Os mitos (e as verdades) sobre a Cannabis medicinal

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No século 20, a planta entrou na lista de substâncias proibidas em vários países. E caiu em desgraça. Dessa fase, surgiram os mitos e preconceitos em torno dela. Saiba o que é verdade ou não quando se trata do uso medicinal

A gente sabe: a primeira vez que você ouviu falar sobre Cannabis medicinal, talvez você tenha torcido o nariz. Não tem problema. O discurso predominante é de que maconha é droga – e droga não é, nem nunca será, remédio certo?

Não.

A ciência já provou que toda essa linha de raciocínio está errada. A Cannabis tem se mostrado promissora em diversos tratamentos e ajudando muita gente mundo a fora.

Ainda assim é natural que algumas dúvidas e conceitos deixem você com a pulga atrás da orelha. Nesses casos, nada melhor do que ter algum contato com os fatos. Separamos aqui os maiores mitos em torno da Cannabis medicinal e os respondemos com estudos científicos. Deixe as pré-conclusões de lado e prepare-se para aprender um pouco:

“Tomar um medicamento à base de Cannabis é como fumar um baseado”

Na verdade não. Como todo remédio que você compra na farmácia, tipo tylenol, os produtos à base de Cannabis são extremamente controlados. Isso não vale, claro, para o uso recreativo de Cannabis vendida ilegalmente.

Um estudo feito em 2017, por exemplo, mostrou que usuários de maconha não têm a menor ideia de quanto THC, CBD, ou quaisquer compostos intrínsecos à planta eles consomem. Por outro lado, sabemos que o Mevatyl (medicamento à base de Cannabis vendido no Brasil) possui exatas 27 mg de tetraidrocanabinol e 25mg de canabidiol a cada ml. O medicamento é manipulado e controlado, para combater problemas e condições específicos, completamente diferente de um cigarro qualquer de maconha. 

“Esses remédios são feitos para maconheiros”

Errado de novo. Na verdade há uma série de estudos que já definiram: há diferenças bem claras entre o perfil de quem fuma maconha por diversão e quem toma remédios à base de Cannabis.

Na verdade, eles têm até menos problemas com drogas, segundo pesquisa feita em 2015 pela Universidade de Washington. Cientistas analisaram os comportamentos e os exames de 868 americanos adultos. E pacientes em tratamento com Cannabis medicinal costumavam beber menos álcool e não usavam outras drogas. Mesmo quem fumava a planta para fins terapêuticos tendia a fazer o ritual sozinho. Por razões óbvias: já viu alguém reunir uma galera para tomar Novalgina? Remédio é remédio. Não um evento social.

“Os usuários ficarão chapados”

É importante diferenciar alguns conceitos aqui.  A planta contém mais de 500 compostos químicos – entre terpenos, canabinoides, etc. E quem dá o barato é um deles: o tetra-hidrocanabinol, ou THC, por ter propriedades psicoativas.

Pois bem, nem todo medicamento à base de Cannabis leva THC. Na verdade, os remédios tendem a se debruçar sob outras três letrinhas: CBD (sigla para canabidiol). O CBD já teve sua eficácia comprovada como uma substância neuro protetora, antiepiléptica, antipsicótica e anti-inflamatória e, pasme, não deixa ninguém alterado.

Medicamentos com nenhum ou baixa dose de THC não deixarão ninguém alterado. E a união entre uma dose mais alta de CBD acompanhada de um pequeno volume de THC têm demonstrado resultados em doenças como esquizofrenia e Parkinson. 

Um estudo de 2017 feito pela nova-Institute (um importante centro de pesquisas alemão) analisou 140 estudos clínicos envolvendo derivados de Cannabis, feitos desde 1975. E apontou que, cada vez mais, governos estão liberando a produção de produtos com maior nível de CDB – justamente pela ausência de característica alucinógena. 

Isso não quer dizer que o THC não tenha efeitos terapêuticos. Esse canabinoide tem funcionado bem como ansiolítico, anti-inflamatório, imunossupressor, antiviral, hipotensor, neuroprotetor, estimulador do apetite, antiemético (reduz a vontade de vomitar), analgésico, sedativo, anticonvulsivo, antitumorígeno, modulador neuro-endócrino, antipirético, antioxidante, e pode ainda ser usado no tratamento de glaucoma.

“Apenas adultos devem usá-los”

Esse não é bem um mito, é mais uma discussão. A grande verdade é que não temos estudos suficientes que determinem qual é o efeito, a longo prazo, dos remédios de Cannabis em crianças.

Porém sabemos algumas coisas: pesquisas mostram que os efeitos intoxicantes da Cannabis tendem a estar relacionados ao THC e não ao CBD.  E o mais importante: pesquisas mostram que remédios à base de cannabis surtem efeitos positivos imediatos em crianças. 

Dito tudo isso, a conclusão que outras pesquisas entenderam é de que cabe aos pediatras orientarem e acompanharem os pais e crianças. Nos próximos anos, o provável é que estudos esclareçam o efeito desses medicamentos no desenvolvimentos de crianças e adolescentes. Enquanto isso, alguns pais podem se sentir confortáveis com o uso pediátrico do medicamento, outros não. Nenhum está errado. 

“Os medicamentos servirão como porta de entrada para as drogas”

Na verdade, há pesquisas que provam exatamente o contrário. Um estudo, feito pela Universidade da Califórnia em parceria com instituições canadenses que estudam o vício, mostrou que remédios à base de Cannabis podem ser a porta de saída do mundo das drogas.

O estudo mostrou que, depois que começaram a tomar os medicamentos, pacientes demonstraram uma diminuição no consumo de remédios,  álcool e drogas ilícitas. De acordo com os estudos, o motivo da troca é que os remédios, entre outros motivos, lhes davam menos abstinência e menos efeitos colaterais.  

Ou seja…

Esperamos que essas informações lhe ajudem a entender um pouco melhor o mundo dos medicamentos a base de cannabis. Até por que, tudo bem torcer o nariz de primeira – falta de conhecimento a gente só cura de um jeito (e não é com CBD): é com informação.

 

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