Quais são os países mais avançados em pesquisas com Cannabis medicinal?

Israel é o pioneiro, mas países como Espanha, Canadá e República Tcheca investem cada vez mais em estudos inovadores

A pesquisa brasileira ainda sofre com os limites legais de estudos com Cannabis, visto que a regulamentação para fins medicinais saiu apenas no fim do ano passado.  E proíbe o cultivo nacional. Uma diferença gritante em relação a outros países. Israel saiu à frente, ainda nos anos 1960, com as primeiras pesquisas sobre canabinoides. Já o Canadá despontou como o segundo lugar do mundo a regulamentar o uso medicinal.

Não à toa, esses países aparecem em destaque quando se trata de pesquisas sobre Cannabis medicinal. Veja quais são os outros países compõem essa lista.

Israel

Raphael Mechoulam, professor e pesquisador da Universidade Hebraica de Jerusalém, foi o responsável por isolar o TCH e o CBD das demais propriedades químicas da planta. Isso há muito tempo: em 1963. Foi ele também que sintetizou o canabidiol (CBD), aplicando seus efeitos em pacientes com epilepsia.

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Essa possibilidade de estudar a Cannabis em universidade de ponta levou Israel à liderança mundial em pesquisas sobre Cannabis medicinal. Mechoulam segue produzindo, a atua agora em produtos que ajudem no tratamento de asma.

Os produtos são amplamente prescritos no país, o que eleva o interesse de acadêmicos e da indústria em investir em mais estudos.

Canadá

Em 2001, o Canadá regulamentou o uso medicinal de Cannabis no país – foi o segundo lugar do mundo a fazê-lo. Cinco anos antes, o estado da Califórnia, nos Estados Unidos,

Desde então, políticas favoráveis à Cannabis só ganharam mais espaço. O uso adulto foi liberado pelo governo em 2018, com direito ao cultivo doméstico – quatro pés da planta por residência.

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A abordagem liberal à Cannabis facilitou o acesso das empresas canadenses a esse mercado, o que resultou em gigantes da indústria em termos de pesquisa, produção e exportação. Além disso, o governo se comprometeu a apoiar 14 projetos de pesquisa focados em Cannabis através de financiamento dos Institutos Canadenses de Pesquisa em Saúde.

Não à toa, de lá saíram os primeiros estudos (ainda preliminares) sobre a possibilidade de tratar pacientes de Covid-19 com Cannabis.

República Tcheca

Não faz muito tempo que o país regulamentou o uso medicinal de Cannabis. Só em 2013, os pacientes com câncer e dor crônica puderam ter acesso aos tratamentos. Embora os preços altos não ajudem o consumo, o país abriga um dos centros de pesquisa mais avançados no campo da Cannabis medicinal: o Instituto Internacional de Cannabis e Canabinóides (ICCI).

Localizado em Praga e inaugurado no final de 2015, com o apoio de organizações americanas e do Ministério da Saúde da República Tcheca, este centro multidisciplinar trabalha com universidades, empresas de tecnologia e organizações de todo o mundo que têm interesse no desenvolvimento de Cannabis terapêutica. O objetivo do ICCI é permitir o exame científico da relação entre compostos bioativos de maconha e o efeito no organismo humano no tratamento de síndromes específicas.

Espanha

Um leitor assíduo de pesquisas no campo da Cannabis medicinal certamente já se deparou diversas vezes com estudos mais recentes vindo da Espanha. Na Universidade Complutense de Madri, por exemplo, há inúmeras pesquisas sobre as aplicações dos canabinoides.

Desde 1998, pesquisadores da mesma universidade descobriram que o THC pode induzir à morte células tumorais. Além disso, um grupo de pesquisa liderado por Manuel Guzmán anunciou em 2002 que havia usado o THC para destruir tumores cerebrais incuráveis ​​em ratos.

Essa série de estudos é acompanhada por uma visão mais liberal do consumo de Cannabis em geral. No país, o cultivo em casa para fins medicinais é liberado. E a Agência Espanhola de Medicamentos e Dispositivos Médicos (AEMPS) emite licenças de cultivo para fins terapêuticos e de pesquisa, com cinco empresas já tendo obtido uma licença.

Além disso, em 2015, os espanhóis lançaram o Observatório Espanhol de Cannabis Medicinal. O objetivo é promover, coordenar e organizar atividades destinadas à conscientização sobre as propriedades terapêuticas da Cannabis e seus derivados.

Holanda

Desde 2003, o país permite a venda da Cannabis medicinal em farmácias. Não que isso facilite as coisas. As pesquisas com a planta estão sujeitas a uma regulamentação rigorosa, com o Escritório de Cannabis Medicinal – administrado pelo Ministério da Saúde – sendo totalmente responsável pela produção e distribuição da Cannabis para universidades, farmácias e centros de pesquisa.

Ainda que apenas uma empresa, a Bedrocan, possa produzir Cannabis, as pesquisas seguem constantes. Além de conduzir seus próprios estudos, a empresa colabora com outros centros de pesquisa, incluindo o Centro Médico da Universidade de Leiden, que atualmente pesquisa os efeitos da Cannabis inalada para o tratamento de fibromialgia.

Uruguai

O primeiro país a legalizar totalmente a produção e a venda de Cannabis em todo o país, juntamente com a exportação de Cannabis medicinal, foi o nosso vizinho Uruguai.

Tão logo a legislação entrou em vigor, em 2017, o país abriu uma grande fábrica de pesquisa e produção de Cannabis de propriedade privada. Diferente da maioria dos países, a dificuldade dos uruguaios não é com a legislação, mas com a falta de recursos para financiar as pesquisas.

Colômbia e Estados Unidos ainda não apresentam grandes centros de pesquisas, mas caminham para integrar essa lista rapidamente. E, com cada vez mais estudos consolidados e o debate social em torno do assunto ganhando corpo, a tendência é que outros se juntem a eles.

 

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