“Estamos vivendo uma revolução”, diz Paula Dall’Stella sobre Cannabis

A médica funcional Paula Dall’Stella é uma das referências em Cannabis medicinal no Brasil. Conheça a história dela
Paula-DallStella

Com 22 quilos a menos e um tumor no cérebro, o paciente estava deprimido. O tratamento causava sofrimento a ele e à família. Por isso, quando a então especialista em radiologia e ultrassonografia Paula Dall’Stella viu um documentário sobre o sistema endocanabinoide e suas funções nos tumores, imediatamente lembrou daquele caso. Era o ano de 2013 e ela decidiu pesquisar mais, procurou pesquisadores importantes, foi a congressos internacionais. No ano seguinte, quando a RDC da Anvisa liberou a prescrição de canabinoides, ela finalmente pôde iniciar o tratamento. 

Mesmo depois de tanta pesquisa, os resultados a surpreenderam: melhora na resposta clínica, no comportamento social e afetivo, e 22 quilos recuperados. Os remédios para náuseas e vômitos puderam ser retirados, e a constipação colateral desapareceu. Dall’Stella conta que essa melhora mexeu com seus valores.

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Primeiros estudos

Em 2015, a médica paulista foi a Israel, onde ficou durante 40 dias. Conheceu Raphael Mechoulam, conhecido como o pai da Cannabis medicinal, viu médicos e pacientes usando – na época já eram 24 mil pessoas em tratamento no país. Ela já começava a receber pacientes referenciados de colegas para aprenderem com ela as oportunidades de tratamento com Cannabis. Não havia cursos no Brasil, e o conhecimento que adquiriu veio de pesquisa em campo, encontrando pessoas – médicos, pesquisadores e pacientes.

Mesmo antes de conhecer a Cannabis, Paula Dall’Stella já tinha um questionamento sobre a medicina tradicional e a vontade de usar outras abordagens. Ela terminou a faculdade e define que “foi conhecer as mazelas do mundo para saber como era a medicina do outro lado”. Morou na Ásia e na África e percebeu que muitas doenças eram relacionadas ao estilo de vida das pessoas.

Fez residência, foi trabalhar em hospital, mas sempre com o questionamento: será que era só isso? Dall’Stella conta que a vida era boa, tinha um bom emprego e não precisaria mudar nada. Mesmo assim, sentia que tinha algo mais que ela precisava fazer.

Mudança de prática 

Antes de 2014, quando conheceu e estudou sobre a Cannabis, Paula Dall’Stella já recebia pacientes referenciados de colegas. Ela os aconselhava a não comprarem planta do tráfico e a tomarem cuidado com a procedência do produto.

Depois de 2014, e da liberação de prescrição, percebeu que o cenário mudou. Migrou para a Cannabis e medicina funcional, e, em 2016, passou a atender exclusivamente em consultório. Com essa mudança, viu que os pacientes tinham hábitos e exames semelhantes e começou a correlacionar com as doenças. “A medicina tradicional trata doença com medicamentos, mas não resolve o problema”, diz. 

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Dra. Paula Dall’Stella foi aos EUA estudar medicina funcional no Institute of Functional Medicine (IFM) e hoje é totalmente voltada para a melhoria de qualidade de vida de seus pacientes. Com a Cannabis como seu principal aliado, trabalha para que seus pacientes entendam que a mudança de hábitos gera mudança na trajetória da doença. “Tem que comer melhor, repor vitamina, mineral, hormônio e mudar”, diz.

Também é adepta da prevenção, estimulando pacientes a mudar antes mesmo que fiquem doentes. “As pessoas querem continuar vivendo do mesmo jeito e tomar remédio”, lamenta, reforçando que a medicina funcional responde essa questão: “É fácil dar remédio, quero ver tirar”.

A médica usa o caráter polifarmácia da Cannabis para reduzir antidepressivos, ansiolíticos, anticonvulsivantes, analgésicos, soníferos, anti-inflamatórios, satisfeita por causar impacto muito menor no organismo dos pacientes. Outro ponto positivo nos tratamentos com Cannabis é a maior autonomia do paciente, que tem ganhos no longo prazo. 

Impacto de longo prazo

Dall’Stella é uma entusiasta da profissão que escolheu, mas confessa que, depois de entender a Cannabis, ama muito mais a medicina. “Agora eu ajudo no nível de impactar a vida de alguém. Daqui a dez anos, os que passaram comigo e fizeram a transformação vão perceber que mudaram o destino deles”, diz.

