Resumo do último dia do Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal

Congresso Cannabis

No quarto e último dia do Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal, o cânhamo e a liderança feminina foram destaques

O cânhamo foi tema central no último dia do Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal. O evento, encerrado no dia 06 de maio, reuniu mais de 70 palestrantes ao longo de quatro dias no Expo Center Norte e fez parte da programação da Medical Cannabis Fair. Pelo segundo dia, o mercado de Cannabis e a legislação ocuparam os debates.

Confira um resumo das palestras do primeiro e segundo dias do Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal que tiveram “saúde” como tema. Um resumo dos debates do terceiro dia, sobre negócios e legislação, você confere aqui.

Modelos de sucesso da Cannabis no agronegócio

O cânhamo é uma variedade da planta da Cannabis cuja seleção genética priorizou as fibras da planta e suas sementes, um grão rico em proteínas. No Paraguai fica a maior produção de cânhamo industrial da América Latina, com 4 mil hectares de cultivo. o paulistano Lorenzo Rolim, engenheiro agrônomo responsável pelas operações e presidente da Associação Latino-Americana de Cânhamo Industrial (LAIHA), esteve no congresso e compartilhou sua experiência.

Ele explica que sua produção é focada principalmente nas sementes, visando a indústria alimentícia com exportação para Europa, América do Norte e China. Segundo Rolim, trata- se de um mercado promissor devido à crescente demanda por proteína vegetal, com crescimento de 5% a 6% ao ano.

“Quando eu falo de cânhamo industrial, eu estou falando de grão, de um alimento, isso não deve ser regulado. Deve ser vendido em supermercado.

O advogado Rafael Arguri, que é Diretor Executivo da Associação Nacional do Cânhamo Industrial (ANC), tem uma estratégia. Sua briga é pela liberação da importação de produtos de cânhamo. Ele acredita que a demanda vai chamar a atenção do agronegócio, que então vai entrar na briga pela liberação com cultivo.

Panorama de oportunidades e novos negócios na Cannabis

Maria Eugênia, CEO e fundadora da Kaya Mind, destacou o potencial do mercado. “A maioria das pessoas está tentando entender o mercado e não está envolvida ainda. Precisamos educar o público, porque ele ainda não conhece esse mercado. Temos também que criar novas oportunidades. Com a Cannabis, o Brasil pode gerar bilhões de impostos e isso precisa ser revertido aos órgãos de fiscalização.”

Há dois caminhos para a liberação da produção de cânhamo no Brasil. O Projeto de Lei 399/15, que regulamenta o plantio da Cannabis e está em tramitação no congresso, ou pela justiça.

“Conseguimos uma liminar para cultivar o cânhamo e estamos aguardando a sentença definitiva”, contou Marcelo Galvão, CEO da OnixCann. “Se conseguirmos, vamos abrir um leque de opções. Podemos substituir o ferro na construção civil, confeccionar roupas, usar a fibra para uma série de finalidades. Teremos uma variedade muito grande de negócios.”

A variedade é ainda quando se contabilizam os fitocanabinoides. “Começamos as pesquisas por causa do THC. Agora, o CBD é a grande vedete. Temos uma linha completa de THC para tratar de diversas patologias. Há ainda os canabinoides secundários. Eles estão sendo muito úteis em resultados terapêuticos. Eles são a grande realidade, podendo aparecer até mesmo em temperos. É uma transformação total.”

As lideranças femininas no mercado da Cannabis

Foram as mães de pacientes que impulsionaram a liberação do uso medicinal da Cannabis no Brasil. Como Daiane Zappe, que se uniu a tantas outras mães para desafiar o judiciário em busca de um remédio para seus filhos.

Os benefícios que viu em seu filho, agora, Zappa busca facilitar o acesso para outras mães, como gerente executiva, da Revivid Brasil. “A Cannabis medicinal traz qualidade de vida para a criança e para a família. Desde então a Cannabis tem sido a minha luta. Se eu puder fazer a diferença na vida de uma criança, vou cumprir a missão minha e do meu filho”

O mercado de Cannabis, no entanto, é liderado por homens, em um panorama que vem piorando, como explicou Camila Nocetti, CEO da Cannbax.

“A gente está falando de um mercado consumidor liderado por mulheres nos EUA, e em 2021 a ocupação feminina caiu 22%, abaixou da média nacional, de 36,8%. [Nos EUA] 8% dos cargos de CEO são ocupados por mulheres. No Brasil, de 74 empresas, 176 cargos são ocupados por mulheres e 247 cargos são ocupados por homens. Estamos abaixo também da média do setor tradicional”, explica.

Para a engenheira ambiental Ana Luiza Rios, sócio fundadora e diretora executiva da Just Hemp CBD, empresa com atuação no mercado europeu, a Cannabis ainda é um produto de elite no Brasil, ao contrário do que observa na Europa.

Sua luta é pela mudança das leis do País para que a Cannabis seja tratada como um fitoterápico. “Sonho que o meu produto esteja dentro de uma loja de produtos naturais, e não de uma farmácia para custar 3 mil reais.”

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