do Dr. Mechoulam? Os especialistas partem de um ponto de vista científico diferente, mas não menos válido.

Marcelo e Jackeline são experts no assunto. Eles enfatizaram a qualidade superior dos fitoterápicos, indicando que há uma série de complexas interações entre as substâncias de um extrato vegetal. Que a inteligência da planta, com atividades que modulam o efeito terapêutico, se expressa melhor sob a forma de extrato, que é quando o fitocomplexo é preservado.

Aqui me arrisco a de certa forma parafrasear o Dr. Mechoulam, quando ele disse que o corpo humano não produz uma substância porque não tem outra coisa para fazer. A planta também não produz uma combinação de compostos porque não tem outra coisa para fazer. A mesma inteligência biológica que produz essas substâncias deve ser melhor preservada num fitocomplexo que mantenha a integridade dos elementos produzidos pela biologia vegetal. Creio que esse conceito resume o ponto de vista de Marcelo e Jackeline.

Outro contraponto interessante à palestra do Dr. Mechoulam é sobre as moléculas sintéticas. Ele, de certa forma, já nos deu a deixa dizendo que, sob a ótica da química, as moléculas sintéticas em tese têm o mesmo efeito que as moléculas isoladas a partir de uma planta, mas que para que isso seja verdadeiro, a molécula deve ser idêntica, deixando em aberto se realmente é possível se fazer uma molécula sintética idêntica à de origem vegetal. 

Ele não chega a dizer que uma molécula sintética não é idêntica a uma molécula isolada a partir da planta, pois como pesquisador da química, ele não deve dizer isso. 

Mas remete a discussão a um futuro estudo clínico que quantifique os resultados do tratamento com essas duas moléculas para uma comparação confiável.

Digamos que, em tese, isso pode ser feito. Mesmo assim, é possível pensar – a partir de dados científicos que avaliam o efeito dos fitoterápicos – que exista mais coisas num extrato vegetal, mesmo nas suas substâncias isoladas, do que apenas a molécula obtida através de síntese artificial de uma de suas partes. O que talvez exista e que não se consiga reproduzir é a vida e a inteligência que permeiam a planta e, de alguma forma, continua como que impregnada na sua substância, preservada integralmente ou isolada.

Creio que o uso medicinal da Cannabis está revolucionando a medicina também por permitir esse tipo de debate onde diferentes pontos de vista são necessários para a compreensão verdadeira do tema. Assim, A Cannabis está dando um grande impulso também para a fitoterapia e muitas práticas integrativas que gradualmente estão incorporando a medicina canabinóide. 

No mesmo painel, a Dra. Ailane Araújo fala da experiência prática dela com compostos fitoterápicos, dando seu depoimento sobre a maior efetividade dos mesmos. 

Nesse sentido, há muitas pessoas que defendem que a última etapa e mais importante de qualquer estudo clínico é a etapa posterior ao registro do produto. Trata-se do que a ciência chama de fase 4.

Já se constatou que os estudos clínicos de fase 1, 2 e 3 que possibilitaram o registro do produto muitas vezes não têm suas estatísticas de resultado confirmadas no mundo real. Para se medir esses resultados, os dados de mundo real são medidos e confirmados. No caso da Cannabis, poderíamos então dizer que nas medições de mundo real os resultados são perceptíveis, pois sintomas antes sem solução são melhorados ou eliminados.

Isso seria suficiente para sua prescrição, mesmo que sob a regra de começar com doses baixas e aumentar aos poucos, pois cada paciente reage de uma forma e fazer um teste clínico duplo cego randômico faça pouco sentido nesse contexto de doses adequadas a cada pessoa. Falaremos mais disso.  

