Como brasileiros podem investir em fundos de empresas de Cannabis?

Duas companhias em São Paulo possuem produtos para investidores que desejam aplicar no setor de Cannabis. E não é preciso ter uma fortuna para começar a investir.

US$ 66,3 bilhões até o final de 2025: esse é o valor que o mercado legal de maconha deve atingir de acordo com um relatório da Grand View Research, Inc. Embora seja uma novidade no Brasil, 3 mil pessoas já investiram mais de R$ 35 milhões nos primeiros fundos de investimento relacionados à indústria da maconha em território brasileiro.

São indústrias de diversos setores: saúde, recreação, cosméticos, alimentos e bebidas que podem ser afetadas pela Cannabis. É o momento para investir em empresas que vão aproveitar essas oportunidades, como por exemplo a Vitreo e a XP.

A gestora Vitreo divulgou em outubro um fundo para a compra de papéis ligados ao setor de Cannabis. O Vitreo Canabidiol FIA IE investe 100% do patrimônio no mercado financeiro dos EUA e do Canadá, sendo dois terços do portfólio em ETFs (Exchange Traded Fund – fundos negociados em bolsa de valor) vinculados à maconha e um terço em ações de cinco a seis companhias do segmento.

Infelizmente esse fundo somente pode ser acessado pelo chamado ‘Investidor Qualificado’, que tenha certificação técnica aprovada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ou no mínimo R$ 1 milhão em aplicações financeiras.

Porém, foi lançado em novembro de 2019 um segundo fundo, que tem como função atingir os pequenos investidores. O Canabidiol Light investe 20% no fundo Vitreo Canabidiol FIA IE e 80% no fundo Pi Selic Firf Simples (em títulos públicos pós-fixados de taxa zero). O valor mínimo para investimento é de R$ 5 mil.

Sobre hedge: o fundo da Vitreo não tem. Isso quer dizer que o retorno é dado pela variação dos ativos que compõem o fundo e também do câmbio. Seu fundo é uma mistura de ETFS ligados ao setor de Cannabis (dois terços do total) e papéis de empresas selecionadas pelo gestor do fundo (um terço).

A taxa de administração do fundo da Vitreo é de 1,5% ao ano e e há taxa de performance de 20% sobre o que exceder o desempenho o S&P 500 Total Return (índice que coloca os dividendos pagos pelas empresas e que costuma ter performance em média de 2% acima do S&P 500). A aplicação mínima do fundo da Vitreo é de R$ 5 mil.

Já a XP lançou o Trend Cannabis Fim. E com ela investe em ações de empresas dos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra, que trabalham com a planta da maconha de forma legalizada através de produtos para uso recreativo ou medicinal, e também acompanhando o ETF MG Alternative Harvest. Esse fundo é passivo e acompanha a variação do ETF MG Alternative Harvest ou, como é famoso, “MJ” (mesmo código na bolsa de valores de Nova York). O ETF é o maior e mais líquido ligado ao setor de Cannabis nos EUA.

As empresas que fazem parte do ETF têm mais de 50% da receita conectada com atividades relacionadas à indústria de Cannabis. Algumas estão indiretamente envolvidas com o processo de cultivo legal, marketing, distribuição de produtos para fins medicinais e recreativos e produção.

O investimento mínimo no Trend Cannabis FIM é de R$ 50. Mas a XP só disponibiliza a contratação através de um de seus consultores. Já a taxa de administração do fundo da XP é de 0,5% ao ano e não há taxa de performance. O resgate é D+5.

O investidor vai ficar exposto somente à variação de preço do ETF MG Alternative Harvest, pois o fundo de maconha XP tem hedge (proteção cambial). A XP consegue disponibilizar o Trend Cannabis FIM para todos os investidores porque faz uma operação de swap (a rentabilidade do ETF MG Alternative Harvest pela variação do dólar). Ao não comprar diretamente o “MJ”, o fundo consegue obter 100% da variação do ETF já em reais.

O fundo XP, diferente da Vitreo, não se enquadra na regra da CVM, que é o órgão regulador do mercado de capitais brasileiro. Então os produtos com mais de 20% de patrimônio diretamente em ativos no exterior não são comprados apenas por investidores qualificados.

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