Como a Cannabis medicinal pode nos ajudar durante a pandemia da Covid-19?

Covid-19

Veja tudo que já sabemos – e o que precisamos descobrir – sobre a Cannabis medicinal no tratamento da Covid-19

Ebook: "30 patologias que podem ser tratadas com o canabidiol"

Conheça o CBD e todo seu potencial para o tratamento de 30 doenças e transtornos.

Há mais de um ano imersos em uma pandemia sem precedentes da Covid-19, parece que nunca vai ter fim. embora já existam uma ampla variedade de vacinas com eficácia comprovada, o acesso e distribuição segue lento no Brasil. Enquanto, pelo menos, 70% da população for vacinada, dificilmente poderemos voltar a circular sem medo por aglomerações.

Sem previsão de chegada do tão esperado dia, o jeito é seguir se cuidando. Manter distanciamento social, principalmente em locais fechados, e usar máscaras de proteção eficientes, ainda são o melhor “remédio” para superar esse período desafiador.

Caso o contágio aconteça, estar preparado com boas condições de saúde pode ajudar a  evitar o desenvolvimento de casos mais graves. É nesse contexto que a Cannabis pode ajudar, com suas propriedades anti-inflamatórias e a capacidade de estimular o sistema imunológico.

Saiba tudo sobre a pandemia de Covid-19 e a Cannabis medicinal:

O que é Covid-19?

É uma doença infecciosa causada pelo novo coronavírus, batizado de SARS–CoV-2. Os principais sintomas são febre, cansaço e tosse seca. No entanto, alguns pacientes ainda podem apresentar dores, congestão nasal, dor de cabeça, conjuntivite, dor de garganta, diarreia, perda de paladar ou olfato, erupção cutânea na pele ou descoloração dos dedos das mãos ou dos pés.

Cerca de 80% das pessoas contaminadas pelo SARS–CoV-2 se recupera da doença sem precisar de tratamento hospitalar. Uma em cada seis pessoas infectadas por COVID-19 fica gravemente doente e desenvolve dificuldade de respirar.

As pessoas idosas e as que têm outras condições de saúde como pressão alta, problemas cardíacos e do pulmão, diabetes ou câncer, têm maior risco de ficarem gravemente doentes. Mas ninguém está livre das formas mais sérias da Covid-19.

Quais são as formas de contágio por Covid-19?

O vírus causador da Covid-19 é transmitido de uma pessoa para outra, carregado por pequenas gotículas que a pessoa doente emite quando espirra, tosse, fala ou respira. As gotículas maiores, mais pesadas, logo caem e podem se depositar em superfícies. O contágio acontece quando uma pessoa toca na superfície contaminada e leva as mãos para a boca, olhos ou nariz.

Porém, a principal forma de contágio são por gotículas microscópicas, os aerossóis,  que ficam flutuando por longos períodos pelo ar. Ao ar livre, o vento dispersa o vírus e reduz as chances de contágio. Em ambientes fechados, o vírus fica confinado, aumentando o tempo e volume de exposição e as chances de ficar doente.

Estudos conduzidos pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, indicam que 59% do contágio pelo novo coronavírus veio de pessoas assintomáticas. Ou seja, que contraíram o vírus SARS–CoV-2 e não desenvolveram ou ainda vão desenvolver sintomas.

Quais as sequelas deixadas pela Covid-19?

Pacientes que apresentaram quadros graves de Covid-19, com necessidade de internação, suporte em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e ventilação mecânica apresentam maiores chances de seguir sentindo alguns sintomas mesmo depois que o vírus já deixou o organismo.

Os mais comuns são tosse seca, cansaço, fraqueza muscular, dor de cabeça e perda de olfato e paladar, e podem perdurar por semanas. Também há casos de sequelas no sistema cardíaco, com o desenvolvimento de  miocardite (inflamação no músculo do coração) e pericardite (inflamação na membrana que reveste o órgão). Os músculos também podem sofrer inflamação – miosite -, causando fraqueza aguda e generalizada.

Nos pulmões, pode desencadear um enrijecimento progressivo capaz de ocasionar falta de ar e má circulação sanguínea, chamado fibrose. Há ainda a possibilidade de problemas neurológicos mais graves, como sequelas variáveis de AVC (acidente vascular cerebral).

Os números da Covid-19 no Brasil no mundo

Até o dia 7 de junho de 2021, 16.984.218 de casos de Coronavírus foram confirmados no Brasil. Um número que deve continuar subindo, pois seguimos com média de 37 mil novos casos todos os dias.  Já o número de vítimas fatais está em 474.614 desde o início da pandemia, em março do ano passado. 1.664 pessoas morreram, em média, nos últimos 14 dias.

No mundo, já foram contabilizados 173 milhões de casos confirmados, com 3.733.980 mortos.

Os números da vacinação no Brasil e no mundo

Pouco mais de um décimo da população brasileira já recebeu as duas doses necessárias para atingir a imunidade contra a Covid-19. 23.026.663 pessoas receberam a 2ª dose, o que equivale a 10% da população. De acordo com especialistas, o ideal é que esse número seja de 70% para começarmos a nos despedir da pandemia. Em relação à primeira dose, ela foi cedida a 23,42% dos brasileiros. São 49.584.110 pessoas vacinadas.

