Abuso de maconha pode alterar DNA humano, diz estudo inglês

O uso intenso da erva tem um impacto no DNA humano que pode afetar a saúde mental. Porém, efeito é mais forte em pessoas que fumam tabaco, sugere uma nova pesquisa da Universidade de Canterbury (UC).

Um estudo publicado na revista científica Translational Psychiatry investiga se o uso abusivo de maconha pode alterar a metilação do DNA, que são mudanças químicas no corpo que influenciam o funcionamento de nossos genes.

A pesquisa afirma que os potenciais benefícios medicinais e terapêuticos da Cannabis e seus principais ingredientes ativos, o THC e o CBD, têm ganhado cada vez mais interesse. Os pesquisadores ponderam, no entanto, que existem fortes evidências que sugerem que o uso pesado e prolongado da droga pode estar associado a um risco aumentado de resultados adversos em várias áreas, incluindo saúde mental, como depressão e esquizofrenia. Também está associado a doenças cardíacas.

“Este estudo mostra como o uso de cannabis está ligado a alterações nas vias gênicas que podem explicar a ligação entre o uso pesado de cannabis e os resultados adversos à saúde”, diz ela. “No entanto, em termos do efeito sobre o genoma e a metilação do DNA, a cannabis parece ter um efeito distinto e um pouco mais sutil que o tabaco. Não está alterando os caminhos dos genes na mesma extensão, mas os afeta de maneiras muito específicas”, afirmou a principal autora do estudo da UC, a professora Amy Osborne, ao portal Medical Xpress.

O estudo coletou amostras de sangue de 48 voluntários com 28 anos de idade e as analisou quanto às diferenças de metilação do DNA entre usuários e não usuários de maconha. As maiores mudanças ocorreram naqueles que fumavam tabaco e Cannabis. Contudo também havia evidências de alterações e específicas do DNA naqueles que fumavam apenas maconha, comparado aos não usuários. Os genes mais afetados foram identificados como aqueles envolvidos na função cerebral e cardíaca.

Osborne diz que o estudo da UC sugere que, embora o tabaco tenha um efeito mais forte no DNA do que a maconha, a maconha parece exercer efeitos específicos nos genes envolvidos nas funções do cérebro e do coração. No entanto, pondera que são necessárias mais pesquisas com um tamanho de amostra maior.

Conforme o estudo, existem aspectos hereditários do transtorno de uso de Cannabis, e vários candidatos a fenótipos, como o uso de Cannabis ao longo da vida, foram recentemente identificados. Eles explicam uma proporção da variação na herdabilidade do uso da planta.

Mecanismos genéticos estão envolvidos na interação entre o genoma e o ambiente. Eles respondem a mudanças nos estímulos ambientais (como dieta, exercício, medicamentos) e agem para alterar a estrutura da cromatina e, assim, regular a expressão gênica.

Modificações epigenéticas, como a metilação do DNA, contribuem para características e doenças complexas. Por exemplo: fatores ambientais como drogas, álcool, estresse, nutrição, infecção bacteriana e exercícios têm sido associados a alterações na metilação. Foi demonstrado que várias dessas mudanças de metilação perduram e induzem mudanças biológicas duradouras, enquanto outras são dinâmicas e transitórias.

O consumo de álcool afeta os padrões de metilação em todo o genoma, e algumas dessas mudanças revertem com a abstinência do consumo de álcool. Uma observação semelhante é relatada para ex-fumantes de tabaco, com alterações na metilação do DNA após a cessação, chegando a níveis próximos daqueles que nunca fumaram tabaco. Assim, a metilação do DNA pode ser indicativa de uma exposição ambiental específica, lançar luz sobre a interação dinâmica entre o ambiente e o genoma e fornecer novos insights sobre a resposta biológica.

O estudo afirma que o uso recreativo de drogas (estímulo ambiental) tem sido associado a resultados adversos da saúde mental, particularmente em jovens, e a epigenética pode desempenhar um papel na mediação da biologia envolvida.

Leia o estudo completo aqui (em inglês).

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