“É como se congelasse a doença”, diz genro de paciente com Alzheimer

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O juiz Nilo Cardoso Perpétua viu sua doença progredir à medida que aumentava as doses dos medicamentos alopáticos. Com a Cannabis, seu quadro mudou

Aos poucos a visão do juiz Nilo Cardoso Perpétua começou a falhar. Sua memória já não era mais a mesma, mas com 65 anos, poderia ser algo natural. Somente um especialista o mostrou que não era bem assim. O doutor Nilo estava experimentando os primeiros sintomas do Alzheimer.

Tratamento de Alzheimer

Logo deu início ao tratamento com medicamentos alopáticos, com os quais teve uma boa resposta, e conseguiu seguir na profissão. Com o tempo, porém, os bons resultados foram demandando doses cada vez mais altas. “Naturalmente vai ficando mais tóxico para a pessoa. A diferença entre o remédio e o veneno é a dose. A doença foi progredindo e ele foi piorando”, conta seu genro, Roberto Penteado Stevenson.

“Imagina que é como uma janela. Você vai fechando e o vão vai diminuindo conforme vai baixando a janela e vai ter que trabalhar dentro de uma fresta cada vez menor. Até o momento em que a janela fecha”, explica o genro.

“Significa que os remédios passam a ter uma função cada vez menor em quantidade muito grande. Intoxicando a pessoa, causando outros problemas, como alucinação, mexendo com o sono. Até o momento que o médico falou que não tinha mais o que fazer. è aqui que a medicina parou, não tem opções de medicamento no mercado e vocês tem que se conformar.”

Cannabis e Alzheimer

Mas Stevenson não se conformou. Afinal, ele já tinha vivido uma situação semelhante. Seu pai sofria com a doença de Parkinson e, enquanto buscava um tratamento para ele, descobriu que a Cannabis medicinal poderia ser uma alternativa. Na época, antes da Anvisa liberar a prescrição, o trâmite jurídico não correu a tempo e seu pai veio a falecer.

“Se eu pudesse ter tido o acesso há seis ou sete anos, eu acho que ia ajudar bem o quadro dele, mas infelizmente não deu tempo.”

Ele sabia que o canabidiol poderia ajudar seu sogro, mas veio de um colega o incentivo final. “Um amigo cuja mãe também tinha Alzheimer disse que estava dando a Cannabis para ela e estava observando melhoras em seu comportamento. Estava mais calma e, apesar de variar de uma pessoa para a outra, disse que talvez eu deveria tentar.”

Deu início a uma busca por médicos prescritores no início de 2020. Com a pandemia apenas no começo e os profissionais da saúde recomendando que todos evitassem sair de casa mesmo para ir ao médico, não foi fácil. Até que encontrou a doutora Christina Funatsu.

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Benefícios da Cannabis

Em meados de junho deu início ao tratamento e em menos de um mês já se pode notar a diferença. “Melhorou muito o sono. Ele sempre foi uma pessoa que teve o sono muito desregulado, mesmo antes do Alzheimer, ficou bem melhor. Eu tenho uma sensibilidade muito grande para essas coisas e vi que começou a melhorar muito rapidamente.”

Percebeu que o dr. Nilo estava mais calmo, o grau de confusão diminuiu. “A doença está sempre correndo, avançando muito rápido. A gente nota que com o canabidiol acaba tendo uma estabilidade no quadro. É como se desse uma congelada na doença, coisa que os outros remédios não fazem.”

A melhora de seu sogro poderia ter sido ainda maior, não fosse um acidente que tornou tudo mais difícil. Morando em um sobrado, caiu da escada e, pelo trauma, o Alzheimer também progrediu. “Ele vinha se adaptando muito bem à Cannabis. Estava funcionando bem, mas ele teve esse acidente gravíssimo. Em um mês é como se a doença tivesse avançado uns dois anos, e atrapalhou a avaliação do benefício da Cannabis. O acidente foi em março deste ano e ainda é prematuro dizer se a Cannabis vai melhorar ainda a condição dele, mas eu acredito que desacelere o avanço.”

Alto custo

Sua única questão em relação ao medicamento é o preço. “Custa R$2.500 e dura um mês. Infelizmente é um medicamento para Elite. Não são doenças que estão só na elite. A pessoa de baixa renda também. Uma coisa que a gente tem constatado, conversando com amigos, sempre alguém na família. Pelo menos um parente com Alzheimer. Mesmo para ele, que recebe aposentadoria de juiz, fica pesado.”

Mas Stevenson não pensa duas vezes ao recomendar que todas as pessoas que tenham indicação para o uso da Cannabis medicinal, e podem pagar, recorram ao tratamento. “As pessoas que precisarem, devem procurar o acesso a essa droga. Como uma alternativa ou como coadjuvante no tratamento. O canabidiol pode caminhar ao lado de outros medicamentos, dando qualidade melhor de vida para qualquer paciente com doença neurolígica”, finaliza.

“Não tem que ter preconceito. Na família dele tinha muita gente com preconceito, eu que forcei a barra, e hoje, vendo os resultados nele, já não têm mais.”

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