Cannabis & Saúde

Os benefícios da Cannabis medicinal no tratamento de transtorno bipolar

Estudo da Universidade de Cambridge indica que o CBD pode promover a estabilização do humor, um bom indício do potencial desse tratamento
bipolaridade

O Transtorno Bipolar é um sério distúrbio psicológico que afeta diretamente o humor de uma pessoa. Por conta disso, é capaz de trazer graves consequências para a qualidade de vida do indivíduo, quando não é devidamente tratado. Além dos tratamentos convencionais, alguns indícios mostram como a Cannabis Medicinal pode ser eficiente para a redução dos sintomas. Sabia disso?

O uso da Cannabis para fins medicinais tem se intensificado, conforme novas pesquisas apresentam resultados promissores do psicoativo no tratamento de diversas doenças. Os transtornos de humor são exemplos de distúrbios que estão sendo cada vez mais estudados, a fim de observar melhorias nos casos com terapias baseadas na prescrição e na administração adequada da substância.

Neste post, queremos trazer algumas informações relevantes sobre a relação entre a Cannabis Medicinal e o Transtorno Bipolar. Acompanhe e saiba mais sobre o assunto!

O que é o Transtorno Bipolar?

Para começar, vamos explicar melhor o que é o Transtorno Bipolar e quais são os principais traços dessa doença. Sendo assim, desde já, é importante ter em mente que essa é uma complicação séria, que afeta a saúde mental e emocional de um indivíduo.

É muito comum que algumas pessoas chamem de bipolaridade apenas uma leve variação de humor no dia a dia. No entanto, o diagnóstico do Transtorno Afetivo Bipolar é muito mais complexo e envolve uma série de análises.

Afinal, mudanças de humor ao longo da rotina podem ser naturais e nem sempre estão relacionadas com uma patologia, podendo ser resultado de flutuações hormonais ou de respostas ao contexto. Já o transtorno se trata de variações de humor intensas e que podem colocar em risco a integridade do paciente.

A seguir, confira mais particularidades desse distúrbio, como os seus principais tipos, os fatores de risco, o diagnóstico e os tratamentos convencionais utilizados na maioria dos casos.

Características do Transtorno Bipolar

Como visto, quem recebe o diagnóstico de Transtorno Bipolar, quando não está em tratamento, apresenta constantes alternâncias de humor, que costumam ocorrer no intervalo de semanas.

Geralmente, essas alterações fazem com que crises de depressão ocorram intercaladas de episódios de mania ou hipomania. No primeiro ciclo, as emoções são menos intensas e a disposição do indivíduo cai consideravelmente, com maior estado de tristeza e dificuldade para a realização de tarefas cotidianas.

Já a mania ou a hipomania são marcadas pela euforia. Nesse período, a pessoa se sente com muito mais energia, aumento do foco, disposição exacerbada para a realização de tarefas e pouco sono.

Sendo assim, o distúrbio provoca reações comportamentais, na maioria das vezes, desproporcionais aos estímulos. Isso faz com que os pacientes enfrentem diversas consequências e complicações pessoais, comprometendo também os relacionamentos sociais e a vida profissional.

Tipos de Transtorno Bipolar

Para entender melhor o Transtorno Bipolar, é preciso saber também que ele costuma ser classificado de 3 maneiras:

  • Transtorno Bipolar I — que é diagnosticado quando existe uma crise maníaca intensa, que dura cerca de 7 dias, intercalada por um episódio depressivo mais longo, de pelo menos 2 semanas;
  • Transtorno Bipolar II — nesse caso, também há a alternância entre semanas de depressão e de mania, no entanto, ocorre a hipomania, com sintomas mais leves que o tipo anterior;
  • Ciclotimia — esse é nome dado aos casos em que há uma variação drástica de humor, com mania e depressão, porém, os pacientes não atendem a todos os critérios de diagnóstico de bipolaridade.

O Transtorno Bipolar de tipo I, na maioria das vezes, requer a hospitalização dos pacientes nos períodos de mania, devido à intensidade dos sintomas de euforia. Sendo assim, costuma ser um dos mais graves.

Vale destacar também que o transtorno de Ciclotimia é caracterizado pela duração dos sintomas por mais de 2 anos, quando há também a avaliação dos pacientes e é observado que não se trata de outros tipos de distúrbios mentais.

Geralmente, nos primeiros meses, vários tipos de Transtorno Bipolar costumam ser muito confundidos com a depressão. É por esse motivo que o acompanhamento médico, por um especialista em Psiquiatria, é fundamental.

