“Me encantei pela Cannabis ao ver melhora em pacientes desesperançados”, conta neurologista

Denise Lufti Pedra se sentia frustrada. Na neurologia, realizava exames complexos e chegava aos mais difíceis diagnósticos. Só não conseguia sempre tratar seus pacientes, principalmente aqueles com doenças degenerativas.

“Isso frustra. Você faz um big diagnóstico e depois não tem como tratar. Por isso sempre busquei outras alternativas”, conta Pedra.

Após a formação em medicina nos anos 1980 e a especialização em neurologia, ambas pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Pedra dedicou três anos à acupuntura. O curso no IARJ (Instituto de Acupuntura do Rio de Janeiro) incluiu ainda uma imersão de 40 dias na China para aprimorar o conhecimento.

Só depois de muito tempo, entre 2015 e 2016, conheceria os poderes medicinais de uma planta que a deixaria fascinada: a Cannabis.

Autodidata

“Na época da minha graduação, só se falava em Cannabis para uso recreativo. Mas de uns cinco anos para cá, o tema começou a ventilar nos congressos”, lembra. Ainda eram palestras bem pouco populares, no entanto. “Era uma coisa muito en passant, com palestras vazias. Parecia que haviam colocado ali só para tapar buraco.”

Pedra era uma das poucas médicas a assistir a essas palestras. Partiu, então, para o mergulho nas pesquisas. Leu estudos e livros dos maiores pesquisadores, como Raphael Mechoulam e Ethan Russo, pesquisou tudo o que podia na internet e buscou palestras de colegas.

E começou a prescrever “de forma devagar e consciente”. “A princípio, indicava a Cannabis aos meus pacientes que não tinham resultados com outros tratamentos. A partir daí comecei a me engajar mais”, lembra.

Prescritora de Cannabis

O engajamento a levou à Sociedade Brasileira de Estudo da Cannabis Sativa. “Conhecia colegas com muita experiência, mais de dez anos estudando Cannabis. E comecei a trocar informações”, diz.

Especialista em tratamento de Alzheimer, Pedra começou a ver resultados que a impressionavam. “Às vezes a família não sabia mais o que fazer, o paciente gritava, batia, jogava coisas para longe. É um transtorno absurdo para a família”, conta. “E é impressionante você fazer o paciente voltar à funcionalidade, melhorar o comportamento, e sem estar sedada.”

Mas não é só a melhora no humor que a deixa fascinada pelos resultados da Cannabis. Pedra se lembra com carinho dos pacientes que voltaram a fazer coisas perdidas ao longo da evolução da doença. “Sempre recebo mensagens de pacientes agradecidos: ‘minha mãe não falava mais e voltou a falar’, ‘meu pai não comia com a própria mão, voltou a comer. Essa é a maior recompensa de um médico, ainda mais com pacientes desesperançados”,  se emociona.

Até hoje, Pedra contabiliza mais de 500 pessoas tratadas com Cannabis. E metade dos novos pacientes a procuram atrás do tratamento com a planta.

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Preconceito

Dra. Pedra conta nunca ter enfrentado preconceito entre seus colegas de profissão. Recebe, inclusive, pacientes de outros profissionais para iniciar o tratamento. “Sempre tive muita aceitação das pessoas próximas, alguns colegas até me procuram querendo saber, porque sabem que sou prescritora”, relata. “Os pacientes também aceitam bem. Sempre tem um que não quer, mas nunca ouvi um ‘deus me livre’.”

Por outro lado, Pedra conta já ter escutado relatos de pacientes que precisaram abandonar seus médicos por conta do interesse por Cannabis. “Eu sou muito ética, então quando me pedem para assumir a parte alopática eu falo para seguir acompanhada pelo médico. Mas alguns dizem que o médico avisa para nem voltar ao consultório se começar a usar os óleos.”

Trabalhos paralelos

No ano passado, Pedra e seus colegas da Sociedade Brasileira de Estudo da Cannabis criaram comissões temáticas. Hoje, ela é responsável pela área específica de neurologia.

Entre as tarefas, os membros do SBEC debatem artigos publicados, e ministram cursos de prescrição de Cannabis. E, em breve, devem lançar um livro com um tratado sobre medicina canábica.

“Não adianta achar que é receita de bolo. Não dá para querer prescrever Cannabis sem estudar. Então nós somos um transmissor de informação para a comunidade médica”, relata.

Além disso, a neurologista também trabalha no projeto Mães Jardineiras, idealizado pela Dra. Eliane Nunes, diretora geral da SBEC. “A gente acolhe uma família e faz a prescrição. Um pessoal do direito entra com o pedido do habeas corpus para o plantio, o pessoal da agronomia ensina a plantar e os da farmácia ensinam a fazer o óleo”, conta. “É realmente para as famílias mais carentes.”

Live ‘Pergunte ao Especialista”

A Dra. Denise Pedra também participa de várias lives voltadas para pacientes. Na noite desta quarta-feira, às 19h, ela será nossa convidada para falar de Alzheimer e os benefícios da Cannabis neste tratamento. Não perca, faça sua inscrição aqui.

Carol Castro

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