Cannabis: “é preciso converter não só os médicos, mas os gestores em saúde”

cannabis gestores em saúde

Uma das maiores barreiras para o desenvolvimento da medicina canabinoide no Brasil é a falta de médicos prescritores. São mais de meio milhão de profissionais, segundo o Conselho Federal de Medicina, mas apenas 2,5 mil já receitaram Cannabis para algum paciente. Esse gargalo pode ficar menos estreito se os gestores em saúde forem esclarecidos sobre o assunto.

Foi com esse objetivo que o oncologista Dr. Cid Gusmão palestrou para dezenas de executivos da área da saúde nesta quarta-feira (08), durante a HSM Expo 2021, maior evento de gestão da América Latina. O congresso, que acontece em São Paulo, este ano tem foco no mercado de saúde, bastante atingido pela pandemia.

Dr. Cid Gusmão

A palestra do Dr. Cid Gusmão aconteceu a convite da Inspirali, braço de educação médica do grupo Anima. Gusmão é oncologista chefe do Centro de Combate ao Câncer e CMO da OnixCann, grupo brasileiro de distribuição de Cannabis medicinal.

O HSM é um evento da área de saúde. Os médicos que normalmente frequentam o evento são menos clínicos e mais gestores das diversas indústrias ligadas à saúde. Ou seja, é um público do mercado de saúde, não de médicos prescritores.

“Como a Cannabis esteve fora do arsenal médico por muitas décadas, da mesma forma que deve ser feita uma conscientização do médico, é preciso conscientizar também esse público executivo de saúde”, argumentou Cid Gusmão.

“Busquei contextualizar ao meio não médico o papel da Cannabis como medicamento. O foco foi explicar a história da Cannabis, que não é recente, é utilizada como medicamento há milhares de anos. Assim os gestores podem entender porque ela saiu do armamentário terapêutico médico”, contou Gusmão.

“Quando a Cannabis foi incluída na lista de entorpecentes proibidos, consequentemente saiu da grade educacional dos médicos. E agora a gente precisa correr atrás do tempo perdido pra explicar o papel da Cannabis, o que a gente tem de evidência e por que os estudos clínicos ainda são fracos”, acrescentou.

Apesar da dificuldade em pesquisas por conta de quase um século de proibição, o médico apresentou ao público que no Pubmed, principal plataforma de artigos científicos do mundo, se encontram mais de 30 mil artigos sobre Cannabis medicinal. Por fim, o oncologista projetou o futuro da medicina canabinoide no Brasil, com o desenvolvimento da pesquisa e indústria nos próximos anos.

“A indústria farmacêutica está entrando em peso neste mercado. Hoje, temos canabinoides isolados e sintéticos, e o próprio desenvolvimento de drogas sintéticas deve modificar o uso da Cannabis. Ela não vai estar mais restrita apenas aos extratos de flores como temos atualmente. Vai se sofisticar bastante, seja no embasamento dos estudos clínicos, seja pela forma de administração do medicamento”.

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