Cannabis

Homeostase: O que é, Importância e Regulação com CBD

Você sabe o que é a homeostase? Vamos a um exemplo prático, então.

Imagine que você está no Rio de Janeiro com um calor de 40ºC à sombra. Certamente, pensaria que seria melhor se essa temperatura caísse, não?

A homeostase segue, de certa maneira, um conceito parecido em termos biológicos.

Essa analogia serve para uma infinidade de processos corpóreos, afinal, mais ou menos como diz a lei da gravidade, tudo o que sobe tem que descer.

Significa que, para os organismos vivos, tudo o que promove uma modificação em seu estado natural deve ser, de alguma forma, compensado.

Um exemplo simples disso é quando ingerimos bastante líquido.

Nesse caso, é apenas uma questão de tempo para irmos ao banheiro para eliminar o excesso.

No entanto, a homeostase é muito mais que um mecanismo de compensação.

Como veremos ao longo deste conteúdo, ela é uma condição indispensável para a vida e o bem-estar dos seres.

Avance na leitura e descubra como ela afeta a sua saúde.

O que é homeostase?

Também chamada de homeostasia, a homeostase é o conjunto de reações físico-químico-biológicas pelas quais um organismo volta à sua condição de equilíbrio.

Como veremos mais à frente, isso se aplica não só aos seres vivos, mas também ao ecossistema que os abriga.

É como se ela fosse uma “configuração” padrão de toda e qualquer forma de vida, que só se perpetua quando encontra as condições internas e externas ideais.

A homeostase, portanto, é a permanente gestão do equilíbrio corpóreo que cada indivíduo e espécie exerce, tendo em vista os efeitos provocados por variações que vêm de fora.

Qual é a importância da homeostase?

A homeostase foi descrita pela primeira vez pelo fisiologista Claude Bernard em 1859, que usou as seguintes palavras para definir o fenômeno recém-descoberto:

“Todos os mecanismos vitais, apesar de sua diversidade, têm apenas uma finalidade, a de manter constantes as condições de vida no ambiente interno.”

O termo tem origem nas expressões gregas “homeo” (igual) e “stasis” (estático).

Logo, a homeostase é a capacidade que todo ser tem de preservar as condições mais adequadas para a sua sobrevivência e o seu bem-estar.

Dessa forma, um organismo que não consegue se manter homeostático é, necessariamente, um organismo enfermo.

Ao falhar em regular os seus processos corporais, seja por alguma deficiência interna, seja por ação do meio externo, corre-se o risco de perder funções vitais e, em último caso, a vida.

Para que serve a homeostase?

A função principal da homeostase é regular os incontáveis processos que acontecem no corpo de maneira a mantê-lo dentro de uma condição normal.

Se não tivéssemos essa capacidade, certamente, já teríamos sido extintos ou, no mínimo, estaríamos em uma posição bastante inferiorizada na cadeia alimentar.

Foi a busca pelo equilíbrio, afinal, que levou o ser humano a evoluir por meio não só de adaptações morfológicas em seu corpo, como também ao utilizar ferramentas.

Nesse processo evolutivo, a homeostase tem um papel central, já que ela faz com que o organismo reaja mediante certas condições mais extremas.

Ou seja: é como se fôssemos equipados com um sofisticado sistema de alarme que indica que é hora de nos alimentar, nos aquecer ou nos proteger do calor. 

Quando ocorre a homeostase?

Na contabilidade, chama-se fluxo de caixa o componente de gestão pelo qual uma empresa gerencia as entradas e saídas de recursos das suas reservas financeiras.

De certa forma, a homeostase não deixa de ser uma espécie de “fluxo de caixa” do corpo humano, já que os processos a ela relacionados visam controlar entradas e saídas.

Quando bebemos água, por exemplo, criamos um excedente dessa substância que precisa ser eliminado tão logo ela seja absorvida e cumpra as suas funções vitais.

Assim sendo, a homeostasia acontece sempre que o corpo recebe uma “entrada”, seja de um alimento, de água ou de outro composto qualquer.

Também ocorre quando há mudanças climáticas, atmosféricas e outras mais subjetivas, como nossos diferentes estados de humor, além das reações do sistema imunológico.

