Como a Cannabis pode auxiliar no tratamento de doenças renais?

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Saiba tudo sobre as principais doenças renais, do sistema urinário, e os benefícios do tratamento com Cannabis medicinal

A Sociedade Internacional de Nefrologia, organização que se preocupa com temas que cercam a saúde renal, criou o Dia Mundial do Rim, que acontece anualmente na segunda quinta-feira do mês de março. Essa data se propõe a conscientizar pacientes e sociedade a respeito da doença renal crônica (DRC), informando sobre sintomas, tratamentos, prevenção, por exemplo.

Nesse sentido, muitos estudos reiteram os efeitos positivos do uso da Cannabis medicinal no tratamento dessa doença e no alívio dos seus sintomas. Levando em conta essas informações, elaboramos este artigo com o intuito de mostrar a você a relação entre Cannabis medicinal e doença renal crônica, apontando como esse tratamento pode ser benéfico. Acompanhe a seguir.

Dia Mundial do Rim

O Dia Mundial do Rim vem nos trazer a importância do debate sobre a conscientização do aumento

do número de pessoas que sofrem com as doenças renais ao redor do mundo. Além disso, propõe-se a discutir estratégias de prevenção e gestão das suas consequências.

Essas ações são de suma importância, principalmente porque os dados são alarmantes: cerca de 850 milhões de pessoas vivem com algum tipo de doença renal, causadoras da morte de, pelo menos 2,4 milhões de indivíduos. Apenas no Brasil, temos mais de dez milhões de pacientes com esses problemas de saúde. É, portanto, um problema de ordem coletiva.

Doenças renais

Os rins são responsáveis pelo pleno funcionamento do nosso corpo e exerce algumas funções fundamentais, tais quais:

• Eliminação das toxinas do nosso organismo;

• Filtragem da quantidade de água e sal;

• Equilíbrio da pressão arterial;

Assim, as doenças renais são disfunções que alteram o funcionamento desse órgão e, por não apresentarem sintomas de modo imediato, requerem cuidados no que se refere à prevenção e tratamento. Veja abaixo, algumas doenças que afetam os rins:

Nefrite

Os glomérulos são elementos responsáveis pela função de filtragem dos rins e auxiliam na eliminação das toxinas, da água e do sal. Quando há inflamação nessa parte específica do órgão, há o que a medicina chama de nefrite. Ela dificulta a filtragem do sangue e pode ser causada tanto por infecção bacteriana (aguda), quanto por casos de infecções intensas (crônica).

Cálculo renal

Um problema renal muito conhecido e bastante comum de ocorrer é o cálculo renal, causador de pequenas pedras no órgão ou nos canais urinários. Uma das principais razões para o desenvolvimento dessa doença é a falta de hidratação, ou seja, ausência de ingestão de água

Insuficiência renal

A insuficiência renal, como o próprio nome sugere, é ocasionada pela perda das funções renais, sobretudo a filtração. Caso se agrave pode ocasionar a retenção de ureia no organismo, hipertensão e anemia, por exemplo.

Infecção renal

Também conhecida como pielonefrite têm suas causas relacionadas a uma bactéria que afeta a bexiga e depois ataca os rins. Entre seus sintomas estão dores intensas e febre. Em muitos casos é exigido atendimento médico emergencial.

Doença renal crônica (DRC)

A doença renal crônica, refere-se a uma lesão nos rins que acarreta uma perda progressiva e irreversível das suas funções. Em seu estágio mais avançado, denominado fase terminal de insuficiência renal crônica, os órgãos são incapazes de cumprir a normalidade do meio interno do paciente.

Expectativa de vida em relação aos pacientes de DRC

A expectativa dos pacientes de DRC é muito limitada e, estima-se que eles vivam entre 8 a 4,5 anos após iniciarem a diálise, caso possua entre 40 e 64 anos. Dessa forma, torna-se priorizada melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, que passam a sentir diversos sintomas, como dor, náusea, ansiedade e insônia.

Nesse contexto, existem remédios convencionais que podem aliviar esse mal-estar, contudo, possuem muitos efeitos adversos, além de intolerância e resultados pouco eficazes.