Diagnóstico

Como você pôde perceber, o diagnóstico de Transtorno Bipolar não é simples. Para isso, são analisados os sintomas apresentados, realizados exames para verificar os níveis hormonais e descartadas várias outras doenças que podem apresentar traços parecidos.

Um dos critérios clínicos de diagnóstico se baseia no DSM-5 — a quinta edição do

Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, que apresenta uma padronização internacional para a análise de distúrbios que afetam o estado mental, emocional e psicológico de uma pessoa.

Além disso, são testados os níveis dos hormônios TSH e tiroxina, com o intuito de avaliar a condição da tireoide e eliminar a hipótese de hipertireoidismo, caso os resultados estejam de acordo com o padrão esperado para o gênero e a idade do paciente. Isso descarta as chances de as alterações de humor estarem sendo causadas por problemas endócrinos.

Exames de sangue e de urina também são solicitados pelos profissionais durante o diagnóstico. Nesse caso, o objetivo é checar se os sintomas não estão sendo provocados pelo uso de substâncias químicas, como drogas de abuso ou medicamentos controlados, que também podem interferir no humor do paciente.

ARTE: Secretaria da Saúde do Ceará

Fatores de risco

Existem diversos fatores que podem contribuir para o desenvolvimento do Transtorno Bipolar. No entanto, a herança genética é uma das que mais contribui para o surgimento da doença. Isso quer dizer que pessoas cujos pais apresentam o distúrbio têm mais predisposição a apresentá-lo também.

Outro ponto de destaque é que o Transtorno Bipolar costuma se manifestar com mais frequência nas pessoas que pertencem à faixa etária de 15 e 25 anos, independentemente do gênero.

Além disso, fatores ambientais, como excesso de estresse e uso de drogas de abuso contribuem para o desenvolvimento da condição. Da mesma forma, outros distúrbios psiquiátricos, como transtornos de ansiedade, Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e transtornos de personalidade podem estar relacionados com os diferentes tipos de bipolaridade.

Tratamentos comuns

Até o momento, é possível notar que o Transtorno Bipolar é capaz de afetar severamente a rotina de uma pessoa, não é mesmo? Desse modo, o tratamento é indispensável para melhorar o bem-estar e a qualidade de vida dos pacientes.

Os recursos convencionais utilizados no tratamento do distúrbio são a combinação de medicamentos e acompanhamento psicológico. Alguns tipos de fármacos, como estabilizadores de humor, anticonvulsivantes e antipsicóticos, são os mais comuns de serem prescritos para os pacientes diagnosticados.

Além disso, o suporte familiar e do ciclo social é indispensável para resultados expressivos no tratamento do Transtorno Bipolar. O mesmo vale para o acompanhamento psicológico, por meio da psicoterapia, para identificar os possíveis gatilhos que contribuem para o surgimento das crises e a intensificação dos sintomas.

Transtorno bipolar | dos Sintomas ao Diagnóstico e Tratamento | MedicinaNET

Quais são os principais sintomas do Transtorno Bipolar?

Falando nos sintomas, vale a pena dedicar um tópico especialmente para eles. A análise das principais manifestações do Transtorno Bipolar é crucial para que a doença seja identificada e o tratamento adequado seja iniciado o quanto antes.

Familiares, amigos e pessoas que convivem com pacientes bipolares contribuem muito para a detecção desses sintomas, tendo em vista que acompanham de perto a variação do humor e as mudanças de comportamento. É por esse motivo que é importante que mais pessoas compreendam como essa doença se apresenta no dia a dia.

A seguir, saiba como ocorre essa variação de humor e quais são as características mais marcantes de cada um dos períodos vivenciados no Transtorno Bipolar.

Período depressivo

Lembra que falamos que, muitas vezes, o Transtorno Bipolar pode ser confundido com o Transtorno Depressivo Maior (TPM)? Isso ocorre com mais frequência no tipo II e na Ciclotimia, pois os episódios de euforia, que se contrapõem aos depressivos, são mais leves, como se fossem apenas uma sutil e temporária melhora no quadro.

Vale ressaltar também que os ciclos depressivos costumam ter uma maior duração que os maníacos. É por isso que uma série de fatores é avaliada no diagnóstico dessa doença. Dentre eles, a forma como os períodos depressivos surgem é o que mais se distingue.

Como visto, essa fase dura, no mínimo, 2 semanas e é marcada por sinais, como:

  • mudanças no sono, seja por insônia ou por mais tempo dormindo;
  • indisposição e fadiga;
  • humor deprimido persistente;
  • dificuldade de atenção;
  • pensamentos negativos e sentimentos de culpa;
  • diminuição do apetite;
  • redução do interesse por atividades que proporcionam prazer;
  • comportamentos e pensamentos suicidas.

