Câncer e Cannabis medicinal: o guia básico

cancer no pancreas como funciona o tratamento

Fique por dentro de tudo que a ciência sabe sobre a Cannabis no tratamento oncológico e nos efeitos colaterais da quimioterapia

 Com o avanço de pesquisas, prescrições e tratamentos com Cannabis medicinal, a popularização dessa forma de terapia, menos agressiva e mais humanizada, vem ganhando espaço nas mais diversas áreas da medicina.

Com o câncer não é diferente. Como publicado recentemente aqui no portal Cannabis & Saúde, já há estudos que apontam de forma consistente que os fitocanabinoides ajudam a amenizar as dores, náuseas e outros distúrbios que acometem os pacientes, tanto por conta da doença, quanto pelos tratamentos de quimioterapia e radioterapia, que provocam efeitos colaterais notoriamente adversos.

Ainda assim, muitos pacientes e médicos ainda não conhecem os benefícios que os diversos produtos da medicina canábica pode proporcionar. Uma pesquisa publicada em 2018 do Journal of Clinical Oncology (Jornal de Oncologia Clínica) demonstrou que 70% dos médicos oncologistas norte-americanos se sentiam despreparados para prescrever medicamentos à base de Cannabis — e 46% dos oncologistas prescreviam Cannabis medicinal para alívio da dor mesmo sem ter a formação adequada. Para ajudar na divulgação e popularização dessas informações, o site Cannabis & Saúde elaborou um guia básico sobre Oncologia e Cannabis Medicinal.

 Pesquisa sobre Cannabis na oncologia

 Em 2017, a Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos publicou um relatório intitulado Os Efeitos da Cannabis e de Canabinoides na Saúde, com as seguintes conclusões: 

  1. Evidências conclusivas sugerem que a Cannabis ou os fitocanabinoides são eficazes no tratamento da dor crônica em adultos com náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia.
  2. Evidências moderadas sugerem que a Cannabis ou os fitocanabinoides são eficazes na melhora dos distúrbios do sono a curto prazo, e evidências limitadas sugerem eficácia na melhora do apetite e na diminuição da perda de peso.
  3. Não há evidências suficientes para demonstrar se a Cannabis ou os fitocanabinoides são eficazes ou ineficazes no tratamento de pacientes com gliomas ou anorexia-caquexia associada ao câncer.

 Apesar da ampla revisão da literatura médica realizada pelo relatório, o transtorno de ansiedade generalizada e a neuropatia periférica induzida por quimioterapia não foram abordados. No entanto, o relatório destacou a necessidade de mais pesquisas clínicas para entender melhor os efeitos terapêuticos dos fitocanabinoides em certas doenças.

 Embora as evidências para apoiar o uso da Cannabis como tratamento de primeira linha em sintomas relacionados ao câncer ainda seja limitado, muitos pacientes estão buscando os medicamentos à base de Cannabis para alívio de ansiedade, dor, náusea, vômito e insônia.

Em um estudo recente sobre o câncer, 42% de 612 pacientes com câncer de mama relataram o uso de Cannabis para alívio dos sintomas — destes, 75% utilizaram os medicamentos para mitigar a dor, 70% para melhorar o sono, 57% para aplacar a ansiedade, e 46% para diminuir náuseas e vômitos.

 Os dados também descobriram que 39% dos participantes discutiram o uso de fitocanabinoides com seus médicos, e que, quando o fizeram, o tratamento acabou sendo iniciado pelo paciente em 76% das vezes.

 Além disso, apenas 4% dos entrevistados listaram seu médico como a fonte mais útil de informações sobre Cannabis, apontando a internet (22%), familiares (18%) e funcionários do hospital (12%) como uma fonte de informação mais útil. 

Essa tendência é preocupante, pois a internet nem sempre é uma fonte de informação confiável, e funcionários de hospital geralmente não têm formação a médica necessária sobre o assunto. Se você tem interesse em saber mais sobre o uso de Cannabis medicinal no tratamento de câncer, agende agora sua consulta com um medico especialista no assunto.

O Sistema Endocanabinoide

O sistema endocanabinoide é um importante aliado da regulação e equilíbrio de uma série de processos fisiológicos no corpo humano. Entre outras funções, ele oferece as condições naturais para que o organismo se favoreça das propriedades terapêuticas da Cannabis no enfrentamento de uma série de doenças.

