Pacientes de Cannabis podem seguir o tratamento se contraírem Coronavírus?

Há riscos na interrupção do uso de canabinoides em doentes com sistema imunológico comprometido e outras condições crônicas de saúde

A resposta parece ser unânime. Médicos que prescrevem Cannabis medicinal afirmam que não há motivo para interromper o tratamento. Mais do que isso: destacam os benefícios dos canabinoides no combate aos desconfortos causados pela Covid-19.

A neurologista e psiquiatra Maria Teresa Chamma enfatiza os perigos de parar de tomar os remédios usuais. Ela prescreve Cannabis medicinal há 7 anos para pacientes com epilepsia, autismo, e espasticidade (distúrbio motor decorrente da esclerose múltipla e paralisia cerebral).

“Não acredito que nenhum paciente tenha que descontinuar ao contrair Coronavírus. Alguns pacientes ficariam péssimos sem a medicação, precisando até mesmo de internação”, alerta ela. “O canabidiol tem um efeito anti-inflamatório bem conhecido. E a principal complicação da Covid-19 é a reação inflamatória extremamente exacerbada. O CBD, portanto, é uma droga em potencial a ser ensaiada, principalmente em quadros leves”, completa.

Os benefícios associados ao uso de Cannabis também são destacados por Emerson de Morais e Silva, clínico geral e cardiologista. “Os canabinoides geram sensação de bem-estar e de prazer, estimulam a imunidade, entre outros tantos. Isso nos leva a afirmar que pacientes com coronavírus podem seguir com o óleo ou pasta de CBD, sem afetá-los negativamente”, afirma.

Impacto da pandemia

Neste momento de pandemia, um estudo liderado pela Universidade de Miami (EUA) analisará o impacto da Covid-19 em pacientes de Cannabis. Os pesquisadores irão coletar os dados dessas pessoas, padrões e tendências durante o surto.

Na pesquisa, o voluntário fornece informações sobre sua saúde mental e física, mudanças na frequência de uso, dosagem e via de administração com base nas medidas de isolamento. Nos Estados Unidos, por exemplo, pacientes enfrentam atrasos na compra de medicamentos devido à crise e se tornaram um grupo vulnerável.

“As condições globais de qualificação para a Cannabis medicinal não são uniformes. Mas incluem indivíduos com sistema imunológico comprometido e condições crônicas de saúde”, explica Denise Vidot, epidemiologista que lidera o estudo. “Portanto, essa é uma população que não podemos esquecer em nosso esforço conjunto para “achatar a curva”, diz

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