Cannabis acaba com cólicas menstruais e crises de epilepsia em adolescente

A menina Hagatha sofreu por mais de um ano, enquanto tomava doses cada vez maiores de anticonvulsivo, com fortes efeitos colaterais. Hoje, a família planeja reencontrar o médico que insistia no remédio que não fazia efeito
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Desde criança, Tainah Souza percebeu que a filha Haghata tinha um sono agitado. Na adolescência, piorou. A menina fazia movimentos repetitivos com pernas e braços, fazia xixi na cama, mordia a boca, enrolava a língua, tudo sem acordar. Acordando, se sentia cansada e tinha fortes dores de cabeça. Mãe e filha foram ao neurologista, onde ouviram o diagnóstico de uma forma rara de epilepsia, a noturna, que só acontece quando o paciente dorme. A solução final viria com a Cannabis, mas para chegar lá teriam que enfrentar o ceticismo da comunidade médica. 

Os sinais da epilepsia

Com esse primeiro médico, concluíram que Haghata tinha crises desde pequena, sem que os pais se dessem conta da doença. Para tentar controlar as crises noturnas, receberam a orientação de dar a ela o anticonvulsivo Depakene. Porém, o tempo passava e a menina não sentia melhora, só os efeitos colaterais: dores de estômago, fadiga, dificuldade para acordar. Apesar disso, nos retornos, o médico aumentava a dose do mesmo medicamento.

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Tainah lembra que colocou câmera no quarto para acompanhar o sono da filha, que tinha até três crises por noite. Não era raro que Haghata dormisse com os pais.

Até que, em 2019, ela teve uma crise forte, sangrou pelo nariz sem sequer ter batido a cabeça, veias nos olhos se romperam. O médico não só manteve o Depakene, como quis acrescentar outro remédio.

Tainah pediu algo mais leve, alguma alternativa no tratamento da epilepsia, como a Cannabis, que já tinha ouvido falar. mas o médico se recusou. Disse que essas coisas eram mentiras, balela e que o Depakene era o melhor remédio para o quadro de Haghata.

Preocupados, os pais decidiram trocar de médico. Tainah é tecnóloga em radiologia e já sabia que seria difícil encontrar um médico catarinense que não fosse fechado para tratamentos alternativos. 

Enfim, a Cannabis

Foi uma amiga quem indicou a Santa Cannabis, quando Tainah começava a entender melhor a planta. Recebeu a visita da assistente social da associação, que explicou como fazer o tratamento, como a planta agia no organismo, e como a associação podia orientar.

Tainah achou que poderia ser interessante, mas decidiu pesquisar mais. Ainda estava insegura, assim como seu marido. Eles tinham medo, porque o neurologista demitido tinha avisado que a epilepsia noturna tinha alto índice de morte.

Eles ainda levaram dois meses até decidir por tentar testar. Ela concluiu: “Era mais receio por falta de conhecimento mesmo. Hoje vejo que há várias pesquisas que comprovam a eficácia da Cannabis”.

Na AMA+ME (Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal), Tainah encontrou um dos dois únicos médicos prescritores de Santa Catarina. Ela só foi à consulta para obter a receita, e conta que não precisou voltar mais. Julia indicou um médico parceiro da Santa Cannabis para fazer o acompanhamento de Haghata, e é a ele que elas retornam até hoje. “O médico da Santa Cannabis orienta a proporção do óleo e eu mesma vou ajustando”.

Os resultados da Cannabis na epilepsia

Tainah e a mãe Haghata encontraram alívio e qualidade de vida na Cannabis. A adolescente sofria desde a infância com crises noturnas de epilepsia

O óleo de Haghata tem 2,5% de CBD, e elas ajustaram para quatro gotas de manhã e outras quatro à noite. 

Depois de 15 dias de tratamento, Haghata já tinha desmamado completamente do anticonvulsivo, e chegou a ficar 6 meses sem crise alguma. No final de maio deste ano ela teve apenas uma, mas muito mais suave. “Ela mordeu a ponta da língua e só percebemos que tinha tido uma crise porque apareceu a petéquia, que é uma manchinha vermelha no rosto que aparecia sempre que ela tinha crises” – petéquias são consequências de pequenos sangramentos subcutâneos.

Aliviada, Tainah sorri enquanto fala, só de lembrar do sentimento da vitória contra a doença. Além da recuperação das crises, também foram embora os efeitos colaterais do remédio. Adeus letargia, cansaço, falta de memória, dores de estômago. Haghata, jovem de 18 anos que não queria mais sair da cama nem encontrar os amigos, transformou-se. Ajuda em casa, vai melhor na escola, interage bem. 

O CBD é um remédio muito seguro, e dificilmente tem efeitos colaterais importantes. Haghata teve, mas todas positivas. A Cannabis melhorou seu humor, e as cólicas menstruais que tinha nunca mais apareceram.

Indicações

Por conta dos excelentes resultados, Tainah adora indicar a Cannabis para amigos. Ela conta que um parente tem esclerose múltipla que ainda não foi convencido, mesmo testemunhando a melhora de Haghata. Para um colega radiologista que tinha participado de uma palestra sobre canabidiol no exterior, Tainah contou do sucesso do tratamento. Animado com a palestra e o caso de Haghata, o colega comentou com outros médicos, mas só recebeu preconceito. Tainah acompanha muita gente em Florianópolis com filhos epilépticos que não aceitam o tratamento. “É triste, porque eles poderiam estar melhor. O pior de tudo é a falta de informação”. 

Ela conta que tem gente que tem reação bem negativa, que não aceita, que não concorda com o uso da Cannabis, e que ela mesma mudou muito depois de aprender e vivenciar o tratamento. Ela não se envergonha de dizer que a filha usa, e nem de admitir que tinha receio e mudou: “Somos levados a acreditar em coisas erradas. Se for para ter um bom uso, não tem problema, é uma planta, está na natureza”.

Tainah se impressiona com o conservadorismo dos médicos em Santa Catarina. E lembra que ainda tem um retorno com o neurologista que se negou a prescrever alternativas. “Vou voltar lá só para contar que a Haghata não está mais tomando o Depakene e finalmente melhorou”.

Só tem um problema: os custos dos remédios, que, no Brasil, ultrapassam a casa dos dois mil reais. Para tentar driblar as dificuldades financeiras e manter o tratamento da filha, Tainah abriu uma campanha de vaquinha virtual. A meta é chegar aos 5 mil reais.

Tainah no Medical Cannabis Summit

Na próxima semana, no Medical Cannabis Summit será lançada a campanha “Ajude quem precisa“, uma iniciativa do Portal Cannabis & Saúde, patrocinador do evento. Todos poderão contribuir com o tratamento de Haghata doando recursos para a conta dela diretamente no site vakinha.com.br

“Temos que estar abertos a tudo, a adquirir novos conhecimentos. Quando estamos abertos a conhecer coisas boas, muita gente pode ser curada, tratada, ter mais qualidade de vida, é só se permitir conhecer”.

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