De novo é a Cannabis medicinal dando um impulso de mudança na maneira como está estruturada nossa medicina moderna. Veja mais sobre os depoimentos da Dra. Ailane e também do Dr. Pedro Pierro, Dra. Patricia Montagner, Dra. Ana Hounie, Dr. Gonçalo Vecina, ex-presidente da Anvisa, além do painel com os médicos prescritores, Dr. Ricardo Ferreira e Dr. Eduardo Faveret no Documentário Médico Cannabis Summit Primeira Edição disponível no link https://sun.eduzz.com/437099

Painel sobre educação

No primeiro dia do evento, tivemos também um importante painel com o Dr. Cid Gusmão, CMO da OnixCann e Canteramed, e Marcelo Batistella Bueno, CEO da Ânima Educação. Tenho uma amizade de quase uma vida inteira com Marcelo e sua família e admiro a todos.  Dr. Cid e toda família Gusmão são também há tempos bons amigos de jornada. 

Não devo falar por eles aqui. Posso apenas indicar que por trás das palavras deles há um lado humano muito autêntico e verdadeiro, onde cada um em sua área se preocupa genuinamente em entregar o melhor de si, com excelência e respeito pelo próximo. 

Dr. Cid, juntamente com Dr. Cristiano Fernandes, são os coordenadores dos cursos Nano Degrees de 30 horas produzidos numa parceria inédita da OnixCann com Grupo Ânima.

No painel, Marcelo Bueno anunciou o início desses cursos que foram lançados pela Ânima por meio de sua vertical de educação nas áreas médicas, a Inspirali, que foi lançada também durante a semana do evento. A Inspirali é uma nova marca e unidade de negócios do Grupo Ânima e veio para integrar todos os cursos e instituições do grupo na área de saúde. Marcelo, vai ser um sucesso! Parabéns e obrigado pela amizade e por essa parceria.

Dr. Cid, muito obrigado também por nossa amizade e parceria. Parabéns pela realização desse trabalho nobre e desafiador.

Aproveito aqui para lembrar de Daniel Facchini Castanho, sócio de Marcelo na Ânima. Nós aqui admiramos muito vocês e o trabalho que realizam. Daniel, esperamos contar com sua presença no próximo evento, agendado já para meados de outubro.

CBD no esporte

O painel ‘CBD no esporte’ trouxe a ideia de que o canabidiol é necessário aos esportistas, e que preços abusivos e preconceito precisam ser erradicados no Brasil. 

O painel ‘CBD no esporte’ trouxe a ideia de que o canabidiol é necessário aos esportistas, e que preços abusivos e preconceito precisam ser erradicados no Brasil. 

Os participantes Dr. Flávio Formigoni, nutrólogo e médico esportivo, Rose Gracie, empreendedora da indústria esportiva, e Ralph Gracie “pitbull”, empresário, lutador de jiu-jitsu e MMA, falaram em uníssono sobre a revolução que é o CBD no mundo esportivo, as diferenças entre o mercado no Brasil e nos EUA e sua importância no tratamento e prevenção da encefalopatia traumática crônica.

Destaco esta fala do atleta Ralph Gracie: “eu tomo CBD todos os dias e passo a pomada. Minha filha tomava remédio para epilepsia e, depois do CBD, largou, agora parou completamente”.

Rose Gracie lembrou que em 2018 a World Anti-doping Agency (WADA) tirou o CBD da classificação de droga: “Aqui (na Califórnia), o creme de CBD é aprovado para as Olimpíadas. Aqui tem uma indústria do CBD para uso esportivo, tem empresa que patrocina atletas. O CBD é importante para eles usarem, aqui usam CBD pra tirar as pessoas de drogas pesadas”. 

Os participantes também falaram sobre a encefalopatia traumática crônica, que ficou conhecida como a doença da demência do pugilista, mas que pode acontecer em qualquer atleta que pratique um esporte de tenha contusão na cabeça. A Cannabis medicinal pode ser um tratamento eficaz contra os sintomas dessa nova patologia, como as fortes dores, tonturas e perda de memória.

Já o médico do esporte Dr. Flávio Formigoni falou mais especificamente sobre como o canabidiol pode melhorar a performance dos atletas.

