NY Times: febre do CBD começou com cientista brasileiro Elisaldo Carlini 

“O grande lançamento do canabidiol no mainstream ocorreu quando o mundo viu as evidências que Dr. Carlini havia descoberto no Brasil, na década de 1970: a capacidade do composto de reprimir convulsões”, escreve o jornal, que destacou ainda a proximidade entre o pesquisador e o governo dos EUA.

Deu no New York Times! Um dos jornais mais relevantes do mundo, com quase 170 anos de história, produziu nesta semana uma reportagem especial em que investiga a origem da mania pelo CBD nos Estados Unidos. E conforme a publicação, apesar do derivado da Cannabis ter virado febre entre os norte-americanos, foi um brasileiro que iniciou isso tudo, o cientista Dr. Elisaldo Carlini, professor emérito da Unifesp e diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) – hoje com 90 anos.

Considerado um dos maiores especialistas em entorpecentes do Brasil, Carlini estudou os efeitos da maconha e de outras drogas em nível experimental durante toda sua vida profissional. No ano passado, foi selecionado como pesquisador emérito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“O grande lançamento da CBD no mainstream ocorreu quando o mundo viu evidências do que Dr. Carlini havia descoberto no Brasil, na década de 1970: a capacidade do composto de reprimir convulsões. Ao contrário de uma redução na dor, isso era algo que qualquer político ou equipe de filmagem podia ver facilmente. Não era uma farsa”, escreveu a repórter investigativa Amanda Chicago Lewis.

A reportagem faz uma viagem aos anos 60, época em que o então presidente Nixon iniciou a cruzada de criminalização das drogas. Contudo, revela o jornal, foi nesse mesmo período que o lado mais científico da Casa Branca começou a financiar algumas pesquisas sobre Cannabis. Segundo o NY Times, um homem chamado Carlton Turner ajudou a estabelecer o projeto de pesquisa da maconha do governo na Universidade do Mississippi. Porém, depois ele se tornou o ‘czar antidrogas’ do presidente Ronald Reagan, ajudando a expandir a guerra às drogas.

“Mas o tempo todo, Turner estava em contato com um cientista brasileiro chamado Elisaldo Carlini, que havia feito estudos em pequena escala em seres humanos que mostravam crises reduzidas de CBD: ‘Todo o trabalho inicial sobre CBD foi Carlini no Brasil’, disse Turner. no verão passado. ‘Ficamos em comunicação por muitos anos’.”

De acordo com o jornal, a pesquisa do Dr. Carlini não foi replicada ao longo das décadas seguintes, em parte porque poucas pessoas tinham acesso ao composto: tanto as plantas armazenada no único laboratório de maconha permitido pelo governo dos EUA na Universidade do Mississippi quanto a maconha ilegal fumada pelo país tinha apenas traços de CBD. Turner chegou a testar vários tipos de maconha enviados por um lendário produtor de maconha, escritor de “High Times” chamado Mel Frank. Sem sucesso: continha pouquíssimo CBD.

“Naqueles anos, emissários da contracultura da Califórnia viajavam com frequência pelo mundo à procura de tipos únicos de maconha. O mais influente desses colecionadores foi um homem chamado David Watson. No início dos anos 70, Watson vendeu seus bens e começou a pegar carona do Marrocos para a Índia, fazendo amizade com produtores de maconha locais pelo caminho” conta a repórter.

“Watson finalmente se estabeleceu em Amsterdã para examinar seus milhares de tipos de maconha em sua própria empresa holandesa, HortaPharm BV. Ele trouxe um amigo, um botânico americano chamado Robert Connell Clarke para ajudar. Quando Watson e Clarke souberam da pesquisa de CBD que o Dr. Carlini havia feito no Brasil, o casal identificou e depois produziu variedades de CBD. Isso levou a uma descoberta”, descreve Amanda.

Carlton Turner ajudou a estabelecer o projeto de pesquisa sobre maconha na Universidade do Mississippi. Crédito: Universidade do Mississippi

Em dezembro de 2011, uma criança epiléptica usou o CBD no “Weed Wars” do Discovery Channe. No ano seguinte, os pais de um menino epilético em São Francisco compraram CBD numa loja de maconha. Então, procurando um produto de melhor qualidade, entraram em contato com a GW Pharmaceuticals – a empresa britânica que havia licenciado a coleção de Cannabis daqueles dois colecionadores do século XX, Watson e Clarke. A empresa acabou desenvolvendo um medicamento CBD de 98% para o garoto e outros como ele.

De repente, todos passaram a querer CBD, mesmo que pouca gente entendesse direito o que era aquele composto. Em 2018, o presidente Donald Trump assinou o famoso farm bill (lei agrícola) que liberou em todo país o cultivo de cânhamo, variedade da Cannabis rica em CBD e sem o psicoativo THC. Dois anos depois, o canabidiol está disponível de três maneiras nos Estados Unidos: no balcão; em dispensários de maconha licenciados pelo Estado; ou se você tiver certas formas de epilepsia, o produto da GW Pharmaceuticals.

Em março, o portal Cannabis & Saúde publicou uma reportagem especial sobre os brasileiros que mudaram a história da planta no Brasil. E conversamos com o Dr. Elisaldo Carlini.

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