Brasil se posiciona contra recomendações mais brandas da ONU sobre a Cannabis

Na segunda-feira, 6, os membros do Conselho Nacional de Políticas Sobre Drogas (Conad) se reuniram para tratar novas diretrizes no combate às drogas e de reinserção social. 

Além disso, o governo aproveitou para deixar clara a posição contrária do governo Bolsonaro em relação às novas recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Cannabis. Ou seja, o país não apoia a adoção de normas mais brandas em relação à planta.

O que recomenda a OMS

A posição brasileira é uma resposta à reunião da OMS que aconteceu no final de junho. Dela, saíram novas sugestões para que a Comissão de Narcóticos da Organização das Nações Unidas retirasse a Cannabis da lista das drogas mais duras.

Em 1961, um tratado colocou a planta nos anexos I e IV das categorias de drogas. Na primeira, enquadram-se as substâncias que podem render vícios e efeitos negativos à saúde, mas que tenham potenciais usos terapêuticos. Além da Cannabis, também aparecem a heroína, morfina, cocaína e outras. 

O anexo IV é mais restritiva. Caso essas substâncias com potencial terapêutico sejam tão perigosas a ponto de não valer o efeito medicinal, precisam ser listadas nessa segunda escala. A Cannabis também aparece ali – já a morfina, frequentemente usada como analgésico, não.

E uma das principais recomendações da OMS é retirar a Cannabis dessa segunda lista. A alegação é que, no começo dos anos 1960, pouco se sabia ainda sobre a planta e seus benefícios à saúde.

Outra recomendação importante é retirar os extratos e tinturas de Cannabis da lista I de substâncias controladas. Isso apenas em casos em que essas substâncias não tiverem mais do que 0,2% de THC em sua composição. Caso tenham, voltariam para a escala I. 

A posição do governo

De acordo com o Conad, a posição contrária do governo tem respaldo da Secretaria Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas, liderada por Quirino Cordeiro, do Ministério da Cidadania. Em nota técnica, o órgão aponta “razões técnicas e científicas contrárias à redução do controle internacional da maconha”.

Cordeiro indicou que o Brasil votará contra as recomendações em dezembro, durante reunião da ONU.  E defende novos estudos científicos antes de apoiar o uso medicinal da Cannabis. 

Apesar da posição contrária do governo, centenas de estudos comprovam os benefícios à saúde do CBD, THC e outros canabinoides da planta. Casos como o do menino Daniel, diagnosticado com autismo e síndrome de Down, que pôde largar 10 remédios ao tomar iniciar o tratamento com Cannabis, comprova os efeitos benéficos da planta. Outras dezenas de casos apontam para melhora em pacientes com algumas condições de saúde.

Procurando por um médico prescritor de cannabis medicinal? Clique aqui temos grandes nomes da medicina canabinoide para indicar.
Compartilhe!
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on whatsapp
Share on email