Cannabis & Saúde

UFC deixa de punir lutadores pegos no doping por uso de Cannabis

“Esperamos que este seja um início para uma discussão mais ampla”, defende a entidade. Quase metade dos atletas utilizam canabinoides para alívio da dor e estresse
UFC-doping-Cannabis

Jeff Novitzky é especialista em enfrentar o doping. Antigo agente federal da FDA (a agência dos EUA que determina a segurança e eficácia de drogas e alimentos), foi contratado ainda em 2015 para assumir o cargo de vice-presidente de saúde e desempenho do atleta no UFC, o maior campeonato de artes marciais mista do mundo. Na prática, seu trabalho continua sendo determinar as substâncias que são seguras para o consumo dos atletas e a Cannabis acaba de ser listada como uma delas.

De acordo com a nova Política Antidopagem do UFC, testes positivos para carboxi-THC, o ingrediente psicoativo da Cannabis, não serão mais consideradas doping. O mesmo vale para qualquer outra substância fitocanabinoide.

“Desejamos continuar a impedir os atletas de competir sob a influência da maconha e aprendemos que os níveis urinários de carboxi-THC são altamente variáveis após o uso fora da competição e têm uma correlação científica pobre com o comprometimento durante a competição”, declarou Jeff Novitzky ao site oficial do campeonato.

“O THC é lipossolúvel, o que significa que, uma vez ingerido, é armazenado em tecidos adiposos e órgãos do corpo e pode ser liberado de volta na circulação e, consequentemente, o carboxi-THC aparece na urina, às vezes muito depois da ingestão. Portanto, não é um marcador ideal em atletas para indicar comprometimento em competição.”

De acordo com o dirigente, o relevante para a entidade é a substância que o atleta usou no dia da luta visando um ganho de performance. “Os atletas do UFC ainda estarão sujeitos às regras da maconha sob vários regulamentos da Comissão Atlética, mas esperamos que este seja um início para uma discussão mais ampla e mudanças sobre esse assunto com aquele grupo.”

Lutadores e uso de Cannabis

A decisão só acompanha o que já é uma prática comum entre os atletas de UFC. Uma pesquisa anônima conduzia pela revista britânica The Athletic entrevistou 170 lutadores, e descobriu que quase metade utiliza alguma substância derivada da Cannabis.

Na época da publicação, em meados de 2020, Novitzky já sabia dessa realidade. “Essa é a principal razão porque eu penso que as regras precisam ser mudadas. Temos que tirar a marijuana fora da lista de substâncias proibidas”, afirmou em entrevista ao The Athletic.

Em entrevista concedia ao Cannabis & Saúde, no ano passado, Rosie Gracie, empreendedora e filha do criador do UFC, Rorion Gracie, garante que a Cannabis sempre foi parte da cultura dos lutadores. “Essa negligência (de acesso à planta) é um negócio criminal, porque os atletas precisam disso para recompor o corpo, para as dores na cabeça. Então é um crime dizer que um atleta não pode usar essa substância”, argumentou.

Benefícios da Cannabis em lutadores

Lutadores como Anthony Pettis, Anthony Johnson, Sean O’Malley e o irmãos Nick e Nate Diaz são usuários declarados de Cannabis e ativistas da causa. Esses últimos inclusive entraram para o mercado de Cannabis, com a GameUp Nutrition. Para eles, os canabinoides ajudam no alívio da dor e recuperação após as lutas, além de aliviar o estresse e a intensidade dos treinos. 

“É uma grande parte do treino de muita gente. Eu, definitivamente, não fumo todos os dias, mas, quando você está fazendo treinos intensos antes de uma competição”, atestou outro lutador, o norte-americano Jake Shields.  

De acordo com o diretor de Negócios do UFC, Hunter Campbell,as mudanças na regulamentação de substâncias proibidas nada mais é do que seguir a evolução do conhecimento na medicina. “Este é um documento vivo que continuará a evoluir e se adaptar quando a ciência clara apoiar mudanças que podem proteger ainda mais os atletas do UFC que competem no octógono.”

Acrescentou Hunter Campbell, Diretor de Negócios do UFC, “Esta é a terceira modificação que fizemos na Política Antidopagem do UFC desde seu lançamento em julho de 2015. É outro exemplo de que este é um documento vivo que continuará a evoluir e se adaptar quando a ciência clara apoiar mudanças que podem proteger ainda mais os atletas do UFC que competem no octógono.

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