A descoberta do primeiro receptor canabinoide, em 1988, levou à detecção do sistema endocanabinoide, cuja principal função é manter a homeostase — o equilíbrio nos processos fisiológicos —, é um sistema de sinalização molecular que consiste em dois receptores canabinoides (chamados comumente de CB1 e CB2), ligantes (substâncias capazes de aglomerar certos materiais) e enzimas que ajudam a normalizar o sono, a percepção da dor, a memória, o humor e o apetite. Esses receptores podem ser estimulados por canabinoides endógenos humanos, bem como canabinoides derivados de plantas (os chamados fitocanabinoides) e canabinoides sintéticos.

 CB1 e CB2 são conhecidos como receptores acoplados à proteína G, e os receptores CB1 são encontrados predominantemente nas glândulas adrenais, coração, rins, próstata, pâncreas, cólon, fígado, sistema nervoso central e periférico, pulmões, testículos e ovários. Após a ativação, os receptores CB1 auxiliam no alívio da depressão, ansiedade e estresse, dor e inflamação, distúrbios neurodegenerativos, estresse pós-traumático e sintomas relacionados à esclerose múltipla.

 Os receptores CB2 também são detectados no cérebro e no sistema nervoso periférico. No entanto, estes estão principalmente contidos nas células periféricas do sistema imunitário. Esses receptores são encontrados nos neurônios do tronco cerebral, pulmões, microglia e útero. Após a ativação, os receptores CB2 são conhecidos por reduzir a inflamação e tratar distúrbios de saúde mental e doenças neurológicas, como Alzheimer, Parkinson, Huntington e esclerose múltipla.

Canabinoides

Os canabinoides são definidos como compostos químicos, que podem ser derivados de plantas (fitocanabinoides), sintéticos ou endógenos, com a capacidade de influenciar os receptores canabinoides enquanto promovem a liberação de neurotransmissores. 

Delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD) são os dois canabinoides mais conhecidos, sendo o primeiro o principal responsável pelos famosos efeitos eufóricos da planta Cannabis. Comportamento, consciência, humor e percepção são todos alterados pelo THC, que se liga aos receptores CB1 no cérebro e causa uma mudança na função da célula de ligação. Estudos sugeriram eficácia ao usar THC para tratar náusea, dor, perda de apetite, insônia, apneia do sono, ansiedade, inflamações e transtorno de estresse pós-traumático.

 O CBD é normalmente o segundo canabinoide mais abundante na Cannabis. É psicoativo, mas não da mesma maneira que o THC. Pode alterar o humor, a percepção e diminuir a ansiedade. Estudos sugeriram que o CBD também pode tratar pacientes com náusea e vômito, distúrbios convulsivos, transtornos de psicose, distúrbios inflamatórios, distúrbios neurogenerativos e depressão.

Dosagem

A dosagem de Cannabis medicinal continua sendo um dos componentes mais desafiadores da prestação de cuidados. Muitos poucos ensaios clínicos estabeleceram protocolos de dosagem com fitocanabinoides para condições específicas. A maioria dos protocolos de dosagem foi desenvolvida a partir de evidências do mundo real, em vez de ensaios baseados em evidências. O método de estrita observância é mais aplicável com Cannabis — o acompanhamento médico é fundamental para calibrar a dosagem dos medicamentos à base de Cannabis. Como os canabinoides podem ter efeitos bifásicos — ou seja, em duas fases e com longa duração —, uma dose baixa geralmente é suficiente para o alívio dos sintomas. 

Considerações para pacientes com câncer

Com a acessibilidade da Cannabis medicinal em crescimento, muitos pacientes com câncer procurarão orientação sobre o uso seguro e eficaz para o gerenciamento de sintomas. À medida que a pesquisa de Cannabis evolui e a indústria amadurece, os profissionais de oncologia podem olhar para os fitocanabinoides como medicamento de apoio alternativo. 

Com orientação adequada, a Cannabis medicinal pode ter uso de alta segurança com efeitos adversos que geralmente são bem tolerados quando administrados em doses baixas. A realidade é que os pacientes têm interesse por tratamentos mais humanos e menos agressivos, e a Cannabis medicinal contempla esses dois desejos. 

Os profissionais da oncologia devem estar preparados para compreender os anseios de seus pacientes e prescrever os medicamentos que lhes tragam maiores benefícios.

 Agende uma consulta com médicos que tratam o câncer e seus efeitos com Cannabis medicinal.

Compartilhe!
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on whatsapp
Share on email