Em todo o mundo, mais de 2.18 bilhões de vacinas foram administradas. São cerca de 28 doses a cada 100 pessoas. 11,78% das pessoas do planeta receberam pelo menos uma dose. No entanto, 5,8% estão completamente vacinados. Um total de mais de 455 milhões de pessoas totalmente imunizadas.

Como se prevenir contra a Covid-19?

Cannabis Covid

Existem duas formas conhecidas de se proteger contra os danos causados pelo vírus SARS–CoV-2. A primeira, e mais eficiente, é a administração das duas doses das diversas opções de vacina contra a Covid-19. Já quem aguarda sua vez na fila de vacinação, a única forma é evitar o contágio.

Como a principal forma de contágio é pelo ar, a primeira opção é evitar o contato com qualquer pessoa infectada, por meio do distanciamento social. Caso não seja possível, a utilização de máscara de proteção facial com boa vedação e alta capacidade de filtrar as partículas reduz muito as chances de contágio. Ambientes fechados, com pouca ventilação, provocam uma concentração de vírus e aumentam os riscos, assim como o tempo de exposição ao vírus.

Como o CBD pode ajudar contra a Covid?

Não há comprovação científica da capacidade da Cannabis de matar o SARS–CoV-2 ou qualquer outro vírus. Mas a Cannabis pode sim ser útil durante a pandemia de Covid-19, de acordo com o médico Mário Grieco. “O CBD aumenta a imunidade do paciente”, afirma. “Não é que ele ataca o vírus da Covid, mas ele aumenta a defesa do organismo. Se pega uma infecção, está mais protegido.”

Segundo Grieco, as propriedades anti-inflamatórias do canabidiol também auxiliam a evitar o desenvolvimento de casos mais graves. “Não é que todo mundo tá protegido ao consumir Cannabis, mas aumenta a chance de ter uma forma mais amena. Vacina e Cannabis são medidas complementares.”

Quais doenças já são tratadas com o uso de canabidiol? Confira a lista:

Alzheimer, ansiedade, autismo, câncer, epilepsia, Parkinson, artrite reumatóide, dependência química, depressão, dermatites, acne, psoríase, diabetes, doenças gastrointestinais, dor neuropática, dores de cabeça, endometriose, enxaqueca, esclerose múltipla, fibromialgia, glaucoma, insônia, HIV, lesões musculares, obesidade, osteoporose, paralisia cerebral, síndrome de Tourette, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT).

O que a ciência diz sobre a indicação de Cannabis para Covid-19?

Dos casos mais graves de Covid-19, boa parte decorre de uma condição chamada de Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA). Caracterizada pela intensa falta de ar, é o que torna ventiladores pulmonares, os chamados respiradores, tão importantes em tempos de pandemia.

Os casos mais graves de infecção pelo novo coronavírus, que desenvolvem a SDRA, acontecem por uma tempestade de citocina. São moléculas secretadas pelo sistema imunológico relacionadas à inflamação, parte da resposta de defesa de um corpo saudável. O vírus, no entanto, provoca a superprodução dessa citocina, o que acaba comprometendo os pulmões.

O canabidiol é capaz de regular essa resposta exagerada do sistema imunológico. Um estudo demonstrou que o CBD melhorou rapidamente os sintomas clínicos, com redução dos danos à estrutura e tecidos do pulmão.

“Acredita-se que pelo menos uma das maneiras pelas quais o CBD acalme a resposta imune é porque ele se parece com os endocanabinoides, um sistema de sinalização celular natural em nossos corpos que se acredita estar envolvido em uma ampla variedade de funções, desde o sono até a reprodução, inflamação e resposta imune”, afirma Jack Yu, que liderou o estudo.

“CB1 e CB2, os principais receptores desse sistema, são encontrados extensivamente por todo o corpo, incluindo o cérebro e o sistema respiratório, onde respiramos irritantes naturais e artificiais no ar – bem como vírus e bactérias – que podem inflamar.”

THC e Covid-19

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Sul também encontraram benefícios da utilização de Cannabis para evitar SDRA. Mas dessa vez, o promissor canabinoide é o THC.

Apesar de estar intimamente relacionado aos casos graves de Covid-19, o novo coronavírus não é o único responsável pelos casos de SDRA. Lesões no pulmão pela inalação de fumaça, assim como a infecção por bactérias, também podem desencadear a essa grave síndrome respiratória, com mortalidade em até 50% dos casos. Os pesquisadores testaram a administração de THC nos casos de infecção pela enterotoxina estafilocócica, que também provoca a tempestade de citocina.

Eles observaram que, durante o processo de inflamação, o ambiente do pulmão favorece a proliferação de bactérias patogênicas. Já o THC favoreceu bactérias benéficas, que controlam a resposta exagerada do sistema imunológico e, assim, evita danos aos pulmões.