Relação entre rins e o sistema urinário

O sistema urinário é formado pelos rins, bexiga, ureteres e uretra. Todo esse sistema é responsável por eliminar os resíduos do nosso organismo, ajudando a ajustar o volume de sangue e a controlar a pressão arteriais. Além disso, administra os eletrólitos, metabólitos e ajusta a acidez do sangue.

Nos rins, existe uma forte circulação de sangue, havendo, no seu interior, inúmeras pequenas estruturas, denominadas néfrons. Como já mencionamos, eles filtram nosso sangue a uma quantidade aproximada de meia xícara por minuto.

A urina é resultado da filtragem correta e é provisoriamente acumulada na bexiga. É válido salientar que apenas uma porção do sangue filtrado vira urina. A outra parte da água purificada volta pra corrente sanguínea. Desse modo, os rins limpam, de maneira assídua, nosso sangue de toxinas e ajuda a manter um equilíbrio de água e minerais.

Nesse sentido, boa parte das doenças renais comprometem os néfrons, por isso que a sua taxa de mortalidade, após o paciente ser acometido por uma insuficiência renal, é considerada alta.

Os rins e o sistema endocanabinoide

O sistema endocanabinoide (SECB) é um sistema biológico composto por endocanabinoides, e reponde pela regulação e equilíbrio dos outros sistemas dos seres vertebrados. Passando pelos processos fisiológicos até os cognitivos. São também responsáveis pela recepção dos efeitos farmacológicos da Cannabis.

Nesse contexto, os receptores canabinoides CB1 e CB2 podem ser percebidos em inúmeros órgãos e tecidos, inclusive nos rins. O SECB regula os receptores de sinalização celular, que são fundamentais para a homeostase energética. Assim, alguns estudos sugerem que a ausência de equilíbrio na produção de endocanabinoides (superativação de CB1 e diminuição de CB2) pode influenciar a doença renal crônica.

As propriedades dos canabinoides

Canabinoide é uma nomenclatura geral para descrever substâncias, naturais ou artificiais, que são capazes de ativar os receptores canabinoides CB1 e CB2. Abarcam os fitocanabinoides, encontrados na Cannabis, que se relacionam com o tetraidrocanabinol (THC); os já citados endocanabinoides e os canabinoides sintéticos

Embora existam muitos fitocanabinoides na Cannabis, a maioria dos estudos mantém o foco nos componentes ativos de maior abundância, como o canabidiol (CBD), um fitocanabinoide que ativa o sistema endocanabinoide nos momentos de dor, náusea ou inflamação.

Além dele, estudos apontam o THC como agonista dos receptores CB1 e CB2, podendo ser utilizado como analgésico e antiméricos — atuando no alívio das náuseas. Já o CBD, apesar de possuir menos efeitos analgésicos e antieméticos do que o THC, tem potencialidades terapêuticas, pela sua propriedade ansiolítica, antipsicótica, anticonvulsivante e neuroprotetora.

Efeitos dos canabinoides nos rins

Como já mencionamos, os receptores CB1 e CB2 são encontrados nos rins. Estudos mostram que os endocanabinoides influenciam a homodinâmica renal, além da reabsorção tubular de sódio pela ativação do receptor CB1.

Alguns testes em animais como ratos obesos resistentes à insulina, o bloqueio do receptor CB 1 preveniu a proteinúria (presença de proteína na urina, em quantidades superiores ao esperado). Além disso, evitou o declínio da função renal e diminuiu a fibrose intersticial glomerular e tubular. Toda essa ação, sugere efeitos endocanabinoides diretos nos rins.

Efeito da Cannabis nos sintomas das doenças renais

Como já foi dito, algumas doenças renais podem provocar dores crônicas, náuseas, apatia, insônia, entre outros sintomas. Abaixo, falaremos sobre o efeito da Cannabis em cada uma delas.

Dor crônica

Estima-se que cerca de dois terços dos pacientes pré-diálise com doença renal crônica, nos estágios 3 a 5 sofra com esses problemas. Dentro desse grupo de pessoas, 48% informam sofrerem de dores crônicas. Nesse sentido, muitos opioides são prescritos para s pacientes, contudo, existe um risco alto de efeitos adversos, como dependência física.

