“O médico não pode ter preconceito. A medicina está em constante evolução”

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A nutróloga Yasmin Bittencourt conta como superou o preconceito da Cannabis para tratar a avó e hoje se tornou prescritora do tratamento canabinoide

Especialista em nutrologia e medicina ortomolecular, a doutora Yasmin dos Santos Bittencourt chegou à Cannabis por uma questão familiar. “Minha avó tem fibromialgia e eu tratava ela com medicina ortomolecular no controle da dor, mas eu tinha dificuldade. Não conseguia controlar as dores dela só com a medicina alopática. Ela já usava muitas medicações e eu comecei a pesquisar sobre o canabidiol”, conta Bittencourt.

Antes, porém, a médica teve que superar seus próprios preconceitos. “Eu achava que maconha era maconha. Foi meu pensamento na faculdade inteira. O sistema endocanabinoide é importantíssimo, mas a gente nem aprende na faculdade de medicina”, relata. “Eu tinha esse preconceito na faculdade. Se alguém me falasse onde eu ia trabalhar é prescrevendo Cannabis, eu não acreditaria.”

A médica fez um curso rápido para conhecer um pouco melhor sobre a prescrição, e logo sua avó já estava tomando o óleo de Cannabis.

Os resultados não poderiam ser melhores. “Em uma semana, eu consegui controlar a dor dela. Em um mês, eu tirei 80% dos medicamentos que ela usava. Foi quando decidi fazer uma pós-graduação na área. Ela foi meu gatilho para querer estudar e levar a Cannabis para outras pessoas.”

Médica prescritora de Cannabis

De início, passou a prescrever para pessoas que, assim como sua avó, sofriam com dores crônicas. Com o tempo, porém, o número de patologias não parou de crescer. “Hoje tenho muitos pacientes com diagnóstico de demência, Alzheimer, Parkinson, enxaqueca, insônia e ansiedade.”

Ansiedade e depressão, com a pandemia, teve um boom de pacientes. A maioria tem sido por essa razão, mas ampliou muito a variedade de doenças. Hoje em dia, a maioria dos pacientes que vem ao meu consultório é para o tratamento com o canabidiol.”

Bittencourt explica que essa rápida transformação se deu pela relação próxima entre a nutrologia, medicina ortomolecular e a Cannabis. “São terapias naturais. Ajuda o paciente a prevenir doenças e melhorar. A gente trabalha com reposição de vitaminas e minerais”, diz. 

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“Os fitocanabinoides são substâncias que a gente retira de uma planta. São fitoterápicos. Substâncias análogas às que o corpo já produz, fazem um efeito similar e conseguem melhorar a qualidade de vida. São terapias que conversam muito entre si. A gente associa para conseguir o melhor resultado para o paciente.”

Dessa forma, consegue respostas muito mais positivas dos pacientes do que com os medicamentos alopáticos. “O tratamento convencional para dor, são medicações com um custo muito elevado, que causam dependência; estudos comprovaram que aumentam o risco de demência; e efeitos colaterais que aumentam o risco de queda nos idosos”, argumenta.

Casos de pacientes

“Se a gente comparar com o canabidiol, por exemplo, ele consegue controlar bem a dor de forma quase equivalente aos opioides, sem os efeitos colaterais ruins dessas medicações. Geralmente em pacientes que já não respondem às terapias convencionais, que já tentaram todo tipo de tratamento.”

Em casos de demência, é semelhante. “O Alzheimer é uma doença familiar. O paciente não tem uma melhora cognitiva, tem uma agressividade, e a família tem dificuldade de controlar”, afirma. 

“Com o canabidiol, melhora a qualidade de vida do paciente, melhora a agressividade, e alivia muito para a família. Em todos os casos, a gente não precisa dar as costas para a medicina convencional, mas andar de mãos dadas para o que funcionar melhor, no caso do paciente.”

Seu atual conhecimento sobre a Cannabis, porém, ainda não é generalizado entre seus colegas. A grande maioria dos médicos no Brasil ainda não prescrevem ou não conhecem sobre os benefícios da Cannabis medicinal. Para esses, Bittencourt recomenda que sigam estudando. 

“Às vezes, o colega não sabe absolutamente nada sobre a substância e fala que não funciona. O médico tem que se abrir constantemente para entender as terapias possíveis e tudo que pode melhorar a qualidade de vida do paciente”, finaliza. 

“O médico nunca pode parar de estudar. Não pode ter preconceito. Tem sempre que se permitir a descobrir novas coisas, pois a medicina está em constante evolução.  Quantas coisas que antigamente eram contraindicadas e hoje são indicadas? Quantas coisas eram indicadas e hoje são contraindicadas?”

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