Cannabis no Tratamento do Câncer no Pâncreas

Confira o que é câncer de pâncreas, quais são os sintomas, os fatores de risco e como funciona o tratamento com Cannabis. Leia!
cancer no pancreas

Neste material, o Cannabis & Saúde irá explicar o que é o câncer de pâncreas, um dos mais agressivos, os fatores de risco, sintomas, o que provoca a doença e como diagnosticá-la.

Vamos falar sobre os tratamentos disponíveis para a doença, desde cirurgia, quimioterapia e radioterapia, até chegar nos tratamento de câncer com Cannabis.

Você irá conhecer estudos mais recentes sobre a eficácia do canabidiol no combate ao câncer e quais são os remédios de CBD utilizados no tratamento. Por fim, saberá como pacientes podem comprar os remédios com canabidiol. 

Mas não se esqueça: o mais importante é a prevenção. 

O que é câncer de pâncreas?

O pâncreas é uma glândula localizada atrás do estômago e um dos órgãos que integram o sistema digestivo.

É composto por três partes (cabeça, corpo e cauda) e possui duas funções: a endócrina, produção de insulina (hormônio que controla o nível de glicemia no sangue) e exócrina, produção de enzimas envolvidas na digestão e absorção dos alimentos.

O câncer no pâncreas é raro em jovens. Atinge homens e mulheres, em geral, acima dos 50 anos, principalmente idosos.

Pelo fato de ser de difícil diagnóstico e ter comportamento agressivo, tem alta taxa de mortalidade.

No Brasil, é responsável por cerca de 2% de todos os tipos de câncer diagnosticados e por 4% do total de mortes provocadas pela doença. A incidência é mais significativa no sexo masculino.

Fatores de risco do câncer de pâncreas

Existem fatores de risco hereditários ou não. A menor parte (de 10% a 15%) é decorrente da hereditariedade. Nesses, destacam-se as síndromes de predisposição genética com associação ao câncer de pâncreas como: câncer de mama e de ovário hereditários e as Síndromes de Peutz-Jeghers e da pancreatite hereditária.

Já entre os fatores de risco que não são hereditários, aparecem tabagismo, obesidade, sedentarismo, diabetes mellitus e pancreatite crônica não hereditária.

Os fatores de risco não hereditários estão ligados ao estilo de vida e podem ser evitados para evitar a doença.

Outros fatores são exposição a solventes e agrotóxicos. Agricultores trabalhadores de manutenção predial e da indústria de petróleo são grupos de maior exposição a estas substâncias e apresentam maior risco de desenvolver a doença.

Sintomas de cada estágio da doença

De maneira geral, o câncer de pâncreas pode ser classificado em 4 estágios diferentes, do menos para o mais grave.

Tumor ressecável: quando o paciente não tem metástases e o tumor é pequeno, ou seja, não há invasão de nenhum vaso sanguíneo importante ou órgãos próximos.

Borderline ou limítrofe para ressecção: são os tumores que estão muito próximos ou apresentam um contato pequeno com as artérias ou veias próximas ao pâncreas, de forma que é possível a ressecção do tumor, mas há grande chance de as margens mostrarem tumor residual, ou seja, a remoção do tumor não ser completa.

Tumor Localmente Avançado: quando o tumor invade grandes artérias ou veias massivamente, sem possibilidade de ressecção.

Tumor Metastático: há metástases para outros órgãos, como fígado e pulmões, ou seja, a doença já pode ser considerada sistêmica.

O que provoca câncer de pâncreas?

A causa da maioria dos casos de câncer de pâncreas ainda é desconhecida. O que se sabe é que muitos fatores de risco tornam uma pessoa mais propensa a desenvolver.

Alguns desses fatores afetam o DNA das células pancreáticas, provocando o crescimento de células anormais que podem formar o câncer.

Alguns genes têm as instruções de controlar o crescimento e divisão das células. Os genes que promovem a divisão celular são chamados oncogenes.

Os genes que retardam a divisão celular ou levam as células à morte no momento certo são supressores de tumor. Os cânceres podem ser causados por alterações no DNA que se transformam em oncogenes ou desativam os supressores de tumor.

Mutações genéticas hereditárias: algumas alterações genéticas hereditárias aumentam o risco de câncer de pâncreas. Às vezes, essas alterações fazem parte de síndromes que incluem também o aumento dos riscos de outros problemas de saúde.