“O CBD é um ergogênico (melhora performance) e ansiolítico. O esportista aumenta o foco porque não está ansioso. É imunomodulador: com a pandemia, a comunidade médica descobriu que não entende de imunidade. Na Covid-19, o que mata é o excesso do sistema imunológico, que regenera tecidos. A inflamação piora por conta da resposta excessiva do sistema imunológico”, explicou.

O médico também explicou sobre seu uso no pós-treino e recuperação.

“CBD é neuroproteção – diminui processo inflamatório. A encefalopatia traumática crônica atinge de 3 a 4% de atletas com traumas sucessivos na cabeça. O impacto acumulado leva ao processo inflamatório crônico que deposita proteínas e vai se degenerando. Por isso era chamado de demência do pugilista. Mohamad Ali tinha”. 

A importância das associações de pacientes

Pedro Sabaciauskis, Marcus Bruno e Altair Lira

O Medical Cannabis Summit dedicou um painel para falar sobre as questões sociais envolvendo a Cannabis medicinal no Brasil e o papel que as associações de pacientes tiveram e terão nesse processo.

Nosso repórter Marcus Bruno entrevistou o antropólogo Altair Lira, co-fundador da associação baiana dos pacientes de doença falciforme e, posteriormente, da federação que reúne essas associações pelo Brasil. E também o Pedro Sabaciauskis, presidente da Santa Cannabis, associação de pacientes de Florianópolis.

Altair Lira explicou que a doença falciforme acomete mais negros que brancos e é hereditária. E que a falta de políticas públicas aos portadores dessa doença é justamente porque ela tem maior incidência na população negra. 

Ele sustentou a importância em unir as associações, que juntas estimularam o governo a permitir a importação de canabidiol no Brasil.

O último dia do evento foi dedicado à questão regulatória e outros temas jurídicos

No primeiro painel de sexta-feira, 14, sobre regulamentação no Brasil, os participantes comentaram como a Cannabis pode trazer benefícios sociais, econômicos, culturais e científicos para o País

No primeiro painel de sexta-feira, 14, sobre regulamentação no Brasil, os participantes comentaram como a Cannabis pode trazer benefícios sociais, econômicos, culturais e científicos para o País.

Eu participei de dois desses painéis, que reuniram políticos de destaque no contexto regulatório: Dr. Willian Dib, ex-diretor presidente da Anvisa e o Deputado Paulo Teixeira, Patrícia Vilella Marino, da ONG Humanitas 360, o advogado Arthur Arsuffi, Werner Buff, diretor de assuntos jurídicos da Verdemed e Jaime Ozi, sócio e vice-presidente de negócios da Onixcann.

Há muitos destaques nesses painéis e sugiro que o leitor interessado no tema os veja na íntegra. 

De um lado, tivemos uma conversa franca com Dr. Willian Dib, que apontou para as melhorias que pode haver na legislação e os limites do que a Anvisa pode e não pode regular, bem como do impacto do processo político na atual regulação.

Já estive algumas vezes com Dr. Dib e reconheço sua importância como impulsionador do processo que levou à aprovação da atual RDC 327. Tive que aplaudi-lo em algumas respostas que deu no painel, em especial quanto ao CBD, cujo uso não deveria depender de receita médica, mas ser de corriqueiro por muitas famílias como o famoso “chazinho da vovó”. É uma brincadeira com muito fundo de verdade que tenho feito sobre o uso do CBD ser livre e difundido, como se faz com própolis, remédios homeopáticos e antroposóficos (linha da Welleda por exemplo) e outros fitoterápicos usados de forma preventiva e no tratamento de muitos desequilíbrios simples na fisiologia, antes que estes se agravem e causem um maior mal estar. 

Também tivemos o deputado federal Paulo Teixeira, que com grande clareza e precisão demonstrou estar realmente muito bem preparado para conduzir o tema no congresso federal por meio da PL 399/15, que deve regular cultivo e trazer muitas inovações para a uso associativo e para a produção e comercialização de produtos medicinais com Cannabis e outros, como a esperada regulação dos cosméticos com CBD, suplementos alimentares a partir do cânhamo – HEMP em inglês – e uso veterinário.  

