“Antes tudo me demandava muito esforço, agora tenho disposição ”, conta paciente com HIV

Aos 20 anos, Gabriel descobriu a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). E passou a usar a Cannabis para tratar os efeitos colaterais da doença, entre eles a depressão

Faltava vontade para levantar da cama. Aos 25 anos, Gabriel* acordava e voltava a dormir. Deixou de lado os serviços domésticos e conviveu com a casa suja e bagunçada. Se fosse cozinhar, o prato mais elaborado seria uma tapioca com queijo e presunto. Ou um sanduíche com o mesmo recheio. A faculdade também era levada sem muita vontade – só pegava duas ou três matérias por semestre.

Os sinais da depressão apareceram como consequência de um dos medicamentos. Era um dos efeitos colaterais do Efavirenz – remédio usado no tratamento da infecção pelo HIV.

A DESCOBERTA DA DOENÇA

Gabriel começou o ano de 2014 com uma virose que não passava. Foram duas semanas de idas e vindas ao hospital para tomar soro. Sentia náuseas, febres e pouca – ou quase nenhuma – fome. Em uma das muitas idas ao médico, Gabriel pediu para investigar melhor a doença. Não podia ser só virose.

E não era mesmo. Quando o médico sugeriu uma internação para investigar as causas da doença, Gabriel concordou. Mas naquele mesmo dia, desmaiou em casa. Passou dois dias desacordado, na UTI. Quando recuperou a consciência, descobriu que passara por meningite (infecção membranas que recobrem o cérebro). E mais: o exame de sangue havia testado positivo para HIV.

Não teve outra escolha a não ser partir para o coquetel de drogas. “Era Kaletra, Tenofovir, Lamivudina. Senti muito mal-estar, enjoo e falta de apetite”, lembra Gabriel.

USO MEDICINAL

No segundo dia após o tratamento, cansado das dores, recorreu a uma velha conhecida: a Cannabis. “Eu já fumava socialmente há muito tempo, mas tinha parado porque estava mal”, conta.

Preparou uma manteiga com um estoque de prensado que havia guardado há mais de um mês. Depois de consumir, os efeitos colaterais dos medicamentos desapareceram. E Gabriel pode voltar à vida que levava antes.

Só voltaria a sentir as consequências do tratamento anos depois, em 2019. “Eu sentia muito desânimo – e quando eu não tomava o remédio isso melhorava”, conta. Nessa essa época descobriu a depressão, confirmada por psiquiatras.

SOB PRESCRIÇÃO

Por curiosidade e interesse, ele já conhecia bem o uso medicinal da Cannabis. Não à toa, tratou logo de preparar uma manteiga logo quando sentiu os primeiros efeitos colaterais. E, justamente por isso, decidiu começar uma pequena produção em casa.

Foi o suficiente para começar a afastar a depressão. “Consegui me planejar financeiramente para comprar os equipamentos. Arrumei o apartamento e isso já foi gerando uma mudança em mim”, relembra.

Só que a primeira produção levaria alguns meses. Foi quando decidiu pedir a prescrição a um médico. A primeira psiquiatra não topou embarcar nessa. Achava melhor tratar com os antidepressivos convencionais.

Não era o que ele queria. Buscou um segundo médico que, enfim, liberou as receitas. E um óleo de THC vendido por uma associação.

O efeito positivo apareceu aos poucos. “Voltei a regular o sono. Antes tudo me demandava um esforço muito maior. Agora tenho disposição para levantar, tomar café. Voltei a me alimentar bem.”, comemora.

*Gabriel preferiu não expor o sobrenome

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