Mutações genéticas adquiridas: na maioria das vezes, mutações genéticas relacionados ao câncer de pâncreas ocorrem durante a vida da pessoa. Essas mutações resultam da exposição a substâncias químicas cancerígenos, como as da fumaça do tabaco.

Mas, muitas vezes a causa dessas alterações é desconhecida.

Como diagnosticar o câncer de pâncreas?

O diagnóstico leva em conta os sinais e sintomas e o resultado de exames de laboratório (especialmente a dosagem de uma proteína no sangue) e de imagem, tais como ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética e a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPER). Há casos em que é preciso realizar uma biópsia para fechar o diagnóstico.

Quais são os tratamentos disponíveis para câncer de pâncreas?

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O tratamento vai depender do laudo histopatológico (o tipo de tumor), avaliação clínica e exames. O estado do paciente na hora do diagnóstico é fundamental no processo de definição terapêutica. 

Cirurgia

A cirurgia, único método capaz de oferecer chance curativa, é possível em uma minoria dos casos, pelo fato de, na maioria das vezes, o diagnóstico ser feito em fase avançada da doença. 

Quimioterapia e Radioterapia

Nos casos em que a cirurgia não seja apropriada, a radioterapia e a quimioterapia são as formas de tratamento, associadas a todo o suporte necessário para minimizar os transtornos gerados pela doença.

Desta forma, dor, depressão, falta de ar ou qualquer outra manifestação deve ser objeto da atenção da equipe de cuidado.

Alcoolização de nervos infiltrados pelo câncer

É um procedimento destinado a aliviar a dor de pacientes com câncer avançado na região do abdome superior, principalmente câncer de de pâncreas. É injetado álcool absoluto no plexo celíaco, que fica por trás do pâncreas, e o paciente obtém alívio imediato da dor.

Combinação de tratamentos de acordo com os estágios da doença

Muitos estudos estão avaliando  se a combinação de gemcitabina com outros medicamentos pode aumentar a sobrevida dos pacientes. Outros novos medicamentos quimioterápicos também estão sendo testados, assim como novas combinações com tipos mais recentes de medicamentos.

Tratamento do câncer de pâncreas com Canabidiol

Remédios à base de Cannabis são utilizados há muito tempo para aliviar reações adversas do câncer e da quimioterapia, como náusea, perda de peso e dor crônica.

Já existem pesquisas que indicam que o sistema endocanabinoide (SE), o sistema do corpo humano com o qual moléculas da Cannabis interagem, produz efeitos que atacam diversos tipos de câncer, entre eles o de pâncreas.

O que é o Canabidiol?

Também conhecido pelo acrônimo CBD, o canabidiol é um dos mais de cem canabinoides que podem ser obtidos a partir das plantas do gênero Cannabis.

Os pontos que vêm tornando essa substância cada vez mais popular e alvo de estudos são as suas muitas propriedades terapêuticas.

Ao longo dos anos, o canabidiol vem sendo utilizado com sucesso no tratamento de um grande espectro de doenças.

Contudo, ainda são necessários mais estudos conclusivos a respeito da sua eficácia.

Por isso, a comunidade científica em todo o mundo está mobilizada no sentido de pesquisar e comprovar de maneira definitiva os benefícios do CBD como medicamento.

Como funciona o tratamento de câncer com CBD

cancer no pancreas como funciona o tratamento

Alguns compostos da cannabis conseguem impedir o crescimento e até trabalhar na morte de algumas células cancerígenas.

Vários estudos revelaram que os canabinoides e outros compostos encontrados na planta da maconha podem oferecer melhor eficácia aos tratamentos tradicionais contra o câncer.

Embora sejam necessários mais ensaios clínicos para comprovar a segurança e a eficácia da Cannabis na oncologia, pesquisas nesta área tem se mostrado promissoras.

Pesquisas mais recentes sobre a eficácia do Canabidiol na cura do câncer

Estudos sobre a Cannabis no tratamento de cânceres, como o do pâncreas, ainda são poucas e recentes. A maioria das evidências se restringe estudos com animais e cultura das células. Os resultados, contudo podem se dizer promissores.

Uma pesquisa de 2018 feita com ratos sugere que o canabidiol (CBD) pode melhorar o prognóstico após o tratamento.

Cientistas das Universidades Queen Mary de Londres, e de Curtin, na Austrália, concentraram-se no potencial do CBD em vez de outro composto de cannabis, o tetrahidrocanabinol (THC), porque o primeiro não causa efeitos psicoativos.

No estudo, publicado no periódico Oncogene, o professor Marco Falasca e sua equipe trabalharam com um modelo de câncer de pâncreas em camundongos.