Nosso grande amigo e advogado Dr. Arthur Arsuffi, parte da família OnixCann, também sempre muito preciso, ponderado e inspirado, deu uma aula completa sobre os temas discutidos.  

Gostaria também de destacar a participação de Patrícia Villella Marino, fundadora e CEO da ONG Humanitas 360, que atua no terceiro setor. Nosso contato com Patrícia é mais recente, sendo que todo o time da OnixCann está encantado com suas contribuições. 

Patrícia se manifestou com legitimidade, veracidade propósito muito genuínos em seu painel. O conhecimento dela sobre o tema não é de hoje. Ela tem uma longa história de apoio ao uso da Cannabis medicinal e iniciativas sobre temas correlatos abordados no painel. Uma liderança no setor.

Agradeço muito a participação de Jaime Ozi nesse e outros painéi. Ele é um bom companheiro de jornada, sócio e vice-presidente de negócios da OnixCann, com uma genuína dedicação a levar o uso da Cannabis medicinal como solução para a saúde e bem-estar de todos aqueles que necessitam. 

Obrigado também a Werner Buff por suas assertivas contribuições e a todo o pessoal da Verdemed que é uma das empresas patrocinadoras do evento. 

Tivemos também um painel com a participação do ex-presidente da Anvisa Gonçalo Vecina Neto. Ele participou de um debate ao lado da pesquisadora Beatriz Carlini e da advogada Maria José Delgado Fagundes. Ex-secretário Nacional da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, foi criador da Anvisa e do SUS e é a maior referência no Brasil na área de políticas públicas para saúde. Todos os players do setor o respeitam muito. Por isso foi muito importante ouvir dele o grande apoio aos temos envolvendo Cannabis e principalmente sua defesa sobre a inclusão de medicamentos à base de Cannabis no SUS.

“Temos que oferecer esta alternativa terapêutica para nossos pacientes e facilitar que esta alternativa terapêutica seja oferecida. Eu acho que o SUS se beneficiaria com a inclusão da Cannabis como método terapêutico, pois existem indicações bem estabelecidas para seu uso”.

Ainda sob o tema do Direito, tivemos o painel com a advogada Ana Izabel Carvana de Hollanda e o advogado Diogo Pontes Maciel. Neste painel, o tema abordado foi o acesso aos produtos de Cannabis através da judicialização, seja pelos planos de saúde, pelo Sistema Único de Saúde ou até mesmo por meio de Habeas Corpus para o plantio caseiro, individual.

“Outros países pagam suas dívidas com a Cannabis medicinal, precisamos aprender”, defende advogado, ao citar que muitos países liberaram a Cannabis e tem obtido recursos significativos para a economia destes países.

“É um tapa na cara da sociedade brasileira”, afirmou Diogo Maciel, advogado especialista em Direito da Saúde e autor de ações contra planos de saúde para fornecimento de CBD e de habeas corpus para plantio de Cannabis. “Temos que mandar dinheiro para o exterior e não conseguirmos mantê-lo no nosso país.”

Ambos os advogados concordaram que, apesar das dificuldades para acesso aos tratamentos canabinoides, a tendência é de que o SUS e os planos de Saúde ofereçam Cannabis sem precisar de judicialização, até pelo caráter preventivo. Eles também lembraram da função de saúde e qualidade de vida tanto dos planos de saúde quanto do SUS, e conclamaram a sociedade a participar das discussões públicas.

“A decisão tem seguido o mesmo raciocínio. O tratamento não pode se limitar ao rol, tem que conceder o melhor para o paciente. Epilepsia vai entrar no rol, como câncer, Alzheimer, etc. Isso é bom para o plano, porque diminui a sinistralidade do paciente. Entrar o tratamento como preventivo, para não ter que esperar pela doença. Agora meu foco são ações que visam a qualidade de vida”, destacou a advogada Ana Izabel de Hollanda.

O grande desafio, segundo a jurista, é criar uma judicialização que provoque os planos de saúde e o SUS para que enfim não seja necessária a judicialização. O judiciário é um importante instrumento: ‘estou tendo tantos processos, que vou precisar fazer uma política de saúde, vou estudar. Então, vou fazer a cobertura’.” 

