Cannabis cura convulsões epilépticas de cachorra

Depois de dez dias do primeiro ataque epiléptico, Julia Machado temia pela vida de Yara, sua cachorrinha de nove meses. Mas o professor Erik Amazonas levou óleo de cannabis e acabou com as convulsões em 20 segundos.

Quando a cachorrinha Yara tinha só nove meses, começou a sofrer fortes convulsões, que chegavam a durar longos e intermináveis minutos. A dona, a estudante de veterinária Julia Machado, não sabia o que fazer. Uma noite, em uma das piores crises de convulsões epilépticas, a mágica aconteceu. Algumas gotas do óleo de Cannabis e a cachorrinha imediatamente parou de tremer. A experiência fez da catarinense Julia, com apenas 22 anos, uma defensora ferrenha da Cannabis medicinal. 

Em 2019, Júlia passava as férias na casa dos avós em Garopaba com sua cachorrinha Yara, ainda filhote. Já no final das férias, Yara teve duas crise focais (crise epiléptica localizada na mandíbula) e ficava mordendo o ar. Julia não se assustou, Yara era saudável, pensou que estivesse tentando pegar um bichinho. Só que à noite ela teve uma crise mais séria. Caiu no chão, contorceu-se inteira.

“Aí vi que não estava tudo bem”, conta Julia. O azar era que ela estava longe da universidade, onde poderia consultar um neurologista. Mas as férias estavam acabando e em uma semana ela voltou para Curitibanos, onde fica o campus da UFSC onde estuda. Durante essa semana, Yara teve crises dia sim dia não, e quando elas voltaram das férias, as crises se agravaram: duravam um minuto e passaram a ser diárias. 

Julia marcou a consulta na universidade para a sexta-feira seguinte, dali a uma semana. E Yara só piorava. Tinha ataques de hora em hora, com tempo cada vez maior de duração. Julia tinha medo que seu sistema nervoso já estivesse sendo comprometido: Yara já não andava, piscava apenas um dos olhos. Levantava só para comer e beber e não reconhecia mais os tutores (Julia divide apartamento com o namorado Caio em Curitibanos), nem festinha ela fazia para eles.

O socorro do professor 

Foi quando ela se lembrou do professor de endocanabinologia veterinária e genética, Erik Amazonas. “Não sei como não tinha pensado nele antes”, lamenta. Era terça feira, dia 19 de março de 2019, e ela não podia esperar até a consulta na sexta. Julia ficou sem jeito, mas resolveu ligar para o professor e pedir ajuda. Erik não pensou duas vezes, em 20 minutos estava na casa da aluna, já com um vidro de óleo full spectrum 10%.

Assim que ele chegou, Yara teve uma convulsão, e Erik segurou firme a cabeça de Yara e foi pingando o óleo até que ela se acalmasse. Ele avisou Julia: ‘não se assuste de eu estar colocando várias gotas, não vai matar, ela só vai ficar com sono’. A aluna não se assustou porque já estava no segundo ano de medicina endocanabinóide e já entendia o funcionamento e segurança da Cannabis. Foram três conta gotas inteiras, uma dose que Erik costuma chamar de dose-nunca-morre-hoje, para casos extremos. Em 20 segundos a crise acabou.

Aliviados, Julia e o namorado, Caio, colocaram Yara num quartinho escuro e tranquilo, e ela descansou. Eles já estavam se despedindo de Erik quando, ainda soluçando, Julia teve um pressentimento. Voltou ao quartinho e Yara estava tendo outra crise. Erik já correu de volta com o celular pronto para filmar, deu o óleo e novamente a crise parou em 20 segundos, que eles só conseguiram comprovar por causa do vídeo. Essa foi a última convulsão da vida de Yara. 

Naquela noite, a cachorrinha ficou um pouco tonta e desorientada, parecia ter saído de anestesia. Erik assegurou que era normal, até porque estava muito cansada das crises. Apesar disso, não deixou de comer e beber.

Nos dias seguintes, eles continuaram o tratamento com o óleo, cinco gotas a cada 12 horas, conforme orientação do professor, e Yara voltou ao seu normal antes das crises, ativa como o bebê que era, carinhosa, festiva com as pessoas. 

A negação dos resultados práticos 

Só que a sexta feira chegou, e Julia foi à consulta com o neurologista. Chegando lá, Yara ficou irreconhecível. Assustada, queria fugir. Quando foi colocada na mesa de exames, ficou paralisada de medo, se jogou e ficou entregue, como que deprimida. Havia mais de dez pessoas na sala por ser uma consulta universitária, o que pode ter assustado ainda mais Yara.

Todos ficaram muito preocupados, e Julia tentou explicar que não entendia o comportamento dela, porque antes ela estava ótima. Fizeram exames, tiraram sangue, e Julia viu que ela queria reagir mas não conseguia. Quando foram medir a temperatura (que em cachorros é feita com o termômetro no ânus), Yara se incomodou muito. Julia conta que ela tem trauma por isso até hoje, não gosta que mexam na sua parte traseira.

Ao fim da consulta, o neurologista quis manter Yara em observação, ela passaria o dia na clínica. No final do dia, Julia voltou para buscar a cachorra, e levou um susto. Eles acabaram com o óleo, porque disseram que Yara tinha tido outra crise. Só que, quando Julia disse que só pretendia usar o óleo no tratamento, o neurologista deixou claro que não acredita na Cannabis porque não tem estudos, ignorando todos os trabalhos já realizados e testes de sucesso em animais.