Trataram com CBD juntamente com um medicamento típico de quimioterapia, chamado “Gemcitabina”. Os pesquisadores descobriram que, após o tratamento de combinação, os roedores sobreviveram quase três vezes mais do que os ratos de um grupo de controle, que só haviam sido tratados somente com Gemcitabina.

“É um resultado notável”, disse Falasca. “O canabidiol já está aprovado para uso em clínicas, o que significa que podemos rapidamente testá-lo em testes clínicos em humanos”, acrescenta.

Os pesquisadores também observam que o CBD pode melhorar os sintomas associados a tratamentos de quimioterapia, incluindo náusea, dor e vômito.

Importante ressaltar que, além do CBD, o THC também tem demonstrado enorme sucesso no combate ao câncer de pâncreas e não é de hoje. A pesquisa Cannabinoids Induce Apoptosis of Pancreatic Tumor Cells via Endoplasmic Reticulum Stress–Related Genes, de 2006, revelou que a aplicação de THC puro ou em atuação com CBD nas células cancerígenas do pâncreas destruiu essas células.

Também foi descoberto que os canabinoides reduzem o crescimento de tumores de pâncreas e a disseminação de células tumorais em camundongos com câncer.

Naquele mesmo ano, o estudo A pilot clinical study of Delta9-tetrahydrocannabinol in patients with recurrent glioblastoma multiforme investigou o THC em nove pacientes com tumores cerebrais agressivos.

De acordo com o estudo, o THC inibiu a proliferação de células tumorais em dois pacientes. Além disso, o tratamento foi considerado seguro e não produziu efeitos psicoativos significativos.

Quais são os remédios de Canabidiol utilizados no tratamento do câncer?

Há vários tipos de remédios derivados da Cannabis para diversas condições, seja em cápsulas, pomadas, sprays e até a flor in natura para vaporização. Mas no caso do câncer, em todas as pesquisas citadas, foram utilizados óleos de CBD da alta qualidade.

Portanto, é importante que se opte pela melhor qualidade e pureza nestes óleos para se obter os mesmos benefícios. Isso também garante que o óleo não seja exposto a contaminantes que podem ser perigosos ou contraproducentes.

A forma de óleo pode durar quatro horas ou mais no corpo, enquanto que a forma inalada dura apenas uma ou duas horas. Fumar também não é recomendado em ninguém com diagnóstico de câncer.

Como os pacientes podem comprar os remédios com CBD?

O primeiro passo para obter um medicamento à base de CBD é ter a prescrição médica assinada pelo especialista.

O passo seguinte é entrar no site da Anvisa e fazer o cadastro no portal do Governo Federal para encaminhamento da documentação a ser analisada.

Se autorizada a compra, finalmente o paciente faz o pedido do medicamento, que deve ser importado de acordo com os critérios estabelecidos pela Anvisa.

Como tudo começa pela prescrição, é fundamental ter uma conversa honesta com seu médico e utilizar estudos clínicos como argumentos para obter a receita.

Tem como prevenir o câncer no pâncreas?

Não existem critérios consolidados na prevenção do câncer de pâncreas. Por isso, a melhor prática é evitar os fatores de risco.

O tabagismo é o fator de risco evitável mais importante no câncer de pâncreas. Ter uma dieta controlada e praticar atividade física também são importantes.

Em alguns estudos o excesso de bebidas alcoólicas têm sido associado ao câncer de pâncreas. Essa relação ainda é incerta, mas o consumo do álcool também pode levar a condições como a pancreatite crônica, que aumenta o do câncer.

Por fim, evitar a exposição ocupacional a produtos químicos pode reduzir o risco de uma pessoa desenvolver câncer de pâncreas.

Conclusão

As aplicações terapêuticas e medicinais do canabidiol e demais canabinoides são muito variadas e estão se mostrando eficientes no combate tanto aos sintomas do câncer e efeitos colaterais da quimioterapia, como na própria morte das células cancerígenas.

Embora ainda sejam necessários mais estudos conclusivos, a ciência já sabe o bastante para que o CBD seja prescrito até nestes tratamentos. O futuro é promissor para o desenvolvimentos de novos medicamentos derivados da Cannabis para pacientes oncológicos.

Então, se você tem alguma condição de saúde ou um familiar que pode se beneficiar do uso de fármacos à base de canabidiol, fale com seu médico.

Não deixe também de se informar, acessando regularmente o portal Cannabis & Saúde para saber dos avanços da ciência em torno do CBD.

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