Potencial terapêutico dos canabinóides na dor miofacial, por Ana Gabriela Baptista

Um estudo concluiu que a aplicação de CBD no músculo masseter reduz a intensidade dor e melhora a condição do músculo em pacientes com dor miofacial
dor miofacial e cannabis

A dor miofacial é uma condição clínica específica de dor muscular regional associada à presença de um ou mais pontos dolorosos. Estes são denominados pontos-gatilho, que são nódulos palpáveis e doloridos.

A dor é profunda e mal localizada e pode vir associada a fenômenos motores, sensoriais ou autonômicos. É a causa mais frequente de dor musculoesquelética, devendo sempre ser pesquisada a sua presença na avaliação das dores regionais orofaciais (cefaleias tensionais, dor temporomandibular), cervicais, dorsais e lombares, incluindo as dores pélvicas de origem desconhecida.

Ebook: "30 patologias que podem ser tratadas com o canabidiol"

Conheça o CBD e todo seu potencial para o tratamento de 30 doenças e transtornos.

Os primeiros sintomas que obrigam o paciente a buscar ajuda médica são a dor no rosto e pescoço, dor de cabeça e dor de ouvido. O bruxismo, por exemplo, leva a distúrbio do sono que provoca o aperto dos dentes durante a noite, e pode ser considerado uma das principais causas de desgaste dentário e dos músculos mastigatórios, um fator de risco para o desenvolvimento de doenças temporomandibulares. Possivelmente, a causa do bruxismo está ligada a fatores genéticos, ansiedade, estresse, tensão ou disfunções físicas da boca.

A dor miofacial é um sintoma de inflamação muscular, onde nódulos de contratura muscular são formados, alterando o fluxo de sanguíneo local. As terapias convencionais para o alívio dos pontos-gatilho são injeções, terapias manuais e acupuntura (agulhamento).

O canabidiol (CBD) é uma substância não psicoativa da Cannabis sativa com benefícios medicinais para uma gama de condições, incluindo dor e inflamação, o que é confirmado por estudos in vivo que mostram a atividade do CBD para reduzir a liberação de citocinas pró-inflamatórias.

O óleo de CBD possui uma biodisponibilidade oral limitada causada pela digestão. Pela localidade da condição avaliada e a natureza lipofílica do óleo, testes com a administração transdérmica de CBD foram feitos em pacientes apresentando dor miofacial, a fim de se apurar a eficácia desse composto na doença.

As formulações transdérmicas de medicamentos possuem muitas vantagens sobre formas orais, pois evitam o efeito do metabolismo de primeira passagem, melhorando a biodisponibilidade do medicamento. Além disso, a administração transdérmica permite a liberação constante do medicamento por um longo período de tempo no local da aplicação, minimizando os efeitos adversos de dosagens mais altas do medicamento, que por sua vez podem melhorar a eficácia e a segurança do paciente. A aplicação tópica de medicamentos é ideal para tratar inflamação e dores musculares.

Os canabinoides transdérmicos são eficazes na redução da dor e dos sintomas inflamatórios. Tanto o carreador na forma de pomada quanto a substância ativa na forma de CBD são hipoalergênicos, com facilidade de penetração através da pele.

Pesquisadores encontraram receptores de canabinoides CB1 e CB2 no gânglio trigêmeo, que inervava os músculos masseteres em modelo animal, sugerindo que os receptores canabinoides são um alvo para terapia analgésica em distúrbios de dor muscular. O canabidiol, portanto, pode ser entregue através da superfície da pele e interagir com os receptores canabinoides.

Um estudo avaliou a eficiência do efeito miorrelaxante do canabidiol (CBD) após a aplicação transdérmica em pacientes com dor miofacial. Um total de 60 pacientes foram incluídos no estudo duplo-cego e foram divididos aleatoriamente em dois grupos. O primeiro grupo recebeu uma dose de CBD, enquanto o segundo grupo recebeu uma formulação de placebo para uso tópico. Os pacientes foram orientados a aplicar a formulação duas vezes ao dia por um período de 14 dias.

A intensidade da dor e a atividade do músculo masseter, localizado na porção lateral da mandíbula e que participa do processo de mastigação, foi medido nos dias 0 e 14, por meio de uma eletromiografia de superfície. No primeiro grupo, a intensidade da dor foi significativamente reduzida, em relação ao segundo grupo. A aplicação da formulação de CBD reduziu a atividade dos músculos masseteres e melhorou a condição dos músculos mastigatórios em pacientes com dor miofacial.

A desregulação do equilíbrio entre a parte simpática e parassimpática dentro do sistema nervoso autônomo é provavelmente um fator muito importante na indução de bruxismo e da dor miofacial. O sistema nervoso autônomo regula as ações inconscientes do corpo, por exemplo o bruxismo durante o sono. Métodos inovadores para reduzir o tônus ​​muscular e permitir a recuperação dos músculos mastigatórios nas formas de dor miofacial estão em demanda.

A aplicação da formulação de CBD no músculo masseter reduz a atividade dos músculos masseter e a intensidade dor, e melhora a condição do músculo em pacientes com dor miofacial, porém, mais pesquisas são necessárias neste campo, no qual o CBD deve ser levado em consideração na terapia dos músculos mastigatórios em pacientes com disfunção temporomandibular e dor orofacial, que apresentam dores no maxilar, dificuldade de mastigar e estalos ou travamentos das articulações da mandíbula. Devem ser realizados ensaios clínicos avançados para determinar o dose, via de administração e eficácia do CBD na terapia da dor miofacial.

Referência: Aleksandra Nitecka-Buchta et al. Myorelaxant Effect of Transdermal Cannabidiol Application in Patients with TMD: A Randomized, Double-Blind Trial. Journal of Clinical Medicine. 2019.

© Copyright, todos os direitos reservados a Ana Gabriela Baptista – Conteúdo de autoria intelectual, não podendo ser copiladas. 2021.

Compartilhe!
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on whatsapp
Share on email