De agressivo a ‘buda’: o drama da família Suzin para tratar o Alzheimer do seu Ivo com Cannabis

Arquivo Pessoal | Ivo Suzin ao centro com a esposa, Solange, e o filho, Filipe

“O olhar dele não tinha mais movimento. Não deixava cuidar, tomar banho, nada. Agredia a gente o tempo inteiro. Não dormia”, lembra o filho, Filipe. Hoje, cerca de um ano após o início do tratamento com Cannabis, seu Ivo é um novo homem: acorda bem humorado, come tranquilo, sem agressividade. Vai ao banheiro, dorme após o almoço e a noite toda.

Só podia ser estresse o motivo das primeiras falhas de memória do seu Ivo Suzin. Um jovem e bem humorado senhor, com seus 51 anos de idade, vivia estressado à frente de sua empresa de transportes, na cidade de Goiânia (GO). Sem contar sua alimentação, rica em açúcar e produtos industrializados. Resolvendo isso, a vida do seu Ivo voltaria ao normal, diziam os médicos.

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Mas nada de melhorar. De médico em médico, o diagnóstico mudava, mas ninguém desconfiava que podia ser algo mais sério. Era muito jovem para ter Alzheimer, com incidência maior em pessoas com mais de 65 anos. Só quando sua condição piorou muito, veio o improvável diagnóstico.

Confirmado o Alzheimer, começou a epopeia em busca de alguém que cuidasse da situação de Ivo.

“Já tentamos todo tipo de tratamento convencional possível”, conta seu filho, Filipe Suzin: “e, com todos, a gente só dopava meu pai, e não tinha melhora nenhuma. Buscava alternativas e nada.”

Com o passar dos anos, Ivo foi embora. O corpo ficou, mas a mente parecia não estar mais lá.

“Ele era uma múmia andando. O olhar dele não tinha mais movimento. Não deixava cuidar dele, tomar banho, nem nada. Agredia a gente o tempo inteiro. Não dormia. Fazia as necessidades por todo canto”, conta Filipe: “era um inferno dentro de casa.”

Aos 58 anos, Ivo era uma pessoa totalmente dependente. Não entendia que tinha que ir ao banheiro, comer, tomar banho e até dormir.

“Tinha que ficar do lado da cama dele, todo dia, por cerca de uma hora, forçando a dormir”, lembra Filipe.

E, em todos os casos, se alguém tentava ajudar, não deixava. Nem enfermeiro aguentava o trabalho diante da agressividade de Ivo.

“Eu não tinha paz. Eu era meio que segurança dentro de casa. Tinha que ficar o tempo todo lá. Se ouvia um barulho, já saia correndo com medo de ser meu pai agredindo minha mãe.”

A situação estava insustentável.

Um dia, não aguentando mais a situação, Filipe saiu de casa. Foram dois dias pensando em como falar com sua mãe para internar seu pai. Foi quando conheceu o Dr. João Carlos Normanha, diretor médico da Agape (Associação Goiana de Apoio e Pesquisa à Cannabis Medicinal). Não era a primeira vez que Filipe pensava na Cannabis como uma alternativa para seu pai.

Ele mesmo já usava a planta – foi diagnosticado na infância com uma doença rara chamada Leucemia Mielóide Crônica, um câncer na medula óssea sem perspectiva de cura. Seu tratamento envolve tomar quimioterápicos diariamente. Para lidar com os efeitos colaterais, usa Cannabis desde 2009.

“Sinto enjoo, náusea. É uma roleta russa, pode dar de tudo. Para conseguir trabalhar, eu fumo maconha. Fumo para cortar o efeito dos quimioterápicos. Já tentei outras formas, mas eu preciso do efeito rápido. Então, para levar o dia, só fumando.”

E, se a planta pode ajudar em seu caso, talvez servisse para a condição de seu pai. Começou a pesquisar e descobriu sobre o sistema endocanabinoide e o tanto de doenças que podiam ser atendidas pelo tratamento com os fitocanabinoides, as substâncias presentes na maconha.