Quais são os tipos de homeostase?

Já deu para perceber que não existe somente um tipo de homeostase, certo?

De fato, se considerarmos por uma perspectiva mais ampla, veremos que há categorias diferentes de processos homeostáticos, que variam conforme a espécie de reação.

Isso quer dizer que os mecanismos responsáveis por regular a ingestão de alimentos são diferentes dos que controlam a temperatura, por exemplo.

Cada um deles têm nomenclaturas próprias, devendo, por isso, ser compreendidos em contextos específicos.

Ou seja: a homeostase não se manifesta sempre da mesma forma de um organismo para outro e até em processos de natureza similar.

Vamos ver, então, quais são os diferentes tipos de homeostasia e quais reações elas são responsáveis por controlar.

Química

Toda vez que nossos pulmões absorvem oxigênio (O2) e eliminam dióxido de carbono (CO2), temos uma reação homeostática do tipo química.

É o que acontece, ainda, quando os rins eliminam uréia, regulando as concentrações iônicas e de água no organismo.

Isto é, todo procedimento que envolva a troca de substâncias no corpo pode ser classificado como uma espécie de homeostase química.

Outro exemplo comum desse tipo de processo é a regulação da glicose no sangue, feita pelo pâncreas na produção de glucagon e insulina. 

Se a glicose aumenta, o hormônio da insulina age para retirar o excesso por meio da facilitação da passagem de glicose no sangue para alguns tecidos.

Já a falta de açúcar faz com que se aumente a produção de glucagon que opera subindo o grau de açúcar no sangue através da conversão do glicogênio em glicose.

É assim que a nossa concentração de açúcar no organismo se mantém em limites toleráveis.

Trata-se de um complexo emaranhado de reações de homeostase da glicose que, em pacientes diabéticos, deixa de acontecer nos padrões normais.

Térmica

A hipotermia é uma condição na qual o corpo tem as suas funções vitais paralisadas por causa da exposição a baixas temperaturas.

No entanto, cada ser vivo tem mecanismos próprios para preservar a temperatura corporal em níveis aceitáveis, em um conjunto de processos chamado de endotermia.

Ou seja, mesmo que o clima apresente suas oscilações, todos somos capazes de manter minimamente a temperatura interna por meio de respostas induzidas pelo sistema endotérmico.

Quando sentimos frio, se o corpo não está aquecido, passa a tremer para gerar calor.

E se o calor for demais, suamos como forma de resfriar a pele e reduzir a temperatura interna.

Hídrica

Não é novidade que o corpo humano é composto em sua maior parte por água, cuja concentração é de 70% quando nascemos.

Como todo elemento químico, a água se transforma e, por isso, precisamos repô-la em estado líquido para restabelecer o equilíbrio das funções corporais.

Nesse aspecto, os rins são os órgãos mais importantes, já que eles são responsáveis por regular as concentrações de água e vários tipos iônicos, além de excretar a ureia.

Eles também são os encarregados por responder ao hormônio antidiurético (ADH) produzido pelo hipotálamo.

A função dessa substância é evitar a perda de água, o que levaria o organismo a desidratar.

Portanto, em momentos nos quais a concentração de sais é maior, o ADH é produzido para barrar a saída de água do corpo.

O que é a quebra da homeostase?

Organismos que conseguem manter a homeostase em condições extremas são mais fortes.

Essa é a essência do processo adaptativo, aquele descoberto por Charles Darwin e que ainda norteia diversos estudos científicos até hoje.

Coincidentemente, Darwin publicou suas ideias pela primeira vez em 1859, ano em que, como vimos, Claude Bernard foi pioneiro em descrever a homeostase.

Pois a quebra da homeostase, de certo modo, é o que diferencia “meninos de homens” na natureza. 

Quem se mantém vivo, a despeito das circunstâncias externas, tende a sobreviver, enquanto aqueles que não conseguem ajustar sua homeostase sucumbem.

Por outro lado, a quebra desse processo também pode ser induzida, como acontece com atletas que buscam adaptar seus corpos a condições competitivas.