Haviam injetado diazepam em Yara, que é justamente um dos medicamentos mais potencializados pela Cannabis. Segundo Erik Amazonas, os diazepínicos associados com o óleo podem se tornar uma dose de eutanásia. A moça que atendeu Julia tinha o jaleco todo sujo de óleo, e a justificativa foi de que ela pegou Yara no colo durante um surto e tentou pingar o óleo na boca da cadela. Só que Julia sabe que não se deve pegar um cachorro no colo durante um ataque epiléptico. Esse é um momento em que o sistema nervoso está hiperexcitado, e um movimento errado pode causar até perda de movimentos. Quando a mesma moça foi pegar Yara para entregá-la a Julia, a cadela ficou com muito medo, tentou se afastar e gritou. A moça disse que era outra crise e injetou diazepam novamente. Julia ficou sem ação.

Os efeitos colaterais dos alopáticos

Julia levou Yara embora com muita tristeza, por ela ter sido medicada sem necessidade, e porque a injeção de diazepam é oleosa e, por isso, muito dolorosa. Na clínica, ainda entregaram mais diazepam caso fosse necessário. “Claro que não vou usar”, pensou Julia. Yara estava normal na volta para casa, por isso Julia a deixou em sua caminha e saiu para comprar fenobarbital (Gardenal, que é anticonvulsivante), para o caso de haver mais crises, já que o óleo tinha acabado.

Quando voltou, Yara começou a ter alucinações. Corria de um lado para o outro e batia o corpo nas coisas, batia a cara na parede sucessivamente. Julia e Caio tentavam contê-la, mas a pequena de apenas sete quilos ganhou uma força que eles não conheciam. Ela gritava, olhava para eles com medo, não os reconhecia. De repente, deitava e dormia, mas tinha pesadelos, se debatia, chorava. De repente se levantava e começava tudo outra vez. Urinava sem controle, começou a ter diarreia também sem controle. Já estava com o focinho e o corpo todo machucado de tanto bater nas coisas. Enquanto dormia, Julia limpava a urina e as fezes, trocava as caminhas para que ela não se machucasse mais.

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Pesquisou que o diazepam ficaria ainda 12 horas em seu sistema. Duraria, portanto, até as seis horas da manhã. Ela ligou para o neurologista que disse que as alucinações eram normais quando se usa diazepam. “Como não me avisaram?” Julia lamenta. Para tentar descansar, Julia deitou ao lado de Yara e mantinha a mão sobre ela, para conseguir segurá-la antes que voltasse a correr pela casa.

Lá pelas cinco da manhã, Yara começou a voltar a si. Tentou levantar para urinar, foi como bêbada beber água, procurou comida. Quando terminou de comer, Julia percebeu que ela a reconheceu. Depois dessa noite, Yara teve que tomar o Gardenal, já que o óleo tinha acabado. A pequena não conseguia andar, parecia um potro ao nascer, não reconhecia os pais, estava apática e sem ânimo nem para pegar a bolinha. Eles tentaram levar Yara ao parque para ver se conseguia andar, sem muito sucesso. 

Receita da felicidade 

Por uma semana Julia precisou dar o Gardenal, até conseguir um novo óleo. Depois de três dias que conseguiu o óleo de Cannabis, aos poucos, ela foi melhorando até voltar ao normal, a reconhecer os pais, a brincar de bolinha, a andar. Depois de duas semanas, tinha retorno no neurologista. Julia não contou que tinha parado com o Gardenal e voltado com a Cannabis. O médico se assustou com a melhora de Yara, não esperava que estivesse tão bem, sem sequelas (só estava com mioclonia, que são tremores pequenos e involuntários).

O neurologista chegou a coletar sangue para ver se os rins e fígado de Yara estavam bem por conta do diazepam e do Gardenal, que costuma afetar os órgãos. Aí Julia confessou que fazia três dias que ela não dava o Gardenal, e estava só usando o óleo. A resposta do médico foi categórica. ‘Você tem o direito de usar o óleo, e eu tenho o direito de deixar o caso da Yara, como já tinha deixado claro antes’. Apesar de triste por não poder contar com acompanhamento do neurologista, Julia se conformou. “Não é sobre o médico, é sobre a saúde dela”, pensou.

Hoje, Yara é atendida na clínica da faculdade, mas não com um especialista. Julia lamenta não ter um diagnóstico fechado, não saber o que causou a epilepsia na cachorrinha. Mas sabe que Yara está bem, e sem efeitos colaterais com a Cannabis. Só ficou mesmo a mioclonia leve. O óleo que ela toma é um full spectrum de 5%, três gotas duas vezes ao dia, que Julia compra na Alternativa – Associação Brasileira de Cannabis Medicinal.

Mas ela não ficou só no tratamento da Yara. Sua avó também usa e cuida da enxaqueca, insônia, dores na coluna. Deixou praticamente todos os remédios alopáticos que tomava. Também a irmã de Julia usa em si e na sua cachorrinha como preventivo. Até curou a otite da pequena. 

Julia fecha a entrevista com a seguinte frase: “A cura inicia no momento em que a mente se expande para uma nova ideia”.

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