Mas como colocar a Cannabis no rol da ANS? “A ANS faz consultas públicas. Quanto mais pedidos tiverem de Cannabis medicinal, mais chances. Estamos na iminência de colocar para epilepsias nos planos de saúde e SUS tb. Já tem uma Ação Civil Pública, em fase de recurso, que diz que o SUS é obrigado a cobrir substâncias da Cannabis e THC registrados na Anvisa. Eu acho que está próximo do SUS dar a cobertura sem necessidade de legislação.” 

Outros painéis muito interessantes foram os que reuniram médicos e pacientes

No painel do Dr. Pedro Pierro, Dr. Vinicius Barbosa, da mãe de paciente com doença rara Livia Queiroz e Antoine Daher, da Fundação Casa Hunter, com trabalho focado em pessoas com doenças raras, podemos destacar a necessidade de novos medicamentos para todas essas enfermidades e o aprendizado que tivemos de que muitas das doenças raras têm frequentemente algum componente de espectro autista.  

No painel do Dr. Vinicius Barbosa, ele deu um show sobre o uso de Cannabis nas síndromes com espectro de autismo e Dr. Pedro Pierro, que já se destaca como um grande showman do setor, trouxe toda sua experiência no uso da Cannabis medicinal para as doenças neurológicas complexas e para patologias mais frequentes, como transtornos do sono, ansiedade, depressão e dor.

No painel que contou com a Dra. Ana Hounie, a médica “fez coro” com o que foi dito por Dr. Pierro sobre o uso da Cannabis medicinal com muitos benefícios em substituição à grande maioria das drogas de tarja preta e controladores de sono, ansiedade, depressão, dentre outros.

Hounie abordou ainda a questão do preconceito e citou um caso emblemático de um artista que perdeu um de seus patrocinadores por ter relatado que passou a usar o CBD para tratamento de ansiedade, substituindo os medicamentos tradicionais que causam graves efeitos colaterais.

Destaque também para Adriana Reis, paciente e mãe de paciente, que relatou sua linda e emocionante história com as questões de saúde do filho e que a levaram também a usar o CBD para o controle da ansiedade e do stress.

Por fim, meus agradecimentos e elogios ao advogado Guilherme Takeishi que nos esclareceu sobre a legislação que há tempos já autoriza o uso da Cannabis medicinal no Brasil e também das limitações quanto a propaganda de produtos e outras dificuldades para que médicos e pacientes tenha acesso às informações que precisam sobre procedimentos legais, produtos e tratamentos com Cannabis medicinal. 

Num painel exclusivo de médicos, Dra. Patrícia Montagner, Dr. Cristiano Fernandes e Dr. João Menezes deram um show à parte, cada um a seu estilo, com destaque para a precisão e conhecimento técnico dos três e para a irreverência contagiante do Dr. João Menezes e sua “legião de fãs no chat do painel”. Neste painel, foram debatidos a importância da formação do médico para a prescrição e o acompanhamento do paciente. Dr Cristiano citou a falta de pesquisas nas universidades e de estudos duplo cego para a aceitação total da classe médica, mesmosabendo-se que a aplicabilidade do CBD no tratamento de pacientes já seja uma realidade que extrapola as pesquisas.

Dra. Patrícia contou sua trajetória e o uso de THC tão importante para certas patologias.

Dr. João citou o estudo da medicina canabinoide ainda muito pouco explorado nas universidades brasileiras, em especial o sistema canabinoide e ainda citou o preconceito como uma das barreiras para o acesso à Cannabis.

Destaque também para o mediador Marcelo Moura, um dos responsáveis pela organização dos cursos de Cannabis medicinal da OnixCann, em parceria com o grupo Ânima Educação.

Tivemos um excelente painel com Ana Gabriela Baptista, fisioterapeuta e consultora técnica em medicina canabinóide, considerada uma das mulheres mais influentes no Cannabis Medicinal no Brasil, com o neurologista Dr. Marcos Prandine, especialista no tema e Margarida Lagame, fundadora do SOS Cannabis Medicinal.

