“Estamos vendo um blockbuster fitoterápico. A Cannabis é o medicamento mais importante do momento”, diz Marcelo Geraldi, CEO da Herbarium

No segundo painel desta quarta-feira, o Medical Cannabis Summit recebeu a neurologista Jackeline Barbosa, CMO da Herbarium, Marcelo Geraldi, CEO Herbarium e Jaime Ozi, sócio e VP da OnixCann
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O painel “Visão geral dos fitoterápicos, em especial Cannabis sativa” teve diversas  unanimidades entre os entrevistados. Eles comentaram sobre a importância do fitoterápicos seguros, com procedência, com níveis de substâncias garantidos por unidade e com o mesmo nível de qualidade da indústria de fármacos sintéticos.

Além disso, também discutida a importância da prescrição e do acompanhamento médico e o crescimento do mercado de fitoterápicos, impulsionado ainda mais pelo blockbuster do momento, a Cannabis.

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Jackeline Barbosa, CMO Herbarium, neurologista

Segurança na produção de fitoterápicos

“O Brasil é referência mundial em exigências de qualidade e eficácia em fitoterápicos. Hoje, se exige o mesmo nível de segurança e eficácia que qualquer sintético.

Com cannabis há mais peculiaridades. Mesmo sendo uma planta, historicamente passou por sanções, era proscrita, mas agora estamos ganhando com maior amplitude o conhecimento de como cultivar, processar e usar. A importância como tratamento é tão vasta, que ainda não temos total conhecimento de tudo que ela é capaz de fazer. Porque o conhecimento do sistema endocanabinóide é recente, se comparado com o que conhecemos dos outros sistemas. Me formei há 25 anos e nunca ouvi falar durante todo o curso, nem durante a pós. Mas os essênios (grupo religioso que existiu no século 1a.C) tinham a Cannabis como uma das 5 maiores plantas. Na ayurveda também era das mais empregadas. 

Estudos comprovam que temos receptores canabinoides por todo o corpo, pele, intestino, órgãos, cérebro. É um grande sistema regulador da nossa fisiologia, e a planta tem os componentes que se ligam a ele, e por isso, é poderosa. Há vasta comprovação, de eficácia e segurança. Serve para tratar doenças neurodegenerativas, psiquiátricas, dos sistemas digestivo, urinário, cardio, imunológicos. São várias espécies de Cannabis, de peculiaridades e utilidades diferentes”.

Diferença entre extratos artesanais e produção industrial 

“Existem extratos dispensados por conhecedores tradicionais, que nunca vão deixar de existir. E a produção industrial que oferece a certeza de certificação de origem, planta cultivada em parâmetros de segurança, higiene, solo, sem agrotóxico. A padronização de cada unidade, a certeza de que todos os comprimidos ou gotas têm os ativos da planta,só se consegue em escala industrial”.

Conselho 

“Busquem informação, mais de uma opinião. Se já faz tratamento paliativo, procure saber se a Cannabis pode oferecer mais segurança. Se é prescritor, informe-se . Não só sobre Cannabis, essa planta política. Mas sobre os fitoterápicos, que são o futuro, medicamentos que nossa fisiologia entende como amigáveis”. 

Marcelo Geraldi, CEO Herbarium

“Hoje há bastante pesquisa. Na indústria farmacêutica diminuiu a quantidade de sintéticos novos para condições do dia a dia. Os sintéticos inovadores são para doenças mais complexas. Por outro lado, os fitoterápicos aumentam em pesquisa e desenvolvimento para doenças do dia a dia. Nos próximos anos, haverá mais fitoterápicos novos do que sintéticos para as necessidades do dia a dia”.

Mercado na Europa

“A Europa é o centro da fitoterapia ocidental. Há 50 anos existe a exigência de que os fitoterápicos sigam os mesmos padrões de qualidade dos alopáticos. Isso fez com que as empresas aproveitassem medicamentos que já eram consumidos de forma tradicional, e investisse. Com isso, ganharam espaço no mundo todo. Cerca de 1/3 do mercado europeu é de fitoterápicos. Isso demonstra o alto potencial de crescimento no Brasil.”

Canadá

“Lá, a Cannabis foi liberada em 2001, dentro de padrões exigentes do Health Canada, a Anvisa deles. Lá têm normas rigorosas e controles periódicos. Controle genético de sementes, plantio indoors, com controle do extrato de fungos, secagem, do processo complexo. Por isso, não são produtos baratos, pois o processo exige controle permanente.

A Herbarium, sendo de fitoterápicos, não pode ficar de fora de medicamentos à base de Cannabis. Mas temos responsabilidade para entender todo o processo, quem seriam nossos parceiros, estarmos alinhados em qualidade, com o produto certo, e um trabalho de educação médica e pacientes. Entraremos a partir do ano que vem e esperamos contribuir para que esse mercado seja cada vez maior”. 