Outra forma de haver essa ruptura é quando somos acometidos por doenças, sejam elas congênitas, autoimunes ou causadas por vírus e outros vetores.

Qual é a diferença entre homeostase e estado estável?

Todos nós, em algum momento, ouvimos ou lemos no noticiário que uma pessoa está hospitalizada em estado estável.

Embora essa expressão remeta a uma ideia de homeostase, na prática, existem diferenças consideráveis entre os termos.

Isso porque homeostase é a condição na qual um organismo encontra-se em um ponto de normalidade constante.

Já o estado estável indica que um quadro clínico é considerado estático, embora o indivíduo ainda não esteja nas circunstâncias ideais de saúde.

O que é sistema endocanabinoide e qual é sua relação com a homeostase?

De onde vem a homeostase, afinal? Que tipo de órgãos, substâncias ou fluidos estão envolvidos em seus mecanismos?

Foi somente na década de 1960 que viemos a descobrir que temos um sistema exclusivamente dedicado a regular os processos homeostáticos.

Ele se chama sistema endocanabinoide e o seu descobridor foi o químico Raphael Mechoulam.

Portanto, homeostase tem tudo a ver com esse sistema, no qual os canabinoides são os grandes protagonistas.

Ao se ligarem aos receptores endocanabinoides, eles promovem uma série de efeitos que, por sua vez, levam o organismo a restabelecer sua condição de equilíbrio. 

Quais são os benefícios do canabidiol (CBD) na regulação da homeostase?

A descoberta do sistema endocanabinoide fez com que a comunidade médica e científica redescobrisse o enorme valor das plantas do gênero Cannabis.

Isso porque não é de hoje que os principais compostos extraídos delas, os canabinoides, são usados com fins medicinais.

A diferença é que, somente nos últimos 60 anos, a ciência parece, enfim, ter levado mais a sério os canabinoides, embora a espécie mais comum, a Cannabis sativa, tenha sido catalogada no distante ano de 1753 por Carolus Linnaeus.

Nas últimas décadas, a ciência vem se debruçando sobre as propriedades dos fitocanabinoides extraídos da sativa e de outras subespécies.

Veja a seguir quais são.

Ação anti-inflamatória

Processos inflamatórios são, de certa forma, um dos muitos “inimigos” da homeostase.

Eles se caracterizam pelo aumento da circulação sanguínea na região do corpo afetada como uma resposta a eventuais ataques de agentes externos ou ferimentos.

Esse crescimento na circulação é a maneira que o organismo encontra para enviar ao local enfermo os mecanismos de defesa presentes em nosso sistema imunológico.

Pois o sistema endocanabinoide também pode interferir nesses processos, por meio de substâncias como o canabidiol (CBD), que tem propriedades anti-inflamatórias.

Esses atributos foram documentados em uma pesquisa conduzida pela Universidade de Białystok, Polônia.

No estudo, concluiu-se que:

“O CBD parece ser o preferido entre os compostos do grupo fitocanabinoide. Independentemente dos efeitos farmacológicos benéficos do próprio CBD, se esse composto estiver presente no ambiente do THC, os efeitos indesejáveis são reduzidos, o que melhora seu perfil de segurança.”

Efeito analgésico

Embora a dor seja, de certo modo, uma forma de se restabelecer a homeostase, nem sempre ela é tolerável e, em alguns casos, o melhor a se fazer é suprimi-la.

O CBD pode ajudar nesse aspecto, trazendo alívio para pessoas que sofrem com dores agudas, algumas inclusive causadas por tratamentos agressivos, como do câncer.

Sobre isso, vale destacar um estudo de caso feito pelos pesquisadores Zack Cernovsky e Larry Craig Litman, da Universidade de Ontário, Canadá.

Eles investigaram os efeitos da medicação à base de CBD em pessoas com dores crônicas causadas por traumas em acidentes de carro, chegando à seguinte conclusão:

“Os casos apresentados neste artigo sugerem que pelo menos alguns pacientes com dor intensa e sintomas neurológicos graves podem se beneficiar dos óleos de Cannabis, mais do que dos analgésicos opioides e não opioides amplamente prescritos.”

