Diversificação e Capacitação

Cannabis no Mainstream

Novos tipos de medicamentos a base de Cannabis estão chegando ao mercado brasileiro, e como ficam os médicos nessa história? 

Ano passado foi um marco histórico para a Cannabis medicinal no Brasil. Quando se lê essa frase, naturalmente quem é do mercado já pensa no número recorde de autorizações emitidas pela Anvisa para os pacientes, não é mesmo? Ou então no processo de simplificação feito pela Agência, que automatizou a emissão de autorizações para novos produtos a base de Cannabis.

Outra ação adotada foi a alteração no fluxo de análise. O conjunto das ações adotadas pela Anvisa até o momento já permitiu uma redução significativa no tempo de fila para análise dos pedidos de importação. Esse tempo, que chegou a 35 dias antes da publicação da RDC 570/2021, atualmente é de cerca de cinco dias. Isso representa uma redução de 85% no tempo de fila e, portanto, maior celeridade para o acesso dos pacientes aos produtos para tratamento de sua saúde.

Além do tempo de fila, as alterações implementadas pela Agência também permitiram a redução do quantitativo de processos aguardando análise. Atualmente, existem menos de 100 pedidos de importação de produtos de Cannabis aguardando análise da Anvisa, número que chegou a 3.500 antes da publicação da norma.

Pois é, mas não é desses avanços (incríveis, claro) quer gostaria de falar com vocês hoje. Fiquei muito animado em compartilhar sobre a variedade de produtos que estamos vendo cada vez mais disponíveis para o paciente (consumidor?) brasileiro.

Estou falando de cremes, pomadas, gel, patches, cartuchos, flores, gummies, chás e mais alguns outros produtos que foram prescritos por médicos e autorizados para importação. Isso mostra que estamos avançando muito rápido na flexibilização dos medicamentos (produtos?) que os médicos tem a sua disposição.

Mas também acende um alerta sobre a capacitação dos profissionais de saúde sobre esse “arsenal” que eles tem agora a sua disposição, quando acharem conveniente. Afinal, não basta apenas ter os produtos a disposição, é preciso capacitar os médicos para que eles tenham cada vez mais informação, estudos clínicos e comprovações científicas; sentindo-se assim confortáveis em prescrever esses produtos.

Vamos pegar a dermatologia por exemplo. Hoje em dia temos cremes antienvelhecimento, pomadas com vitamina C, com Vitamina A, ácido Hylaurônico, gel esfoliante, hidratante facial, corporal, máscaras de rosto, de lábio, creme para olheiras, de recuperação muscular com arnica… E tudo isso ativado com óleo de Cannabis! Ou seja, a inovação dentro da dermatologia realmente chegou de vez para o nosso space canábico. O que acredito esteja faltando, são os cursos de capacitação para os médicos saberem mais no detalhe sobre as aplicações, contraindicações e evidências científicas sobre todos esses produtos.

E, ao meu ver, isso é papel da indústria. De um lado existe a demanda dos consumidores que veem estes produtos a disposição em redes sociais, websites e sempre que viajam para fora do Brasil. E do outro, os médicos, que tem por obrigação e propósito de vida cuidar e orientar a população sobre o que é mais indicado para cada caso específico.

E no tratamento com cannabis, cada um ainda pode reagir de forma única, ou seja, cada organismo vai metabolizar de uma maneira os fitocanabinoides. O que influencia, e muito, no tratamento, na dosagem e na concentração de cada produto mencionado.

Isso nos leva a crer, portanto, que os fabricantes/laboratórios que estão produzindo toda essa linha gigantesca devam priorizar o quanto antes o acesso a informação. Digo isso porque médicos e consumidores estão abertos a prescrever e a comprar, desde que seja um ambiente seguro e, novamente, com comprovação científica.

Mas também vejo isso como uma fase de transição, afinal não dá para ter tudo pronto ao mesmo tempo quando se está vendo toda uma indústria nascer bem debaixo dos nossos olhos.

Sempre que escuto aquele discurso que “o Brasil é muito atrasado para a Cannabis”, ou “os países da América do Sul estão saindo na frente, e mais uma vez ficamos pra trás” fico muito triste, pois essa falta de visão de mercado cria mesmo barreiras onde antes não havia.

Esse discurso desencoraja empreendedores, investidores e players do setor a acreditarem no nosso mercado nacional. E olhem que mercado gigantesco com potencial impressionante que temos!

Portanto, fica a mensagem pra essa galera que quer “exportar talentos”: vamos olhar primeiro para dentro, para depois olhar para fora! Isso vale tanto no nível macro, como também no micro. Com o apoio da indústria nacional, o aumento da oferta de cannabis nas farmácias brasileiras, o crescimento dos marketplaces, das prescrições dentro da odontologia, da fisioterapia, da nutrição e o aumento vertiginoso da utilização da cannabis dentro do esporte, estamos sim bem avançados! E lembrando que aqui temos uma regulamentação federal para cannabis, enquanto que, mesmo nos EUA, ainda se fala em regulação estadual – o que segura muito o crescimento da indústria como um todo.

Não estaríamos nós, sob esse ponto de vista, mais avançados que os americanos então? 🙂

Fica a reflexão, o carinho e a motivação para todos!

Fernando Paternostro é atleta e empresário da Cannabis. É fundador da comunidade Atleta Cannabis, CEO do app de Cannabis Mygrazz,  triatleta amador patrocinado pela Tegra Pharma e colunista do Portal Cannabis & Saúde e do Sechat. 

 

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