Período de mania

Os períodos de mania ou hipomania, por outro lado, são totalmente opostos. Quando se inicia essa fase, é notável a mudança de comportamento do indivíduo, principalmente por meio da sua expressão corporal, fala, atitudes e demais atividades realizadas.

Nesse ciclo, todos os sentimentos ocorrem de maneira mais intensa, inclusive os de valência negativa, como raiva, revolta, medo, entre outros. Isso já mostra como o Transtorno Bipolar não segue aquela ideia popular de variação entre estados tristes e felizes, tendo em vista que o distúrbio é muito mais complexo.

Nos ciclos maníacos, é muito comum que a pessoa se irrite com facilidade, ao mesmo tempo em que é mais fácil deixá-la muito animada. A intensidade dessas emoções é ainda maior nos primeiros dias da mudança de humor, podendo persistir por mais algumas semanas, antes da chegada do novo período depressivo.

Uma preocupação maior nessa fase é a impulsividade que ela traz ao indivíduo, de modo que é muito mais provável que ele se arrisque em atividades nocivas, como apostas, uso de substâncias químicas, relações sexuais sem proteção, compras de alto valor, pedidos de demissão inesperados, entre várias outras atitudes.

É possível notar a chegada do período de mania quando os seguintes sintomas estão mais presentes:

  • aumento da autoestima e comportamentos que demonstram superioridade;
  • maior comunicação e fala acelerada;
  • distração social;
  • menor tempo de sono;
  • irritabilidade e hostilidade;
  • aumento de atividades realizadas, especialmente as que causam prazer instantâneo.

Período de hipomania

Nem sempre o período depressivo se intercala com a mania. Em alguns casos, existem ciclos de transição ou o paciente nem chega ao estado maníaco, apresentando apenas alguns sintomas de hipomania.

Nesse caso, a variação de humor é menos extrema. Contudo, não significa que não há uma visível mudança no comportamento do indivíduo. Diversos comportamentos presentes na mania se manifestam também aqui, como a irritabilidade, maior disposição para a realização de tarefas, desejo de se manter mais ativo ao longo do dia, menor necessidade de sono e dificuldade de manter o foco.

O que não ocorre, no entanto, é o interesse por práticas que possam trazer risco à integridade física ou mental. Sendo assim, os pacientes que apresentam hipomania se envolvem menos em situações perigosas nos períodos eufóricos e não têm a necessidade de prazer intenso e instantâneo.

Como funciona o uso de Cannabis Medicinal?

O uso de plantas medicinais para o tratamento de diversas doenças é uma prática milenar e essencial para a sobrevivência humana. Isso é observado nos estudos de comunidades tradicionais, como as indígenas, ribeirinhas, quilombolas, assim como nos registros antigos de sociedades que vieram antes da nossa.

As áreas dedicadas aos estudos de terapias tradicionais, como a Etnobotânica e a Etnofarmacologia, têm contribuído para o resgate do uso de plantas medicinais para o tratamento de diversas patologias. Isso é feito principalmente nas pesquisas voltadas para o uso de drogas vegetais com potencial medicinal, a fim de verificar a viabilidade da criação de novos processos terapêuticos.

Os tratamentos com base em plantas do gênero Cannabis têm sido um exemplo dos avanços nessas pesquisas científicas, que apontam o potencial terapêutico das substâncias canabinoides para diversas complicações de saúde.

A Cannabis Medicinal é utilizada, inclusive, há mais de 10 mil anos, em diversas sociedades, como mostram antigos registros na China e no Egito. As propriedades da planta se mostraram promissoras para doenças gástricas, distúrbios do sono, espasmos e muitos outros transtornos. O que acontece, atualmente, é um resgate desses conhecimentos, por meio de diversos estudos científicos e clínicos, que buscam investigar o verdadeiro potencial das propriedades desse gênero de plantas.

Conforme foram surgindo resultados promissores, componentes da droga vegetal passaram a ser avaliados como tratamento alternativo de alguns transtornos, como epilepsia, autismo e esclerose múltipla. Além disso, vários estudos mostram que a planta oferece efeitos na redução dos sintomas das reações adversas de tratamentos quimioterápicos.

No entanto, a administração da Cannabis deve ser realizada com a orientação e a supervisão de um médico autorizado a prescrever esse tipo de tratamento. Sendo assim, a aplicação da planta, sobretudo da espécie Cannabis Sativa, como recurso terapêutico é totalmente diferente do uso recreativo e deve ser realizada com muito cuidado.