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Atuação neuroprotetora

Desequilíbrios no sistema nervoso central (SNC) podem levar a doenças graves, como a epilepsia e a psicose.

Para restabelecer a normalidade, o canabidiol vem se mostrando um poderoso aliado, até mesmo para tratar de condições neurodegenerativas.

Sobre isso, destacamos um estudo conduzido pelos cientistas Walter Milano e Anna Capasso, em que o foco foi o uso do CBD como agente neuroprotetor em processos de degeneração no SNC.

Veja o que eles concluíram:

“As atividades neuroprotetoras dos endocanabinoides parecem ser mediadas principalmente por CB1, portanto, há caminhos promissores para o uso terapêutico em diferentes aspectos das doenças neurodegenerativas, por estimular o sistema endógeno autoprotetor do cérebro e neutralizar o estresse oxidativo.”

Equilíbrio do humor

Os transtornos de humor são um sinal claro de que algo não está em equilíbrio no corpo, especialmente nas funções cerebrais.

Por sua vez, em doenças como a de Alzheimer, a neurodegeneração pode levar não só à demência como ao aumento na agressividade.

Nesses casos, o CBD promove recuperações que parecem milagre de tão incríveis, como foi com o seu Ivo Suzin. 

Diagnosticado com Alzheimer, sua família já não sabia mais o que fazer para conter seus constantes ataques e agressões, quando decidiu tentar o canabidiol.

Veja o resultado e o desfecho dessa emocionante história contada aqui, no Portal Cannabis & Saúde.

No entanto, a ciência também está atenta às propriedades do CBD como regulador do humor em outros casos, como o de pessoas que sofrem de transtorno bipolar.

Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Newcastle, Inglaterra, traz evidências de que, além do CBD, o tetrahidrocanabinol (THC) também pode ajudar a restaurar o equilíbrio em pacientes com esse tipo de distúrbio de humor:

“(…) ambos, THC e CBD, têm propriedades farmacológicas que podem ser terapêuticas em pacientes com Transtorno Bipolar. Além disso, a evidência farmacocinética disponível já indica métodos ideais de administração e controle de dosagem.”

Alternativa 100% natural

Não se pode ignorar, ainda, que o CBD é, desde sempre, uma alternativa natural aos medicamentos controlados, alguns dos quais causam efeitos adversos importantes.

Além disso, os canabinoides são substâncias em geral muito bem toleradas pelo organismo, onde são prontamente recrutados pelo sistema endocanabinoide.

É por isso que cada vez mais tratamentos com medicamentos convencionais vêm sendo substituídos pelo uso da Cannabis medicinal.

Além de naturalmente absorvidos, os canabinoides também produzem efeitos mais rápidos e duradouros, ajudando na recuperação até mesmo de doentes em estado avançado.

Poucos efeitos adversos

A interação dos fitocanabinoides com outras células do organismo é sempre mediada pelo sistema endocanabinoide.

Talvez por isso sejam relatados muito poucas reações adversas em pessoas submetidas a tratamentos com o CBD.

A propósito, há pesquisas dedicadas exclusivamente a analisar a prevalência dos efeitos colaterais do CBD, como esta, realizada pela Nova Institut, na Alemanha. 

Nesse estudo de caso, foram feitos testes em camundongos, que receberam doses de 60mg de CBD por 12 semanas, três vezes a cada sete dias.

Os resultados não poderiam ser mais satisfatórios, já que, segundo os pesquisadores, o perfil de segurança do CBD já está estabelecido de uma infinidade de maneiras, embora enfatizem a necessidade de mais pesquisas.

Conclusão

Por tudo que vimos ao longo deste conteúdo, não é exagero indicar a Cannabis medicinal como uma alternativa das mais seguras para restabelecer a homeostase em todos os níveis.

Casos de pacientes que se recuperaram até mesmo de quadros avançados (alguns desenganados pelos médicos) e as pesquisas parecem de fato apontar para um futuro promissor.

Por isso, não deixe de acompanhar os últimos avanços, lendo os conteúdos publicados aqui, no portal Cannabis & Saúde.

 

Redação Cannabis & Saúde

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