Nesse painel, houve uma grande contribuição sobre a importância do acolhimento e acompanhamento dos pacientes que fazem uso de produtos à base de canabinoides. Os especialistas trataram de explicar que temos um sistema interno no corpo humano, onde existe uma produção de canabinoides muito parecido com o da planta Cannabis, mimetizando esse sistema. Frisaram sobre a necessidade do paciente ter assistência individualizada para se sentir seguro com esse tratamento ainda pouco explorado no país. Uma equipe multidisciplinar com médicos demais profissionais da área de saúde parece ser realmente muito importante para o uso da Cannabis Medicinal e está diretamente relacionado com o sucesso e aderência ao tratamento. 

No painel, foi feito um debate sobre casos da dificuldade ao acesso de produtos pelos pacientes, principalmente as mães com menos recursos financeiros. Margarida falou da criação do S.O.S liderado por ela, uma mãe guerreira que lutou pelo tratamento de seu filho de todas as formas. E que apoia mais de 400 mães que buscam na cannabis o alívio para as doenças de seus filhos e filhas.

Alguns casos clínicos e indicações terapêuticas também foram abordadas pelo Dr. Marcos Prandine, principalmente na área neurológica e de dor crônica. Ana Gabriela Baptista abordou o suporte que ela disponibiliza aos médicos dentro da plataforma de Telemedicina da Canteramed, onde o médico pode fazer essa consulta online e todos os pacientes que necessitam de tratamento com Cannabis Medicinal, são acolhidos e recebem apoio e suporte técnico por uma equipe muito qualificada liderada por ela.

A história de médicos precursores na medicina canabinoide

A medicina também faz história, e o último painel da quinta-feira, dia 13, trouxe dois dos mais importantes personagens da Cannabis medicinal no Brasil. Eles figuram entre os principais médicos precursores no país: o ortopedista Ricardo Ferreira, especialista em coluna e clínica da dor, da Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis, e o neurologista e neuropediatra, Eduardo Faveret, da Associação Brasileira de Epilepsia. 

Durante a conversa, lembraram os avanços no cenário internacional e apontaram a necessidade de se produzir ciência no Brasil, mostrando o sucesso que já conseguem nos consultórios.  

Ambos apontaram o preconceito racial histórico como um dos fatores que frearam a pesquisa e a disseminação da medicina canabinoide no Brasil, mas apostam que o movimento que quebrou esse paradigma não tem volta: a Cannabis veio para ficar e revolucionar o mercado farmacológico mundial.

“Não somos só médicos, somos atores políticos”, diz o ortopedista Ricardo Ferreira

Num grupo referência em epilepsia no RJ, eu já tratava de casos mais difíceis. Aí vieram a Margarete e a Aline em 2013 e se instalaram na minha sala. ‘Eduardo, você não quer ser o primeiro a prescrever?’

Por fim, cabe destacar o emocionante painel mediado pelo jornalista Marcus Bruno com a história de duas mães de pacientes em busca do tratamento com Cannabis para os seus filhos, uma através do plantio e outra pelo produto importado. Não vou detalhar aqui, pois ele e a jornalista Carol Castro, também do portal Cannabis & Saúde, produziram excelentes matérias sobre o evento. Confira todas elas no Portal C&S.

Vale lembrar: a OnixCann, em parceria com a Transformação Digital, estão disponibilizando aos participantes do evento diversos e-books e outros info-produtos muito completos, bem como o já mencionado  Documentário Médico do Medical Cannabis Summit, um material completo com a cobertura integral do evento, bem como os vídeos de cada painel na íntegra, e textos detalhando todos os assuntos abordados em cada um deles.

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Namastê! MG

Marcelo Galvão – Sócio Fundador | CEO. 

Procurando por um médico prescritor de cannabis medicinal? Clique aqui temos grandes nomes da medicina canabinoide para indicar.
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