Nos estados em que a cannabis é legalizada, nos Estados Unidos, foi observado que houve uma redução de 24,8% nos casos de overdose de opioides, além de um declínio do seu uso.

Náusea e vômito

As náuseas e vômito são bastante comuns em pacientes submetidos a hemodiálise. Isso acontece porque quando há um mau funcionamento dos rins, substâncias indesejáveis acabem se acumulando no sangue, gerando o mal-estar no processo de hemodiálise. Além disso, outras doenças, como gastroparesia diabética e efeitos adversos de medicamentos, podem provocar esses sintomas.

Nesse sentido, o uso de canabinoides no tratamento de náuseas e vômitos provocados pelos pacientes sujeitos à quimioterapia foi apresentado pela conferência Cancer Therapy Advisor, da America Society of Clinical Oncology. Nela foram exibidos os resultados da fase 2 de 3 de uma pesquisa, cujo objetivo era avaliar a segurança e eficácia de um extrato de THC e CBD para prevenção secundária dos sintomas nesses pacientes.

A partir dos resultados, foi possível concluir que a maioria das pessoas preferiu o tratamento com o extrato de Cannabis, comparado ao placebo. O estudo abrangeu a participação de pacientes adultos, que afirmavam sofrer severamente com esses efeitos.

Além disso, outro estudo feito por pesquisadores norte-americanos verificou como a Cannabis pode auxiliar pacientes de HIV que sofrem dores e náuseas. 523 voluntários participaram da pesquisa e 93% dos participantes afirmaram melhoras na náusea com o uso da substância.

Anorexia

Por causa da síndrome urêmica — que ocorre quando os rins não estão mais filtrando de modo adequado —, a anorexia pode ser uma consequência de alguma doença renal. Nesse sentido, a Cannabis pode auxiliar, pois o THC induz o apetite, por meio da ativação dos receptores CB1. Isso ficou provado depois do estudo do uso de canabinoides no contexto da AIDS, HIV, câncer e anorexia nervosa.

Prurido Urêmico

O prurido urêmico é um problema comum em pacientes renais crônicos que impacta de maneira negativa a sua qualidade de vida. Ele é caracterizado por um mal-estar na mucosa da pele que provoca uma sensação desagradável e um desejo incontrolável de coçar a pele, afetando cerca de 40% dos pacientes de doenças renais crônicas em grau moderado à grave.

Nesse aspecto, os canabinoides foram considerados moduladores neuronais do prurido, diminuindo a coceira, a ativação das fibras nervosas e a liberação imediata de neuropeptídeos — presentes em vários processos fisiológicos e homeostáticos nos sistemas nervosos central e periférico — e mediadores inflamatórios.

Insônia

A insônia é algo que acomete os pacientes de doenças renais crônicas, mais do que a população em geral. Sendo considerada insônia, a síndrome das pernas inquietas, os distúrbios na respiração durante o sono e excessiva sonolência durante o dia.

Nesse sentido, estudos com canabinoides para o tratamento desse sintoma, começou em meados da década de 70, contudo, não houve a inclusão de pacientes com sintomas renais. Para a literatura, o uso de canabinoide para insônia, leva em consideração contexto de dor neuropática incessante e não para insônia primária.

Portanto, as evidências que nos trazem até aqui não são suficientes para provar a eficácia da cannabis no caso da insônia primária. Contudo, estudos estão sendo produzidos e já demonstram que uma proporção de altas doses de CBD e baixas doses de THC, tem o poder terapêutico que favorece o sono.

Nos últimos anos, a Cannabis medicinal veio ganhando força como uma opção terapêutica que pode ser utilizada para inúmeros fins. No entanto, podemos perceber que muitos desses estudos carecem, por exemplos de ensaios clínicos e mais pesquisa, uma vez que seu uso deve ocorrer de maneira benéfica para o paciente.

Por outro lado, o uso da Cannabis no auxílio ao tratamento de doenças renais pode ser muito vantajoso, uma vez que, sintomas relacionadas ao mau funcionamento dos rins, como insônia, dores crônicas e anorexia, podem ser tratados com o uso da substância. O próprio processo de hemodiálise pode contribuir para o mal-estar do paciente, que se beneficiará do uso da Cannabis, desde que feito de modo prescrito, respeitando a legislação nacional e cada caso específico.

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