Cannabis & Saúde

Cannabis oferece tratamento mais humanizado e menos invasivo a pacientes com Alzheimer

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“A terapia feita com canabinoides combinados, em doses equilibradas de THC e CBD, pode ser segura, confiável, de baixo custo e com efeitos colaterais limitados”, diz estudo

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A doença de Alzheimer é a causa mais prevalente de demência mundial, seus dados epidemiológicos estimam que 40 milhões de pessoas em todo o mundo, a maioria com mais de 60 anos, tenham demência, e esse número deve dobrar a cada 20 anos, até 2050 . Por esse fato, o grupo dos oito países mais influentes do mundo (G8) afirmou que essa demência deve ser uma prioridade global e anseia por uma cura ou uma terapia modificadora dos genes da doença disponíveis até 2025.

De acordo com o relatório de 2016 da Alzheimer Association, a doença se caracteriza por um declínio na memória, linguagem, resolução de problemas e habilidades cognitivas que afetam negativamente a capacidade de realização de atividades cotidianas e interferem arduamente na independência e qualidade de vida do indivíduo. Ademais, é notável salientar que essas mudanças cerebrais associadas ao Alzheimer podem começar aos 20 anos de idade, e quanto mais precoce o diagnóstico, mais recursos podem ser utilizados para amenização das manifestações da doença.

Tratamento de Alzheimer com THC

Umas das possibilidades de tratamento sintomático da doença de Alzheimer, é o tetrahidrocanabinol (THC), composto psicoativo da Cannabis Sativa, devido ao seu alto potencial terapêutico neurológico. Pensando nisso, um grupo de pesquisadores brasileiros decidiu revisar a literatura médica para o que sabe sobre o tema.

Potencial terapêutico da Cannabis

A Cannabis se mostra um bom agente antiemético no tratamento quimioterápico do câncer, analgésico para dor oncológica, redutor da pressão intraocular no glaucoma e agente antiespasmódico em doenças neuromusculares, como esclerose múltipla.

O THC gera alguns mecanismos moleculares no humor, percepção, cognição e locomoção em humanos. Um grande avanço foi a descoberta de que o receptor endocanabinoide tipo 1 (CB1), localizado principalmente na fase pré-sináptica em neurônios excitatórios e inibitórios, colabora para a movimentação desses mecanismos moleculares e ameniza os efeitos do Alzheimer.

A investigação científica sobre o potencial terapêutico da maconha segue em estudo, sendo o CBD e o THC os mais avaliados de forma isolada e combinada. Uma indagação atual é a proporção mais eficaz destes dois constituintes para atenuar sintomas neurodegenerativos.

Como funciona o Alzheimer?

A fisiopatologia do mal de Alzheimer pode ser explicada pela “hipótese da cascata amilóide” gerada pelas mudanças na produção de proteínas. Elas formam pequenas placas que interferem na comunicação entre as células nervosas, provocando déficits de neurotransmissores e neurodegeneração.

De acordo com a Associação de Alzheimer de Chicago – EUA, as manifestações clínicas da doença podem vir com um agravamento gradual da capacidade de memorização e confusão mental, com perda da noção de tempo e espaço. Ademais, pode haver a evolução com o declínio cognitivo, julgamento reduzido, aumento da ansiedade, agitação e distúrbios do sono, dificuldades na conclusão de tarefas básicas do dia a dia, mudanças de personalidade e humor, que podem acarretar em depressão.

Tratamentos

Não há tratamentos curativos disponíveis para a doença. No entanto, existem maneiras de proporcionar alívio dos sintomas e melhor qualidade de vida aos enfermos da Doença de Alzheimer. Dentre estas maneiras, existe o trabalho humanizado com as famílias do paciente, tendo em vista que um suporte adequado à família e demais cuidadores é essencial para a manutenção do bem-estar do indivíduo.

 No sentido do tratamento sintomático, estudos vêm demonstrando que os canabinoides podem combater características da doença, como o estresse oxidativo e a neuroinflamação, envolvida na formação de placas amiloides e emaranhados neurofibrilares, responsáveis pelas manifestações do Alzheimer.

Uso medicinal da Cannabis

Existem três subespécies principais da planta cannabis, incluindo a Cannabis Ruberalis, Indica e Sativa, distinguidas por suas diversas propriedades físicas, as quais são utilizadas há milhares de anos e utilizadas com diferentes finalidades. A subespécie Ruderalis é a Cannabis menos utilizada para fins medicinais, por possuir pouco THC e altas taxas de CBD, mas não o suficiente para produzir efeito medicinal.

A Indica possui níveis mais altos de CBD e menores de THC, o que gera efeito relaxante, utilizada no manejo da insônia, dores de cabeça e musculares. A Sativa geralmente apresenta doses mais baixas de CBD e mais altas de THC. Com maior concentração de THC, tem efeito estimulante e terapêutico reconhecido no tratamento em uma série de doenças, como por exemplo: ansiedade, dor crônica e epilepsia.

No total, a Cannabis Sativa é composta por uma combinação elaborada de 546 elementos distintos, sendo 113 deles correspondentes aos fitocanabinoides. É a opção medicinal preferida pelos pesquisadores devido ao seu maior teor de THC e sua maior interação com o sistema nervoso central.