Cannabis devolve o prazer de viver em paciente com transtorno bipolar

A ação da Cannabis Medicinal

Para entender por que a Cannabis é investigada para o tratamento de diversos transtornos psiquiátricos e neurológicos, é preciso compreender como essa substância age no organismo humano.

Sendo assim, primeiramente, é necessário levar em consideração que o corpo humano apresenta uma série de mecanismos próprios para reagir com algumas substâncias. No caso da Cannabis, o principal é o sistema endocanabinoide, apresentando receptores para componentes da planta, que estão espalhados por todo o organismo, especialmente no cérebro.

Uma das principais funções desse sistema é a contribuição para a homeostase, isto é, o funcionamento em equilíbrio dos mecanismos do organismo. Desse modo, quando substâncias encontradas na Cannabis ativam esse sistema, é de se esperar que ele vá em busca dessa estabilidade.

Então, por que a maconha não é prescrita para o tratamento das doenças? É simples! Não são todos os princípios encontrados na Cannabis Sativa que apresentam benefícios comprovados para a saúde do corpo. É por esse motivo que o uso recreativo da substância não é incentivado e que o tratamento médico passa por um grande acompanhamento.

O ativo responsável pela maior parte dos efeitos terapêuticos da planta é o canabidiol (CBD). Esse extrato tem apresentado cada vez mais resultados clínicos seguros ao agir no sistema endocanabinoide, além de não ter propriedades intoxicantes ou que geram dependência.

É por esse motivo que, no Brasil, o CBD teve o seu uso autorizado, desde que haja um controle especial sobre a administração, ao entrar na lista de substâncias permitidas pela resolução Nº 372/20. Atualmente, é possível ver passos em direção ao aumento do uso da Cannabis Medicinal no país, embora ainda haja poucos profissionais que possam fazer a prescrição desse tipo de tratamento.

Como a Cannabis Medicinal pode ajudar no tratamento de Transtorno Bipolar?

Então, qual é a relação da Cannabis Medicinal com o tratamento do Transtorno Bipolar? Ainda estão em desenvolvimento pesquisas para reforçar o conhecimento nessa área. No entanto, é possível observar avanços no uso da substância como terapia alternativa ou complementar de diversos transtornos de humor. Saiba mais!

Principais benefícios

Estudos realizados pela Universidade de Cambridge se propuseram a avaliar a relação do sistema endocanabinoide com a regulação emocional. Os resultados indicaram que a  ativação de receptores canabinoides pode trazer efeitos promissores na estabilização do humor, o que dá indícios do potencial da Cannabis Medicinal no tratamento do Transtorno Bipolar.

Ainda é necessário que mais pesquisas sejam realizadas para a avaliação de todos os benefícios que a planta medicinal pode trazer para pacientes com Transtorno Bipolar. No entanto, vale ressaltar que essa ainda é uma área de estudo recente. Por esse motivo, é possível esperar novos testes e resultados promissores nos próximos anos.

O que se sabe, até o momento, é que as propriedades do CBD têm potencial para exercer efeitos terapêuticos na redução dos sintomas de depressão. Levando em conta que a maior parte dos tipos de Transtorno Bipolar apresentam fases agudas de períodos depressivos, esse é um dos principais benefícios que a Cannabis Medicinal pode apresentar para o tratamento desse distúrbio.

Prescrição segura

Para entender as possibilidades de tratamento seguro do Transtorno Bipolar, no entanto, é preciso contar com o apoio de um profissional autorizado a prescrever Cannabis Medicinal como abordagem terapêutica.

Apesar de encontrarmos resultados promissores para o uso da substância na redução de diversos sintomas que interferem na qualidade de vida e no bem-estar de um indivíduo, é imprescindível que a prescrição da Cannabis Medicinal seja realizada com práticas seguras e autorizadas pelos órgãos de saúde.

Desse modo, é extremamente necessário que um médico prescritor seja consultado. Desse modo, o caso de cada paciente pode ser devidamente analisado, com diagnóstico, exames e tratamento adequados.

Esse é um processo individual e que requer diversas etapas. Por outro lado, a resposta ao tratamento de diversos outros transtornos costuma ser positiva, o que oferece indícios de que o Transtorno Bipolar também pode apresentar esses benefícios.

Gostou de conhecer mais sobre as particularidades do Transtorno Bipolar e os benefícios que o uso da Cannabis Medicinal pode proporcionar para esses casos? As perspectivas das pesquisas em torno do tema são positivas e, portanto, é possível esperar ótimos resultados nos próximos estudos.

Quer saber mais sobre as possibilidades do uso da Cannabis Medicinal no Transtorno Bipolar? Então, solicite uma consulta com nossos médicos prescritores para ter informações mais precisas.

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