Porta de entrada da Covid-19

Outra pesquisa indicou que a Cannabis pode ajudar a evitar a proliferação do vírus. Quando ele entra pelo sistema respiratório, encontra uma enzima chamada ACE2 (sigla em inglês para enzima conversora de angiotensina 2). Essa enzima é fundamental para o ciclo de vida do vírus, já que é onde se encaixa para contaminar as células.

Um modelo de computador desenvolvido por pesquisadores canadenses, demonstrou que a Cannabis sativa, principalmente as variedades com alta concentração de canabidiol, é capaz de reduzir a atividade do gene ACE2, que dita as regras para a produção das enzimas de mesmo nome.

Apesar de indicarem a necessidade de mais estudos, os pesquisadores abrem a possibilidade para a utilização de enxaguantes bucais à base de Cannabis como tratamento preventivo.

Promovendo a resposta imune natural

Outro estudo trouxe indícios que o canabidiol pode interromper a disseminação do vírus pelas células epiteliais do pulmão e até inibir que, diante do contato, o vírus contamine as células.

“Nossos resultados sugerem que o CBD pode bloquear a infecção por SARS-CoV-2 nos estágios iniciais da infecção, e a administração de CBD está associada a um menor risco de infecção por SARS-CoV-2 em humanos”, diz o estudo. “O CBD também suprime a ativação de citocinas em resposta à infecção viral, reduzindo a probabilidade de recrutamento de células imunes e subsequentes tempestades de citocinas nos pulmões e outros tecidos afetados.”

Apesar de animadores, ainda resta um longo processo para que os resultados sejam confirmados. “É ainda um pré-print ainda não foi revisado por pares, que são cientistas da mesma área que vão analisar a metodologia, então isso é um passo importante”, afirmou o médico Wilson Lessa. “Mas é um estudo que traz coisas importantes para estudarmos mais a fundo”

Outros benefícios da Cannabis durante a pandemia

Cannabis Covid-19

A Cannabis medicinal pode ser eficiente no tratamento de alguns dos principais efeitos colaterais da pandemia de Covid-19: depressão, ansiedade e estresse. Um estudo realizado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UEFJ) revelou um aumento de 90% nos casos de depressão. Já o número de pessoas com crises de ansiedade e sintomas de estresse agudo praticamente dobrou entre março e abril de 2020.

Diversas pesquisas já demonstraram a eficácia da Cannabis no tratamento de depressão e ansiedade.

Um estudo da Universidade de São Paulo, publicado em 2019, afirma que o “sistema endocanabinoide tem se demonstrado como candidato para a terapêutica de transtorno de ansiedade e depressão, visto que estudos em modelos animais e pacientes humanos demonstram que a modulação desse sistema tem efeito antidepressivo e ansiolítico”.

A médica Marina Rodrigues pode sentir esses benefícios na pele. Trabalhando na  linha de frente do combate à Covid-19, atuando no Centro de Tratamento Intensivo de um grande hospital, viu sua ansiedade sair do controle à medida que a doença tirava a vida de seus pacientes.

“Eu nunca tinha perdido um paciente. No meu primeiro plantão perdi sete pessoas. Até hoje conto: já são 290 pacientes perdidos”, lamenta.

Antes do início da pandemia, as crises eram leves, uma ou duas vezes por mês, no máximo. “Eu chamava de ‘crise de choro’, ou normalizava de outras formas, achava que era TPM”, conta.

Mas desde o ano passado o pânico e a ansiedade passaram a ser diários. “Antes de ir ao trabalho eu precisava vomitar. Aí comecei a não querer sair de casa, mas eu precisava trabalhar”, relata. “Eu me sentia um vetor de disseminação de Covid. Em uma época senti dores no corpo e eu achava que estava contaminada.”

Os sintomas eram também físicos. Marina tremia, suava e chorava. “Era como se eu saísse completamente de mim, não estivesse mais conectada ao ambiente”, diz.

“Em meio a uma guerra com o vírus, sentia muitos sintomas físicos de palpitação, crise de pânico. Buscando melhorar minha qualidade de vida, por indicação do meu psiquiatra também, decidi procurar o dr. Pietro”, conta a médica sobre seu colega de profissão, o psiquiatra Pietro Vanni.

“Difícil não falar como se fosse mágica. Me mudou como num passe de mágica. Em poucos dias, um bem-estar muito grande. Uma clareza de pensamento que não tinha há muito tempo”, continuou Marina.

“Queria fazer atividade física, e não conseguia continuar. Desde que comecei o tratamento, estou indo bem nessas atividades, parei de procrastinar. É mais fácil tomar as decisões diárias.”

Conclusão

Embora existam indícios, ainda não existe comprovação científica consolidada da eficácia da Cannabis no combate direto à infecção causada pelo SARS–CoV-2. São necessários novos estudos, com testes clínicos controlados, que determinem de forma mais precisa os possíveis benefícios.

As propriedades anti-inflamatórias e a regulação do sistema imunológico, porém, tendem a deixar o organismo mais preparado diante da infecção.

De qualquer forma, por também tratar condições neuropsicológicas, o uso de Cannabis pode ser um ótimo aliado na manutenção de uma boa qualidade de vida durante e depois da pandemia.

Compartilhe!
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on whatsapp
Share on email