Os principais canabinoides, que apresentam estruturas terpenos fenólicas demasiadamente lipofílicas, compostos por 21 átomos de carbono, presentes nas subespécies da cannabis, são: canabigerol (CBG), canabinol (CBN), canabicromêno (CBC), canabinodiol (CBND) e, de maior destaque nas pesquisas clínicas, por maiores potenciais terapêuticos, o Δ-tetrahidrocanabidiol (THC) e canabidiol (CBD).

O THC é o principal componente psicoativo da planta e é considerado o responsável pela potência e pelas principais variações da Cannabis ao longo dos anos. Já o CBD, é o segundo fito canabinoide mais relevante, no entanto, não apresenta efeitos psicomiméticos .

Sistema endocanabinoide

O sistema endocanabinoide (SEC) do sistema nervoso central desempenha várias funções reguladoras, incluindo cognição, controle da analgesia e do apetite. Acredita-se que os canabinoides endógenos interfiram na plasticidade neuronal por meio da regulação da potenciação, inibição e desinibição da saída sináptica, dessa forma, modulando as funções sinápticas.

O mecanismo de ação é fundamentado na ativação do SEC, por meio dos receptores canabinoides, que por conseguinte, liberam neurotransmissores, principalmente o glutamato. Ele consiste em receptores canabinoides Tipo 1 (CB1) e Tipo 2 (CB2), através de endocanabinóides anandamida (AEA) e 2-araquidonoil glicerol (2-AG). Destaca-se a enzima metabólica FAAH (“Fatty Acid Amide Hydrolase”), o monoacilglicerol lipase (MAGL), o transportador de membrana e os outros tipos de enzimas. Nesta, o sinal enviado pelo sistema endocanabinoide é retrógrado, ou seja, após a síntese sob demanda, os endocanabinoides alcançam as fendas sinápticas se difundindo livremente e então, se ligam aos receptores CB1 pré-sináptico.

Além disso, a ligação entre o agonista e o seu receptor irá resultar em uma cascata de sinalização intracelular, ocasionando tanto na ativação dos canais de potássio e proteínas quinase ativadas por mitógenos (MAP quinases), como na inibição da adenilato ciclase e dos canais de cálcio dependentes de voltagem.

Tratamento com THC e CBD no Alzheimer

O tratamento com canabinoides pode ser feito somente com o CBD ou somente com o THC, como também pode ser feito com as duas substâncias juntas. No entanto, a eficácia do tratamento da doença Alzheimer, utilizando-se o CBD e THC juntos, foi comprovada por estudos in vivo que mostraram que a junção desses dois compostos do canabinoide agem em sinergismo e são mais eficazes do que quando utilizados sozinhos.

Os canabinoides melhoram as disfunções comportamentais, cognitivas, agem visando vários processos de sinalização, como dor e o processamento anormal de proteínas, que causam neuroinflamação, excitotoxicidade, estresse oxidativo e disfunção mitocondrial. Todos desempenham um papel fundamental no tratamento da Doença de Alzheimer.

A administração dos canabinoides deve ser altamente regulamentada para evitar efeitos adversos de uma potencial sobredosagem, bem monitorados por um profissional de saúde.

Estudos promissores

Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), o número de pessoas que apresentam alguma espécie de demência neurodegenerativa no Brasil aumenta a cada dia.

Com isso, a pesquisa por terapias que possam melhorar a qualidade de vida desta população, amenizando os sintomas, cresce igualmente. O canabidiol (CBD), uma das diversas substâncias presentes na Cannabis, pode ser uma alternativa para reduzir o sofrimento de quem vive com a doença. Numerosos estudos vêm sendo feitos, porém os especialistas ainda possuem ideias contrárias quando se trata do assunto.

Enquanto algumas pesquisas afirmam que a Cannabis pode ser usufruída como um complemento do recurso terapêutico tradicional, gerando benefícios comportamentais aos pacientes com Alzheimer e avançando positivamente com a redução da agressividade e insônia. Em contrapartida, existem outras pesquisas que não aconselham o uso da substância, afirmando que ainda são necessários mais estudos para comprovar sua eficácia.

As evidências demonstram que o CBD pode impedir a produção de proteínas deficientes relacionadas ao Alzheimer, há, também, associação entre os canabinoides e a proteção das células do sistema nervoso, mas sem um consenso estabelecido a respeito da substância.

Conclusão

O envelhecimento da população brasileira é uma realidade que contribui para o aumento da incidência de doenças crônico-degenerativas, como a doença de Alzheimer (DA). O artigo, publicado no periódico Brazilian Journal of Health Review, destaca o potencial da aplicabilidade terapêutica dos derivados da Cannabis com Alzheimer.

Os canabinoides podem combater características da doença, como o estresse oxidativo e a neuroinflamação, envolvida na formação de placas amiloides e emaranhados neurofibrilares, responsáveis pelas manifestações do Alzheimer.

Portanto, a terapia feita com canabinoides combinados, em doses equilibradas de THC e CBD, pode ser segura, confiável, de baixo custo e com efeitos colaterais limitados, proporcionando um tratamento mais humanizado e menos invasivo ao paciente que sofre com a doença.

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