Estudo de caso: Cannabis medicinal e dor neuropática

dor crônica qual e diferenca entre fibromialgia

Paciente de clínica inglesa conta experiências adversas com alopatia e compartilha os resultados de seu tratamento canábico após um ano e meio

Dor neuropática é uma condição causada por danos aos nervos periféricos ou a algum problema no sistema nervoso central. As manifestações são múltiplas, desde formigamento, queimação e choque até a pontadas, fraqueza e falta de sensibilidade, e podem ocorrer em qualquer parte do corpo, a depender de qual nervo ou parte do cérebro foi atingida.

No relato que se segue, originalmente publicado no portal britânico Cannabis Health, David (nome fictício, adotado para preservar a identidade do paciente) avalia os benefícios de seu tratamento para dores neuropáticas à base de Cannabis medicinal, iniciado há 18 meses. 

Atualmente com 53 anos, David teve em 2008 um diagnóstico de hepatite C — infecção viral relativamente comum que ataca o fígado e causa inflamação — e, dois anos depois, de HIV positivo. Eventualmente, após anos convivendo com dores persistentes, também acabou recebendo o diagnóstico de polineuropatia periférica — quando uma grave lesão acomete os nervos periféricos.

 Os sintomas variam, e podem muitas vezes afetar seriamente a qualidade de vida dos pacientes, debilitando-os. Os tratamentos mais comuns são à base de opioides, cujo uso contínuo pode causar dependência.

Em 2016, como resultado de sua baixa imunidade, David foi internado na UTI com uma pneumocistose — uma perigosa pneumonia causada pelo fungo Pneumocystis jirovecii. Além disso, David tem uma tendência genética a episódios de trombose — o chamado fator V —, que, aliado à deficiência de proteína C, causou diversos episódios de trombose e embolia pulmonar.

 Na fase mais aguda de sua condição médica, David chegou a classificar sua dor neuropática com a nota 10 de 10 em um teste de escala de dor (o Brief Pain Inventory, em inglês). A dor extrema era associada ainda a transtornos de sono, humor instável e má qualidade de vida. David dependia da ajuda de seu irmão nas tarefas domésticas e na hora de fazer compras, mas conseguia fazer exercícios moderados, como natação leve, numa tentativa de melhorar sua saúde.

Prescrição de analgésicos

Como muitos pacientes que convivem com dores crônicas, David tentou vários medicamentos para administrar os sintomas, incluindo infusões de ketamina, lidocaína intravenosa e em adesivos. Segundo o paciente, os medicamentos eram difíceis de usar, e não ofereciam quase nenhum benefício no combate aos sintomas.

 Também foi recomendado a David um coquetel de fortes analgésicos convencional, muito dos quais tinham fortes efeitos colaterais e não ajudavam em quase nada. Mesmo com benefícios incertos, David foi pulando de medicamento em medicamento, em busca de um tratamento adequado.

Explorando a medicina canabinoide

Após várias tentativas frustradas de experimentar medicamentos à base de Cannabis — o NHS (Sistema Nacional de Saúde, da Inglaterra) ofereceu várias restrições ao uso de David, ele acabou, em 2020, encontrando a MyAccess, clínica privada voltada ao tratamento com Cannabis medicinal no Reino Unido.

Na época em que ia iniciar o tratamento, David tomava uma combinação de diversos remédios, entre eles a duloxetina, medicamento indicado para depressão. O alívio da dor era mínimo, enquanto a duloxetina ajudava um pouco no seu humor, mas também causava enjoos e tonturas.

 Seu caso foi acompanhado de perto, pois era preciso retirar alguns dos medicamentos mais agressivos antes de iniciar com os fitocanabinoides — o que era dificultado pois, apesar dos efeitos baixíssimos dos medicamentos convencionais, a dor sem eles era ainda mais intensa.

