A experiência mística de Sidarta Ribeiro com psicodélicos e seus usos medicinais

Neurocientista é uma das maiores referências no mundo em estudos do sono, sonhos e memórias e defende tratamentos com Cannabis, cogumelos e ayahuasca para doenças psiquiátricas como dependência química e depressão
sidarta ribeiro

A pandemia agravou um problema que a humanidade enfrenta desde a invenção da luz elétrica: nossa desconexão com o mundo dos sonhos. Isso afeta diretamente a qualidade do nosso sono, nossas memórias e principalmente nossa saúde mental e física. É o que nos explica o neurocientista Dr. Sidarta Ribeiro no seu livro O Oráculo da Noite, A História e a Ciência do Sono. E segundo pesquisador é a medicina ancestral – da Cannabis, da Ayahuasca e dos cogumelos por exemplo – que está nos tratando melhor que os sintéticos de farmácia, mas principalmente nos reconectando à nossa essência.

Sidarta é hoje uma das maiores referências no mundo em estudos sobre o sono, os sonhos e as nossas memórias. Ele é mestre em biofísica, doutor em comportamento animal e pós-doutor em neurofisiologia. É fundador e vice-presidente do Instituto do Cérebro da UFRN, onde lidera muitas pesquisas sobre o assunto. 

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A outra frente onde Sidarta Ribeiro é referência são os tratamentos com Cannabis e psicodélicos sobretudo para doenças psiquiátricas, como depressão, dependência química e transtorno de estresse pós-traumático. Na última semana, o cientista foi entrevistado no Santa Cannabis Podcast, onde falou sobre a relação entre suas duas áreas de pesquisa: o cérebro humano e os psicotrópicos naturais.

“A gente está falando em tratamentos para pessoas que sofrem muito. O sofrimento grassa no mundo, e a pandemia piorou muito esse quadro. São substâncias de poder, de tradição, de ritual, antigas ou não, mas que podem ajudar as pessoas a viverem melhor”, garante o cientista.

Sidarta também falou sobre sua experiência pessoal com a Ayahuasca, um chá tradicional dos índios brasileiros de alto potencial alucinógeno, feito a partir de ervas amazônica e utilizada em rituais religiosos para abrir a mente e criar visões místicas. O neurocientista relata que passou por essas experiências místicas.  

“As pessoas têm experiências com entidades quando experimentam essas substâncias. Com forças sobrenaturais, experiências místicas. Isso foi muito bem documentado, está muito publicado. É um fato científico. O que essas experiências místicas querem dizer, se é apenas a reativação de memórias entre o hipocampo e córtex cerebral ou se são experiências com entidades extrafísicas que a ciência não reconhece, eu nem me aventuro a fazer essa escolha. Porque uma eu tenho certeza que acontece, que é a parte neurobiológica. E a outra eu não tenho nenhuma evidência de que acontece ou não acontece”, explica.

“Eu já tive essas experiências, eu já experimentei ayahuasca, eu já tive esses encontros. E eu posso explicá-los para mim mesmo como sendo tudo alguma coisa que aconteceu dentro do meu cérebro. Mas eu posso provar que não é uma coisa que aconteceu apenas dentro do meu cérebro? Não posso”.

Nosso cérebro produz substâncias psicodélicas

No trecho “a química do delírio do livro O Oráculo da Noite, Sidarta explica que os seres humanos possuem neurotransmissores similares ao de muitas drogas. Nós temos os endocanabinoides que simulam os canabinoides das plantas da maconha, por exemplo, e a serotonina, com seus análogos encontrados na Ayahuasca e até no LSD. Questionado se o homem proibiu substâncias que o próprio cérebro humano produz, Sidarta respondeu: “É isso mesmo. Essa é uma contradição impressionante e patética”.

“Eu já vi várias vezes em palestras quando eu falo que nosso cérebro possui substâncias análogas à maconha eu vejo pessoas mais velhas e mais jovens ficaram surpresas, deixarem o queixo cair, algumas pessoas se irritam, acham ofensivos.

Segundo Ribeiro, se uma pessoa perdesse todos seus canabinoides do próprio corpo ela “desfaleceria imediatamente”.

“Não teria como funcionar. Porque o sistema endocanabinoide é central, não é um detalhe no nosso corpo”.

Ouça a entrevista completa!

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