Coletou o máximo de informações possíveis. Desde 2014, passou a levar consigo uma pilha com mais de cinco centímetros de artigos científicos que demonstravam que a Cannabis poderia ajudar no Alzheimer sempre que seu pai ia ao médico.

“Sempre tive a negativa. Nem debate aconteceu. Não me davam ouvidos. Deixava os artigos científicos. Tenho certeza que nenhum lia.”

Começou a plantar.

Mas, morando no apartamento com a mãe, por medo, desistiram do cultivo. O assunto ficou perdido em sua cabeça até o final de 2018, quando conheceu João Normanha e a Agape: “foi quando mudou a nossa história”

Começou o tratamento com o óleo da associação e, em quatro dias, seu pai começou a voltar.

“De ele nem se alimentar, de eu ter que enfiar o garfo na boca dele para poder comer, tava comendo sozinho já. Com quatro dias.”

E era só o começo.

“A partir do momento que colocou uma gotinha de maconha dentro dele, parece que começou a funcionar de novo. Parece que religou ele. Não dá para falar ponto A ou B que melhorou, porque foi muita coisa melhorando ao mesmo tempo”, conta o filho.

“Era como se o corpo dele estivesse de novo entrando em sinergia. Por isso que é tão mágico?”, se questionou.

Conseguiram a liberação da Anvisa para importar o medicamento, mas nunca fez. Sabia que somente o extrato integral da planta poderia ajudar seu pai.

“Foi quando eu decidi, sem medo nenhum, plantar. Já tinha convencido minha mãe. Meu pai já tava bem. Não tinha
dúvida nenhuma sobre o que estávamos fazendo.”

Importou sementes e começou seu próprio cultivo. No processo, começou a registrar tudo. O cultivo, as doses, quanto seu pai comia, quanto dormia, quando ia ao banheiro. Tudo, em um diário e em vídeo. O objetivo era duplo: produzir provas dos benefícios obtidos com a Cannabis e fazer um documentário para mostrar ao mundo a história de seu pai.

No terceiro mês de tratamento do pai, foi convidado para uma audiência pública sobre o tema em Goiânia. Com imagens suficientes que demonstravam o antes e depois, resolveu montar um vídeo. Após a audiência, o vídeo foi parar na internet e viralizou.

Com mais de 340 mil visualizações, o vídeo deu início ao Curando Ivo, um projeto mantido por Filipe, que busca divulgar a história da família Suzin nas redes sociais.

Apesar da atenção gerada, o assunto ainda não estava resolvido. Sua plantação era ilegal. Com toda a documentação acumulada ao longo de meses em mão, foi à justiça buscar o direito de produzir em casa o remédio, não só o do pai, mas o seu também.

“Na liminar, o juiz colocou que não cabe nem a ele o julgamento. Os pacientes já comprovaram a eficácia do tratamento, e ele não é médico para comprovar nada.”

Solange e Filipe exibem o Habeas Corpus que garante o cultivo de maconha para fins medicinais (arquivo pessoal)

O resultado foi melhor que o esperado.

“Eu tenho uma autorização que permite plantar dentro de casa, fazer minhas extrações, tudo tranquilo. Posso sair com isso. Viajar para qualquer lugar, transportar minhas plantas. Levar para a faculdade para pesquisa. Estou
com liberdade total agora. O salvo conduto que eu ganhei foi muito amplo.”, comemora Filipe.

Hoje, cerca de um ano após o início do tratamento com Cannabis, Ivo é um novo homem. Acorda bem humorado. Come tranquilo, sem nenhuma agressividade. Vai ao banheiro. Dorme após o almoço e a noite toda.

“Hoje eu brinco que meu pai é um budinha. Posso sair, viajar, sem me preocupar. Mudou da água para o vinho. Não sei nem como explicar. É tanta mudança, que eu nem acredito. Parece de filme.”

Tanto parece que, logo em breve, a história vai virar documentário.

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