Começo do tratamento

STJ plano de saúde

Em maio de 2020, David começou a tomar óleos de canabidiol, num composto de CBD e THC. No seu primeiro retorno, 30 dias após o início do tratamento, ele tomava uma dose de 0,7ml duas vezes por dia. Seu relato incluía um ligeiro alívio na dor (que agora era 8/10 na escala BPI) e em outros sintomas, mas sua condição ainda estava longe de confortável. A recomendação foi persistir no tratamento e observar qualquer mudança.

Quando voltou em julho de 2020, os sintomas continuavam presentes. Os efeitos colaterais eram mínimos, e não havia nenhuma interação com o anticoagulante alopático que ele continuava a tomar. Com base no relato do paciente e nas suas expectativas de melhoras, a composição do canabidiol foi alterada, incluindo um acréscimo nos níveis de THC.

Ele começou a tomar 0,3ml 3 vezes ao dia da nova composição, aumentando a dose em 0,1ml a cada 3 dias. A dosagem finalmente foi estabelecida em 0,6ml 3 vezes ao dia.

Logo após o aumento da dose, David começou a notar uma melhora significativa em seus sintomas — ainda sem nenhuma interação com o anticoagulante. Ainda assim, ele ainda sofria com transtornos de sono. A solução foi oferecer um óleo de Cannabis específico para o período noturno, com dominância do THC.

No retorno seguinte, foi constatado que, após 3 semanas de uso do novo óleo noturno, o sono de David teve uma grande melhora, enquanto sua dor continuava bem controlada. Em seu relato, ele afirma não mais sofrer de queimações nos membros, e que a Cannabis medicinal o ajudava a lidar com os sintomas residuais.

Um ano depois

No último ano, David tem tomado uma dosagem estável de óleo de Cannabis, bem como sua dose noturna do composto com dominância de THC. Em seu último retorno, em novembro de 2021, quando David já tomava o óleo havia 18 meses, ele afirmou que sua qualidade de vida havia melhorado dramaticamente, com a dor diminuindo para uma nota 2/10 na escala BPI.

Com isso, David finalmente se livrou dos remédios alopáticos para dormir, e as dosagens de outros medicamentos convencionais são reduzidas constantemente.

Apesar do longo período do tratamento com Cannabis medicinal, David não demonstrou nenhum sinal de tolerância aos fitocanabinoides, com o tratamento se mantendo estável e consistente ao longo do tempo.

O médico Sunil Arora, que acompanha o caso de David, comentou o tratamento: “A Cannabis medicinal continua apresentando uma boa eficácia no caso de David, com efeitos colaterais mínimos e uma redução em outros medicamentos alopáticos que ele tomava há vários anos”, disse. 

“Na minha experiência, pacientes com dor neuropática parecem responder bem a um óleo de canabidiol equilibrado: o óleo de Cannabis medicinal com THC e a adição de um óleo dominante em THC à noite podem ser extremamente úteis para ajudar no sono.”

 David também deu seu depoimento, mostrando-se satisfeito em relação ao tratamento. “Minha jornada na Cannabis medicinal foi longa e não foi fácil, mas estou feliz por ter persistido, especialmente naqueles primeiros dias. Ao iniciar o tratamento, eu estava extremamente aberto e esperançoso em relação aos benefícios da Cannabis medicinal. Os efeitos colaterais foram mínimos durante todo o meu período de tratamento, tendo apenas experimentado uma leve sensação de boca seca.”

 Ele ainda pondera que o estigma social ainda pesa na hora de iniciar um tratamento à base de Cannabis. “Um dos principais desafios que enfrentei nos primeiros dias foi falar sobre tratamento com minha família e amigos, que tinham uma percepção negativa Cannabis medicinal, especialmente preocupados que fosse causar algum dano ao meu organismo. No entanto, este não tem sido o caso.”

Agora David vê com esperança a continuidade de sua terapia. “Na atual dosagem, sinto os sintomas estão bem controlados, e do ponto de vista dos custos envolvidos, parecem bem razoável. Continuo a ver o doutor Arora a cada três meses e estou ansioso para continuar minha jornada na Cannabis medicinal.”

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