Perspectivas para o futuro

“Estou há mais de 30 anos no mercado farmacêutico e ao longo desse tempo eu vi muitos medicamentos sintéticos blockbusters, que é aquele medicamento que chega para mudar o mercado. E finalmente estamos vendo um blockbuster fitoterápico, uma planta medicinal. É a realização de um sonho, saber que a Cannabis é o medicamento mais importante do momento. Estamos falando de futuro, ela está chegando, pouca gente conhece, pouca gente usa. Se você está aqui assistindo, pode ter certeza que você está na vanguarda, vendo o que vai acontecer daqui pra frente”. 

Recado aos médicos

“Passem a conhecer melhor tudo que foi dito aqui, as plantas, as diferentes espécies, tudo vai ser fundamental para o receituário do dia a dia. A população vai poder se beneficiar quando a grande maioria dos médicos conhecer e começar a prescrever.” 

Recado aos pacientes

“Saibam a origem do que estão tomando, tenham a certeza de que estão tomando a dose certa. Sempre procurem um médico, não se automediquem. Provoque seu médico, assim o mercado se desenvolve da forma correta.” 

Jaime Ozi, sócio e VP da OnixCann

“A demanda vem de pacientes que não conseguem ter suas necessidades atendidas por tratamentos convencionais. Procuram mais resultados, e menos efeitos colaterais, e têm sido bem atendidos com a Cannabis. Com a telemedicina, eles têm acesso mais amplo, como com  plataforma da Cantera, dando acesso a médicos e a oportunidade de dar esclarecimento.

A indústria canábica nos EUA e União Europeia é geradora de empregos, tributos, tem perspectivas imensas: indústria cosmética, usa-se a fibra para diversos fins, automotivo, aeronáutico. A Cannabis foi matéria-prima para roupas, velas de navios, cabos. É uma nova economia. 

Ela foi estigmatizada, colocada junto com drogas de muito maior potência, mas eu acredito que o tratamento deveria ser diferenciado. Nos EUA se separa inclusive o CBD do THC. O Cânhamo, por exemplo, praticamente não gera THC, e poderia ser plantado em casa.” 

Visão integral do ser humano  

“Hoje há uma mudança dos pacientes, que querem ter participação mais ativa no processo de cura. Numa situação sui generis, eles acabam buscando profissionais que tragam essa solução. Então essa demanda vem dos pacientes, que buscam novas formas de tratamento. 

Os tratamentos naturais são tendência e que trazem visão mais integral do ser humano. Nosso corpo busca naturalmente a saúde, com alimentação, atividade física, melhor saúde e qualidade de vida.” 

Desafio para empresas no Brasil: 

“Trazer para o mercado informações qualificadas que ajudem a vencer a resistência à Cannabis, que decorre da falta de conhecimento. Daí o investimento em educação. A OnixCann entrou em parceria com o grupo Ânima com dois nano degrees, para educação médica e dos pacientes.” 

Acesso para os médicos

“De 400 mil médicos no Brasil, apenas 1500 prescrevem. O terceiro pilar é a oferta de produtos com qualidade farmacológica, confiáveis, e que atendam o espectro maior das necessidades dos pacientes.” 

Conselho

“Cuidado na seleção de medicamento. Nunca confunda Cannabis medicinal com qualquer outro tipo de uso.”

Ailane Araújo, diretora da CBMC

Experiência e indicação 

“Muito boa, praticamente só prescrevo fitoterápicos. E os canabinóides servem para diversas doenças como inflamatórias, ansiedade, depressão, para pessoas refratárias, autoimunes, neurodegenerativas, por causa do sistema endocanabinoide, que é o nosso maior sistema. Ele age nos receptores de todos os órgãos, e nós produzirmos. Ele faz a modulação dos sistemas de todo o corpo, por isso temos respostas positivas em diversas patologias. Os canabinóides refazem uma conversa que foi feita antes erradamente pelo nosso organismo. A suplementação da Cannabis é a mimetização de nossos próprios canabinóides, uma alimentação do sistema. O melhor é que não há contraindicações. O tratamento é bem seguro, ao contrário dos opióides. Não há relato de dose mortal de Cannabis. Só é importante monitorar o THC, que pode aumentar a psicoatividade do paciente e deixá-lo ansioso ou agitado, dose dependente.”

Mensagem 

“Procure um médico que conheça o sistema endocanabinóide, que conheça a planta, que saiba que cada um sistema endocanabinóide  diferente, e por isso vai dar indicação clínica para perfis diferentes e o monitoramento com interação com outros remédios. E saiba sempre a procedência do seu óleo para obter melhores resultados”.

Assista ao painel na íntegra

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