Com alegria, conta da mudança de relacionamento que tem com os pacientes, comparando a época do atendimento no hospital. É uma relação em que precisa entender intimamente a vida do paciente, trazendo benefícios para ambos os lados.

Apesar de ser um processo menos mecânico e mais humano, Dall’Stella lembra que a responsabilidade da mudança é do paciente. E isso traz, segundo ela, o empoderamento de melhorar a vida quando começa a fazer exercício ou muda a alimentação. Com isso, conta que o paciente fica mais motivado, o que se reflete nos exames, ficam menos ansiosos. Ela entende que as pessoas têm uma relação emocional e familiar com a comida. Por isso, mostra o motivo da necessidade em uma conversa franca e honesta onde expõe o que acontece no organismo. Com esse conhecimento, aposta que seus pacientes podem fazer uma decisão muito melhor. “Quanto mais conhecer a si mesmo, melhores as decisões”, arremata.

Consulta detalhada e prescrição imediata

Dall’Stella é minuciosa no questionário durante a consulta. O paciente responde a questões como estilo de vida, metabolismo, intestino e funções de sistemas. “Não é todo mundo que faz tudo errado, preciso entender o perfil do paciente”, diz a médica. Por isso, procura conhecer os hábitos – hora que acorda e vai dormir, como é rotina.

Depois, passa a uma avaliação do paciente com a Cannabis – se já usou, o que fez, como foi a experiência, se na família tem caso de esquizofrenia, por exemplo – e decide posologia, se usa ou não e qual a forma de administração. Seu paciente já sai com a prescrição na primeira consulta, para que já adiante o processo na Anvisa e a compra. Enquanto isso, ele faz exames de sangue, fezes, urina e outros. Ela também já dá as primeiras orientações de mudanças, indicação para nutricionista e outros profissionais – meditação, yoga, atividade física, fisioterapia. 

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Em 30 dias, o paciente volta já fazendo a dieta, tomando a posologia indicada, e com os exames em mãos. Aí ela faz a primeira avaliação. Como trata diversas doenças, Dall’Stella tem pacientes com retornos em prazos variados dependendo da necessidade. Há pacientes com retorno em três meses, e outros com retorno semanal, como crianças, pacientes oncológicos ou com doenças degenerativas.

Ela prescreve para 90% de seus pacientes, e se alegra por ter alta taxa de sucesso, principalmente nos casos refratários. Nos poucos casos que não têm boa resposta, há sempre o ajuste: troca de produto e avaliação criteriosa da dose e do metabolismo do paciente. 

Dúvidas e informação

Por focar em medicina funcional, Dall’Stella atende todo tipo de paciente, mas a maioria é de pessoas com mais de 60 anos. São doenças raras, crônicas, complexas e metabólicas. Ela se diverte: “As pessoas acham que Cannabis é droga de jovem, mas para essa população tem efeito terapêutico importante. Acham que idosos são preconceituosos, mas eles só querem melhorar”.

Seus pacientes já vêm procurando tratamentos com Cannabis, mas ela vê com naturalidade as dúvidas mais comuns: se vai virar maconheiro ou viciado, como funciona, se vai dar barato. “Estamos vivendo uma revolução, e quem impulsiona essa roda é a sociedade”, diz. 

Muito ativa na comunidade de Cannabis que se formou nos últimos anos, Dall’Stella estuda e informa, ministrando e estudando num processo contínuo. Mantém contato com pesquisadores e médicos no Brasil e no exterior, acompanha pesquisas e está sempre antenada no que sai no crescente mercado de Cannabis: “Todo dia tem novidade”. As pesquisas que eram proibidas, hoje acontecem em quantidade expressiva. Ela afirma que ainda há poucos cursos formais em universidades. Por isso dá aulas no Síro Libanês, em pós-graduações e participa de todos os congressos que consegue.

Em sua participação na segunda edição do Medical Cannabis Summit, falou sobre estilo de vida e o sistema endocanabinoide. Dall’Stella reforça a importância do evento dizendo que a atualização dos profissionais envolvidos nas terapias canábicas deve ser constante. “Porque é uma terapia nova, em que não fomos iniciados, toda hora tem informação nova. Não é porque um profissional não conhece que deve deixar de se informar”, diz.

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